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A força do varejo brasileiro

O PIB do varejo brasileiro é 44% maior do que o PIB da agropecuária e equivale a 83% da indústria de transformação

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Quando analisamos os setores que movem o Brasil, um desponta com sua força: o varejo brasileiro. Dos R$ 6,7 trilhões em valores correntes que formaram o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no 1º semestre deste ano, temos 9,4% produzidos pelo varejo, ou seja, cerca de R$ 630 bilhões.

O PIB do varejo brasileiro, por exemplo, é 44% maior do que o PIB da agropecuária e equivale a 83% da indústria de transformação.

Mas, apesar desses números grandiosos, nos últimos anos, tem registrado dificuldades para manter seu crescimento, haja vista que o comércio varejista ampliado, em julho de 2024, cresceu, nominalmente, cerca de 3,5% ao ano; já em julho de 2025, em torno de 1,8%; e agora, em julho deste ano, módico 1,2%.

Segundo o IDV, que publica mensalmente o Índice Antecedentes de Vendas (IAV), que mede o comportamento das vendas de seus associados, as maiores empresas de varejo do País, nos últimos 20 meses, as vendas totais ajustadas pelo IPCA (vendas reais) apresentaram desempenho negativo.

Em julho, foi -2,8% frente ao mesmo mês do ano passado. E as projeções para os próximos meses se mantêm negativas.

Desnecessário mencionar o que a maioria dos artigos sobre o varejo já abordou como principais causas deste momento difícil: juros elevadíssimos, endividamento e inadimplência tanto das pessoas físicas quanto das empresas, além de bilhões retidos nos sites de apostas que deveriam estar no varejo e serviços, entre outras causas.

E, mais recentemente, a Medida Provisória (MP) 1.357, de 12 de maio de 2026, que zerou o Imposto de Importação nas compras internacionais pelas plataformas eletrônicas (cross border) até U$ 50,00 (taxa das blusinhas) e foi transformada na Lei 15.502, de 10 de setembro de 2026, que manteve zero por cento de Imposto de Importação, confirmando a retirada dos 20% deste tributo existente até abril deste ano.

Com zero por cento de Imposto de Importação no cross border para compras de até U$ 50,00, o volume de pacotes/remessas que passou a entrar no Brasil disparou.

A saber: em outubro de 2024, registrou-se 13,5 milhões de pacotes/mês; no ano de 2025, uma média próxima a 14 milhões; e já em maio, com a edição da MP 1.357, o volume saltou para 20 milhões ao mês, atingindo, na média de junho e julho, 28 milhões de pacotes. E agora é lei.

São bilhões de reais que estão saindo do mercado interno, sendo transferidos para os países exportadores favorecidos com a Lei 15.502/2026, e as consequências estão sendo sentidas.

O comércio varejista tinha, em dezembro/2025, o volume de 7.171.382 empregos formais e caiu para 7.119.607 empregos em julho deste ano. São 51.775 empregos eliminados nos principais setores atingidos pela MP, em especial o setor de artigos do vestuário e acessórios, com redução de 31.069 empregos.

Na sua maior parte, efeito causado pelo zero no Imposto de Importação no cross border.

Certamente, há um impacto grande no varejo e no trabalho informal, que são afetados ainda mais por essa concorrência predatória que a Lei 15.502/26 criou. Sem equidade concorrencial e isonomia tributária, a tendência é de agravamento da crise no varejo.

Não se quer exportar empregos, não se quer exportar empresas para os países fronteiriços.

Para evitar isto, há um sinal de esperança na nova Lei 15.502/2026, que prevê, pelo Ministério da Fazenda, a primeira avaliação dos impactos econômicos desta nova lei no prazo de três meses, ou seja, já em 10 de dezembro, logicamente após as eleições.

Enquanto isto, até que dezembro chegue, resta ao varejo a resiliência para enfrentar um mercado adverso e sobreviver até lá.

ARTIGOS

O Brasil que o mundo quer ver

O turismo nacional vive uma fase de consolidação histórica, se firmando como um dos motores mais eficientes de desenvolvimento sustentável, geração de emprego e distribuição de renda

26/09/2026 07h50

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Neste 27 de setembro, ao celebrarmos o Dia Mundial do Turismo, instituído pela ONU Turismo com o objetivo de conscientizar o planeta sobre o valor social, cultural e econômico da nossa atividade, o Brasil tem motivos de sobra para comemorar e olhar o futuro com ambição e confiança.

O turismo nacional vive uma fase de consolidação histórica, deixando o papel de mera promessa e se firmando como um dos motores mais eficientes de desenvolvimento sustentável, geração de emprego e distribuição de renda do nosso país.

Recordes recentes provam que o mundo voltou a olhar para o Brasil com fascínio. Entre janeiro e agosto deste ano, registramos a entrada de 6,4 milhões de turistas internacionais – alcançando o patamar recorde do mesmo período de 2025.

Parte desses visitantes gastaram R$ 33,6 bilhões nos primeiros sete meses deste ano no País.

Trata-se de um crescimento expressivo em relação aos R$ 25 bilhões registrados no mesmo período do ano passado, comprovando que os estrangeiros não apenas estão vindo mais ao País, mas também deixando significativamente mais recursos na nossa economia.

Recursos que irrigam desde grandes centros até as pequenas comunidades.

Internamente, a força do nosso mercado é igualmente expressiva. Atingimos a maior movimentação de passageiros domésticos da história, com 68,3 milhões de pessoas voando pelo País de janeiro a agosto.

E toda essa movimentação se traduz em dignidade social: geramos 93 mil novos empregos formais no setor em um ano. Hoje, o turismo conta com 2,44 milhões de trabalhadores, representando 5% da força laboral do País.

O cenário reflete uma estratégia clara de reforço da promoção do Brasil – calcada no compromisso com a sustentabilidade, a diversidade e a inclusão – e de fortalecimento da infraestrutura turística.

Como pilar central dessa estratégia, consolidamos o Fundo Geral de Turismo (Fungetur) como a nossa principal política pública de fomento.

Por meio dele, impulsionamos o setor em uma escala sem precedentes: viabilizamos cerca de 6.570 contratos de financiamento com condições especiais, somando R$ 2,94 bilhões aplicados diretamente na modernização, estruturação e no fomento de todo o trade turístico nacional.

Apoiando essa grande frente de crédito e investimentos, celebramos, desde 2023, quase 2.100 contratos para obras no segmento com estados e municípios, destinando R$ 2,7 bilhões e concluindo mais de 1.500 projetos, entre reformas de orlas, a construção de centros de eventos e outras melhorias urbanas estruturantes.

Mais do que atrair visitantes, posicionamos o País na vanguarda do turismo global. Hoje, o Brasil preside o Conselho Executivo da ONU Turismo e abriga a primeira representação da organização nas Américas, liderando debates decisivos sobre os rumos do setor no cenário internacional.

E o mundo demonstra total disposição para articular avanços conosco: firmamos cooperações bilaterais estratégicas com México, Índia e China, além de termos concretizado o acordo de liberalização aérea na América do Sul, integrando céus e impulsionando o turismo regional.

Em um planeta que busca experiências autênticas e sustentabilidade, o Brasil é imbatível. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, atrativos como a rica biodiversidade do Pantanal, os rios as e grutas de Bonito traduzem essa vocação.

E liderar o setor significa transformar vocação em oportunidade: cada turista representa renda direta no comércio, na pousada e na gastronomia local.

Nesse contexto, o Ministério do Turismo atua atento a todas as vertentes do setor: desde empreendimentos como o grandioso Polo Turístico Cabo Branco, na Paraíba, até o fortalecimento do afroturismo e do turismo em terras indígenas, garantindo que a atividade se converta em melhorias concretas na vida da população.

Olhamos com igual empenho para o turismo fronteiriço, organizando estudos com a Unesco que vão proporcionar o aproveitamento do imenso potencial das nossas regiões de divisa com o exterior.

O Brasil é uma experiência viva que transforma quem nos conhece. Ao comemorarmos este Dia Mundial do Turismo, assumimos com orgulho o protagonismo global que nos cabe.

De braços abertos para o mundo, impulsionados pela energia do nosso povo, reafirmamos o compromisso de construir um setor forte, inclusivo e sustentável. O Brasil deixou de esperar pelo amanhã: o nosso momento de encantar o planeta é agora!

EDITORIAL

Bets e o dinheiro das famílias

A proibição, entretanto, não encerra o problema. Será necessário impedir que o mercado legal simplesmente seja substituído por plataformas clandestinas

26/09/2026 07h30

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A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de proibir as bets no Brasil, anunciada nesta sexta-feira, a nove dias do primeiro turno das eleições, reúne duas questões que precisam ser analisadas separadamente. A primeira é o mérito da medida. A segunda é o momento escolhido para adotá-la.

Sobre o primeiro ponto, é preciso reconhecer que as apostas eletrônicas se transformaram em um problema para muitas famílias brasileiras.

Estudo da Universidade de São Paulo (USP) estimou que as bets retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões do consumo e da atividade econômica em 2025, valor equivalente a até 1,1% do PIB.

Não se trata, portanto, apenas de uma questão de entretenimento ou de liberdade individual. Quando parte expressiva da renda das famílias é direcionada às apostas, esse dinheiro deixa de circular em outras atividades.

A reportagem publicada nesta edição mostra, inclusive, que a proibição poderá devolver uma cifra significativa à economia local.

É muito dinheiro movimentado. São bilhões de reais. O problema é que esse enorme fluxo financeiro está associado a uma atividade que gera relativamente poucos empregos formais. Levantamento citado nesta semana aponta 1.144 postos registrados até dezembro de 2024.

É difícil não questionar se esse dinheiro não estaria melhor aplicado nas famílias, no comércio e na economia de verdade.

Quando um trabalhador deixa de gastar sua renda em apostas e utiliza esse recurso para comprar alimentos, pagar uma conta, quitar uma dívida ou adquirir um produto, o dinheiro continua circulando por setores que empregam, produzem e prestam serviços.

Mas há um segundo ponto que não pode ser ignorado: o momento da decisão. A proibição ocorre justamente na reta final de uma eleição da qual Lula participa como candidato à reeleição.

A medida vinha sendo discutida pelo governo, mas o endurecimento ocorreu nos últimos dias, e reportagens registraram avaliações dentro do próprio campo político sobre seu possível impacto eleitoral.

É legítimo, portanto, perguntar: se as bets são tão nocivas, por que não foram proibidas antes? O Brasil passou anos discutindo a regulamentação dessas plataformas e criou um mercado legalizado antes de chegar à conclusão de que ele deveria acabar.

É preciso, porém, sair da torcida eleitoral e olhar para o problema concreto. Se as bets retiram recursos das famílias, contribuem para o endividamento e movimentam bilhões com geração limitada de empregos, há motivos econômicos e sociais para discutir sua permanência.

A proibição, entretanto, não encerra o problema. Será necessário impedir que o mercado legal simplesmente seja substituído por plataformas clandestinas, fiscalizar as operações financeiras e acompanhar os efeitos sobre famílias, comércio, arrecadação e empregos.

As bets já vão tarde. Se realmente se concluiu que esse modelo produz mais prejuízos do que benefícios, essa conclusão deveria ter sido tomada muito antes – certamente antes de uma eleição. O dinheiro das famílias não pode ser tratado como aposta política nem econômica.

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