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Centenário do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora

No dia 22 de fevereiro de 1926, desembarcaram na Estação Ferroviária de Campo Grande (hoje MS), cinco irmãs religiosas da Congregação de Nossa Senhora Auxiliadora

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Entender as questões políticas, econômicas e sociais da atualidade é um desafio necessário para orientar as nossas escolhas para o futuro. Esse desafio envolve ainda a tarefa de não perder de vista as raízes históricas e culturais da hoje capital do Mato Grosso do Sul.

É com essa intenção que registramos, com pouco mais do que 500 palavras, a trajetória centenária do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora de Campo Grande, que certamente preenche um capítulo importante da história da educação da cidade e região. 

No dia 22 de fevereiro de 1926, desembarcaram na Estação Ferroviária de Campo Grande (hoje MS), cinco irmãs religiosas da Congregação de Nossa Senhora Auxiliadora.

Elas chegaram para fundar uma escola para meninas, conforme deliberação da Missão Salesiana do Mato Grosso.

Estava começando a presença histórica do atual colégio que há um século vem prestando relevantes serviços educacionais para o desenvolvimento da cidade e região.

O grupo pioneiro era formado por quatro Filhas de Maria: Maria Oggero (diretora), Norina Obliqui, Hermínia Marques e Maria Gioga.

Estavam acompanhadas da inspetora Irmã Francisca Lang, que veio para auxiliar a instalação do curso primário, nível correspondente às atuais séries iniciais do Ensino Fundamental.

Houve um atraso na viagem iniciada em Corumbá e o trem chegou a Campo Grande por volta de meia-noite.

Razão pela qual ali estavam para recepcioná-las somente o padre João Crippa e o advogado Adalberto Barreto, magistrado da Justiça Militar, que depois foi professor do estabelecimento.

Dois dias depois, o padre João Crippa, o pároco da Matriz de Santo Antônio, celebrou missa em ação de graças pelo início do trabalho educacional das Filhas de Maria.

Por volta das 9 horas do mesmo dia, houve uma recepção de boas-vindas à religiosas na Casa Paroquial, quando discursaram autoridades e a jovem Oliva Enciso, futura professora cujo nome está na história da cidade.

Nos dias seguintes, foram iniciadas as matrículas das alunas para o curso primário, totalizando 143 meninas que passaram a estudar com a religiosas.

Por alguns anos, o Colégio Auxiliadora ficou instalado em uma casa localizada na Rua 26 de Agosto, próximo à esquina com a Avenida Calógeras.

Uma residência histórica construída em 1910, primeira casa de alvenaria da vila, propriedade do empresário e político Amando de Oliveira.

Após o seu falecimento, ocorrido em 1914, a ampla casa foi vendida para a família da “Dona Neta”, que cedeu o imóvel para nele iniciar o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora.

A referida casa era um imóvel amplo, telhado colonial, porão na parte mais baixa, em razão do declive do terreno em direção ao icônico córrego Prosa.

Para finalizar, cinco anos depois da chegada das primeiras Irmãs, as aulas passaram a ser ministradas na sede própria do Colégio, localizado na Rua Pedro Celestino, esquina com a Avenida Mato Grosso.

Novos cursos foram abertos, incluindo os cursos secundário, comercial e a Escola Normal Dom Bosco, que juntamente com a Escola Normal Joaquim Murtinho ampliaram as condições locais de educação escolar.

Conforme memória da professora Oliva Enciso, o majestoso prédio inaugurado, em 1931, ficava no centro de uma extensa região ainda repleta de guavirais e outras plantas retorcidas do cerrado.

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Editorial

Segurança exige reação imediata

O Estado ostenta índices positivos quando comparado a outras regiões do País. Isso precisa ser preservado. Segurança pública não é apenas um indicador administrativo

11/06/2026 07h15

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Mato Grosso do Sul costuma aparecer em rankings nacionais como um dos estados com melhores indicadores de segurança pública do País. Em linhas gerais, os números sustentam essa percepção.

A população, sobretudo em cidades do interior, ainda convive com uma sensação de tranquilidade acima da média brasileira, algo cada vez mais raro em um cenário nacional marcado pelo avanço da violência urbana e pela presença do crime organizado em diferentes regiões.

Mas a segurança pública não pode ser analisada apenas sob a ótica das estatísticas frias. A sensação de segurança também é construída pelo cotidiano das pessoas, pela percepção de ordem nas ruas, pela presença ostensiva das forças policiais e pela confiança de que o Estado mantém controle sobre o território.

Quando crimes violentos começam a ocorrer em sequência, especialmente homicídios, a percepção social muda rapidamente, mesmo em estados que apresentam indicadores considerados positivos.

Nesta edição mostramos que Campo Grande, ao menos neste mês, já contabiliza mais assassinatos do que a região de fronteira com o Paraguai, historicamente associada aos altos índices de violência e à atuação do narcotráfico.

O dado chama atenção justamente porque rompe uma lógica consolidada ao longo dos últimos anos, na qual os maiores focos de violência letal estavam concentrados nas cidades fronteiriças.

Aliás, os próprios indicadores que sustentam a redução da criminalidade em Mato Grosso do Sul têm sido fortemente influenciados pelos números do interior do Estado.

Em muitos municípios, especialmente nos menores, ainda prevalece um ambiente de relativa estabilidade social e baixos índices de homicídios.

Isso ajuda a equilibrar as estatísticas estaduais, mas não pode servir para mascarar problemas específicos enfrentados pela Capital.

Campo Grande cresceu, se expandiu territorialmente e passou a conviver com desafios típicos dos grandes centros urbanos brasileiros.

Aumento populacional, desigualdade social, expansão periférica desordenada e presença crescente de facções criminosas exigem uma resposta proporcional do poder público.

Há necessidade de uma atuação mais incisiva no combate aos crimes contra a vida na Capital.

Mais do que investigações eficientes, que são indispensáveis, é preciso reforçar a presença ostensiva das forças de segurança em regiões estratégicas da cidade.

O policiamento visível continua sendo um instrumento importante não apenas para reprimir delitos, mas também para transmitir confiança à população.

A presença policial organizada, integrada e inteligente contribui diretamente para reduzir a sensação de abandono em áreas mais vulneráveis.

Quando homicídios passam a ocorrer em ritmo fora da curva, como observado neste mês, a reação do Estado precisa ser rápida, coordenada e cirúrgica.

Não se trata apenas de conter estatísticas negativas, mas de impedir que a escalada da violência comprometa um dos principais patrimônios sociais de Mato Grosso do Sul: a sensação de segurança.

O Estado ostenta índices positivos quando comparado a outras regiões do País. Isso precisa ser preservado. É condição essencial para o desenvolvimento econômico, para a atração de investimentos e para a qualidade de vida da população. 

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O que uma sociedade perde quando deixa de ouvir os mais velhos

Durante séculos, a memória humana foi transmitida pela oralidade. Antes dos arquivos digitais, das redes sociais e até da popularização dos livros, eram as pessoas que preservavam o passado

10/06/2026 07h45

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Vivemos uma época obcecada pelo novo. Novas tecnologias, novas tendências, novas formas de consumir informação.

No meio dessa velocidade, existe uma pergunta que raramente fazemos: o que acontece quando uma sociedade deixa de ouvir aqueles que carregam suas histórias? 

Durante séculos, a memória humana foi transmitida pela oralidade. Antes dos arquivos digitais, das redes sociais e até da popularização dos livros, eram as pessoas que preservavam o passado.

Histórias de família, acontecimentos da comunidade, lendas, tragédias, conselhos e experiências atravessavam gerações pela voz de quem viveu. 

Hoje, temos mais informação do que em qualquer outro momento da história. Paradoxalmente, talvez estejamos ouvindo menos.

Quando um idoso morre, não desaparece apenas uma pessoa. Desaparece uma biblioteca que nunca foi escrita.

Muitas vezes, desaparecem detalhes de uma época, formas de enxergar o mundo, memórias de acontecimentos locais e experiências que não estão registradas em lugar nenhum. 

A oralidade tem uma característica que nenhum banco de dados consegue reproduzir: ela transmite não apenas fatos, mas significado.

Uma mesma história contada por alguém que a viveu carrega emoção, contexto, hesitações, silêncios e interpretações que ajudam a compreender o que aconteceu de forma muito mais profunda. 

Isso é especialmente importante em cidades pequenas e comunidades tradicionais. Grande parte da identidade desses lugares continua sendo preservada por pessoas que contam histórias.

São relatos que explicam de onde viemos, quem fomos e por que determinadas memórias continuam importantes.

Ao ignorarmos essas vozes, corremos o risco de produzir uma sociedade tecnicamente informada, mas emocionalmente desconectada da própria trajetória. 

Talvez o desafio do nosso tempo não seja apenas registrar mais informações. Talvez seja reaprender a escutar. Porque uma cultura não desaparece quando perde seus documentos.

Ela desaparece quando deixa de transmitir suas histórias. E nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, consegue substituir completamente uma geração contando à outra quem ela foi. 

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