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Como promover a aprendizagem sobre democracia desde a infância?

Assembleias de classe e decisões tomadas em grupo são recursos pedagógicos já presentes desde os Anos Iniciais e que têm sido adotados com mais frequência pelas escolas brasileiras

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Em um ano marcado por eleições em todo o País, educadores e gestores pedagógicos têm discutido com mais frequência como trabalhar democracia dentro da sala de aula.

Para estruturar essa discussão, o MEC instituiu o programa Educação para a Cidadania e para a Sustentabilidade, iniciativa apoiada por 120 organizações da sociedade civil e voltada a orientar escolas brasileiras no ensino de temas cívicos.

Assembleias de classe e decisões tomadas em grupo são recursos pedagógicos já presentes desde os Anos Iniciais e que têm sido adotados com mais frequência pelas escolas brasileiras.

Ao organizar esses momentos de escuta e participação, as instituições mostram às crianças que suas opiniões entram no processo de decisão e que conviver em grupo exige responsabilidade e respeito.

Esse aprendizado acontece fora das disciplinas tradicionais e complementa o que os conteúdos curriculares não conseguem cobrir sozinhos.

Como funcionam as práticas democráticas na escola? Nos Anos Iniciais, as práticas democráticas acontecem principalmente por meio da escuta ativa, do diálogo e da participação das crianças nas decisões do cotidiano escolar.

Nesse sentido, as assembleias de classe são um exemplo importante desse processo, pois criam um ambiente em que os estudantes podem expressar opiniões, levantar problemas, sugerir soluções e aprender a respeitar diferentes pontos de vista.

Nas assembleias, os estudantes assumem responsabilidades dentro do grupo e aprendem a lidar com o tempo e com a continuidade das discussões.

Cada escola organiza esse processo de forma diferente, conforme sua estrutura e proposta pedagógica, mas o objetivo compartilhado é que a criança participe ativamente das decisões que afetam sua rotina.

Nesse contexto, as práticas democráticas contribuem para o desenvolvimento integral dos estudantes ao trabalhar habilidades socioemocionais, como empatia, responsabilidade e cooperação.

Com experiências regulares de participação, a criança desenvolve segurança para se posicionar e argumentar nos diferentes espaços sociais que vai ocupar ao longo da vida.

Desde a infância, as crianças aprendem a lidar com frustrações, divergências e negociações, compreendendo que viver em grupo exige escuta e respeito mútuo. Isso acontece quando um estudante precisa esperar sua vez de falar, ouvir uma opinião diferente da sua ou aceitar uma decisão construída coletivamente.

Quanto ao pensamento crítico, as assembleias de classe o estimulam porque colocam as crianças diante de conflitos reais do cotidiano.

Nesses momentos, elas analisam situações, discutem comportamentos e pensam coletivamente em soluções, o que as leva a construir opiniões mais fundamentadas e a tomar decisões com mais segurança.

Ao participar de momentos de diálogo coletivo, os estudantes aprendem a organizar o pensamento, comunicar suas ideias com clareza e justificar escolhas.

As assembleias favorecem situações reais de comunicação nas quais as crianças precisam explicar sentimentos, defender posições e negociar soluções, o que fortalece tanto a oralidade quanto a capacidade argumentativa, competências essenciais para a vida em sociedade e para o percurso acadêmico.

A parceria família-escola na educação para cidadania. Quando a escola valoriza o diálogo, a escuta e a participação, as famílias também passam a perceber maior intencionalidade no desenvolvimento humano das crianças.

Muitas situações discutidas nas assembleias refletem diretamente nas relações familiares e sociais, permitindo que os responsáveis acompanhem mais de perto o desenvolvimento emocional, social e ético dos estudantes.

As famílias percebem, assim, que a escola está preocupada com o desempenho acadêmico e a formação integral da criança, e essa percepção fortalece o vínculo entre as duas instâncias e amplia o impacto do processo de aprendizagem para além dos muros da escola.

A infância também é um tempo de participação e construção coletiva, pois, quando a escola cria espaços de escuta, as crianças percebem que suas ideias têm valor e que podem contribuir para transformar o ambiente em que vivem.

Dessa forma, a educação para cidadania permite que, ao aprenderem desde cedo a dialogar, resolver conflitos, respeitar diferenças e construir soluções coletivas, os estudantes desenvolvam competências fundamentais para a vida pessoal, acadêmica e profissional.

Essas experiências fortalecem a autonomia e o protagonismo infantil, preparando os estudantes para atuarem de forma ética e colaborativa na sociedade.

EDITORIAL

Inteligência contra o crime na fronteira

Existe uma forma de combate ao crime menos visível, menos tensa e, talvez por isso, menos explorada no debate público: a inteligência, trabalho silencioso que desarticula quadrilhas

07/07/2026 07h15

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As últimas semanas foram marcadas por uma sequência de notícias preocupantes na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia.

Confrontos entre forças de segurança e integrantes de organizações criminosas deixaram mortos dos dois lados, evidenciando o elevado grau de violência que há muito tempo se instalou em uma das principais rotas do tráfico internacional de drogas.

Trata-se de um cenário que exige respostas firmes do Estado, mas, sobretudo, respostas eficazes.

A morte de um policial em Corumbá provocou uma reação imediata das forças de segurança, que intensificaram as operações para localizar e prender os responsáveis pelo crime. É compreensível que o assassinato de um agente público desperte indignação e mobilize toda a estrutura policial.

Quem atenta contra a vida de um policial desafia diretamente o Estado e deve responder por seus atos dentro dos limites da lei.

Entretanto, o enfrentamento ao crime organizado não pode se resumir à resposta armada ou à intensificação de operações ostensivas após ataques de grande repercussão. Essas ações são necessárias em determinadas circunstâncias, mas, sozinhas, dificilmente alteram a estrutura das organizações criminosas.

Muitas vezes, apenas substituem integrantes presos ou mortos por outros, que rapidamente ocupam seus lugares.

Existe uma forma de combate menos visível, menos tensa e, talvez por isso, menos explorada no debate público: a inteligência.

É por meio do cruzamento de informações, do monitoramento financeiro, da integração entre órgãos de segurança e da investigação qualificada que se identificam lideranças, rotas, fornecedores, financiadores e operadores das facções.

É esse trabalho silencioso que permite desarticular organizações inteiras, em vez de apenas combater seus braços operacionais.

Nesse aspecto, assim como as forças federais, as estaduais precisam fortalecer seus setores de inteligência. A cooperação entre polícias, Ministério Público, Receita Federal, Poder Judiciário e demais órgãos de controle é fundamental para atingir o verdadeiro coração das organizações criminosas: seu patrimônio.

O sequestro de bens, o bloqueio de contas, a apreensão de imóveis, veículos, aeronaves e recursos financeiros retiram das facções aquilo que lhes garante poder de expansão e capacidade de corromper.

A experiência acumulada no combate ao crime organizado demonstra que prender criminosos é indispensável, mas retirar-lhes o lucro costuma produzir efeitos mais duradouros.

Quando o crime deixa de ser financeiramente vantajoso, enfraquece-se sua capacidade de recrutar novos integrantes, adquirir armamentos e ampliar suas atividades ilícitas.

É uma estratégia que exige paciência, tecnologia, cooperação institucional e investimentos permanentes, mas que apresenta resultados mais consistentes.

Mato Grosso do Sul continuará ocupando posição estratégica no enfrentamento ao tráfico internacional em razão de sua extensa faixa de fronteira. Justamente por isso, é indispensável que a inteligência seja tratada como prioridade permanente, e não apenas como complemento das operações ostensivas.

ARTIGOS

Brasileiro não é apaixonado por futebol

Os brasileiros não são simplesmente apaixonados por futebol, são apaixonados por vencer nesse esporte

06/07/2026 07h45

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Há seis anos acompanho futebol diariamente por ser casada com um jogador profissional. Nesse período, convivendo com alguém que consome futebol do mundo inteiro, da hora que acorda até a hora de dormir, percebi uma diferença importante entre gostar de futebol e ser verdadeiramente apaixonado por ele.

E uma das coisas que aprendi é que nós, brasileiros, não somos simplesmente apaixonados por futebol, nós somos apaixonados por vencer nesse esporte.

Se não fosse assim, como explicar o fato que de quatro em quatro anos, até quem não tem time do coração, nem entende nada de bola, veste a camisa verde e amarela para torcer e se contorcer pela seleção?

Isso é porque carregamos o DNA de campeões. Trazemos no peito essa paixão pela adrenalina, pela sensação eletrizante de gritar gol, que bate diferente no fundo da alma de quem está acostumado a vencer.

Porque essa é a nossa identidade dentro do futebol; é a história que aprendemos desde a infância: nós somos os maiores campeões do mundo.

Mesmo que nos últimos 24 anos a seleção não tenha conseguido trazer mais uma taça para casa, ainda somos os únicos com cinco estrelas no peito e isso ninguém vai tirar de nós. E essa é uma das razões pelas quais nunca vamos admitir perder.

Infelizmente, o nosso país perde, sim, e de lavada em muitos aspectos, como a desigualdade social, a corrupção e a violência. Mas, aos olhos do mundo, temos uma seleção de riquezas brilhando intacta, das quais o futebol segue sendo o capitão.

Mesmo assim, as cinco estrelas não garantem a sexta. O futuro permanece incerto. E é exatamente isso que deixa a ideia do título ainda mais saborosa, e torna esse esporte tão apaixonante.

O futebol é agridoce, como a vida também é. Feito de alegrias e tristezas que se misturam o tempo todo. E dessa taça vamos beber até a última gota, torcendo e nos contorcendo, enquanto alimentamos a esperança do hexa, seja nesta oportunidade ou daqui a 1.460 dias.

Por isso vibre, celebre, aproveite. E não se esqueça: Mesmo que esse capítulo não termine como sonhamos, continuaremos a ser os pentacampeões da história.

E aproveito para te lembrar que, ainda que a sua vida esteja mais amarga que doce, e nem mesmo a beleza do futebol consiga colocar um sorriso no seu rosto agora, o Grande Autor da história quer te fazer mais que vencedor.

Renda-se a Ele, pois maior do que cinco ou seis estrelas no peito, é a vitória que vence o mundo: a nossa fé na brilhante estrela da manhã.

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