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Confira o editorial desta quinta-feira: "Educação e respeito"

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Quando há respeito, seja pela casa, seja pelo patrimônio público, também há harmonia, porque não se faz necessário ser enérgico para fazer com que as coisas ocorram conforme determina a lei.

A educação “concorre” com a saúde, como os setores da vida cotidiana do cidadão brasileiro e sobretudo do poder público, que dependem de soluções no curto, médio e longo prazo para fazer com que a qualidade de vida das pessoas suba de patamar. São inúmeras pessoas nas filas dos postos de saúde, ao passo que a evasão escolar e a superação de desafios, como melhorar a cognição e o entendimento dos brasileiros, ainda são missões consideradas dificílimas.

Ainda não há um consenso sobre qual área é a mais importante, certamente porque as duas demandam soluções para ontem. O que é correto afirmar é que uma boa educação tornaria os problemas em outras áreas da administração pública e do cotidiano das pessoas bem menores. É certo que cidadãos bem informados, conscientes de seu papel na sociedade, têm condições melhores para cuidar da própria saúde e usam o conhecimento que têm – pelo menos é esse o propósito – para melhorar o bem-estar coletivo. 

Ocorre que há um problema na abordagem do tema educação. Nos últimos anos, a população terceirizou o papel de educar às instituições de ensino. A educação de costumes, como o respeito às pessoas e ao patrimônio público, que cabe aos pais, aos responsáveis e também a que provém do meio onde a pessoa vive, foi entregue ao poder público. Boa educação é o melhor caminho para manter uma sociedade, ou mesmo uma casa, devidamente organizada, sem que seja preciso o uso da força ou do poder coercitivo do Estado. Quando há respeito, seja pela casa, seja pelo patrimônio público, também há harmonia, porque não se faz necessário ser mais enérgico para fazer com que as coisas ocorram conforme determina a lei.

Nesta edição, trazemos mais um problema crônico, que é o furto de fiação. Quem trabalha na área da construção civil sabe que isso é algo recorrente. Até mesmo a população é alvo de ações de marginais, que invadem suas residências para roubar fios.

É caso de polícia e vigilância, mas também um problema de educação. Não se deve permitir qualquer ato criminoso, seja o furto, seja o vandalismo. O caso que mostraremos adiante ganhou repercussão por ter ocorrido na obra de revitalização da Rua 14 de Julho, destino comum a centenas de milhares de moradores da cidade. Se houvesse mais rigidez na fiscalização e mais punição para os que cometem crimes, certamente esse ato criminoso não teria ocorrido e o destaque desta edição seria outro.

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Violência contra a mulher e o mito do bom pai agressivo

Um homem já condenado por violência psicológica e perseguição contra a mãe de uma criança agora será denunciado por estupro da própria filha, uma menina de apenas cinco anos

13/06/2026 09h00

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Esta semana recebi a confirmação mais dolorosa de uma reflexão que há muito tempo me acompanha: “um homem que não respeita a mãe de seus filhos dificilmente pode ser considerado um pai seguro”.

Um homem já condenado por violência psicológica e perseguição contra a mãe de uma criança agora será denunciado por estupro da própria filha, uma menina de apenas cinco anos. Como mulher e advogada, a notícia me atravessou profundamente.

Quando atuei no caso de violência doméstica, concentrei meus esforços na proteção da mulher. Lembro com nitidez de uma pergunta que fiz à mãe. Quis saber se ela acreditava que aquele homem seria capaz de fazer algum mal à filha. A resposta foi negativa. Ela acreditava que apesar da violência psicológica que sofria ele não faria mal a criança. Durante décadas, a sociedade construiu a ideia de que um homem pode ser um companheiro abusivo e, ao mesmo tempo, um pai adequado. Criou-se uma espécie de compartimentalização moral que separa a violência praticada contra a mulher da relação mantida com os filhos.

Hoje penso diferente. Quem humilha, controla, ameaça e viola a dignidade de uma mulher já demonstra desprezo pelos limites e pela integridade do outro. E uma criança é ainda mais vulnerável.

A violência doméstica não pode ser tratada como um problema restrito ao casal. Ela deve ser vista como um sinal de risco para toda a família. Filhos que convivem com agressores precisam estar no centro da análise das autoridades e do sistema de proteção.

A experiência mostra que muitas tragédias não surgem do nada. Elas são precedidas por sinais. Comportamentos abusivos, perseguições, ameaças e agressões emocionais costumam ser vistos como episódios isolados quando, na realidade, podem integrar uma escalada de violência muito mais ampla.

Nem todo agressor de mulheres cometerá violência contra os filhos. Mas ignorar os sinais que a violência doméstica revela pode ter consequências irreparáveis. A proteção das crianças exige que deixemos de separar, de forma automática, o homem violento do pai que ele afirma ser.

Precisamos urgentemente rever a forma como as instituições enxergam a violência doméstica. A violência contra a mulher não pode ser tratada como um conflito isolado do ambiente familiar. Ela é um alerta de risco para todos ao redor, especialmente para os filhos.

Essa reflexão é dura. Mas necessária.

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Porto Esperança tem petróleo

As composições de cargas e passageiros tinham nesse distrito a sua parada, e os passageiros com destino a Corumbá, bem como as cargas, seguiam pelo Rio Paraguai, por meio de navios que faziam a linha regularmente

13/06/2026 08h30

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Porto Esperança é um distrito do município de Corumbá e foi durante alguns anos o ponto final da linha ferroviária Noroeste do Brasil. Isso porque a ponte ferroviária ainda não estava concluída. As composições de cargas e passageiros tinham nesse distrito a sua parada, e os passageiros com destino a Corumbá, bem como as cargas, seguiam pelo Rio Paraguai, por meio de navios que faziam a linha regularmente. Com isso, o distrito era dotado de toda a infraestrutura necessária para esse transbordo.

Havia um destacamento do Exército, uma Capitania dos Portos comandada pela Marinha de Guerra, agência dos Correios, Mesa de Rendas (atualmente posto da Secretaria de Fazenda), escritório da empresa marítima estatal Bacia do Prata, posto policial e um serviço de telégrafos da NOB que atendia também a população. Havia ainda duas escolas de primeiro grau (até a 3ª série primária), uma pista de aviação para pequenas aeronaves, além de dois armazéns de secos e molhados. Não poderia faltar a Igreja Católica, cujo padre se deslocava de Miranda para rezar a missa de domingo.

Como ponto final da Ferrovia Noroeste do Brasil, e para dar continuidade ao transporte das cargas até o destino final, eram necessários os profissionais denominados estivadores, que trabalhavam em turnos de seis horas, fazendo com que o distrito tivesse uma movimentação ininterrupta durante as 24 horas do dia. O mesmo ocorria com os manobristas das composições da NOB. Os moradores eram acostumados com o apito das máquinas e os ruídos de engates e desengates dos vagões.

Porém, algo chamava a atenção de quem ali vivia ou transitava: uma torre metálica de cerca de cinco ou seis metros de altura. Poucos sabiam explicar para que servia, porém as pessoas mais antigas afirmavam que se tratava de uma torre para exploração de petróleo, erguida naquele local no início da década de 1940 por uma empresa norte-americana, que, após a perfuração do poço, constatou a presença de um líquido de cor escura que possivelmente seria petróleo.

Infelizmente, eclodiu a Segunda Guerra Mundial e o poço foi lacrado por uma camada de concreto. Os funcionários, técnicos e engenheiros americanos foram embora.

Os moradores aproveitavam o líquido que vazava e o utilizavam em suas lamparinas, pois ali não havia luz elétrica. Sabe-se que houve tentativas de uma empresa nacional de dar continuidade à pesquisa. Uma delas foi liderada por Monteiro Lobato, que chegou a instalar um escritório em Corumbá, em cuja fachada havia uma placa com os seguintes dizeres: Companhia Matogrossense de Petróleo.

Porém, ele tentou por todos os meios obter licença do Senado para levar a cabo seu intento, sendo vencido por um fortíssimo lobby em favor da empresa norte-americana.

Posteriormente, já como Mato Grosso do Sul, um estudo realizado pela Petrobras via satélite veio confirmar a presença do ouro negro não apenas em Porto Esperança, mas também em municípios do Bolsão e, pasmem, no município de Campo Grande.

Está na hora de nossas autoridades mexerem os pauzinhos e, quem sabe, acreditando que eleições fazem milagres, poderemos transformar Porto Esperança em um polo industrial de petróleo.

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