Artigos e Opinião

CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta segunda-feira: "Previdência insustentável"

Confira o editorial desta segunda-feira: "Previdência insustentável"

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Ninguém consegue imaginar um fundo previdenciário sem patrimônio ou capital. A dura realidade é que os sistemas dos estados e municípios brasileiros não têm nenhum dos dois.

A  previdência é algo criado pelo homem e que está diretamente relacionada ao seu ciclo de vida. Sua existência está diretamente ligada à ascensão do capitalismo. Por mais que atualmente existam linhas de pensamento que coloquem a preocupação com o pagamento de aposentadorias e pensões mais próximo de doutrinas socialistas, a verdade é que as primeiras leis previdenciárias surgiram, justamente, no fim do século 19, numa época em que a produção por escala, por meio de linhas de montagem, ganhava força.

O primeiro benefício previdenciário de que se tem registro é o auxílio-doença, que surgiu em 1993, na Alemanha de Otto Von Bismarck. De lá para cá, diversos tipos de seguros sociais foram se espalhando mundo afora e estão presentes, praticamente, em todas as nações do mundo ocidental e em muitos países do Oriente também.

Diante deste contexto, é importante frisarmos que o desafio de financiamento que a previdência brasileira enfrenta nos dias atuais está muito mais relacionado à gestão dos recursos arrecadados ao longo da história do que necessariamente a qualquer tipo de ideologização do tema. Não fosse a previdência algo visto como necessário na existência de uma pessoa economicamente ativa, os bancos – maior símbolo do sistema capitalista – não venderiam planos de previdência complementares.

Preparar-se para o futuro é preciso. A imprevidência do passado gerou o deficit que vivemos no momento. Para demonstrar um pouco do problema que atravessam os regimes previdenciários do setor público brasileiro, vamos aos sistemas de aposentadorias e pensões dos servidores públicos. Neles, é possível perceber que são raríssimos os estados e municípios brasileiros que não enfrentam dificuldades.

Reportagem publicada nesta edição mostra que em Mato Grosso do Sul é preciso aportar, todos os meses, R$ 56 milhões para cobrir o deficit da previdência dos servidores públicos. Esta insuficiência denota um sistema falido e que chegou a esta situação por problemas de gestão em décadas passadas.

Por exemplo: ninguém consegue imaginar um fundo de previdência que não tenha patrimônio ou capital. A dura realidade é que os sistemas previdenciários dos estados e municípios brasileiros não têm nenhum dos dois, daí a necessidade dos aportes milionários mensais.

A maioria dos aposentados e pensionistas desta geração fez por merecer os benefícios que recebem. Não fossem as más gestões do passado, estariam, agora, recebendo parte do patrimônio que ajudaram a construir com suas contribuições. O mais lamentável sobre o momento em que vivemos é que a geração atual paga a previdência da geração anterior e, certamente, não sabe se terá algum tipo de previdência no futuro.

Enquanto os governantes não capitalizarem, não dotarem os sistemas previdenciários de patrimônio, a previdência pública do Brasil será sempre deficitária.
 

ARTIGOS

Nas ruas, a defesa da dignidade

País ultrapassou 365 mil pessoas em Situação de Rua entre o fim de 2025 e o início de 2026

24/06/2026 07h45

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O crescimento da população em situação de rua no Brasil expressa a realidade social das cidades contemporâneas.

Levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (UFMG), com base no Cadastro Único, indica que o País ultrapassou 365 mil pessoas nessa condição entre o fim de 2025 e o início de 2026, mantendo uma trajetória de alta nos últimos anos.

Entre 2018 e 2023, o número de registros praticamente dobrou, superando 221 mil pessoas, com presença já identificada em mais de 40% dos municípios brasileiros.

Mais do que números, estamos diante de vidas. E a forma como a sociedade olha para essas vidas diz muito sobre o projeto de cidade que estamos construindo.

Ainda persistem, na sociedade, estigmas e preconceitos em relação à população em situação de rua, frequentemente tratada de forma reducionista, em vez do reconhecimento deste grupo como sujeitos de direitos.

Essa ótica, por vezes naturalizada, acaba influenciando práticas institucionais e respostas públicas que priorizam o afastamento, o controle ou a invisibilização, em detrimento da construção de alternativas efetivas.

Longe de ser resultado de escolhas individuais, a vida nas ruas expressa uma profunda violação de direitos, vinculada à desigualdade estrutural e à precarização das condições de vida. Enfrentar essa realidade exige mais do que gestão urbana, exige compromisso ético com a dignidade humana.

É nesse cenário que a atuação de assistentes sociais se torna fundamental, não somente na garantia de acesso a direitos, mas também na construção de leituras críticas da realidade e de respostas comprometidas com a vida das pessoas.

Orientado pela Política Nacional para a População em Situação de Rua (Decreto nº 7.053/2009), o trabalho profissional parte do reconhecimento desse grupo social como sujeito de direitos, com histórias, demandas e potencialidades que precisam ser compreendidas em sua complexidade.

Na prática, assistentes sociais atuam diretamente nos territórios, em serviços como Centros POP, Creas e equipes de Consultório na Rua. Mais do que encaminhamentos pontuais, sua atuação deve se fundamentar na escuta qualificada, na construção de vínculos e no acompanhamento continuado.

O diálogo é elemento central desse trabalho: é por meio dele que emergem demandas reais (muitas vezes invisibilizadas) relacionadas à documentação, à saúde, à renda, à moradia e à reconstrução de relações familiares e comunitárias.

Atuar com compromisso técnico e ético é reconhecer o outro em sua condição humana, romper com a invisibilidade e construir caminhos possíveis.

Diante de práticas higienistas, remoções forçadas e da criminalização da pobreza, o serviço social se posiciona de forma firme na defesa da dignidade de toda a população.

Enfrentar a realidade das ruas exige mais do que respostas rápidas: exige compromisso com a vida e com transformações concretas. O serviço social trilha esse caminho todos os dias, por meio de trabalho técnico e qualificado, da atuação crítica e da construção de alternativas.

Fica o convite à sociedade: romper com respostas simplificadas e excludentes e assumir um compromisso real com as vidas e a justiça social.

ARTIGOS

Pesquisa, diagnóstico e dignidade: o compromisso do MCTI com a saúde da mulher

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação destinou investimento de R$ 60 milhões para pesquisas e inovações no diagnóstico e tratamento da endometriose, dor pélvica crônica e saúde menstrual

24/06/2026 07h30

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Governar com sensibilidade é transformar o conhecimento científico em dignidade e qualidade de vida para as pessoas. Por muito tempo, as dores e os desafios da saúde menstrual e da endometriose foram tratados sob o manto da invisibilidade, relegados a um silêncio que penaliza milhões de mulheres, trabalhadoras e estudantes brasileiras.

No dia 9 de junho, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em um esforço conjunto com o Instituto Alana, deu um passo histórico para mudar essa realidade.

Anunciamos um investimento expressivo de R$ 60 milhões dedicado integralmente ao desenvolvimento de pesquisas e inovações para agilizar o diagnóstico e dar maior eficácia ao tratamento da endometriose, dor pélvica crônica e saúde menstrual.

Colocamos, assim, a ciência brasileira no centro da solução de um gargalo histórico do nosso Sistema Único de Saúde (SUS).

Este é o maior aporte da história do Ministério voltado para a saúde da mulher e a saúde menstrual. Estamos disponibilizando R$ 50 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), por meio de uma chamada pública nacional, para apoiar pesquisas científicas de ponta e o desenvolvimento de tecnologias e produtos inovadores que mudem a realidade do enfrentamento da endometriose no Brasil.

Essa iniciativa ganha ainda mais força com a parceria estratégica do Instituto Alana, que aportará outros R$ 10 milhões para a criação de uma rede nacional estruturante de pesquisa nessa área.

Juntos, esses investimentos permitirão ampliar o conhecimento científico sobre a origem dessas doenças, fortalecer grupos de pesquisa em todo o País, desenvolver novos métodos de diagnóstico, aperfeiçoar tratamentos, estruturar biorrepositórios e compreender os impactos sociais e econômicos dessas condições.

A endometriose é uma doença que penaliza profundamente quem convive com ela. Além das dores físicas incapacitantes, impacta a saúde mental e a trajetória educacional e profissional das mulheres.

Hoje, elas ainda enfrentam anos de espera para obter um diagnóstico correto, convivendo com estigmas e limitações que a ciência e a inovação brasileiras podem ajudar a enfrentar.

Com essa nova iniciativa, o MCTI reafirma a convicção de que a ciência deve estar a serviço da vida, do cuidado e da promoção da igualdade.

Queremos promover a dignidade menstrual e garantir vida plena para milhões de brasileiras, produzindo soluções alinhadas às demandas do SUS e fortalecendo o complexo econômico-industrial da Saúde.

No governo do presidente Lula, ciência e saúde andam de mão dadas. Desde o início da nossa gestão, já investimos mais de R$ 6 bilhões em projetos na área de saúde, apoiando pesquisa, inovação e produção nacional de medicamentos, vacinas, equipamentos e insumos estratégicos para o SUS e reforçando a política industrial brasileira.

É a ciência brasileira mostrando sua face mais humana, mobilizada para responder às necessidades reais do nosso povo e para construir um país mais justo, inclusivo e soberano. Cuidar das mulheres é também cuidar do futuro e do desenvolvimento do Brasil.

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