Artigos e Opinião

Editorial

Dar vida de volta aos bairros da Capital

A recuperação desses espaços degradados de Campo Grande depende de uma ação coordenada entre segurança pública, assistência social e planejamento urbano

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A degradação urbana que avança sobre bairros tradicionais de Campo Grande exige uma resposta imediata do poder público. Regiões como Vila Santa Dorothéa, Vila Glória e Vila Carvalho, que durante décadas concentraram moradores, comércio e intenso movimento, convivem hoje com um cenário de abandono.

Terrenos baldios transformaram-se em abrigo para usuários de drogas, estabelecimentos comerciais passaram a ser alvo frequente de furtos e a sensação de insegurança tornou-se parte da rotina de quem ainda resiste em permanecer nesses locais.

Não se trata de um problema isolado nem recente. Comerciantes e moradores relatam invasões constantes a imóveis para o furto de fios, equipamentos, peças metálicas e qualquer objeto que possa ser vendido rapidamente para sustentar o consumo de drogas.

O resultado é um ciclo perverso: aumenta a criminalidade, diminuem as atividades econômicas, imóveis são fechados, ruas ficam vazias e a degradação se intensifica.

A ausência do poder público acaba criando um ambiente propício para que esse processo se aprofunde.

Quanto menor a circulação de pessoas e menor a presença das instituições, maior a ocupação dos espaços pela criminalidade e pelo abandono. É um fenômeno que já não se restringe à região central expandida e se repete em bairros como Amambaí, Vila Nhanhá e outros pontos da Capital.

O enfrentamento desse cenário passa, inevitavelmente, por uma atuação mais firme das forças de segurança.

Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana precisam intensificar rondas ostensivas, manter presença diária nessas regiões e impedir que espaços públicos e privados continuem sendo ocupados por grupos envolvidos em furtos e outros delitos.

A simples presença permanente dos agentes de segurança costuma produzir resultados imediatos, devolvendo parte da tranquilidade aos moradores e inibindo a ação criminosa.

Ao mesmo tempo, seria um erro reduzir a questão exclusivamente à segurança pública. Muitas pessoas que hoje vivem nas ruas enfrentam dependência química e extrema vulnerabilidade social.

É preciso que as ações policiais sejam acompanhadas por equipes de assistência social e saúde, capazes de encaminhar quem aceita tratamento, acolhimento e reinserção social.

Combater a criminalidade e oferecer alternativas para quem deseja sair dessa condição são medidas complementares, não excludentes.

No médio prazo, Campo Grande também precisa recuperar esses bairros. Investimentos em infraestrutura, iluminação pública, limpeza, manutenção de áreas abandonadas e estímulos à ocupação residencial e comercial são fundamentais para devolver vitalidade às regiões degradadas.

Uma cidade viva é aquela em que as ruas são ocupadas por moradores, trabalhadores e consumidores, e não pelo abandono.

A recuperação desses espaços depende de uma ação coordenada entre segurança pública, assistência social e planejamento urbano.

Adiar providências significa permitir que a degradação avance para novas áreas da cidade. Campo Grande não pode aceitar que bairros com tanta história sejam entregues ao abandono. Dar vida de volta a essas regiões é uma obrigação do poder público.

ARTIGOS

Como o El Niño e as barreiras protecionistas interferem na pecuária moderna

Intensificar a expansão sem o suporte de uma gestão financeira cirúrgica é o caminho mais rápido para o prejuízo na pecuária

09/09/2026 07h25

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Estamos prestes a iniciar uma das estações de monta mais desafiadoras da nossa história. O pecuarista que encarar esse momento apenas como mais um ciclo reprodutivo corre o risco de ver sua margem operacional evaporar nos próximos dois anos.

Em Mato Grosso do Sul, a pecuária tem sofrido forte pressão de outras culturas: a rápida expansão da soja, das florestas plantadas e da citricultura reduz as áreas de pastagens disponíveis, forçando-nos a intensificar cada vez mais a produção.

Porém, intensificar sem o suporte de uma gestão financeira cirúrgica é o caminho mais rápido para o prejuízo.

Para enfrentar esse cenário complexo, agravado pelas previsões de calor severo e chuvas irregulares ocasionados pelo El Niño, apresentamos três quebras de paradigma imprescindíveis para o sucesso da safra 2026/2027:

Primeiramente, a matriz vazia não é necessariamente apenas um indicativo de falha reprodutiva, lembre-se que ela é uma importante fonte de receita para o criador de bezerros.

Tradicionalmente, o produtor hesita em descartar fêmeas falhas, carregando-as na esperança de um resultado tardio. Mas a matemática é implacável, matrizes vazias inflam a taxa de lotação da fazenda, porém não ajudam a pagar as contas.

Diante de pastagens castigadas pelo estresse térmico e pela degradação hídrica do El Niño, manter essa “máquina” improdutiva consumindo recursos é insustentável.

O descarte  dessas fêmeas vazias ao fim da estação de monta deve ser inegociável, trata-se de uma estratégia para gerar receita e aliviar os pastos na seca para priorizar os animais produtivos.

Em segundo vem a “guerra silenciosa” por áreas e a armadilha inflacionária do milho.  Disputamos por áreas produtivas diretamente com a agricultura e a silvicultura. Com menos espaço para a pecuária, a resposta óbvia tem sido a transição para sistemas que adotam semiconfinamento e confinamento.

Mas surge aí uma nova competição por outro recurso: o milho. A consolidação de gigantes usinas de etanol de milho no Estado estabeleceu uma demanda contínua que inflaciona o grão. Antes de confinar, o produtor deve priorizar a produção de arrobas em pastagem.

A arroba mais barata continua sendo aquela produzida a pasto.

E em terceiro, a estação de monta como uma “máquina do tempo” para o mercado de 2028. O cerco internacional se fechou. A União Europeia barrou as importações de animais que tenham consumido antimicrobianos (promotores de crescimento químicos).

Paralelamente, as cotas da China para a carne brasileira foram atingidas e o excedente será taxado em mais 55%. No bolso do produtor, a suspensão do bônus Hilton representa uma perda direta de aproximadamente R$ 6,00 por arroba do animal abatido.

Como o MS tem seu foco na produção de animais precoces e superprecoces, abatidos entre 18 meses e 24 meses, as decisões sobre o protocolo sanitário e nutricional do bezerro concebido hoje definirão a liquidez dessa safra em 2028.

Planejar o fluxo de caixa, determinar o custo real de cada arroba produzida e antecipar-se às barreiras comerciais não são mais opcionais: são condições imprescindíveis para maximizar o resultado da operação pecuária.

EDITORIAL

Caos que não pode ser normalizado

É lamentável que um hospital tão importante para Campo Grande e Mato Grosso do Sul esteja permanentemente envolvido em problemas financeiros

09/09/2026 07h15

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Nesta edição, mais uma vez, mostramos o caos financeiro da Santa Casa de Campo Grande e suas implicações. E elas têm se agravado somadas à má gestão financeira do hospital.

Não há mais como aceitar a justificativa de que a Santa Casa é um hospital de “portas abertas” e que, por isso, os recursos públicos repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nunca são suficientes para equilibrar as contas.

É evidente que pode haver insuficiência de recursos para manter uma estrutura desse porte, mas a falta de dinheiro não pode servir como explicação permanente para um cenário de desorganização financeira. Talvez faltem recursos, mas não ao ponto de justificar o caos atual.

Quando uma instituição recebe recursos públicos em valores expressivos, a sociedade tem o direito de saber como esse dinheiro é utilizado. E é justamente aí que está um dos maiores problemas da Santa Casa: falta transparência.

As contas e os contratos de terceirização não permitem compreender com clareza onde estão os custos. É preciso saber se não há situações injustas, com muita gente produzindo pouco enquanto recebe muito dinheiro.

Não se trata de acusar ninguém sem provas, mas de exigir que os números permitam afastar dúvidas. A falta de transparência abre espaço para questionamentos sobre a eficiência dos contratos e da estrutura administrativa da Santa Casa de Campo Grande. Uma gestão responsável deveria esclarecer essas questões.

Também chama atenção o peso dos juros pagos mensalmente pela instituição. São milhões de reais que deixam de ser destinados à atividade hospitalar para remunerar dívidas acumuladas. Em algum momento, é preciso atacar as causas do problema.

A Santa Casa também poderia ter mais capacidade de gerar caixa e depender menos dos repasses do SUS. Isso exigiria planejamento e revisão de despesas, processos e contratos. Aparentemente, não há um trabalho consistente nessa direção.

É lamentável que um hospital tão importante para Campo Grande e Mato Grosso do Sul esteja permanentemente envolvido em problemas financeiros. Parte dessas dificuldades pode decorrer não apenas da falta de recursos, mas também de uma gestão que não demonstra eficiência e transparência.

A Santa Casa de Campo Grande precisa de recursos, mas precisa também de gestão. Precisa do Sistema Único de Saúde, mas deve buscar reduzir sua dependência.

E precisa, principalmente, abrir suas contas para distinguir aquilo que é efetivamente falta de dinheiro daquilo que pode ser consequência de decisões administrativas equivocadas. Sem isso, o problema continuará sendo empurrado para o futuro, enquanto a conta ficará para a sociedade.

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