Finalmente, em Campo Grande o chamamé chegou ao teatro, marcando um precioso tento em toda sua história local. Oriundo das camadas populares, o ritmo correntino foi aceito e introduzido aqui em todos os segmentos sociais, tornando-se um dístico tradicional de nossa cultura regional. Nos salões, ou mesmo ao ar livre, o chamamé domina as reuniões sociais, mormente nos fins de semana, nas reuniões entre amigos ao redor da churrasqueira – costume que se tornou um folclore característico da Cidade Morena. Grupos distintos de chamamezeiros animam a cidade com suas apresentações sociais, fazendo de Campo Grande um dos grandes centros de chamamé no âmbito do Mercossul.
Apesar de sua absoluta aceitação popular em nossa cidade, o chamamé não havia ainda dominado o teatro regional. Recentemente, o apreciado ritmo correntino teve sua apoteose no maior teatro de Campo Grande, o Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, com a apresentação do belo e empolgante espetáculo “Chamamé em Cena”, tendo como convidado especial um dos grandes virtuoses do chamamé argentino da atualidade, Alejandro Brites, que veio a Campo Grande a convite de Taveira Júnior. Pela primeira vez em toda sua história, o Centro de Convenções abriu suas portas ao público chamamezeiro, tornando-se pequeno ao grande acúmulo de aficionados do chamamé que lá compareceu para ouvir e aplaudir o notável chamamezeiro correntino. Foi uma noite de gala! Alejandro Brites, acompanhado pelo violonista gaúcho Lucas Rocha, executou tradicionais chamamés de Corrientes, destacando-se Quilômetro Onze, El Guazuncho, La Calandria, El Tero, e outros de sua autoria: Mi Cielo, Pata y Musto e Me dejo su perfume. O público vibrou entusiasticamente!
Merece aqui destaque a biografia do exímio chaamamezeiro visitante. Filho de tradicional família de músicos de Corrientes, Alejandro Brites traz no sangue a verve musical de seus ancestrais, especialmente de seu tio Fito Ledesma, autor do tema El Guazuncho, que no passado distante foi acordeonista integrante de conjuntos tradicionais de chamamé correntino, como os conjuntos típicos de Transito Cocomarola e de Ernesto Montiel. Como um dos grandes azes do chamamé, Alejandro Brites tem percorrido o mundo, levando o ritmo correntino a vários povos. Na Europa, apresentou espetáculos de chamamé em vários países, conseguindo atrair o público europeu com grande sucesso. Também tem percorrido a América Latina, destacando-se dentre os países mais visitados o Brasil, retornando agora para a apresentação desse empolgante show no Centro de Convenções de Campo Grande.
Artistas da térra também brilharam na noite de gala do chamamé. O harpista Fábio Kaida abriu o espetáculo com sua harpa paraguaia, e David Júnior com seu bandoneon. Ambos levaram o público a momentos culminantes do chamamé. David Júnior levou a platéia ao delírio ao executar tradicionais chamamés, e Fábio Kaida, que executou magistralmente além de músicas típicas paraguaias, velhos chamamés de Corrientes e de Campo Grande. Os dois artistas – David Júnior e Fábio Kaida -, brilharam intensamente com seus instrumentos magistrais, levando o público à uma apoteose de gala no maior teatro da cidade!
A imprensa de Corrientes enalteceu o público de Campo Grande. “El Diario Norte de Corrientes”, jornal impresso de maior circulação na província de Corrientes, destacou o evento como “um marco na história do chamamé”, abrindo a manchete “El Chamame Tuve Su Mejor Presentacion en Campo Grande”. Também a Rádio FM de Corrientes, na voz de Matias Galarza, elogiou aquela bela apresentação do chamamé perante o público brasileiro.
Campo Grande necessita de bons espetáculos noturnos, como foi o daquela noite de chamamé no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo. Qualquer iniciativa de bons entretenimentos em nossa cidade merece aplauso, por razões óbvias.

