Artigos e Opinião

ARTIGO

Gilson Cavalcanti Ricci: 'Taveira agita o chamamé na Capital'

Gilson Cavalcanti é advogado

Redação

28/06/2015 - 00h00
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Finalmente, em Campo Grande o chamamé chegou ao teatro,  marcando um precioso tento em toda sua história local. Oriundo das camadas populares, o ritmo correntino foi aceito e introduzido aqui em todos os segmentos sociais, tornando-se um dístico tradicional de nossa cultura regional. Nos salões, ou mesmo ao ar livre, o chamamé domina as reuniões sociais, mormente nos fins de semana, nas reuniões entre amigos ao redor da churrasqueira – costume que se tornou um folclore característico da Cidade Morena. Grupos distintos de chamamezeiros animam a cidade com suas apresentações sociais, fazendo de Campo Grande um dos grandes centros de chamamé no âmbito do Mercossul.    

Apesar de sua absoluta aceitação popular em nossa cidade, o chamamé não havia ainda dominado o teatro regional. Recentemente, o apreciado ritmo correntino teve sua apoteose no maior teatro de Campo Grande, o Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, com a apresentação do belo e empolgante espetáculo “Chamamé em Cena”, tendo como convidado especial um dos grandes virtuoses do chamamé argentino da atualidade, Alejandro Brites, que veio a Campo Grande a convite de Taveira Júnior. Pela primeira vez em toda sua história, o  Centro de Convenções abriu suas portas ao público chamamezeiro, tornando-se pequeno ao grande acúmulo de aficionados do chamamé que lá compareceu para ouvir e aplaudir o notável chamamezeiro correntino. Foi uma noite de gala! Alejandro Brites, acompanhado pelo violonista gaúcho Lucas Rocha, executou tradicionais chamamés de Corrientes, destacando-se Quilômetro Onze, El Guazuncho, La Calandria, El Tero, e outros de sua autoria: Mi Cielo, Pata y Musto e Me dejo su perfume. O público vibrou entusiasticamente!

Merece aqui destaque a biografia do exímio chaamamezeiro visitante. Filho de tradicional família de músicos de Corrientes, Alejandro Brites traz no sangue a verve musical de seus ancestrais, especialmente de seu tio Fito Ledesma, autor do tema El Guazuncho, que no passado distante foi acordeonista integrante de conjuntos tradicionais de chamamé correntino, como os conjuntos típicos de Transito Cocomarola e de Ernesto Montiel. Como um dos grandes azes do chamamé, Alejandro Brites tem percorrido o mundo, levando o ritmo correntino a vários povos. Na Europa, apresentou espetáculos de chamamé em vários países, conseguindo atrair o público europeu com grande sucesso. Também tem percorrido a América Latina, destacando-se dentre os países mais visitados o Brasil, retornando agora para a apresentação desse empolgante show no Centro de Convenções de Campo Grande.

Artistas da térra também brilharam na noite de gala do chamamé. O harpista Fábio Kaida abriu o espetáculo com sua harpa paraguaia, e David Júnior com seu bandoneon. Ambos levaram o público a momentos culminantes do chamamé. David Júnior levou a platéia ao delírio ao executar tradicionais chamamés, e Fábio Kaida, que executou magistralmente além de músicas típicas paraguaias, velhos chamamés de Corrientes e de Campo Grande. Os dois artistas – David Júnior e Fábio Kaida -, brilharam intensamente com seus instrumentos magistrais, levando o público à uma apoteose de gala no maior teatro da cidade!   

A imprensa de Corrientes enalteceu o público de Campo Grande. “El Diario Norte de Corrientes”, jornal impresso de maior circulação na província de Corrientes, destacou o evento como “um marco na história do chamamé”, abrindo a manchete “El Chamame Tuve Su Mejor Presentacion en Campo Grande”. Também a Rádio FM de Corrientes, na voz de Matias Galarza, elogiou aquela bela apresentação do chamamé perante o público brasileiro. 

Campo Grande necessita de bons espetáculos noturnos, como foi o daquela noite de chamamé no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo. Qualquer iniciativa de bons entretenimentos em nossa cidade merece aplauso, por razões óbvias.       

Artigo

Dia Mundial do Meio Ambiente: escolhas sensatas para garantir o futuro

Abrigamos cerca de 20% da biodiversidade do planeta, a maior floresta tropical do mundo, algumas das mais importantes reservas de água doce e ecossistemas fundamentais

05/06/2026 07h30

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Em um mundo que enfrenta eventos climáticos cada vez mais extremos, como escassez hídrica, inundações, perda acelerada da biodiversidade e crescente pressão sobre os recursos naturais, o Dia Mundial do Meio Ambiente deixa de ser apenas uma data simbólica para se tornar um momento de reflexão sobre as escolhas que definirão o futuro das próximas gerações.

Os sinais de alerta estão por toda parte. Desde ondas de calor a enchentes devastadoras até secas severas em vários continentes evidenciam que as mudanças climáticas já não são uma projeção para o futuro.

Elas fazem parte do presente. E seus impactos atingem economias, cadeias produtivas, cidades e populações inteiras.

Nesse cenário global, o Brasil ocupa uma posição singular. Poucos países têm tamanho patrimônio natural. Abrigamos cerca de 20% da biodiversidade do planeta, a maior floresta tropical do mundo, algumas das mais importantes reservas de água doce e ecossistemas fundamentais para o equilíbrio climático regional e global.

Por isso, os dados mais recentes de redução do desmatamento de 20,4% no País, com destaque para a queda na Amazônia e no Cerrado, ganham relevância que ultrapassa as fronteiras nacionais e representa mais do que um indicador ambiental positivo.

Ela demonstra que é possível compatibilizar desenvolvimento econômico, produção e conservação quando há planejamento, monitoramento, investimento e engajamento da sociedade.

Mas seria um equívoco interpretar esses resultados como uma missão cumprida.

A Amazônia continua exercendo papel decisivo na regulação do clima e no regime de chuvas que sustenta a agricultura brasileira.

O Cerrado segue sendo reconhecido como “berço das águas do País”, afinal nesse bioma nascem as três maiores bacias hidrográficas.

A Mata Atlântica, embora severamente reduzida ao longo da história, concentra milhões de brasileiros e presta serviços ambientais indispensáveis para a qualidade de vida nas áreas urbanas.

O Pantanal, a Caatinga e os Pampas seguem enfrentando desafios relacionados à degradação, às queimadas e à pressão sobre seus recursos naturais.

Além disso, a conservação não pode ser medida apenas pela redução das áreas desmatadas. É preciso considerar a qualidade dos ecossistemas, a recuperação de áreas degradadas, a proteção das nascentes, a gestão adequada dos resíduos, o tratamento de esgoto, a redução das emissões de gases de efeito estufa e a capacidade das cidades de se adaptarem às transformações climáticas.

Essa visão integrada é cada vez mais necessária porque os impactos ambientais deixaram de ser um tema restrito aos especialistas.

Eles afetam diretamente a saúde pública, a disponibilidade de água, a geração de energia, a produção de alimentos, os investimentos e a competitividade econômica dos países.

Não por acaso, as principais economias do mundo têm ampliado exigências ambientais em suas relações comerciais. Preservar o meio ambiente tornou-se também uma questão estratégica de desenvolvimento.

O Brasil reúne todas as condições para exercer protagonismo nessa agenda. Temos conhecimento técnico, capacidade científica, recursos naturais e uma sociedade cada vez mais consciente da importância da conservação.

O desafio agora é transformar essas potencialidades em políticas permanentes e em ações concretas que resistam às mudanças de governos, aos ciclos econômicos e às pressões conjunturais.

Mais do que celebrar avanços, neste mês dedicado ao Meio Ambiente devemos reafirmar compromissos.

A redução do desmatamento precisa ser consolidada. A recuperação de áreas degradadas deve ganhar escala.

A universalização do saneamento precisa ser acelerada. A educação ambiental deve ocupar espaço permanente na formação das novas gerações.

E empresas, instituições e cidadãos precisam compreender que sustentabilidade é uma condição para a continuidade do desenvolvimento.

O futuro não será definido pelas metas que anunciamos, mas pelas decisões que tomamos e pela capacidade de transformá-las em resultados permanentes.

Preservar os biomas brasileiros, proteger nossas águas, recuperar áreas degradadas e reduzir as emissões de carbono não são escolhas facultativas. São responsabilidades inadiáveis, sob a ameaça de pagarmos um alto preço.

Precisamos de ações práticas para enfrentar de forma consciente e com garantia da perpetuação de todas as formas de vida.

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Editorial

Como uma política pública fica obsoleta?

Programas como o CNH Social não podem permanecer estáticos enquanto a realidade muda rapidamente. Planejamento estratégico exige adaptação constante

05/06/2026 07h15

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O programa CNH Social, criado pelo governo de Mato Grosso do Sul em 2022 e ainda em vigor por força de lei estadual, caminha para um momento decisivo: ou passa por uma atualização estratégica ou corre o risco de se tornar obsoleto diante das mudanças recentes no acesso à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Brasil.

A iniciativa estadual surgiu com um objetivo social relevante: permitir que pessoas de baixa renda conquistassem a CNH sem custos.

O programa subsidia todas as etapas do processo, desde exames até aulas práticas e teóricas nas autoescolas. T

rata-se de uma política pública importante, especialmente em um país no qual o custo para tirar a habilitação sempre foi uma barreira significativa para milhares de trabalhadores.

Entretanto, o cenário mudou. O programa federal que flexibiliza parte das exigências para obtenção da CNH, reduzindo custos principalmente pela diminuição da obrigatoriedade de determinadas aulas nas autoescolas, acabou tirando grande parte da atratividade do modelo sul-mato-grossense.

Ainda que o programa federal não ofereça gratuidade total, ele reduz substancialmente o valor final pago pelo candidato e amplia o acesso ao documento.

Diante desta nova realidade, o pior caminho seria simplesmente deixar o CNH Social abandonado ou mantido de forma automática, sem qualquer revisão estratégica.

E é justamente esta sensação que começa a surgir: a de um programa importante, mas sem atualização compatível com as transformações do mercado e das políticas públicas nacionais.

O que esta situação exige é uma atuação mais ativa, técnica e visionária do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS).

Programas públicos não podem permanecer estáticos enquanto a realidade econômica e social muda rapidamente.

Planejamento estratégico eficiente pressupõe adaptação constante, revisão de metas e capacidade de identificar novas demandas da sociedade.

E talvez a principal delas esteja justamente no mercado de trabalho. Em Mato Grosso do Sul, ter CNH continua sendo porta de entrada para inúmeras oportunidades profissionais.

Em um estado fortemente ligado ao agronegócio, à logística, à mineração e à indústria da celulose, existe demanda permanente – e crescente – por motoristas qualificados, especialmente para veículos de grande porte.

Por isso, o CNH Social precisa ser recalibrado. Em vez de concentrar esforços apenas na primeira habilitação das categorias mais básicas, o programa poderia priorizar a formação e qualificação de motoristas para as categorias D e E, destinadas ao transporte de passageiros, caminhões e carretas.

Esta mudança teria impacto social e econômico relevante. Permitiria que trabalhadores de baixa renda conquistassem profissões com melhor remuneração, ajudaria pessoas que já têm CNH a avançarem profissionalmente e ainda atenderia a uma necessidade concreta de grandes empresas instaladas no Estado, que frequentemente relatam dificuldade para encontrar profissionais habilitados para operar veículos de transporte pesado.

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