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Nova fisionomia da administração pública

Redimensionar a estrutura do Estado, conferindo-lhe dimensão adequada para a obtenção de eficácia, significa mudar comportamentos tradicionais, racionalizar a estrutura de autoridade

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Quem se der ao exercício de contemplar a fisionomia nacional vai se deparar com imensos contrastes. Há ilhas de excelência no meio de territórios feudais; há avanços de tecnologia de ponta ao lado de muralhas do passado; na própria seara da administração pública, uma burocracia altamente profissionalizada convive com largas fatias do mandonismo político, a denotar o esforço de uns para olhar adiante sob o solavanco de outros que teimam em olhar para trás.

Por conseguinte, se há uma reforma que pode ser chamada de mãe de todas as outras, antes mesmo da área política, como normalmente se tem propagado, é a reforma do modelo de operação do Estado.

Redimensionar a estrutura do Estado, conferindo-lhe dimensão adequada para a obtenção de eficácia, significa mudar comportamentos tradicionais, racionalizar a estrutura de autoridade, reformular métodos e, ainda, substituir critérios subjetivos e ancorados no fisiologismo por sistemas de desempenho.

A meritocracia é o instrumento adequado para oxigenar, qualificar e expandir a produtividade na administração. As levas de indicações partidárias acabam contribuindo para inchar estruturas, expandir a inércia e as teias de interesses escusos.

A proposta começa com a substituição de milhares de cargos comissionados por uma carreira de Estado, à semelhança do que existe em sistemas parlamentaristas, nos quais quadros permanentes, qualificados e motivados são imunes às crises políticas. Mudam-se os dirigentes, mas as equipes continuam comandando a gestão pública.

Os males da administração pública advêm da errática mentalidade de seus ocupantes, para quem o modus operandi deve espelhar a visão (caolha ou fisiológica), e não as necessidades sociais.

Consideram-se donos do pedaço que lhes coube na partilha do poder, não se sujeitando à ordem do mercado nem às leis da livre concorrência, como ocorre na iniciativa privada.

Da burocracia comprometida com o mérito deverão ser cobrados resultados dentro de metas preestabelecidas, reconhecendo-se as qualidades de cada perfil e implantando um modelo de premiação e promoção para motivar as equipes. Não será tarefa fácil alterar a fisionomia da administração pública.

O atual sistema de loteamento faz parte da velha cultura patrimonialista, que permeia as três instâncias federativas.

Parte-se do princípio de que o governante, ao chegar ao poder, como forma de garantir as condições de governabilidade, terá de repartir espaços de ministérios e autarquias pelos partidos, de acordo com o tamanho e a influência de cada ente. Como mudar tal sistemática sem ferir brios e perder apoio no Congresso?

Desenvolver áreas de formação, reciclagem e aperfeiçoamento de recursos humanos, voltadas para a operação do Estado, deve ser prioridade.

Essas ideias parecem consensuais entre grupos de bom senso da própria administração pública. E por que não se aplicam? Por assimetria à lógica da organização do poder no Brasil.

Como se sabe, quem dá o tom é a orquestra patrimonialista, para onde os integrantes são indicados pelos senhores do mando.

O círculo vicioso da política gira mudando figuras e mandos, mas não o sistema. Há poucas brechas para se avançar. Mas é possível, sob pressão intensa da sociedade, fazer fluir oxigênio novo.

Quando ideias transformadas em projetos chegam ao Congresso sob o empuxo social, ganham repercussão e acabam entrando em pauta.

Foi assim que ocorreu com situações que caracterizam o ingresso do Brasil na modernidade: a pesquisa com células-tronco, a aprovação do projeto Ficha Limpa e a Lei Maria da Penha, contra a violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras.

Acontece que assuntos áridos como as reformas do Estado, tributária e política só vão adiante caso recebam a atenção do centro do poder.

Ou mobilizem os partidos. Só dessa forma a roda viciosa da política poderá jogar a reforma do Estado na mesa do mandatário.

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Temporada de queimadas se aproxima, veja como a tecnologia pode ajudar

Em 2020 o País enfrentou uma das maiores tragédias ambientais do bioma Pantanal, quando o fogo atingiu mais de 30% de toda a sua área

22/07/2026 07h40

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O Brasil vem enfrentando um aumento significativo nos focos de calor. De acordo com o painel de monitoramento do programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), janeiro foi um mês atípico, com 4.347 focos ativos detectados pelo satélite de referência do órgão.

O número corresponde ao dobro da média histórica para o mês e representa crescimento de 46% em relação a 2025. A situação ainda deve se agravar nos próximos meses, quando a temporada de queimadas, mais forte no mês de agosto, chegar ao País.

O episódio não é isolado. Nos últimos anos, o que era sazonal passou a se tornar estrutural. Segundo o World Wide Fund for Nature (WWF), em 2019, a Amazônia registrou um dos episódios mais emblemáticos da década, com aumento expressivo de focos que gerou repercussão internacional.

Já em 2020 o País enfrentou uma das maiores tragédias ambientais do bioma Pantanal, quando o fogo atingiu mais de 30% de toda a sua área, o pior evento já registrado na região.

A tendência continuou nos anos seguintes. Apenas no primeiro semestre de 2024, foram registrados mais de 13 mil focos na Amazônia, o pior número em duas décadas para o período, enquanto agosto daquele mesmo ano atingiu o maior volume mensal em 14 anos.

O fenômeno não é isolado. Nas últimas temporadas, o Chile também tem registrado incêndios florestais cada vez mais complexos e com maior impacto social e ambiental.

Segundo relatórios oficiais compilados pelo governo, desde 1º de janeiro de 2026 foram registrados mais de 750 incêndios, que consumiram cerca de 50 mil hectares de vegetação, com dezenas de focos ainda ativos e milhares de pessoas evacuadas em regiões como Biobío, Ñuble e La Araucanía.

Esses dados não representam apenas estatísticas, mas estão indicando uma realidade estrutural. Condições climáticas extremas, ondas de calor, ventos intensos e secas prolongadas, combinadas à presença crescente de infraestrutura crítica próxima a áreas florestais, ampliaram a exposição ao risco.

E, embora grande parte da discussão pública se concentre nas causas e consequências, uma dúvida fundamental permanece: as tecnologias disponíveis estão sendo corretamente integradas para antecipar e prevenir eventos, em vez de apenas reagir a eles? 

Hoje existem soluções maduras de detecção e monitoramento com sensores de temperatura e fumaça com autonomia superior a sete anos, câmeras térmicas de alta resolução, dispositivos de internet das coisas (IoT) para transmissão contínua de dados e plataformas analíticas capazes de correlacionar informações em tempo real e gerar alertas acionáveis. Ou seja, o problema não está na ausência de tecnologia, mas na sua fragmentação operacional.

Nesse contexto, o papel dos integradores tecnológicos ganha relevância. Uma solução isolada pode identificar um indício, várias operando em silos podem apontar risco elevado. Um sistema integrado, porém, transforma dados dispersos em alerta operacional e decisão oportuna.

Isso significa unificar sensores, conectividade, armazenamento e protocolos de resposta em um fluxo contínuo capaz de detectar, priorizar, alertar e apoiar ações em tempo real.

Um exemplo dessa abordagem é a integração de sensores a plataformas de monitoramento urbano, nas quais as informações são cruzadas com modelos de risco e padrões históricos.

Com plataformas inteligentes, torna-se possível consolidar dados heterogêneos, provenientes de sensores de longa duração, câmeras e estações meteorológicas, e traduzi-los em indicadores capazes de antecipar focos de ignição antes que se transformem em eventos de grande escala.

A diferença entre um sensor isolado e um sistema integrado está na capacidade de ação. Mais do que coletar dados, trata-se de habilitar decisões: priorizar recursos, enviar alertas antecipados às brigadas, ativar protocolos automáticos de mitigação e reduzir impactos humanos e econômicos.

Prevenir incêndios hoje exige abandonar a mentalidade reativa. A história recente demonstra que milhares de hectares queimados, deslocamento de populações e perdas materiais não são inevitáveis, mas consequência da falta de articulação adequada das capacidades tecnológicas já existentes. A tecnologia deixou de ser um recurso complementar, tornou-se uma infraestrutura crítica.

A verdadeira transformação na prevenção não virá apenas de mais sensores ou novos modelos preditivos, mas da integração efetiva dessas tecnologias em plataformas operacionais capazes de oferecer precisão, velocidade e contexto na tomada de decisão.

Isso demanda não só conhecimento técnico, mas uma visão integrada que conecte dispositivos, dados e operação humana em um mesmo sistema de valor.

O objetivo é fazer da detecção precoce uma regra em que o monitoramento não seja reativo, mas preditivo, e as respostas, uma operação coordenada preparada para múltiplos riscos simultâneos.

Quando tecnologias deixam de operar isoladamente e passam a compor um sistema holístico de prevenção, ocorre um salto qualitativo na segurança e na resiliência de comunidades inteiras.

Para isso, contar com integradores capazes de transformar diversidade tecnológica em decisões operacionais é essencial. Esse papel é determinante para cidades mais seguras, indústrias mais resilientes e uma gestão de riscos orientada ao futuro, baseada em ação concreta, não apenas em intenção.

Editorial

Dar vida de volta aos bairros da Capital

A recuperação desses espaços degradados de Campo Grande depende de uma ação coordenada entre segurança pública, assistência social e planejamento urbano

22/07/2026 07h15

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A degradação urbana que avança sobre bairros tradicionais de Campo Grande exige uma resposta imediata do poder público. Regiões como Vila Santa Dorothéa, Vila Glória e Vila Carvalho, que durante décadas concentraram moradores, comércio e intenso movimento, convivem hoje com um cenário de abandono.

Terrenos baldios transformaram-se em abrigo para usuários de drogas, estabelecimentos comerciais passaram a ser alvo frequente de furtos e a sensação de insegurança tornou-se parte da rotina de quem ainda resiste em permanecer nesses locais.

Não se trata de um problema isolado nem recente. Comerciantes e moradores relatam invasões constantes a imóveis para o furto de fios, equipamentos, peças metálicas e qualquer objeto que possa ser vendido rapidamente para sustentar o consumo de drogas.

O resultado é um ciclo perverso: aumenta a criminalidade, diminuem as atividades econômicas, imóveis são fechados, ruas ficam vazias e a degradação se intensifica.

A ausência do poder público acaba criando um ambiente propício para que esse processo se aprofunde.

Quanto menor a circulação de pessoas e menor a presença das instituições, maior a ocupação dos espaços pela criminalidade e pelo abandono. É um fenômeno que já não se restringe à região central expandida e se repete em bairros como Amambaí, Vila Nhanhá e outros pontos da Capital.

O enfrentamento desse cenário passa, inevitavelmente, por uma atuação mais firme das forças de segurança.

Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana precisam intensificar rondas ostensivas, manter presença diária nessas regiões e impedir que espaços públicos e privados continuem sendo ocupados por grupos envolvidos em furtos e outros delitos.

A simples presença permanente dos agentes de segurança costuma produzir resultados imediatos, devolvendo parte da tranquilidade aos moradores e inibindo a ação criminosa.

Ao mesmo tempo, seria um erro reduzir a questão exclusivamente à segurança pública. Muitas pessoas que hoje vivem nas ruas enfrentam dependência química e extrema vulnerabilidade social.

É preciso que as ações policiais sejam acompanhadas por equipes de assistência social e saúde, capazes de encaminhar quem aceita tratamento, acolhimento e reinserção social.

Combater a criminalidade e oferecer alternativas para quem deseja sair dessa condição são medidas complementares, não excludentes.

No médio prazo, Campo Grande também precisa recuperar esses bairros. Investimentos em infraestrutura, iluminação pública, limpeza, manutenção de áreas abandonadas e estímulos à ocupação residencial e comercial são fundamentais para devolver vitalidade às regiões degradadas.

Uma cidade viva é aquela em que as ruas são ocupadas por moradores, trabalhadores e consumidores, e não pelo abandono.

A recuperação desses espaços depende de uma ação coordenada entre segurança pública, assistência social e planejamento urbano.

Adiar providências significa permitir que a degradação avance para novas áreas da cidade. Campo Grande não pode aceitar que bairros com tanta história sejam entregues ao abandono. Dar vida de volta a essas regiões é uma obrigação do poder público.

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