Cidades

Operação Nexum

Defesa de 'Fio do Bigode' nega crimes e prepara pedido para tirá-lo da prisão

Advogado afirma que apresentará documentos e provas para contestar as acusações e já trabalha em pedido de revogação da prisão preventiva.

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A defesa de Victor Baptista Borges Neto, conhecido como “Fio do Bigode”, preso preventivamente nesta quarta-feira (9), em Campo Grande, durante a Operação Nexum, da Polícia Federal, contesta as acusações que pesam contra o investigado e já prepara um pedido de revogação da prisão.

Ao Correio do Estado, o advogado Luiz Fernando da Silva Cavalheiro afirmou que pretende apresentar documentos e provas à Justiça para sustentar que Victor e Luciano Henrique de Almeida, funcionário CLT da conveniência de Victor, estabelecimento onde ambos foram presos durante a operação, não cometeram os crimes atribuídos a eles.

A manifestação ocorre após a Polícia Federal deflagrar uma operação que colocou sob investigação um grupo suspeito de manter, há pelo menos um ano, uma estrutura de comercialização irregular de mercadorias em Campo Grande.

Além do descaminho de produtos eletrônicos provenientes do Paraguai, a corporação informou ter encontrado indícios de empréstimos informais, extorsão, tráfico de drogas, posse e porte irregular de armas de fogo e lavagem de capitais.

Cavalheiro afirmou que, com base no material ao qual teve acesso até o momento, a defesa não reconhece integralmente as acusações e pretende contestá-las no decorrer do processo.

 “A defesa contesta veementemente tais acusações e, durante a investigação e dentro do processo legal, irá juntar documentos e provas de defesa que vão elucidar os fatos e comprovar que tanto Victor quanto Luciano não cometeram tais crimes que estão sendo imputados a eles”, afirmou o advogado.

Segundo ele, os elementos que serão reunidos também deverão ser apresentados para colaborar com o esclarecimento dos fatos perante a Justiça. A defesa sustenta que as acusações serão enfrentadas individualmente no momento processual adequado.

“De acordo com as informações e elementos que a defesa teve acesso, não reconhece integralmente essas acusações imputadas aos acusados, que, no momento oportuno, serão esclarecidas perante a Justiça e o juízo competente”, acrescentou Cavalheiro.

Defesa quer revogação da preventiva

Além de contestar as acusações, a defesa já trabalha para tentar reverter a decisão que colocou Victor e Luciano atrás das grades.

Os dois tiveram as prisões preventivas decretadas pela 5ª Vara Federal de Campo Grande, responsável também pela expedição dos 12 mandados de busca e apreensão cumpridos durante a Operação Nexum.

“Quanto à prisão preventiva dos acusados Victor e Luciano, que foi determinada no âmbito desta operação, a defesa já está também trabalhando em prol de um pedido de revogação da preventiva para análise do juiz competente”, declarou o advogado.

O pedido ainda deverá ser submetido à Justiça Federal. Caberá ao magistrado analisar os argumentos apresentados pela defesa e decidir se estão presentes os requisitos para manutenção das prisões preventivas.

A prisão preventiva, diferentemente de uma condenação, é uma medida cautelar aplicada durante a investigação ou o processo. Portanto, Victor e Luciano permanecem investigados, sem que a prisão represente antecipação de eventual condenação.

Defesa esclarece R$ 10 milhões

Outro ponto contestado pela defesa diz respeito aos R$ 10 milhões mencionados desde as primeiras informações sobre a operação.

A Justiça Federal determinou a indisponibilidade de imóveis e o bloqueio de ativos financeiros de pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao grupo investigado, estabelecendo o valor de R$ 10 milhões como limite para as medidas patrimoniais.

Segundo Cavalheiro, isso não significa que R$ 10 milhões tenham sido encontrados ou efetivamente bloqueados nas contas e no patrimônio dos investigados.

“Sobre os valores que alguns meios de comunicação vêm veiculando desde hoje cedo, o juiz determinou o bloqueio de R$ 10 milhões. A decisão determina que sejam apreendidos ativos, bens e valores que cheguem a R$ 10 milhões”, explicou.

Dessa forma, conforme o esclarecimento da defesa e as informações divulgadas sobre a decisão judicial, os R$ 10 milhões funcionam como teto para as medidas de indisponibilidade, e não necessariamente como o valor já localizado pelas autoridades.

Além do bloqueio de ativos e da indisponibilidade de imóveis, a Justiça determinou o sequestro de quatro veículos e a suspensão das atividades de três empresas apontadas como utilizadas pelo grupo investigado.

Operação mobilizou mais de 50 policiais

A Operação Nexum foi deflagrada na manhã desta quarta-feira com a participação de mais de 50 policiais federais vinculados a unidades da Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul.

Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva em Campo Grande. Segundo informações repassadas pela Polícia Federal ao Correio do Estado, a maior parte dos alvos estava localizada na região sul da Capital, especialmente no Bairro Los Angeles.

Até o momento, a investigação indica que a atuação do grupo estaria concentrada em Campo Grande e teria ocorrido por pelo menos um ano.

Durante as buscas, foram encontrados diferentes tipos de mercadorias, entre elas geladeiras, celulares, videogames, caixas de som e televisão.

A principal linha investigativa envolve o descaminho de mercadorias, especialmente eletrônicos provenientes do Paraguai. Conforme a Polícia Federal, os produtos eram divulgados nas redes sociais e comercializados de maneira informal, inclusive por meio de vendas parceladas.

A apuração avançou, porém, para além da origem das mercadorias.

Segundo a PF, existem indícios de que as atividades do grupo também envolviam empréstimos informais e cobranças de dívidas mediante grave ameaça. A corporação informou que armas de fogo, inclusive de grosso calibre, teriam sido utilizadas nesse contexto.

As investigações também apontaram indícios de extorsão, tráfico de drogas, posse e porte irregular de armas de fogo e lavagem de capitais. É justamente esse conjunto de acusações que a defesa de Victor e Luciano afirma que pretende contestar perante a Justiça.

Terceiro investigado recebeu tornozeleira

Além dos dois investigados presos preventivamente, um terceiro alvo da operação, Jefferson Pereira da Silva, foi submetido a medidas cautelares determinadas pela Justiça.

Jefferson não foi preso, mas deverá utilizar tornozeleira eletrônica e está proibido de manter contato com os demais envolvidos na investigação.

A Justiça também determinou que Jefferson não tenha acesso à região de fronteira, medida relacionada ao contexto da investigação, que apura a comercialização de mercadorias provenientes do Paraguai.

As investigações da Operação Nexum continuam. A Polícia Federal deverá analisar o material recolhido durante o cumprimento dos mandados, incluindo aparelhos eletrônicos e documentos, para aprofundar a apuração sobre a atuação dos investigados e a eventual participação de outras pessoas.

Enquanto a PF avança na análise do material apreendido, a defesa de Victor e Luciano prepara um pedido para revogar as prisões preventivas e afirma que apresentará documentos e provas que, segundo o advogado Luiz Fernando da Silva Cavalheiro, deverão contestar as acusações formuladas no âmbito da investigação.

Tragédia na BR-060

Mulher morre na BR-060 durante viagem para consulta do filho em Campo Grande

Família seguia de Chapadão do Sul para uma consulta médica de uma das crianças na Capital quando o carro se envolveu em uma colisão com uma carreta.

09/09/2026 18h29

Carro em que Luany Beatriz Moraes viajava com a família ficou destruído após colisão com carreta na BR-060, próximo a Camapuã.

Carro em que Luany Beatriz Moraes viajava com a família ficou destruído após colisão com carreta na BR-060, próximo a Camapuã. Foto: Reprodução.

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Uma viagem de Chapadão do Sul a Campo Grande para uma consulta médica terminou em tragédia na tarde desta quarta-feira (9). Luany Beatriz Moraes morreu após o veículo em que estava com o marido e os dois filhos se envolver em um acidente com uma carreta na BR-060, nas proximidades de Camapuã.

A família seguia em direção à Capital sul-mato-grossense, onde uma das crianças tinha atendimento médico programado. Apesar da gravidade da colisão, o marido de Luany e os dois filhos não sofreram ferimentos, conforme as informações preliminares.

Durante o percurso pela rodovia, o carro da família teria se envolvido em uma colisão lateral com uma carreta durante uma tentativa de ultrapassagem. O impacto atingiu justamente o lado do passageiro, onde Luany estava.

Carro em que Luany Beatriz Moraes viajava com a família ficou destruído após colisão com carreta na BR-060, próximo a Camapuã.Luany Beatriz Moraes morava em Chapadão do Sul e seguia com a família para Campo Grande quando ocorreu o acidente. Foto: Reprosução Rede Social.

A mulher sofreu ferimentos graves e não resistiu. As circunstâncias exatas da colisão, no entanto, ainda deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela apuração do acidente.

Circunstâncias serão apuradas

As informações sobre uma possível tentativa de ultrapassagem ainda são preliminares. A dinâmica do acidente deverá ser esclarecida a partir dos levantamentos realizados no local e de outros elementos reunidos durante a apuração.

Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão as circunstâncias em que os veículos trafegavam pela rodovia e como ocorreu a colisão entre o automóvel e a carreta.

Após os procedimentos necessários, o corpo de Luany foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Coxim. A vítima deve ser velada em Chapadão do Sul, município onde morava com a família. Até o momento, não foram divulgados os horários do velório e do sepultamento.

Viagem era para consulta médica

Luany viajava acompanhada do marido e dos dois filhos. O destino era Campo Grande, onde uma das crianças passaria por uma consulta médica.

A morte repercutiu em Chapadão do Sul, onde a família reside. O acidente transformou o deslocamento até a Capital para atendimento médico em uma tragédia familiar, enquanto as autoridades trabalham para esclarecer as circunstâncias da colisão.

 

Operação Nexum

Crime bancava viagens a destinos badalados do Brasil; "Fio do Bigode" exibia luxo nas redes

Alvo da Operação Nexum, Victor Fio do Bigode acumulava registros de viagens para Fernando de Noronha, Arraial do Cabo e Balneário Camboriú

09/09/2026 18h25

Rapaz visitava destinos famosos no país

Rapaz visitava destinos famosos no país Reprodução/Redes Sociais

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Viagens para destinos badalados do litoral brasileiro, cruzeiros, hotéis e uma rotina de luxo eram exibidos por Victor Baptista Borges Neto, conhecido como “Fio do Bigode”, nas redes sociais. Preso nesta quarta-feira (9) pela Polícia Federal, ele é investigado por participação em uma organização criminosa suspeita de comercializar eletrônicos trazidos irregularmente do Paraguai e cobrar dívidas com ameaças.

Com mais de 35 mil seguidores no Instagram, Victor mantém no perfil registros de viagens para Fernando de Noronha (PE), Arraial do Cabo (RJ) e Balneário Camboriú (SC), além de publicações de passagens por Maceió (AL), Natal (RN) e viagens de cruzeiro.

A ostentação nas redes sociais contrasta com a atividade que, segundo a investigação da PF, era utilizada pelo grupo para movimentar dinheiro. Os investigados anunciavam eletrônicos pelas redes sociais e faziam as vendas de maneira informal, com pagamento parcelado. A cobrança dos clientes, conforme a corporação, era feita mediante ameaças.

Victor era conhecido pelo modelo de venda chamado “fio do bigode”, expressão usada para se referir ao comércio feito sem cartão ou cheque. No perfil, ele anunciava produtos de alto padrão e oferecia crediário próprio, com pagamentos semanais ou quinzenais.

Além das viagens, o investigado também publicava conteúdos relacionados à própria atividade comercial. Em uma das postagens, chegou a brincar com uma abordagem policial ocorrida em 2025, transformando as imagens em uma espécie de anúncio fictício sobre uma suposta prisão.

Operação

A prisão de Victor ocorreu na manhã desta quarta-feira (9), durante a Operação Nexum, deflagrada pela Polícia Federal em Campo Grande. O Correio do Estado publicou os primeiros detalhes da ação ainda no início da manhã.

Ao todo, são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva, expedidos pela 5ª Vara Federal de Campo Grande. A maioria dos alvos está na região do Jardim Los Angeles, conforme informou a PF ao Correio do Estado.

Durante as buscas, os policiais apreenderam geladeiras, videogames, caixas de som, celulares e televisores. A investigação aponta que o grupo atuava havia pelo menos um ano e, inicialmente, a PF identificou atuação somente em Campo Grande.

Além do descaminho de mercadorias eletrônicas, há indícios de empréstimos informais, extorsão, tráfico de drogas, posse e porte irregular de armas de fogo e lavagem de capitais.

A Justiça Federal determinou ainda o bloqueio de ativos financeiros e a indisponibilidade de imóveis ligados aos investigados, até o limite de R$ 10 milhões. Quatro veículos foram sequestrados e três empresas apontadas na investigação tiveram as atividades suspensas.

Mais de 50 policiais federais participam da operação, que conta com apoio da Receita Federal nos locais de depósito e comercialização das mercadorias.

 

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