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Reciclagem que gera valor para o País

Em meio ao avanço da crise climática e o crescimento acelerado na geração de resíduos, discutir formas eficientes de reaproveitamento passa a ser uma urgência coletiva

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A reciclagem deixou de ser apenas uma alternativa sustentável para se tornar um dos pilares centrais no debate sobre o futuro ambiental do planeta.

Em meio ao avanço da crise climática e o crescimento acelerado na geração de resíduos, discutir formas eficientes de reaproveitamento passa a ser uma urgência coletiva.

Mais do que uma prática ambientalmente correta, reciclar representa hoje um compromisso indispensável com a preservação de recursos, a redução de impactos ambientais e a construção de uma sociedade mais consciente sobre o próprio consumo.

De acordo com um levantamento realizado pelo Movimento Plástico Transforma, em parceria com o Qualibest, 64% dos brasileiros já separam com frequência resíduos orgânicos e recicláveis em casa. Entretanto, os respondentes enfrentam a falta de coleta seletiva onde moram.

Mesmo com a dificuldade de destinação do resíduo separado, o levantamento mostra que a reciclagem já está inserida na vida de mais de metade dos brasileiros, não apenas em uma questão ambiental, mas também quando o assunto é economia.

A reciclagem de plásticos integra uma cadeia produtiva forte, capaz de gerar emprego, renda e inovação, e colabora com vantagens competitivas em diferentes indústrias.

O setor de reciclagem vem se consolidando como um vetor importante da economia circular no País, movimentando bilhões de reais anualmente e contribuindo para o fortalecimento da indústria nacional.

Outro dado importante, divulgado no ano passado, é o Índice de Reciclagem Mecânica do Plástico no Brasil. Segundo o levantamento, o País reciclou cerca de 21% dos plásticos pós-consumo em 2024, o que resultou na produção de 1,012 milhão de toneladas de resina plástica reciclada (PCR).

Esse desempenho colocou o País entre os maiores recicladores de plástico da América Latina e movimentou cerca de R$ 4 bilhões em faturamento no ano, evidenciando a relevância econômica do setor.

Além da questão financeira, a reciclagem de plástico é fundamental na geração de empregos. Somente em 2024, o setor registrou a criação de mais de 20 mil novos postos de trabalho diretos, um crescimento de aproximadamente 7,7% em relação ao ano anterior.

Esses empregos estão distribuídos ao longo de toda a cadeia, desde organizações de catadores de materiais recicláveis e centrais de triagem até indústrias de reprocessamento e transformação, reforçando o caráter social e produtivo da atividade.

Outro aspecto relevante, é a crescente demanda da indústria por matéria-prima reciclada. Setores como alimentos e bebidas, higiene pessoal, cosméticos, limpeza doméstica e agroindústria ampliaram de forma significativa o uso de resinas recicladas, impulsionados por compromissos ambientais, exigências regulatórias e metas corporativas ligadas à economia circular.

Esse movimento foi reforçado pela criação do Decreto nº 12.688, assinado em 21 de outubro de 2025, que institui o Sistema Nacional de Logística Reversa de Embalagens de Plástico, estabelecendo metas obrigatórias de reciclagem e uso de plástico reciclado (PCR).

Medidas como essas contribuem para otimizar custos produtivos e estimular investimentos em tecnologias de reciclagem no País, assim como aspectos de sustentabilidade.

Portanto, investir na reciclagem de plástico vai além do cuidado ambiental, trata-se de uma estratégia econômica para o desenvolvimento sustentável do País.

O fortalecimento da coleta seletiva, o incentivo à logística reversa e o apoio às cadeias de reciclagem podem ampliar a geração de renda, promover a inclusão social e colocar o Brasil como protagonista na transição para uma economia mais circular, forte e competitiva.

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Os 30 anos do Pronaf e os desafios do Plano Safra 2026

As medidas a serem anunciadas podem seguir a trajetória recente e trazer apenas avanços incrementais e pontuais

06/05/2026 07h45

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Nos próximos meses deve ser lançada a versão 2026 do Plano Safra, principal iniciativa governamental que reúne investimentos e programas para a agricultura brasileira.

As medidas a serem anunciadas podem seguir a trajetória recente e trazer apenas avanços incrementais e pontuais.

Mas também podem assumir direção mais ousada, promovendo melhor alinhamento com os desafios de um contexto marcado por mudanças climáticas e transformações geopolíticas.

Entre os vários instrumentos de política pública que compõem o Plano Safra, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) merece destaque.

Porque mais do que um segmento econômico, a agricultura familiar tem um significado ético e político em um país marcado pela tradição latifundiária.

O Pronaf foi decisivo ao romper com a lógica assistencialista que vinha marcando a ação do Estado neste segmento, criando condições para que produtores familiares acessassem crédito e participassem de mercados dinâmicos.

Ao alterar as regras de financiamento, esta política contribuiu para diversificar a base social da agropecuária e fortalecer sua presença institucional.

Em 2025 o programa completou 30 anos de existência. No entanto, três problemas estruturais persistem. O primeiro é a forte concentração no acesso ao crédito: apesar de alcançar entre 1 e 1,5 milhão de agricultores, isso representa uma fração dos quase 4 milhões existentes no Brasil.

O segundo é a concentração regional. Historicamente, os recursos do Pronaf se concentram no Sul do País. Embora tenha havido expansão no Nordeste, ela ainda é limitada e muitas vezes não vem acompanhada de assistência técnica adequada, o que eleva o risco de endividamento.

O terceiro diz respeito ao perfil produtivo financiado. Até aqui, o crédito se dirige majoritariamente a cadeias já consolidadas e controladas por grandes corporações, como aves, suínos, fumo, soja e milho. 

A soma destes problemas revela um desafio mais profundo: a agricultura familiar não tem funcionado como alternativa ao modelo agropecuário convencional.

A monotonia genética que marca essas cadeias, associada ao uso intensivo de fertilizantes sintéticos e agrotóxicos comprometem solos, biodiversidade e geram efeitos negativos para a saúde humana.

A consequência disso não se limita ao agravamento de problemas ambientais e sociais. Trata-se de um padrão tecnológico controlado por grandes corporações que vem se tornando cada vez mais caro.

Algo agravado no contexto atual, no qual a proliferação de guerras e a instabilidade dos mercados internacionais afetam diretamente a dependência brasileira de importações de insumos. Perdem os produtores, com a redução de suas margens de lucro.

Perdem os consumidores, com o aumento dos custos e, consequentemente, dos preços dos alimentos. Perde o País, maiores riscos em um de seus setores mais estratégicos.

Não se trata mais, portanto, de apenas ampliar o acesso ao crédito. É preciso promover uma transformação das bases técnicas do sistema agroalimentar.

A transição para práticas regenerativas surge como oportunidade estratégica. Ela não pode ficar restrita à adoção de tecnologias já consagradas como o plantio direto ou o uso de inoculantes para a produção de soja.

É necessário ir além e estimular a diversificação produtiva, o uso de bioinsumos, fortalecer economias locais e fomentar novas redes de fornecedores que diminuam a dependência dos grandes grupos.

O Pronaf precisa ser repensado, em suas próprias bases. E é preciso ter sua implementação melhor coordenada com outras políticas, como o recém-lançado Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, que pode ser decisivo para reposicionar a agricultura brasileira nas próximas décadas.

O fortalecimento da agricultura familiar foi uma conquista democrática importante. Sua continuidade, no entanto, depende da superação do produtivismo que hoje limita seu potencial transformador.

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Hospital Colônia São Julião de Campo Grande

Foi construído pelo governo federal, que previa a construção de "leprosários modelos" em diferentes regiões do País

06/05/2026 07h30

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No dia 5 de agosto de 1941, foi inaugurado em Campo Grande (atual MS) o Hospital Colônia São Julião, especializado no tratamento da hanseníase, que na época era chamada de lepra ou morfeia.

Foi construído pelo governo federal, que previa a construção de "leprosários modelos" em diferentes regiões do País.

O presidente Vargas compareceu à inauguração e várias outras autoridades, conforme reportagem da Revista Brasil Médico, do Rio de Janeiro.

No final de 1937, teve início a construção do complexo em terreno de 180 hectares doados à União pelo Município. Três anos após a inauguração, o hospital estava com 264 internos, embora no projeto inicial estava previsto um número menor. 

No início do Estado Novo (1937-1945), mesmo com a suspensão das eleições, o advogado Eduardo Olímpio Machado foi confirmado como prefeito de Campo Grande.

Ele já estava exercendo o cargo desde março de 1937, por ter sido eleito pelo sufrágio universal do voto.

Naquela época, um dos principais problemas de saúde em Mato Grosso era a hanseníase. Razão pela qual as autoridades municipais haviam pedido ao governo federal a construção do hospital.

Havia ainda muito preconceito e falta de informações sobre a referida moléstia, ainda predominava a ideia da segregação do doente da sociedade, internando-os compulsoriamente em hospitais onde podiam passar anos e anos confinados. A solicitação foi atendida e teve início então a construção da Colônia. 

Ao lado dos pavilhões dos internos, num terreno isolado por telas, foi construído o preventório, uma casa onde ficavam isolados os filhos sadios dos internos.

O contato entre pais e filhos era permitido somente a certa distância, sem manter contato físico para supostamente evitar contágio.

É o que se entendia ser "ação humanitária de combate à hanseníase". Posteriormente, foi construído o Educandário Getúlio Vargas, que funcionou como orfanato para filhos dos internos. 

O jornal cuiabano A Cruz, em 11 de fevereiro de 1934, noticiou que não havia em Mato Grosso estatística sobre a hanseníase no Estado.

Não havia controle dos casos existentes no interior. Alguns médicos estimavam que a situação de Mato Grosso era semelhante ao do Estado do Pará.

No Hospital São João dos Lázaros de Cuiabá, havia registro da possível existência de 800 casos no Estado.

Na mesma reportagem consta a visão do médico Vespasiano Martins, que estimava haver cerca de mil doentes em Mato Grosso, com maior incidência no sul do Estado, por conta das pessoas que vinham de outros estados.

O primeiro médico do hospital foi o dr. Clineu Morais, depois, por 27 anos seguidos, o dr. Orestes Rocha foi o único médico servidor que procurava aliviar o sofrimento dos internos naquele hospital, fazendo o possível em termos de assistência médica. 

Nos anos 1970, começou uma etapa de recuperação do hospital, em razão do serviço voluntariado de religiosos católicos.

Em 1991, durante a visita à cidade, o Papa João Paulo II foi abençoar a instituição, o que deu maior divulgação da importância do atendimento às pessoas com hanseníase.

Nas últimas décadas, o hospital vem passando por sucessivas melhorias e ampliações que o tornaram em referência regional em diferentes áreas médicas.

Assim, depois de 85 anos de sua inauguração, o atual e renovado Hospital São Julião está presente na história das instituições de saúde de Campo Grande.

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