A manutenção das vias urbanas é uma das obrigações mais elementares de qualquer administração municipal. Ruas em boas condições garantem segurança, reduzem prejuízos aos motoristas, melhoram a mobilidade e preservam o patrimônio público.
Por isso, é positivo que a Prefeitura de Campo Grande demonstre pressa para regularizar os contratos destinados à chamada operação tapa-buraco. O problema é que a boa vontade, por si só, não resolve a urgência enfrentada diariamente pela população.
Conforme mostramos nesta edição, os novos contratos somente deverão entrar em vigor em agosto, respeitando todas as etapas exigidas pelo processo licitatório.
Trata-se de um procedimento indispensável para assegurar legalidade, transparência e ampla concorrência. Entretanto, até que isso ocorra, a cidade continuará convivendo com um cenário de ruas deterioradas.
É justamente nesse intervalo que a administração municipal precisa demonstrar capacidade de gestão. Não basta aguardar a conclusão da licitação enquanto o problema se agrava. É necessário encontrar soluções emergenciais que permitam minimizar os transtornos, sempre observando o princípio da economicidade.
Afinal, os recursos públicos são limitados e devem ser empregados de forma responsável, sem improvisações que acabem custando ainda mais aos cofres municipais.
A situação atual também convida a uma reflexão sobre decisões tomadas ao longo das últimas décadas. Em nome de um modelo de terceirização que, na prática, mostrou-se pouco eficiente, o poder público abriu mão de manter estrutura própria para executar serviços de manutenção viária e pavimentação.
Pouco a pouco, deixou de renovar seu maquinário, tornando-se cada vez mais dependente da contratação de empresas privadas até mesmo para intervenções emergenciais.
Essa dependência trouxe consequências conhecidas pelos campo-grandenses. Ao longo dos últimos 15 anos, diferentes investigações do Ministério Público apontaram suspeitas envolvendo contratos de manutenção de vias, alguns deles relacionados com empresas investigadas por corrupção.
Como se isso não bastasse, a administração pública ainda recorreu a contratos de locação de equipamentos considerados escandalosos, celebrados com empresas registradas em nome de laranjas, enquanto sua própria frota se deteriorava sem reposição adequada.
Esse histórico demonstra que o problema nunca foi apenas operacional.
Foi também consequência de escolhas administrativas equivocadas, que reduziram a capacidade do município de responder rapidamente às demandas da população e aumentaram sua vulnerabilidade a contratos malsucedidos e a práticas incompatíveis com a boa gestão pública.
A nova contratação representa, portanto, mais do que a retomada da operação tapa-buraco. É uma oportunidade para romper definitivamente com um modelo que acumulou ineficiência, desperdício e suspeitas.
Espera-se que os novos contratos sejam conduzidos sob critérios rigorosos de integridade, ampla concorrência, fiscalização permanente e absoluta transparência.

