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Temporada de queimadas se aproxima, veja como a tecnologia pode ajudar

Em 2020 o País enfrentou uma das maiores tragédias ambientais do bioma Pantanal, quando o fogo atingiu mais de 30% de toda a sua área

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O Brasil vem enfrentando um aumento significativo nos focos de calor. De acordo com o painel de monitoramento do programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), janeiro foi um mês atípico, com 4.347 focos ativos detectados pelo satélite de referência do órgão.

O número corresponde ao dobro da média histórica para o mês e representa crescimento de 46% em relação a 2025. A situação ainda deve se agravar nos próximos meses, quando a temporada de queimadas, mais forte no mês de agosto, chegar ao País.

O episódio não é isolado. Nos últimos anos, o que era sazonal passou a se tornar estrutural. Segundo o World Wide Fund for Nature (WWF), em 2019, a Amazônia registrou um dos episódios mais emblemáticos da década, com aumento expressivo de focos que gerou repercussão internacional.

Já em 2020 o País enfrentou uma das maiores tragédias ambientais do bioma Pantanal, quando o fogo atingiu mais de 30% de toda a sua área, o pior evento já registrado na região.

A tendência continuou nos anos seguintes. Apenas no primeiro semestre de 2024, foram registrados mais de 13 mil focos na Amazônia, o pior número em duas décadas para o período, enquanto agosto daquele mesmo ano atingiu o maior volume mensal em 14 anos.

O fenômeno não é isolado. Nas últimas temporadas, o Chile também tem registrado incêndios florestais cada vez mais complexos e com maior impacto social e ambiental.

Segundo relatórios oficiais compilados pelo governo, desde 1º de janeiro de 2026 foram registrados mais de 750 incêndios, que consumiram cerca de 50 mil hectares de vegetação, com dezenas de focos ainda ativos e milhares de pessoas evacuadas em regiões como Biobío, Ñuble e La Araucanía.

Esses dados não representam apenas estatísticas, mas estão indicando uma realidade estrutural. Condições climáticas extremas, ondas de calor, ventos intensos e secas prolongadas, combinadas à presença crescente de infraestrutura crítica próxima a áreas florestais, ampliaram a exposição ao risco.

E, embora grande parte da discussão pública se concentre nas causas e consequências, uma dúvida fundamental permanece: as tecnologias disponíveis estão sendo corretamente integradas para antecipar e prevenir eventos, em vez de apenas reagir a eles? 

Hoje existem soluções maduras de detecção e monitoramento com sensores de temperatura e fumaça com autonomia superior a sete anos, câmeras térmicas de alta resolução, dispositivos de internet das coisas (IoT) para transmissão contínua de dados e plataformas analíticas capazes de correlacionar informações em tempo real e gerar alertas acionáveis. Ou seja, o problema não está na ausência de tecnologia, mas na sua fragmentação operacional.

Nesse contexto, o papel dos integradores tecnológicos ganha relevância. Uma solução isolada pode identificar um indício, várias operando em silos podem apontar risco elevado. Um sistema integrado, porém, transforma dados dispersos em alerta operacional e decisão oportuna.

Isso significa unificar sensores, conectividade, armazenamento e protocolos de resposta em um fluxo contínuo capaz de detectar, priorizar, alertar e apoiar ações em tempo real.

Um exemplo dessa abordagem é a integração de sensores a plataformas de monitoramento urbano, nas quais as informações são cruzadas com modelos de risco e padrões históricos.

Com plataformas inteligentes, torna-se possível consolidar dados heterogêneos, provenientes de sensores de longa duração, câmeras e estações meteorológicas, e traduzi-los em indicadores capazes de antecipar focos de ignição antes que se transformem em eventos de grande escala.

A diferença entre um sensor isolado e um sistema integrado está na capacidade de ação. Mais do que coletar dados, trata-se de habilitar decisões: priorizar recursos, enviar alertas antecipados às brigadas, ativar protocolos automáticos de mitigação e reduzir impactos humanos e econômicos.

Prevenir incêndios hoje exige abandonar a mentalidade reativa. A história recente demonstra que milhares de hectares queimados, deslocamento de populações e perdas materiais não são inevitáveis, mas consequência da falta de articulação adequada das capacidades tecnológicas já existentes. A tecnologia deixou de ser um recurso complementar, tornou-se uma infraestrutura crítica.

A verdadeira transformação na prevenção não virá apenas de mais sensores ou novos modelos preditivos, mas da integração efetiva dessas tecnologias em plataformas operacionais capazes de oferecer precisão, velocidade e contexto na tomada de decisão.

Isso demanda não só conhecimento técnico, mas uma visão integrada que conecte dispositivos, dados e operação humana em um mesmo sistema de valor.

O objetivo é fazer da detecção precoce uma regra em que o monitoramento não seja reativo, mas preditivo, e as respostas, uma operação coordenada preparada para múltiplos riscos simultâneos.

Quando tecnologias deixam de operar isoladamente e passam a compor um sistema holístico de prevenção, ocorre um salto qualitativo na segurança e na resiliência de comunidades inteiras.

Para isso, contar com integradores capazes de transformar diversidade tecnológica em decisões operacionais é essencial. Esse papel é determinante para cidades mais seguras, indústrias mais resilientes e uma gestão de riscos orientada ao futuro, baseada em ação concreta, não apenas em intenção.

ARTIGOS

Como o El Niño e as barreiras protecionistas interferem na pecuária moderna

Intensificar a expansão sem o suporte de uma gestão financeira cirúrgica é o caminho mais rápido para o prejuízo na pecuária

09/09/2026 07h25

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Estamos prestes a iniciar uma das estações de monta mais desafiadoras da nossa história. O pecuarista que encarar esse momento apenas como mais um ciclo reprodutivo corre o risco de ver sua margem operacional evaporar nos próximos dois anos.

Em Mato Grosso do Sul, a pecuária tem sofrido forte pressão de outras culturas: a rápida expansão da soja, das florestas plantadas e da citricultura reduz as áreas de pastagens disponíveis, forçando-nos a intensificar cada vez mais a produção.

Porém, intensificar sem o suporte de uma gestão financeira cirúrgica é o caminho mais rápido para o prejuízo.

Para enfrentar esse cenário complexo, agravado pelas previsões de calor severo e chuvas irregulares ocasionados pelo El Niño, apresentamos três quebras de paradigma imprescindíveis para o sucesso da safra 2026/2027:

Primeiramente, a matriz vazia não é necessariamente apenas um indicativo de falha reprodutiva, lembre-se que ela é uma importante fonte de receita para o criador de bezerros.

Tradicionalmente, o produtor hesita em descartar fêmeas falhas, carregando-as na esperança de um resultado tardio. Mas a matemática é implacável, matrizes vazias inflam a taxa de lotação da fazenda, porém não ajudam a pagar as contas.

Diante de pastagens castigadas pelo estresse térmico e pela degradação hídrica do El Niño, manter essa “máquina” improdutiva consumindo recursos é insustentável.

O descarte  dessas fêmeas vazias ao fim da estação de monta deve ser inegociável, trata-se de uma estratégia para gerar receita e aliviar os pastos na seca para priorizar os animais produtivos.

Em segundo vem a “guerra silenciosa” por áreas e a armadilha inflacionária do milho.  Disputamos por áreas produtivas diretamente com a agricultura e a silvicultura. Com menos espaço para a pecuária, a resposta óbvia tem sido a transição para sistemas que adotam semiconfinamento e confinamento.

Mas surge aí uma nova competição por outro recurso: o milho. A consolidação de gigantes usinas de etanol de milho no Estado estabeleceu uma demanda contínua que inflaciona o grão. Antes de confinar, o produtor deve priorizar a produção de arrobas em pastagem.

A arroba mais barata continua sendo aquela produzida a pasto.

E em terceiro, a estação de monta como uma “máquina do tempo” para o mercado de 2028. O cerco internacional se fechou. A União Europeia barrou as importações de animais que tenham consumido antimicrobianos (promotores de crescimento químicos).

Paralelamente, as cotas da China para a carne brasileira foram atingidas e o excedente será taxado em mais 55%. No bolso do produtor, a suspensão do bônus Hilton representa uma perda direta de aproximadamente R$ 6,00 por arroba do animal abatido.

Como o MS tem seu foco na produção de animais precoces e superprecoces, abatidos entre 18 meses e 24 meses, as decisões sobre o protocolo sanitário e nutricional do bezerro concebido hoje definirão a liquidez dessa safra em 2028.

Planejar o fluxo de caixa, determinar o custo real de cada arroba produzida e antecipar-se às barreiras comerciais não são mais opcionais: são condições imprescindíveis para maximizar o resultado da operação pecuária.

EDITORIAL

Caos que não pode ser normalizado

É lamentável que um hospital tão importante para Campo Grande e Mato Grosso do Sul esteja permanentemente envolvido em problemas financeiros

09/09/2026 07h15

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Nesta edição, mais uma vez, mostramos o caos financeiro da Santa Casa de Campo Grande e suas implicações. E elas têm se agravado somadas à má gestão financeira do hospital.

Não há mais como aceitar a justificativa de que a Santa Casa é um hospital de “portas abertas” e que, por isso, os recursos públicos repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nunca são suficientes para equilibrar as contas.

É evidente que pode haver insuficiência de recursos para manter uma estrutura desse porte, mas a falta de dinheiro não pode servir como explicação permanente para um cenário de desorganização financeira. Talvez faltem recursos, mas não ao ponto de justificar o caos atual.

Quando uma instituição recebe recursos públicos em valores expressivos, a sociedade tem o direito de saber como esse dinheiro é utilizado. E é justamente aí que está um dos maiores problemas da Santa Casa: falta transparência.

As contas e os contratos de terceirização não permitem compreender com clareza onde estão os custos. É preciso saber se não há situações injustas, com muita gente produzindo pouco enquanto recebe muito dinheiro.

Não se trata de acusar ninguém sem provas, mas de exigir que os números permitam afastar dúvidas. A falta de transparência abre espaço para questionamentos sobre a eficiência dos contratos e da estrutura administrativa da Santa Casa de Campo Grande. Uma gestão responsável deveria esclarecer essas questões.

Também chama atenção o peso dos juros pagos mensalmente pela instituição. São milhões de reais que deixam de ser destinados à atividade hospitalar para remunerar dívidas acumuladas. Em algum momento, é preciso atacar as causas do problema.

A Santa Casa também poderia ter mais capacidade de gerar caixa e depender menos dos repasses do SUS. Isso exigiria planejamento e revisão de despesas, processos e contratos. Aparentemente, não há um trabalho consistente nessa direção.

É lamentável que um hospital tão importante para Campo Grande e Mato Grosso do Sul esteja permanentemente envolvido em problemas financeiros. Parte dessas dificuldades pode decorrer não apenas da falta de recursos, mas também de uma gestão que não demonstra eficiência e transparência.

A Santa Casa de Campo Grande precisa de recursos, mas precisa também de gestão. Precisa do Sistema Único de Saúde, mas deve buscar reduzir sua dependência.

E precisa, principalmente, abrir suas contas para distinguir aquilo que é efetivamente falta de dinheiro daquilo que pode ser consequência de decisões administrativas equivocadas. Sem isso, o problema continuará sendo empurrado para o futuro, enquanto a conta ficará para a sociedade.

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