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Time que está ganhando não se mexe?

O problema é que essa lógica parte de uma premissa perigosa: a de que o maior desafio da liderança é preservar o sucesso

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Há máximas que atravessam gerações sem jamais serem questionadas. “Time que está ganhando não se mexe” é uma delas. Talvez porque, à primeira vista, pareça uma recomendação de bom senso. Afinal, por que mudar aquilo que está dando certo?

O problema é que essa lógica parte de uma premissa perigosa: a de que o maior desafio da liderança é preservar o sucesso.

Não é.

O maior desafio da liderança é ampliar, continuamente, a capacidade da organização de continuar tendo sucesso.

Essa distinção muda tudo.

Toda organização acumula resultados. Mas também acumula capacidades. Resultados revelam aquilo que ela foi capaz de construir. Capacidades determinam aquilo que ainda será capaz de construir.

É justamente por isso que organizações deixam de crescer muito antes de seus indicadores piorarem. Não porque tenham perdido competência, mas porque perderam sua capacidade de aprender, adaptar-se e evoluir na velocidade que o ambiente passou a exigir.

Grandes líderes compreendem essa diferença.

Eles não analisam apenas o desempenho atual. Procuram identificar qual é o verdadeiro potencial de evolução da organização. Perguntam se as competências existentes continuam compatíveis com os desafios futuros.

Se a forma de liderar ainda estimula aprendizado. Se os processos favorecem inovação ou apenas repetem soluções que funcionaram no passado.

Em outras palavras, procuram entender se a organização tem capacidade instalada para alcançar um novo ciclo de crescimento.

Empresas capazes de permanecer relevantes são, antes de tudo, empresas que aprendem continuamente. Isso significa transformar problemas, erros, experiências e novas ideias em aprendizado coletivo, em vez de apenas repetir práticas que funcionaram no passado.

Essa talvez seja a maior vantagem competitiva das organizações longevas. Não por acaso, Alexandre Di Miceli identifica a aprendizagem contínua como uma das características centrais das empresas construídas para durar.

Essa resposta dificilmente será encontrada em um relatório gerencial.

Ela aparece quando as perguntas começam a diminuir. Quando as reuniões terminam sempre nas mesmas conclusões. Quando as pessoas deixam de relatar problemas, de compartilhar dúvidas e de propor novas ideias.

Quando a experiência passa a produzir mais certezas do que curiosidade. Quando a estabilidade deixa de ser consequência da maturidade e passa a ser consequência da acomodação.

É aí que mora o maior risco: não o fracasso, mas a estagnação.

Porque a estagnação raramente chega acompanhada de uma crise. Ela se instala silenciosamente, enquanto tudo parece funcionar. Os resultados permanecem positivos. Os processos continuam rodando. As pessoas cumprem suas funções.

Mas, pouco a pouco, a organização deixa de ampliar sua capacidade de enfrentar desafios maiores do que aqueles que já conhece.

É justamente nesse momento que surgem as decisões mais importantes da liderança. Não para corrigir o que deu errado. Mas para impedir que o sucesso de ontem limite as possibilidades de amanhã.

Talvez seja essa a principal atualização que a velha máxima exige.

A pergunta decisiva nunca foi se a organização está obtendo bons resultados.

A pergunta é outra: com a liderança, as competências, a cultura e a forma de pensar que tem hoje, ela ainda tem capacidade para alcançar um estágio superior ao que já alcançou?

Artigo

A Copa do Mundo e geopolítica

A realidade, porém, conta outra história. A Copa nunca foi apenas um torneio de futebol assim como as Olimpíadas

29/06/2026 07h30

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À medida que a Copa do Mundo de deste ano começa a mobilizar torcedores ao redor do mundo, muitos insistem em repetir uma frase bastante conhecida: esporte e política não se misturam.

A realidade, porém, conta outra história. A Copa nunca foi apenas um torneio de futebol – assim como as Olimpíadas.

Ela é também um fenômeno político, econômico e geopolítico, capaz de reverberar tensões internacionais, disputas de poder e transformações globais.

Os acontecimentos das últimas semanas deixam isso evidente. Os Estados Unidos, uma das três sedes do torneio, adotaram políticas migratórias que já afetam diretamente a competição.

Integrantes da delegação iraniana enfrentaram dificuldades para obter vistos, parte da equipe precisou transferir sua base para o México e autoridades esportivas do país denunciaram tratamento discriminatório.

Ao mesmo tempo, torcedores e oficiais de diferentes nacionalidades relataram obstáculos para ingressar em território norte-americano, transformando um evento esportivo em mais um capítulo dos debates sobre fronteiras, segurança internacional e soberania.

O caso iraniano é particularmente simbólico. Num momento de forte tensão entre Washington e Teerã, o simples deslocamento de jogadores, dirigentes e torcedores tornou-se uma questão diplomática.

O futebol, nesse contexto, deixa de ser apenas entretenimento para se tornar um espaço em que rivalidades internacionais continuam negociadas.

Mas a relação entre Copa do Mundo e geopolítica vai muito além dos conflitos diplomáticos mais evidentes.

Em diversos momentos da história, o torneio serviu para expressar mudanças na ordem internacional.

Quando a seleção da Croácia estreou na Copa do Mundo em 1998, por exemplo, não estava apenas disputando partidas de futebol em prol do entretenimento dos torcedores.

A seleção estava simbolizando a consolidação de um novo Estado surgido após o colapso da Iugoslávia.

Da mesma forma, a participação de países recém-independentes ao longo das últimas décadas representou uma forma de reconhecimento internacional e afirmação de soberania.

Quando a Bósnia e Herzegovina disputou sua primeira Copa do Mundo, em 2014, sua participação foi celebrada não apenas como uma conquista esportiva, mas como um símbolo da reconstrução de um país que duas décadas antes havia sido devastado por uma das guerras mais violentas da Europa contemporânea.

A seleção tornou-se uma representação da própria sobrevivência do Estado Bósnio e de sua busca por reconhecimento e estabilidade no cenário internacional.

Em outra dimensão, os países do Golfo transformaram o futebol numa importante ferramenta de projeção de poder. Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos passaram a investir bilhões de dólares em clubes, competições, patrocínios e grandes eventos esportivos, utilizando o esporte como instrumento de projeção global para ampliar sua influência, diversificar as economias e fortalecer a imagem internacional.

Outro exemplo pouco lembrado envolve a escolha das sedes. A disputa para sediar uma Copa do Mundo costuma mobilizar governos, empresas privadas e diplomatas durante anos. Receber o torneio significa projetar uma imagem internacional, atrair investimentos e demonstrar capacidade organizacional e de Engenharia.

Não por acaso, países emergentes frequentemente enxergam o evento como uma ferramenta de soft power, utilizando o esporte para fortalecer sua reputação global.

A geopolítica também aparece nas questões econômicas. Em números, a Copa do Mundo deste ano será a maior da história, com 48 seleções e 104 partidas. Isso envolve negociações complexas sobre infraestrutura, segurança, transporte, telecomunicações, direitos de transmissão e circulação de pessoas.

Em outras palavras, a Copa funciona como uma gigantesca operação internacional que depende da cooperação e, muitas vezes, dos conflitos entre governos, empresas e organizações multilaterais.

Mesmo temas aparentemente distantes do futebol acabam influenciando o torneio. Questões migratórias, políticas de segurança, sanções econômicas, relações diplomáticas e até debates sobre direitos humanos passaram a fazer parte da preparação para o Mundial.

Organizações internacionais já alertam para possíveis impactos das políticas de imigração, fiscalização de fronteiras e monitoramento de visitantes durante a competição.

Talvez o maior equívoco seja imaginar que a política invade o esporte. Na verdade, o esporte sempre esteve inserto na política.

Afinal, seleções representam Estados nacionais, torcedores atravessam fronteiras, governos financiam infraestrutura e organismos internacionais estabelecem regras para a realização dos torneios.

A Copa do Mundo continua um espetáculo esportivo extraordinário – não apenas para quem gosta de futebol.

Ela também funciona como uma janela privilegiada para observar o mundo. Ao acompanhar os jogos, vale a pena prestar atenção não somente no que acontece dentro dos estádios. Muitas vezes, as histórias mais reveladoras estão acontecendo nos bastidores.

E compreender essas conexões é fundamental para entender não só o futebol, mas também a dinâmica das relações internacionais no século 21.

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Editorial

A força da inteligência contra o crime

Cooperação internacional e trabalho de monitoramento permitiram uma apreensão histórica e mostram o caminho para enfraquecer o crime organizado

29/06/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado apresenta, com exclusividade, um dos pontos centrais da investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) e pela Receita Federal, em parceria com autoridades norte-americanas, que resultou no que pode ser a maior apreensão de cocaína da história do Brasil.

A operação, realizada na semana passada em Cáceres (MT) e Corumbá, retirou de circulação uma quantidade impressionante de droga que tinha um destino bem definido: os Estados Unidos, mais precisamente a cidade de Miami, na Flórida.

A dimensão da apreensão impressiona, mas talvez mais importante do que a quantidade de entorpecentes retirada do mercado seja a forma como o resultado foi alcançado. Operações dessa magnitude não acontecem por acaso.

Elas são fruto de meses, às vezes até anos, de monitoramento, cruzamento de informações, compartilhamento de dados e acompanhamento minucioso dos passos das organizações criminosas.

O combate ao narcotráfico internacional deixou de ser uma atividade baseada apenas em barreiras físicas, patrulhamento ostensivo ou abordagens de rotina.

Hoje, as grandes vitórias contra o crime organizado são construídas principalmente nos centros de inteligência.

É ali que se identificam rotas, movimentações financeiras, conexões internacionais e estratégias utilizadas pelas quadrilhas para transportar toneladas de drogas entre continentes.

Nesse aspecto, a operação revela também uma realidade que precisa ser reconhecida. As forças de segurança da América do Sul ainda têm muito a aprender e a aperfeiçoar em cooperação com as agências norte-americanas.

A experiência acumulada pelos Estados Unidos no enfrentamento ao crime transnacional, especialmente no campo da inteligência e da integração de bancos de dados, tem produzido resultados que merecem ser observados e incorporados por seus parceiros.

O êxito da ação demonstra o valor da cooperação internacional. Quando instituições de diferentes países compartilham informações e atuam de forma coordenada, as organizações criminosas perdem uma de suas principais vantagens: a capacidade de explorar fronteiras e limitações burocráticas entre nações.

Mas a apreensão da droga não pode representar o ponto final dessa investigação. O verdadeiro sucesso será alcançado quando os responsáveis pelas cargas forem identificados, presos e condenados.

Mais importante ainda será localizar e sequestrar os bens acumulados com recursos oriundos do tráfico. Sem atingir o patrimônio das organizações criminosas, o combate ao narcotráfico permanece incompleto.

Também é necessário ampliar a participação de agências europeias nessa rede de cooperação. Afinal, uma parcela significativa da cocaína que atravessa o território brasileiro tem como destino o continente europeu.

Quanto maior for a integração entre autoridades sul-americanas, norte-americanas e europeias, maiores serão as chances de enfraquecer estruturas criminosas que operam em escala global.

Por isso, a operação merece reconhecimento. Ela comprova que inteligência, integração e cooperação continuam sendo as armas mais eficazes contra o narcotráfico.

E, mais uma vez, merece elogios o trabalho das autoridades envolvidas, que demonstraram capacidade técnica, planejamento e persistência para atingir um resultado histórico.

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