Artigos e Opinião

EDITORIAL

Vigilância permanente contra a corrupção

Combater a corrupção não significa apenas responsabilizar aqueles que utilizam a máquina pública para obter vantagens, significa preservar o dinheiro do contribuinte

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Mais uma vez, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) demonstra a importância de um trabalho investigativo permanente no combate à corrupção.

A operação deflagrada nesta semana, que apura supostas irregularidades em prefeituras de Mato Grosso do Sul e também na Central de Regulação de vagas hospitalares vinculada à administração estadual, reforça que o controle sobre a gestão pública precisa ser contínuo, técnico e independente.

É preciso reconhecer o mérito do trabalho desenvolvido pelo Gaeco e pelos demais órgãos que atuam na investigação de desvios de recursos públicos.

Combater a corrupção não significa apenas responsabilizar aqueles que utilizam a máquina pública para obter vantagens pessoais, significa, sobretudo, preservar o dinheiro do contribuinte, fortalecer as instituições e transmitir à sociedade a mensagem de que a impunidade não pode ser a regra.

Toda operação policial provoca impacto imediato sobre os investigados, mas seus efeitos vão muito além dos mandados de busca e apreensão ou das eventuais prisões: cada investigação bem conduzida serve também como um poderoso instrumento de prevenção.

A partir do momento em que prefeitos, secretários, servidores públicos e empresários percebem que há fiscalização efetiva, a tendência é de que pensem mais de uma vez antes de participar de reuniões clandestinas, acertar vantagens indevidas ou elaborar os conhecidos “bem bolados” que tanto prejuízo causam aos cofres públicos.

Há uma máxima simples que continua atual: quando se investiga, encontram-se irregularidades, quando não se investiga, elas permanecem ocultas.

A corrupção dificilmente se revela espontaneamente. Ela costuma ser planejada longe dos olhos da sociedade, em conversas reservadas, com estratégias para ocultar rastros e escapar da fiscalização.

Justamente por isso, o trabalho de inteligência, auditoria e investigação é indispensável para romper esse ciclo.

Esse tipo de vigilância permanente exerce também um importante papel pedagógico. A punição dos responsáveis, quando comprovadas as irregularidades e assegurado o devido processo legal, contribui para moldar uma cultura de maior respeito ao patrimônio público.

O exemplo precisa ser claro: ocupar um cargo público não é oportunidade para enriquecimento ilícito, mas uma responsabilidade perante toda a sociedade.

É igualmente importante lembrar que toda investigação deve respeitar as garantias constitucionais. Os alvos das operações têm direito à ampla defesa e ao contraditório e somente o Judiciário poderá definir responsabilidades ao fim do processo.

Que operações como essa sirvam de alerta para todos aqueles que participam da gestão pública, da contratação de serviços e das licitações. O caminho seguro continua sendo o cumprimento rigoroso da lei, a transparência e a ética.

Quando há fiscalização permanente e instituições atuantes, a mensagem se fortalece: o dinheiro público deve ser protegido e a corrupção não pode compensar.

EDITORIAL

Inteligência contra o crime na fronteira

Existe uma forma de combate ao crime menos visível, menos tensa e, talvez por isso, menos explorada no debate público: a inteligência, trabalho silencioso que desarticula quadrilhas

07/07/2026 07h15

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As últimas semanas foram marcadas por uma sequência de notícias preocupantes na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia.

Confrontos entre forças de segurança e integrantes de organizações criminosas deixaram mortos dos dois lados, evidenciando o elevado grau de violência que há muito tempo se instalou em uma das principais rotas do tráfico internacional de drogas.

Trata-se de um cenário que exige respostas firmes do Estado, mas, sobretudo, respostas eficazes.

A morte de um policial em Corumbá provocou uma reação imediata das forças de segurança, que intensificaram as operações para localizar e prender os responsáveis pelo crime. É compreensível que o assassinato de um agente público desperte indignação e mobilize toda a estrutura policial.

Quem atenta contra a vida de um policial desafia diretamente o Estado e deve responder por seus atos dentro dos limites da lei.

Entretanto, o enfrentamento ao crime organizado não pode se resumir à resposta armada ou à intensificação de operações ostensivas após ataques de grande repercussão. Essas ações são necessárias em determinadas circunstâncias, mas, sozinhas, dificilmente alteram a estrutura das organizações criminosas.

Muitas vezes, apenas substituem integrantes presos ou mortos por outros, que rapidamente ocupam seus lugares.

Existe uma forma de combate menos visível, menos tensa e, talvez por isso, menos explorada no debate público: a inteligência.

É por meio do cruzamento de informações, do monitoramento financeiro, da integração entre órgãos de segurança e da investigação qualificada que se identificam lideranças, rotas, fornecedores, financiadores e operadores das facções.

É esse trabalho silencioso que permite desarticular organizações inteiras, em vez de apenas combater seus braços operacionais.

Nesse aspecto, assim como as forças federais, as estaduais precisam fortalecer seus setores de inteligência. A cooperação entre polícias, Ministério Público, Receita Federal, Poder Judiciário e demais órgãos de controle é fundamental para atingir o verdadeiro coração das organizações criminosas: seu patrimônio.

O sequestro de bens, o bloqueio de contas, a apreensão de imóveis, veículos, aeronaves e recursos financeiros retiram das facções aquilo que lhes garante poder de expansão e capacidade de corromper.

A experiência acumulada no combate ao crime organizado demonstra que prender criminosos é indispensável, mas retirar-lhes o lucro costuma produzir efeitos mais duradouros.

Quando o crime deixa de ser financeiramente vantajoso, enfraquece-se sua capacidade de recrutar novos integrantes, adquirir armamentos e ampliar suas atividades ilícitas.

É uma estratégia que exige paciência, tecnologia, cooperação institucional e investimentos permanentes, mas que apresenta resultados mais consistentes.

Mato Grosso do Sul continuará ocupando posição estratégica no enfrentamento ao tráfico internacional em razão de sua extensa faixa de fronteira. Justamente por isso, é indispensável que a inteligência seja tratada como prioridade permanente, e não apenas como complemento das operações ostensivas.

ARTIGOS

Brasileiro não é apaixonado por futebol

Os brasileiros não são simplesmente apaixonados por futebol, são apaixonados por vencer nesse esporte

06/07/2026 07h45

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Há seis anos acompanho futebol diariamente por ser casada com um jogador profissional. Nesse período, convivendo com alguém que consome futebol do mundo inteiro, da hora que acorda até a hora de dormir, percebi uma diferença importante entre gostar de futebol e ser verdadeiramente apaixonado por ele.

E uma das coisas que aprendi é que nós, brasileiros, não somos simplesmente apaixonados por futebol, nós somos apaixonados por vencer nesse esporte.

Se não fosse assim, como explicar o fato que de quatro em quatro anos, até quem não tem time do coração, nem entende nada de bola, veste a camisa verde e amarela para torcer e se contorcer pela seleção?

Isso é porque carregamos o DNA de campeões. Trazemos no peito essa paixão pela adrenalina, pela sensação eletrizante de gritar gol, que bate diferente no fundo da alma de quem está acostumado a vencer.

Porque essa é a nossa identidade dentro do futebol; é a história que aprendemos desde a infância: nós somos os maiores campeões do mundo.

Mesmo que nos últimos 24 anos a seleção não tenha conseguido trazer mais uma taça para casa, ainda somos os únicos com cinco estrelas no peito e isso ninguém vai tirar de nós. E essa é uma das razões pelas quais nunca vamos admitir perder.

Infelizmente, o nosso país perde, sim, e de lavada em muitos aspectos, como a desigualdade social, a corrupção e a violência. Mas, aos olhos do mundo, temos uma seleção de riquezas brilhando intacta, das quais o futebol segue sendo o capitão.

Mesmo assim, as cinco estrelas não garantem a sexta. O futuro permanece incerto. E é exatamente isso que deixa a ideia do título ainda mais saborosa, e torna esse esporte tão apaixonante.

O futebol é agridoce, como a vida também é. Feito de alegrias e tristezas que se misturam o tempo todo. E dessa taça vamos beber até a última gota, torcendo e nos contorcendo, enquanto alimentamos a esperança do hexa, seja nesta oportunidade ou daqui a 1.460 dias.

Por isso vibre, celebre, aproveite. E não se esqueça: Mesmo que esse capítulo não termine como sonhamos, continuaremos a ser os pentacampeões da história.

E aproveito para te lembrar que, ainda que a sua vida esteja mais amarga que doce, e nem mesmo a beleza do futebol consiga colocar um sorriso no seu rosto agora, o Grande Autor da história quer te fazer mais que vencedor.

Renda-se a Ele, pois maior do que cinco ou seis estrelas no peito, é a vitória que vence o mundo: a nossa fé na brilhante estrela da manhã.

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