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MAIOR DA HISTÓRIA

Ataque terrorista de 11 de setembro, que matou milhares de pessoas, completa 21 anos

Aviões foram sequestrados e arremessados contra torres gêmeas e Pentágono em 2001

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O maior atentado terrorista da história dos Estados Unidos, que resultou em cerca de 3 mil mortes, completa 21 anos neste 11 de setembro. 

Na mesma data, em 2001, terroristas ligados ao grupo Al-Qaeda sequestraram e tomaram o controle de quatro aviões de passageiros. 

Como se fossem mísseis, um dos aviões foi atirado contra o Pentágono, em Washington. Outro caiu em um campo aberto na Pensilvânia. 

Os dois últimos aviões protagonizaram as cenas mais assustadoras, ao serem lançados contra as duas torres gêmeas do World Trade Center, símbolo do mercado financeiro, em Nova York, no ataque mais letal de todos.

Últimas notícias

O mundo inteiro parou quando a primeira aeronave atingiu a torre norte, às 8h46, no horário local. 

Os canais de TV passaram a transmitir ao vivo imagens do prédio em chamas, e o desespero das pessoas que tentavam sair de lá. 

Poucos minutos depois, às 9h03, até parecia que a televisão estava exibindo um replay do impacto, mas era o segundo avião sequestrado que atingia a torre sul do World Trade Center.

Duas horas depois, as duas torres desabaram na Ilha de Manhattan, levando consigo milhares de vítimas que não conseguiram sair dos prédios. 

Ao todo, 2.996 pessoas morreram nos quatro ataques, e mais de seis mil ficaram feridas.

Anos depois, no local onde estavam as torres gêmeas, foram construídos outros dois prédios de escritórios. 

Um deles, o One World Trade Center, está entre os edifícios mais altos do mundo, com 541 metros de altura. 

O local ainda deve abrigar outros três edifícios, além de um memorial às vítimas do onze de setembro de 2001.

Entenda

Após os eventos de 11 de setembro de 2001, a Presidência e o Congresso americano nomearam uma Comissão Nacional sobre ataques terroristas aos Estados Unidos, o relatório final reconstituiu os acontecimentos do dia do atentado nos mínimos detalhes.

Os atentados ao World Trade Center e ao Pentágono foram arquitetados pelo grupo terrorista Al-Qaeda, então liderado por Osama Bin Laden, que reivindicou publicamente a autoria dos ataques. 

Participaram diretamente do atentado 19 terroristas suicidas, que se dividiram em quatro grupos e se infiltraram em voos operados pela American Airlines e pela United Airlines.

A Comissão Nacional americana concluiu que os terroristas que executaram o ataque ao World Trade Center se encontraram no Aeroporto Internacional de Logan, em Boston, que fica a cerca de 350 Km de Manhattan. 

Mohamed Atta e Abdul Aziz al Omari desembarcaram em Boston às 06h45 da manhã, vindos de Portland. 

Sete minutos depois, Atta fez uma ligação telefônica para Marwan al Shehhi, que estava em outro terminal do aeroporto. 

A conversa entre os dois, que durou aproximadamente três minutos, foi provavelmente o último contato de ambos.

Ataques terroristas

Entre 06h45 e 07h40, Atta, Omari e mais três homens - os irmãos Wail al Shehri e Waleed al Shehri, e Satam al Suqami - fazem seus check-ins e embarcam no voo 11 da American Airlines.. O voo decola às 07h59.

Enquanto isso, no outro terminal do aeroporto de Logan, Marwan al-Shehhi, acompanhado por outros quatro terroristas - Fayez Banihammad, Mohand al Shehri, Ahmed al Ghamdi e Hamza al Ghamdi -, tentam embarcar no voo 175 da United Airlines. 

O grupo embarcou e entre às 07:23 e 07:28.

Outros cinco terroristas se encontraram em Washington D.C., no aeroporto internacional Washington Dulles.

Às 07h15, Khalid al Mihdhar e Majed Moqed fizeram check-ins para o voo 77 da American Airlines. Nos 20 minutos seguintes, também realizaram check-in Hani Hanjour e os irmãos Nawaf al Hazmi e Salem al Hazmi. 

Os cinco só embarcaram às 07h50, após passarem por checagens adicionais de segurança, que não identificaram nada que os impedisse de subirem no avião.

O último grupo, formado por Saeed al Ghamdi, Ahmed al Nami, Ahmad al Haznawi e Ziad Jarrah chegou ao aeroporto de Newark, em Nova Jersey. 

Os terroristas fizeram check-ins entre 07h03 e 07h39 para o voo 93 da United Airlines. 

Todos o terroristas do 11 de setembro passaram pelos procedimentos padrão de segurança estabelecidos para a aviação civil americana na época. 

O relatório da Comissão Nacional dos EUA definiu da seguinte maneira o sucesso dos terroristas:

O Boeing 767 usado no voo 11 da American Airlines decolou às 7h59 de Boston com destino a Los Angeles com 92 pessoas a bordo. 

Por volta das 08h14, quando o Boeing havia alcançado a altitude de 26 mil pés, o voo 11 fez sua última comunicação normal com o centro de controle de tráfego aéreo (ATC) da Administração Federal de Aviação em Boston.

Dezesseis segundos depois da transmissão, o ATC passou uma instrução para que os pilotos subissem a uma altitude de 35 mil pés. Não houve retorno.

"Por essa e outras evidências, acreditamos que os sequestradores tomaram o avião às 08h14 ou imediatamente depois disso", assinala o relatório do Comitê americano.

O que se sabe sobre o que se passou dentro do voo 11 se deve basicamente ao relato de duas aeromoças, Betty Ong e Madeline Sweeney, que trabalhavam na classe econômica durante o atentado. 

Elas conseguiram ligar a partir de airphones da AT&T e relataram o que estava acontecendo à bordo às autoridades em solo.

No começo, algum ou alguns dos terroristas esfaquearam dois comissários de bordo que se preparavam para atender os passageiros.

Pouco depois, Mohamed Atta, o único terrorista a bordo que sabia como pilotar um avião, teria saído do seu assento na classe executiva em direção ao cockpit, possivelmente acompanhado por Omari. 

Cinco minutos após o sequestro começar, por volta das 08h19, Betty Ong ligou para um escritório da American Airlines na Carolina do Norte, usando um Airphone da AT&T.

Às 08:25, os terroristas tentaram se comunicar com a tripulação. 

O microfone estava sintonizado com o ATC de Boston, que ouviu a mensagem: "Ninguém se mexe. Tudo vai ficar bem. Se vocês tentarem qualquer coisa, vocês colocam em risco vocês mesmos e o avião. Apenas fiquem quietos"

Às 08:26, Ong relatou que o avião estava voando erraticamente. Um minuto depois, a aeronave virou em direção sul. 

As autoridades americanas começaram a identificar os terroristas, com base no número dos assentos das pessoas que entraram no cockpit sem autorização, repassado por Ong e Sweeney - que entrou em contato, por outro telefone, com o escritório do American Flight Services em Boston. Ela relata que os terroristas disseram haver uma bomba no cockpit

Por volta das 08h44, Ong perde o contato com o escritório da Carolina do Norte, enquanto Sweeney informa: "Algo está errado. Estamos descendo rápido". 

Ela é questionada se consegue olhar pela janela e determinar onde eles estavam. 

"Estamos voando baixo. Estamos voando muito, muito baixo. Estamos voando baixo demais", disse Sweeney. Segundos depois, ela volta a falar. E a ligação caiu. 

O voo 11 da American Airlines atingiu a torre norte do World Trade Center, no centro de Nova York, às 08:46:40.

O voo 175 da United Airlines deveria ter partido em direção a Los Angeles às 08h, transportando 56 passageiros, sete comissários de bordo, o copiloto Michael Horrocks e o piloto Victor Saracini, mas o Boeing 767 só deixou o portão de embarque às 07h58, e a decolagem aconteceu com 14 minutos de atraso - no exato mesmo momento que, estima-se, os terroristas do voo 11 da American Airlines começaram o sequestro do avião.

Às 08:42, a tripulação concluiu seu relatório, no qual comunicou sobre uma "transmissão suspeita" de outro avião - que viria a ser o voo 11 -, logo após a decolagem. 

Foi a última comunicação do voo United 175 com o solo.

Os terroristas tomaram o controle do avião entre 08h42 e 08h46. 

Relatos de passageiros e comissários de bordo que conseguiram contato com o solo apontam que a movimentação do grupo foi similar ao que ocorreu no voo 11. 

Os sequestradores usaram facas, Mace e ameaçaram explodir uma bomba no avião; membros da tripulação foram esfaqueados e piloto e copiloto foram mortos, disseram.

O relatório aponta que a primeira evidência de que algo anormal estava acontecendo com o voo United 175 veio às 08h47, quando códigos da aeronave foram alterados duas vezes em um minuto. 

Às 08:51, o avião perde altitude e, um minuto depois, o controle de tráfego aéreo de Nova York tenta repetidamente entrar em contato com a tripulação, sem sucesso.

Às 08h52, um homem chamado Lee Hanson recebe uma ligação do filho, Peter, que estava no voo.

Lee Hanson ligou para o Departamento de Polícia de Easton, cidade onde morava, em Connecticut, e relatou o que ouviu.

Às 09h, Peter Hanson liga novamente para o pai.

"Eu estou ficando mal, pai. Uma aeromoça foi esfaqueada. Eles parecem ter facas e Mace. Eles dizem ter uma bomba. Está ficando muito ruim no avião. Passageiros estão vomitando e ficando enjoados. O avião está fazendo manobras estranhas. Eu não acho que o piloto está no controle do avião. Eu acho que vamos cair. Eu acho que eles querem ir até Chicago e bater o avião em um prédio. Não se preocupe pai, se acontecer algo, vai ser rápido. Meu Deus, meus Deus".

A ligação cai. Lee Hanson relatou à Comissão Nacional sobre ataques terroristas aos Estados Unidos que ligou a televisão assim que a chamada com o filho caiu. 

Ele assistiu ao vivo, às 09:03:11, o avião do voo United 175 bater na Torre Sul do World Trade Center. Todos a bordo - e centenas no prédio - morreram instantaneamente.

Quando a American Airlines foi informada de que o voo 77, que partiu do aeroporto Washington Dulles com destino a LA, não estava respondendo ao controle de tráfego aéreo, por volta das 08h54, o Boeing 767 que fazia o voo 11 já havia colidido com a Torre Norte do World Trade Center.

O voo 77 decolou de Washington Dulles às 08h20, transportando 58 passageiros, quatro comissários de bordo, o copitolo David Charlebois e o piloto Charles Burlingame. 

O sequestro da aeronave aconteceu em algum momento entre às 08h51 e às 08h54 - depois do choque do voo 11.

Os terroristas usaram as mesmas armas e os mesmos métodos dos voos que atingiram as Torres Gêmeas - facas, gás lacrimogêneo e ameaça de bomba.

Às 08h54, a aeronave muda de curso, seguindo na direção sul. Dois minutos depois, o transponder é desligado. O controle de tráfego aéreo não consegue mais contato com a aeronave.

O controle aéreo no aeroporto de Washington Dulles detecta, às 09h32, um objeto em alta velocidade. Dois minutos depois, o aeroporto nacional Ronald Reagan, em Washington, avisa o serviço secreto sobre uma aeronave não identificada estava a caminho da Casa Branca.

A aeronave do voo 77 acertou o Pentágono às 09:37:46, a uma velocidade aproximada de 853 Km/h, matando todos a bordo e civis e militares que estavam no prédio.

Apenas um dos aviões sequestrados pelos terroristas da Al-Qaeda não atingiram seu objetivo: o voo 93 da United Airlines, que partiu do Aeroporto Internacional Liberty, em Newark, Nova Jersey. 

Após os terroristas tomarem o controle do cockpit, passageiros e tripulação reagiram, fazendo com que os terroristas tivessem que forçar a queda do avião antecipadamente, em uma área descampada na Pensilvânia.

O Boeing 757 do voo United 93 decolou às 08h42 com o piloto, Jason Dahl, o copilito Leroy Homer, cinco comissários de bordo e 37 passageiros, incluindo os terroristas.

Um atraso de 20 minutos para a decolagem foi suficiente para que a tripulação deixasse o aeroporto sabendo do sequestro do voo 11 da American Airlines.

Com pouco tempo de voo, as autoridades tinham informações sobre os sequestros dos três voos que atingiram os alvos. Quatro minutos após o United 93 decolar, o primeiro avião se chocou contra as Torres Gêmeas. 

Em solo as autoridades demoraram a tomar decisões. 

Depois que United e American Airlines suspenderam a saída de novos voos, decidiu-se alertar os voos que já estavam no ar para que reforçassem a segurança do cockpit, mas empresas e controladores de tráfego aéreo não chegaram a uma decisão sobre quem deveria informar os pilotos.

Um funcionário da United Airlines, chamado Ed Ballinger, decidiu avisar por conta própria os 16 voos transcontinentais que a empresa tinha no ar. 

Os sequestradores atacaram às 09h28. O centro de controle aéreo de Cleveland recebeu as primeiras mensagens segundos depois, com pedidos de "Mayday" e com o barulho de uma discussão com o capitão e o copilito gritando com alguém que invadiu o cockpit: "Saiam daqui".

Após tomarem o avião, o piloto suicida, Ziad Jarrah, comunicou-se com a tripulação, às 09h32.

Assim como nos outros voos, os passageiros e a tripulação foram colocados na parte traseira do avião. No entanto, muitos deles - em comparação com os demais voos - conseguiram entrar em contato com amigos, familiares e parentes, que contaram o que havia acontecido em Nova York. 

Um dos passageiros - não identificado no relatório da Comissão - disse a um parente com quem falava no telefone que uma votação tinha sido realizada, e que eles iam reagir.

Às 09h57, os passageiros se rebelaram contra os terroristas. A gravação do cockpit captou o som abafado da luta entre os passageiros e dos terroristas do lado de fora da sala de comando.

Nos minutos seguitens, Jarrah realizou manobras para os lados e para cima e empinou o nariz do avião, na tentativa de fazer os passageiros caírem. Mas a reação continuou.

Às 09:58:57, Jarrah manda que outro terrorista na cabine bloqueie a porta. Menos de um minuto depois, volta a fazer manobras com o avião.

O barulho da luta no lado de fora da cabine não para. Às 10:00:26, um passageiro grita, e é captado pela gravação no cockpit: "Para o cockpit, se não formos, nós vamos morrer".

Às 10h01, Jarrah pergunta a outro terrorista:

- É isso? Eu digo, devemos colocá-lo para baixo?

- Sim. Derrube-o - respondeu o terrorista não identificado pela gravação.

Os passageiros continuaram lutando até às 10:02:23, quando o avião é desviado pela última vez na direção do solo e cai em uma área descampada de Shanksville, no Estado da Pensilvânia.

As autoridades acreditam que o objetivo dos terroristas no voo United 93 era atingir algum símbolo da República dos EUA, como o Capitólio ou a Casa Branca.

Efeitos

O então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, recebeu a informação de que a primeira aeronave do voo American Airlines 11 colidiu com o World Trade Center enquanto lia histórias para as crianças da Emma E. Booker Elementary School, às 08h50. 

Ele continua em sala de aula até que, às 09h05, um assessor entra na sala e fala em seu ouvido: "Um segundo avião atingiu o World Trade Center. A América está sob ataque".

Rodeado de crianças, Bush fez os primeiros comentários à nação sobre o ataque às torres gêmeas.

Por medida de segurança, o presidente ficou dentro do Air Force One, voando, depois de deixar a escola infantil. 

Antes de voltar para Washington, o presidente parou em duas bases aéreas, em Barksdale, na Louisiana, e em Offutt, em Nebraska. Bush chega a Washington às 19h. Uma hora e meia, em um pronunciamento à nação, o presidente promete punir os culpados pelos ataques.

Os ataques de 11 de setembro de 2001 impactaram a política externa dos Estados Unidos e, a partir dos atentados, o país norte-americano passou a priorizar a temática do terrorismo e direcionou suas ações com mais força em direção ao Oriente Médio.

Ao todo, contando as tripulações dos quatro voos, os 19 terroristas e todas as vítimas no Pentágono e no World Trade Center, estima-se que 2.977 pessoas morreram no dia do atentado - a grande maioria delas em Nova York.

Mas os efeitos foram mais longos. Além dos cerca de 3 mil mortos e mais de 6 mil feridos, Nova York ainda não terminou de contar as pessoas doentes de câncer e outros males graves, sobretudo de pulmão, ligados à nuvem tóxica que planou durante semanas sobre o sul da ilha. 

Em 2011, um estudo publicado na revista científica The Lancet mostrava que essas pessoas enfrentavam riscos maiores de sofrer câncer. 

Um censo do WTC Health Program, um programa federal de saúde reservado aos sobreviventes dos atentados, detectou câncer em 10 mil deles.

Eleições

Conflito na fronteira ocupa espaço entre as propostas dos candidatos a presidente

Enquanto Flávio Bolsonaro quer criar sistema nacional na região, Lula aposta em PEC para frear crimes transfronteiriços

19/10/2026 08h15

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro

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Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) dedicaram algumas páginas de suas propostas para a segurança pública, incluindo planos com o objetivo de conter a guerra na fronteira, que tem se tornado cada vez mais violenta em Mato Grosso do Sul, na divisa com a Bolívia e o Paraguai.

Não é segredo para ninguém os conflitos que acontecem na fronteira sul-mato-grossense entre o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que lutam pelo controle do tráfico de drogas. A movimentação é acompanhada de homicídios, tentativas de execução, ameaças, recrutamento de jovens e operações policiais contra suspeitos de integrar os dois grupos criminosos.

A localização geográfica ajuda a explicar o interesse das organizações criminosas pelo território sul-mato-grossense. O Estado faz fronteira com Paraguai e Bolívia, dois países ligados às cadeias de produção e fornecimento de drogas destinadas ao mercado internacional, especialmente maconha e cocaína.

Diante do aumento da criminalidade nessas regiões, que também afetam outros estados brasileiros, os candidatos à Presidência divulgaram seus planos para frear essa guerra nas propostas protocoladas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às quais o Correio do Estado teve acesso e analisou.

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro

LULA

O petista e atual presidente afirma que deseja fortalecer o programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em maio deste ano pelo governo federal, que prevê o fortalecimento das atuais Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), a compra de equipamentos e a promoção de 138 unidades prisionais para o padrão de segurança máxima dos presídios federais.

Ele também cita a cooperação com estados e municípios, visando ao enfrentamento ao tráfico de armas, munições, acessórios e explosivos e à asfixia financeira do crime organizado e das milícias, além da qualificação da investigação de homicídios, da retomada de territórios e do fortalecimento da segurança no sistema prisional. 

Para isso, será necessário um investimento de R$ 10 bilhões do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (Fiis) nas administrações públicas.

“O enfrentamento da violência requer uma ação permanente e integrada do Estado, baseada em investigação, cooperação entre as instituições, controle das fronteiras e das redes de financiamento do crime, além de políticas de prevenção, redução das desigualdades e ampliação de oportunidades, especialmente para a juventude”, reforça a campanha de Lula em seu plano de governo.

Especificamente sobre a fronteira, o candidato do PT afirma que vai fortalecer a vigilância territorial, a proteção dos recursos naturais e o combate ao crime organizado transnacional, passando a tratar os limites territoriais como espaços estratégicos de integração e desenvolvimento, com maior presença do Estado, infraestrutura, serviços públicos e cooperação com países vizinhos.

Vale ressaltar que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 18/2025, chamada de PEC da Segurança Pública, que é uma iniciativa do governo federal, esteve a poucos passos de passar por votação no plenário do Senado na semana passada, depois de ter sido aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sem alterações.

Porém, na quinta-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), retirou da pauta a votação da PEC. Segundo ele, a votação foi adiada para evitar uma “discussão açodada” da matéria e também para que os senadores possam chegar a um acordo sobre as emendas apresentadas à proposta. 

A PEC é um dos trunfos de Lula para conseguir avançar nos objetivos citados para o setor para o período de 2027 a 2030.

FLÁVIO

No seu plano de governo, Flávio Bolsonaro é mais enfático quanto à segurança pública, chegando a afirmar que o “blá-blá-blá ideológico da esquerda não traz resultados práticos”. Diante disso, ele declara que vai dobrar os investimentos federais no setor ao longo dos quatro anos de mandato, porém, sem detalhar as fontes desses recursos.

Com base, segundo o plano de governo, em dados do Ministério da Fazenda, afirma que o governo federal destina 0,4% dos seus gastos para a segurança pública.

Com este porcentual de investimento da União, Flávio afirma em seu plano de governo ser quase impossível combater o crime organizado. Para isso, o candidato do PL diz que vai interceptar, seja por terra, portos ou espaço aéreo, os fuzis e as drogas que abastecem as facções.

“Vamos desorganizar o crime organizado e asfixiar o crime física e financeiramente. Quem tem que viver em paz é o cidadão de bem, não as facções do mal. Não se combate o crime a quatro meses de uma eleição com discurso e PowerPoint, como faz Lula e o PT, depois de 18 anos no poder passando pano para bandido”, traz o plano de governo de Flávio.

Quanto à região fronteiriça, o candidato do PL afirma que vai criar o Sistema Nacional de Fronteira, que será uma “tropa de elite do Exército, da Marinha e da Força Aérea Brasileira equipada com armas de guerra, inteligência e tecnologia, responsável por criar um paredão na fronteira”. 

Ele afirma que há 16 mil quilômetros de fronteiras abertas e um efetivo de um policial para cada 100 km, sem citar de onde tirou os dados, o que seria pouco para combater o crime organizado na faixa fronteiriça.

* Saiba 

Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva vão duelar nas urnas no segundo turno, marcado para este domingo. No turno anterior, o candidato do PL ficou à frente com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista, uma diferença de 2,2 milhões de votos.

transporte coletivo

Aprovação de venda do Consórcio Guaicurus significará fim da intervenção

Cade aprovou neste mês a compra da concessão de ônibus pelo grupo HP Mobilidade, falta agora o aval da prefeitura

19/10/2026 08h05

Consórcio Guaicurus negocia, desde julho deste ano, venda de seu patrimônio a grupo de Goiânia

Consórcio Guaicurus negocia, desde julho deste ano, venda de seu patrimônio a grupo de Goiânia Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A intervenção municipal no serviço de transporte coletivo de Campo Grande pode estar em seus últimos momentos. Isso porque, neste mês, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a venda do Consórcio Guaicurus para a empresa Maas Administração e Participações Ltda., do grupo HP Mobilidade, de Goiânia (GO). Caso o negócio seja também validado pela prefeitura, isso significará o fim da intervenção.

A informação é do interventor, o advogado Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, que está à frente da concessão desde o dia 16 de junho deste ano, quando a Prefeitura de Campo Grande anunciou a decisão de tomar conta do transporte coletivo da Capital por um período de 180 dias. 

A medida de intervir no serviço não foi tomada por conta própria, mas respeitou uma decisão de dezembro de 2025 do juiz Eduardo Lacerda Trevisan, titular da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande. 

Segundo disse Oliveira ao Correio do Estado, caso a prefeitura dê sinal positivo para a transação de compra e venda do Consórcio Guaicurus, que é formado por Viação Cidade Morena, Jaguar Transportes Urbanos, Viação Campo Grande e Viação São Francisco, “a intervenção é encerrada e a nova empresa assume”.

A aprovação, no entanto, depende de projeto que deve ser apresentado pela nova empresa, a Maas Administração e Participações Ltda., para a Prefeitura de Campo Grande.

Em agenda na semana passada, a prefeita Adriane Lopes (PP) falou que o negócio só será concluído se a empresa apresentar propostas concretas para melhorar o serviço, como a renovação da frota, ônibus com ar condicionado e melhorias nos terminais.

Porém, segundo informou o interventor, reuniões entre a prefeitura e o grupo HP Mobilidade já começaram para a apresentação desses novos projetos. Oliveira, entretanto, afirmou que não tem participado desses encontros.

VENDA

No dia 21 de julho deste ano, o Consórcio Guaicurus anunciou que havia chegado a um acordo de compra e venda com a concessionária HP Mobilidade, que é responsável pelo transporte coletivo de Goiânia.

Apesar de os valores ainda serem mantidos em segredo, fontes do Correio do Estado indicam que a negociação da concessão e dos bens do Consórcio Guaicurus gira em torno de R$ 200 milhões.

Além dos veículos e dos imóveis, a venda também engloba os seis anos de contrato para administrar o transporte público de Campo Grande, tempo que pode ser estendido por mais 10 anos, conforme o acordo firmado em outubro de 2012 e que neste domingo completará 14 anos.

Apesar de o negócio ter sido anunciado em julho, ele ficou dois meses sendo analisado pelo Cade, autarquia federal que analisa e autoriza fusões, aquisições e incorporações de empresas para evitar monopólios.

INTERVENÇÃO

Decretada pela prefeitura no dia 16 de junho deste ano, a intervenção no Consórcio Guacurus divulgou no mês passado um relatório dos primeiros 90 dias à frente da empresa. Segundo o documento, neste período, os interventores descobriram R$ 48,5 milhões em débitos e obrigações acumuladas que comprometem a estabilidade das operações na capital sul-mato-grossense.

Conforme matéria do Correio do Estado da época, no centro desse passivo financeiro estão os parcelamentos fiscais consolidados com a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que somam R$ 31,29 milhões. Esse montante exige um desembolso mensal de R$ 721.486,16 para amortização, gerando um comprometimento anual de cerca de R$ 8,66 milhões no fluxo de caixa operacional.

A lista de dívidas tributárias e regulatórias inclui débitos com outros órgãos federais e municipais. O consórcio registra um saldo devedor de R$ 183,7 mil em parcelamentos de multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além de R$ 4,86 milhões referentes a impostos e contribuições sobre a folha de pagamento, como o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Imposto de Renda.

* Saiba 

O transporte coletivo e urbano de Campo Grande está desde 2012 sob o comando do Consórcio Guaicurus, que é formado pela junção de quatro empresas que já atuavam no serviço. O acordo prevê que o grupo ficará 20 anos explorando o serviço, prazo que pode ser prorrogado por mais 10 anos. 

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