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Auditoria vê falta de transparência da ANTT em concessão da BR-163 em MS

Técnicos apontaram fragilidades na divulgação de informações sobre investimentos e execução contratual com a Motiva

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O Tribunal de Contas da União (TCU) conduz acompanhamento regular da infraestrutura rodoviária e de aviação civil do País e identificou que ações adotadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em contrato com a Motiva Pantanal, antiga CCR MSVia, apresentou problemas de transparência na comunicação de informações. Esse relatório foi divulgado neste mês. 

O novo contrato da concessionária foi divulgado pela agência em agosto deste ano e envolve quase R$ 9,31 bilhões em investimento, além de outros R$ 7,15 bilhões em custos operacionais.

A Unidade de Auditoria Especializada em Infraestrutura Rodoviária e Aviação Civil está realizando o acompanhamento operacional das ações adotadas pela ANTT nos contratos de rodovias federais, principalmente nos processos que constam no Programa de Exploração da Rodovia (PER).

Nessa análise, que foi divulgada no dia 3, os técnicos apontaram fragilidades na divulgação de informações sobre investimentos e execução contratual, desorganização e falta de padronização no portal eletrônico.

Os problemas identificados na concessão da BR-163 em Mato Grosso do Sul estão concentrados na falta de transparência no detalhamento de cifras de mais de R$ 16 bilhões, entre investimentos e custos operacionais a que a Motiva se comprometeu em contrato, e cabe à ANTT cobrar que seja realizado.

“[...] a equipe identificou em sua análise que a ANTT não centraliza todas as informações de uma concessão rodoviária em uma única página, fazendo com que o usuário navegue por diversos menus para se obter um entendimento global de determinados contratos de concessão. Um exemplo é o contrato de concessão da BR-163/MS, que passou por reestruturação e mudou de nome de MSVia para Pantanal”, especificou o relatório do TCU.

Os analistas detalharam que qualquer averiguação sobre o contrato envolve idas e vindas na internet, acesso a diferentes links e uma busca complexa para conseguir reunir todas as informações sobre os compromissos da concessionária. Esse tipo de medida deveria estar mais acessível tanto para órgãos fiscalizadores, como é o caso do TCU, como para o usuário da rodovia.

“Para se acessar o processo de reestruturação, o usuário precisa acessar página dedicada à reestruturação desse contrato. As informações estão localizadas em seção própria sobre as reestruturações de contrato. Por outro lado, para se obter acesso às informações gerais do contrato, o usuário deve acessar a página principal da concessão. Isso implica que o usuário precisa navegar por menus diferentes para acessar toda a informação, estar previamente ciente de que houve uma reestruturação, de que a concessionária mudou de nome e que se trata da mesma concessão”, descreveram os analistas.

A averiguação que consta nesse relatório ocorreu em 22 de setembro deste ano, pouco mais de 30 dias depois que a ANTT divulgou o novo contrato da Motiva Pantanal. 

“[...] a página deveria conter, no exemplo citado, no mínimo, informações básicas de que o contrato passou por reestruturação e um link que direcione à página da respectiva reestruturação na seção correspondente. Outra informação que se encontra descentralizada das páginas principais dos contratos é o cronograma de reuniões das comissões tripartites. Esse aspecto é detalhado no item IX. Além disso, parte dos documentos é divulgada em versões digitalizadas sem reconhecimento de caracteres, o que restringe a realização de pesquisas textuais automáticas”, constataram os analistas. 

Por conta das falhas identificadas, o TCU notificou a agência federal para promover alterações nesse contrato e em outros no prazo de 180 dias. 

O TCU fez essa fiscalização com base em regulamentações como os artigos 4º da Resolução Cginda nº 3/2017 e 3º, I, do Decreto nº 8.777/2016, além dos artigos 5º da Lei nº 12.527/2011 (LAI), 5º, XIII e XIV, da Lei nº 13.460/2017 e 2º, I, da Portaria ANTT nº 227/2020. Ainda há determinações para que seja feita a padronização das informações sobre as concessões de acordo com os artigos 8º da Lei nº 12.527/2011 e 6º, VI, da Lei nº 13.460/2017.

A aprovação do relatório foi feita pelos ministros Vital do Rêgo (presidente do TCU), Walton Alencar Rodrigues, Benjamin Zymler, Augusto Nardes, Aroldo Cedraz, Bruno Dantas, Jorge Oliveira (relator) e Antonio Anastasia, bem como os ministros substitutos Augusto Sherman Cavalcanti e Weder de Oliveira.

NOVO CONTRATO

A Motiva Pantanal é concessionária do trecho da BR-163 que liga Mundo Novo a Sonora (845 quilômetros), passando por 19 municípios. O nome foi alterado, mas a empresa que administra a via é a mesma que venceu a licitação em 2013 e vem cobrando pedágio na rodovia desde setembro de 2014. Ao todo, são 29 anos de concessão.

A empresa que está com o contrato, em seu primeiro período de concessão, conseguiu cobrar pedágio sem ter duplicado grandes trechos da BR-163 e também não conseguiu viabilizar a obra do Anel Viário em Campo Grande. 

Saiba

As novas exigências envolvem a duplicação de 203 km e a implantação de 150 km de faixas adicionais na rodovia.

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TRIBUNAL DO JÚRI

Colegas de trabalho entregaram homem que matou esposa e filha à polícia

Em depoimento, funcionário relatou que mostrou conversas do acusado ao gerente, que repassou o material ao patrão e, depois, à polícia; réu nega ter planejado os assassinatos e diz que testemunhas mentem

27/05/2026 12h02

 João Augusto Borges é julgado nesta quarta-feira (27), em Campo Grande, pelo assassinato da companheira Vanessa Eugênia Medeiros e da filha do casal, Sophie, de 10 meses

João Augusto Borges é julgado nesta quarta-feira (27), em Campo Grande, pelo assassinato da companheira Vanessa Eugênia Medeiros e da filha do casal, Sophie, de 10 meses Marcelo Victor

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O julgamento de João Augusto Borges, acusado de matar a companheira Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e a filha do casal, Sophie Eugênia, de 10 meses, nesta quarta-feira (27), em Campo Grande, trouxe à tona depoimentos que ajudaram a polícia a desmontar a versão inicial apresentada pelo réu após o crime.

Entre os relatos prestados à Justiça, um dos que mais chamam atenção é o do colega de trabalho Welisson, que afirmou ter recebido mensagens e ligações insistentes de João logo após os assassinatos e que mostrou o conteúdo das conversas ao gerente da empresa, responsável por encaminhar o material ao proprietário do estabelecimento e, posteriormente, à polícia.

Conforme o depoimento, João já vinha comentando havia algum tempo com colegas de serviço que pretendia matar Vanessa e a filha do casal. O funcionário afirmou que, inicialmente, ninguém acreditou nas ameaças.

Segundo Welisson, o acusado chegou a perguntar "quem fazia o corre" para matar uma pessoa e, dias depois, voltou a dizer que queria matar a esposa porque ela "não deixava fazer nada". O colega relatou ainda que João falava repetidamente sobre o assunto no ambiente de trabalho.

No dia do crime, o funcionário contou que João saiu para o almoço por volta das 15h e retornou perto das 18h. Ao chegar, teria se aproximado e dito apenas: "Está feito".

Welisson afirmou ainda que João estava com o pescoço arranhado e um dos dedos machucado. Pouco depois, o acusado deixou novamente o trabalho.

Mais tarde, já fora do expediente, o colega relatou que começou a receber mensagens e ligações insistentes de João. Segundo ele, o acusado dizia que "o corpo estava começando a feder" e perguntava onde ele estava, numa tentativa de conseguir ajuda para ocultar os cadáveres e queimá-los.

O funcionário disse que ignorou os contatos e, no dia seguinte, mostrou as conversas ao gerente da empresa. O material foi encaminhado ao patrão, que o repassou à polícia.

Em outro trecho do depoimento, Welisson afirmou ter oferecido ficar com a bebê após João dizer que mataria Vanessa e que "a menina iria junto". Mesmo assim, disse que acreditava se tratar apenas de ameaças.

João, por outro lado, negou durante interrogatório que tivesse planejado os assassinatos. À Justiça, afirmou que matou Vanessa após perder o controle durante uma discussão motivada por compras domésticas e por ter levado um tapa no rosto da companheira.

O réu admitiu os crimes, mas alegou ter agido em um "acesso de raiva". Ele também afirmou que testemunhas mentiram ao dizer que o assassinato havia sido premeditado.

"Essas pessoas estão mentindo. Eu não tinha programado nada", declarou.

João também confirmou que voltou ao trabalho após os assassinatos e, mais tarde, colocou os corpos no carro do pai e ateou fogo em uma área na região do Indubrasil.

Crime chocou Campo Grande

O caso aconteceu na tarde de 26 de maio de 2025, na região do Indubrasil, em Campo Grande. Conforme a investigação, João chamou Vanessa para o quarto sob o pretexto de conversar e a matou com um golpe de "mata-leão". Em seguida, estrangulou a filha do casal, que estava sobre a cama.

Após os assassinatos, ele saiu para trabalhar normalmente. Horas depois, comprou gasolina, colocou os corpos em um carro da família e ateou fogo em uma área da Rua Desembargador Ernesto Borges.

Durante audiência realizada em agosto do ano passado, João afirmou que cometeu os crimes após um "acesso de raiva" depois de levar um tapa da companheira. Na ocasião, também admitiu já ter pensado anteriormente em matar Vanessa e a filha.

O réu foi preso em 27 de maio de 2025 e responde por duplo feminicídio e ocultação de cadáver.

falsificação documental

Esquema de diplomas falsos é alvo da Polícia Civil em interior de MS

Suspeitos ofereciam 'serviço' de falsificação dos documentos e diziam a estudantes de escolas estaduais que não era necessário ir a aulas e provas

27/05/2026 11h30

Divulgação

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga um esquema de falsificação de diplomas do ensino médio em duas cidades do interior do estado, Bataguassu e Santa Rita do Rio Pardo, a 310 e 242 quilômetros da Capital, respectivamente. Os investigados de comprar os documentos falsos são menores de idade.

A investigação iniciou após uma escola estadual identificar irregularidades em documentos apresentados por alguns estudantes. De acordo com as informações policiais os certificados de conclusão do ensino médio eram pagos por pix.

Para conseguir o serviço, os alunos contatavam um dos suspeitos, que prometia emitir os documentos sem necessidade dos alunos frequentarem a escola ou realizarem as provas.

Até o momento, a investigação apreendeu históricos escolares e certificados suspeitos, além dos comprovantes de pagamento feito nas negociações. A polícia aponta o envolvimento de mais de uma pessoa, mas não divulgou identificação e quantos são os envolvidos.

Porém, entre os envolvidos, há indivíduos de fora do ambiente escolar que também adquiriram outros documentos falsos, além de suspeitos maiores de idade, que agiam no contato e abordagem dos 'clientes' e em movimentações financeiras.

As duas cidades que ocorrem a investigação são vizinhas e apresentam distância de aproximadamente 68 quilômetros.

O caso segue em andamento para identificação completa dos envolvidos no esquema, assim como a organização e modus operandi da produção e comercialização da falsificação.

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