As obras de recapeamento na Avenida Duque de Caxias, em Campo Grande, estão paralisadas por conta das chuvas e só deverão ser retomadas quando o tempo ficar estável. Porém, a condição atual da pista, com parte dela refeita e outra parte ainda necessitando de cuidados, é alvo de reclamação dos condutores que trafegam por essa "colcha de retalhos".
A obra começou em agosto de 2023, com previsão para terminar em fevereiro deste ano. O investimento é de R$ 16.534.788,98, sendo parte da prefeitura e parte do governo do Estado.
Ao trafegar pela avenida, a reportagem encontrou o aposentado Luiz Antônio da Silva, de 64 anos, trocando o pneu de seu carro, que havia acabado de furar na via.
"Bateu em um buraco, escutei só o barulho, do nada. Está horrível, interditaram esses dias e fizeram 'meia-boca'. Para motoqueiro é um perigo aqui. Para mim, tem de passar outro [asfalto] por cima", explicou o aposentado.
Luiz calcula que o prejuízo que teve seja entre R$150,00 e R$ 240,00 para a troca do pneu que estourou por causa do buraco na avenida.
O aposentado diz que até viu a movimentação de máquinas para a obra de recapeamento, mas se decepcionou com o resultado atual.
"Mexeram em um pedaço. Ficou interditado, um monte de caminhão, pensei 'vai sair um recapeamento', mas fizeram só um remendinho. A gente já não recebe muito, o que recebe fica nos custos, no buraco da rua. É difícil", declarou.
A previsão é de que a obra reconstituirá 9,5 quilômetros de asfalto na avenida, entre o Aeroporto Internacional de Campo Grande e o Bairro Indubrasil, sendo 4,1 km de reconstrução e 5,4 km de recapeamento.
A avenida também ganhará 2,8 km de ciclovia, entre o aeroporto e a rotatória do Bairro Nova Campo Grande. Com isso, a nova ciclovia deve se ligar à que já existe na via.
No total, serão 6,8 quilômetros de faixa para ciclistas na Duque de Caxias, entre o Hospital Militar e a rotatória do Nova Campo Grande.
Para o pintor Paulo Batista, de 31 anos, apenas o recapeamento já acabaria com os problemas da avenida.
"Sempre tem buraco [na avenida], eles tapam, mas sempre voltam os mesmos buracos. Na primeira chuva, voltam os buracos e alaga aqui também. Então tem que recapear, dessa primeira rotatória aqui até o fim. Eles fizeram uma ação paliativa ali, mas depois eles não fizeram mais nada de lá para cá", contou Paulo.
Luciano Mansur, de 48 anos, proprietário de uma borracharia localizada na avenida, afirmou que, por dia, pelo menos duas pessoas aparecem com o pneu furado em seu estabelecimento.
"Volta e meia aparece um pneu estourado aí. E aí ficam bravos, está estourado, mas não tem o que fazer. O prejuízo é grande por causa do pneu. Aqui tem muitos buracos, muitos. Na hora da chuva, a gente não consegue visualizar eles", contou o dono da borracharia, que, mesmo ganhando com a situação, pede renovação da avenida. "[A avenida] está meio desleixada já tem um tempo", reclamou.
Segundo a Prefeitura de Campo Grande, a obra foi paralisada porque a empresa responsável está aguardando a condição do tempo melhorar, já que não é possível fazer o recapeamento com chuva.
"A empresa só está aguardando o tempo melhorar para retomar o ritmo dos trabalhos, pois esse tipo de obra não dá para ser executado com a ocorrência de chuva", disse a prefeitura, em nota.





