A defesa do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, afirmou nesta quarta-feira (25) que ele chamou o Corpo de Bombeiros após atirar em Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. A declaração foi feita pelo advogado Oswaldo Meza momentos antes da audiência de custódia, realizada nesta manhã no Fórum de Campo Grande.
“O doutor Bernal chamou o Corpo de Bombeiros para atender. Não sabia que a pessoa veio a óbito”, declarou Meza, acrescentando que os tiros foram feitos “na linha da cintura”, o que, segundo ele, demonstra que Bernal “não atirou para matar”.
Segundo o advogado, Bernal agiu em legítima defesa ao se deparar com pessoas dentro do imóvel onde reside. “Ele foi surpreendido por três indivíduos que invadiram a sua residência. Um deles partiu para cima e ele, com a sua arma, devidamente registrada, efetuou dois disparos”, afirmou.
Meza também sustentou que o imóvel ainda estava sob posse de Bernal e que a situação jurídica não autorizaria a entrada das pessoas no local. “O processo ainda estava sendo discutido, o Bernal ainda estava na posse, ainda está na posse da casa. É uma ação da Caixa, ele estava discutindo a purgação da mora, não havia oficial de Justiça, nem mandado de imissão na posse. Então, realmente foi invadido”.
O advogado acrescentou que Bernal não sabia quem eram as pessoas que entraram no imóvel. “Supostamente tinha uma pessoa que diz que era chaveiro, mas o boletim de ocorrência aponta que se trata de um servidor aposentado do Tribunal de Contas, o filho dele era um GCM, provavelmente uma pessoa que talvez estaria no local, segundo o depoimento do Dr.”.
A versão apresentada pela defesa diverge do boletim de ocorrência, que aponta a presença de apenas duas pessoas no local: a vítima e um chaveiro. “Segundo o depoimento do doutor, eram três indivíduos, mas isso ainda será esclarecido pela polícia”, disse.
Entenda o caso
O caso ocorreu na tarde de terça-feira (24), em um imóvel localizado na Rua Antônio Maria Coelho, região central da Capital. De acordo com a Polícia Civil, Bernal procurou a 1ª Delegacia de Polícia informando que havia atirado em um homem que teria invadido sua residência.
No local, investigadores encontraram Roberto Carlos sendo socorrido pelo Samu, mas ele não resistiu aos ferimentos e morreu cerca de 25 minutos depois.
As apurações iniciais indicam que a vítima havia arrematado o imóvel em leilão e foi até o local acompanhada de um chaveiro para tomar posse. A defesa, no entanto, sustenta que o processo ainda estava em discussão judicial e que não havia mandado de imissão na posse, o que caracterizaria invasão.
Bernal foi preso em flagrante e encaminhado à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac Cepol), sendo autuado por homicídio qualificado.
Investigação segue
O delegado Danilo Mansu informou que as circunstâncias do caso seguem em apuração. Imagens de câmeras de segurança e demais provas devem auxiliar na reconstituição dos fatos.
A defesa afirmou que vai solicitar que Bernal responda ao processo em liberdade, alegando que ele é réu primário, possui residência fixa e profissão definida.
A decisão sobre a manutenção ou não da prisão deve ser definida ainda hoje, após a audiência de custódia.
Escreva a legenda aqui


