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Meio Ambiente

MS está no topo do ranking de áreas particulares de conservação

Critério de implementar unidades de conservação é listado como prioridade nos debates da COP15, que acontece durante toda esta semana, em Campo Grande

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O relatório sobre o Brasil para ser discutido na 15ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS, sigla em inglês) indicou a necessidade de expansão de áreas protegidas dentro do Pantanal.

Nesse critério debatido, Mato Grosso do Sul está no centro dos debates e aparece como o segundo estado no Brasil com mais reservas particulares de patrimônio natural (RPPNs), quando a iniciativa privada decide criar uma unidade de conservação. 

Em contrapartida, as unidades de conservação (UC), que são criadas pelo setor público (municipal, estadual e federal) aparecem em baixa e Mato Grosso do Sul tem menos de 1% do total de UC distribuídas no País, cobrindo apenas 0,02% da área continental. 

No Estado, além do Pantanal, há também Cerrado em grande parte do território e ilhas de Mata Atlântica. Essas duas últimas ecorregiões não aparecem como indicadas para aumento de criação de unidades de conservação.

Além do Pantanal nesse relatório, o COP15 CMS National Brazil Report aponta que a Caatinga e o Pampa também figuram entre as prioridades na política nacional e internacional para criação de unidades de conservação. 

O Pampa está localizado no Rio Grande do Sul. A Caatinga está presente em Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e no Sergipe.

Durante os debates que vão acontecer na COP15, que começou na segunda-feira e vai até o domingo, em Campo Grande, esse tópico sobre ampliar áreas de conservação pode avançar e voltar a figurar como uma prioridade para os próximos anos. 
Somente ao final do evento é que as deliberações em relatório final vão ser divulgados pelas autoridades que participam dos debates decisivos.

O relatório que consta essas demandas possui 60 páginas e foi produzido com base em detalhamento que o governo brasileiro respondeu e colocou como referência 16 fontes de informação, como Convenção de Áreas Úmidas com Importância Internacional especialmente para espécies aquáticas, Sítio Ramsar, Convenção para o Combate à Desertificação das Nações Unidas, Fórum de Florestas das Nações Unidas.

“O Sistema Nacional de Áreas Protegidas [SNUC] e a rede que circunda as áreas protegidas no Brasil compreendem uma parte significativa de áreas estratégicas para a conservação de aves migratórias e de seus habitats durante as rotas de migração. As atividades desenvolvidas ao longo do período de manutenção e implementação são essenciais para a governança e conservação dessas áreas”, divulgou o governo brasileiro.

Para o Pantanal, as áreas de unidade de conservação correspondem a 7.070 quilômetros quadrados, o que corresponde a 4,68% do território Pantaneiro, conforme o Painel Unidades de Conservação Brasileiras. Por parte do setor público, existem duas UCs municipais, 8 federais e 11 estaduais. 

Contudo, o número de reservas criadas pela iniciativa privada é maior e alcança 24 unidades, que somam 8.786 km², número acima do que o governo atualmente mantém sob gestão para a conservação.

IMAGEM SUSTENTÁVEL

A realização da COP15 em Mato Grosso do Sul representa uma oportunidade de protagonismo internacional para o governo estadual. O evento prevê a presença de 5 mil pessoas, que representam 100 países. 

Esse público é formado por cientistas, governos, comunidades tradicionais, indígenas, empresas nacionais e internacionais.

Além disso, o governo federal esteve presente, inclusive foi agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumprida no domingo. 

“O MS foi escolhido pelo trabalho que faz sob o ponto de vista ambiental. Nós temos um papel importante e já estamos com áreas envolvidas, como turismo, segurança pública e a Semadesc [Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação] que coordena o projeto no Estado, além da Segov [Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica]. Criamos uma força-tarefa dentro do Estado, porque é uma coisa relevante. E avaliamos os processos, e tudo que ainda precisa ser feito”, defendeu o titular da Semadesc, Jaime Verruck, via assessoria de imprensa.

CONSERVAÇÃO

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O Estado vem trabalhando para criar uma unidade de conservação dentro do Pantanal que pode alcançar uma área de 160 mil hectares, previsto para o Paiaguás. Um decreto do governador Eduardo Riedel foi publicado em abril de 2025 para estabelecer limitação administrativa provisória. 

Essa UC estadual estaria quase toda localizada no município de Corumbá, na região do baixo Taquari.

Os valores envolvidos para criar essa unidade de conservação são de US$ 12,5 milhões (algo em torno de R$ 66,4 milhões atualmente) e originados de instituições dos Estados Unidos. Essa quantia envolve, entre vários custos, o de indenização para até 100 fazendas. 

Apesar de o projeto milionário ter ganhado protagonismo ano passado, a proposta foi para fora dos holofotes recentemente e, por enquanto, segue engavetado. 

Uma demarcação em processo do governo federal, por parte da Superintendência de Patrimônio da União em Mato Grosso do Sul (SUP-MS), estaria entre os fatores para frear o projeto. A proposta também é polêmica e em ano eleitoral acaba gerando controvérsia.

Saiba

De acordo com o Painel Unidades de Conservação Brasileiras, atualmente a cobertura de territórios com unidades de conservação públicas estão concentradas na Amazônia, com mais de 1,19 milhão de hectares, com 28,46% de uso sustentável no território.

Já o Pantanal, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, tem 7.070 hectares de unidades de conservação com proteção integral e 4,68% de uso sustentável.

Rodovias

Operação policial no feriadão apreende quase 10 toneladas de drogas em MS

Foram apreendidos maconha, haxixe, skunk e cigarros contrabandeados, estimando um prejuízo de quase R$ 26 milhões

09/06/2026 15h00

O prejuízo ao crime estimado pelos batalhões é de R$ 25,9 milhões

O prejuízo ao crime estimado pelos batalhões é de R$ 25,9 milhões Divulgação Sejusp/MS

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A Operação Corpus Christi envolvendo o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), que atuou no enfrentamento aos crimes nas áreas de fronteira em Mato Grosso do Sul apreendeu quase 10 toneladas de drogas em 7 dias de operação. 

Do dia 1º ao dia 7 de junho, o DOF retirou de circulação 9,1 toneladas de maconha, 129,2 quilos de skunk, 57,5 quilos de haxixe dry e 19,7 quilos de haxixe marroquino, além de 25 mil pacotes de cigarros contrabandeados. 

O prejuízo estimado ao tráfico chega a quase R$ 26 milhões, totalizando R$ 25,99 milhões. 

A operação resultou na prisão de seis pessoas, além do cumprimento do mandado de prisão, na recuperação ou identificação de adulteração em cinco veículos e na apreensão de mais 15 automóveis utilizados em atividades criminosas. 

Durante o feriadão, entre 4 a 7 de junho, o Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPMRv) empregou 150 policiais e 48 viaturas, abordando 3.464 pessoas e fiscalizando 2.485 veículos e 235 motocicletas nas rodovias estaduais. 

As ações do Batalhão resultaram em cinco prisões em flagrante, dois Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCO), seis pessoas conduzidas à Delegacia de Polícia e no cumprimento de um mandado judicial. 

No trânsito, foram aplicadas 502 multas de infração, sete veículos foram apreendidos e um veículo com registro de furto ou roubo foi recuperado.

Além disso, o BPMRv atendeu 11 sinistros de trânsito nas rodovias estaduais, com registro de uma vítima fatal, 11 pessoas feridas e oito ilesas. Foram registradas três ocorrências envolvendo motoristas embriagados e dois condutores foram presos.  

Ainda foram apreendidos 1.750 pacotes de cigarros, perfumes, eletrônicos, celulares, malas, relógios inteligentes e tablets, de origem estrangeira.

"Os resultados demonstram a atuação integrada das forças de segurança pública de Mato Grosso do Sul durante o feriado prolongado, aliando ações preventivas voltadas à preservação da vida nas rodovias estaduais ao enfrentamento qualificado dos crimes transfronteiriços e ao combate às organizações criminosas", afirmou o Governo do Estado. 

Rodovias federais

O feriadão foi violento nas rodovias federais e estaduais de Mato Grosso do Sul, com seis mortes em acidentes. É o maior número de vítimas nos últimos dois anos, comparando com o mesmo período.

Conforme balanço da Polícia Rodoviária Federal, durante a Operação Corpus Christi, deflagrada dos dias 3 a 7 de junho, apenas nas rodovias federais foram registrados 22 acidentes de trânsito, sendo que seis foram considerados graves. Nestes sinistros, 22 pessoas ficaram feridas e cinco pessoas morreram. 

Com relação ao número de acidentes, o número registrado foi menor que o do ano passado, quando a PRF registrou 24 acidentes, sendo seis graves, com 24 pessoas feridas. 

Já com relação às mortes, em 2026 morreram mais vítimas, já que em 2025 foi registrado apenas um óbito por acidente nas rodovias federais. Em 2024, foram três mortes e, em 2023, seis óbitos, mesmo número registrado neste ano.

Nas fiscalizações, a PRF flagrou 96 condutores e/ou passageiros sem o cinto de segurança. 21 crianças estavam sendo transportadas fora do dispositivo de segurança. 378 ultrapassagens indevidas foram notificadas. No total, 2.009 autuações foram registradas.

Nos comandos de alcoolemia, os policiais rodoviários federais realizaram 3.470 testes de alcoolemia. 77 condutores foram flagrados dirigindo após consumir álcool. Três pessoas foram presas por alcoolemia durante a operação.

Durante as ações de combate ao crime, foram apreendidas 4,1 toneladas de maconha, 135 Kg  de cocaína e seis veículos foram recuperados. 

Durante as fiscalizações, a PRF também flagrou 1.314 casos de excesso de velocidade, 104 ocorrências de não utilização do cinto de segurança e de transporte irregular de crianças sem o dispositivo de retenção adequado, além de 151 ultrapassagens proibidas, resultando em 1.539 autuações.

Com relação às fiscalizações de motoristas embriagados ao volantes, os policiais autuaram 25 condutores por dirigir sob influência do álcool. Destes, sete foram presos. No total, foram realizados 4.148 testes de etilômetro (bafômetro). 

 

chovendo no molhado

Relatório orienta intervenção no consórcio Guaicurus, mas só 'para inglês ver'

Relatório diz que deve ser nomeado um interventor, mas que ele teria caráter investigatório e fiscalizatório, sem poder de anular o contrato ou encampar o serviço

09/06/2026 12h37

Entre 2021 e 2015 foram aplicadas quase 22 mil multas ao consórcio Guaicurus, mas não existe registro de que alguma tenha sido paga

Entre 2021 e 2015 foram aplicadas quase 22 mil multas ao consórcio Guaicurus, mas não existe registro de que alguma tenha sido paga Gerson Oliveira

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Criada no dia 6 de março para analisar a necessidade ou não de a administração municipal decretar intervenção no Consórcio Guaicurus, a comissão entregou seu relatório nesta segunda-feira (8) e chegou à conclusão de que a prefeita Adriane Lopes deve acatar a decisão judicial e intervir nas empresas que detém a concessão do serviço de transporte público. 

Esta intervenção, porém, teria efeito praticamente nulo no dia-a-dia do serviço. Embora o relatório aponte a necessidade de nomeação de um interventor, ele recomenda que a "medida tem caráter temporário, investigatório e fiscalizatório, e não punitivo, não se confundindo com a caducidade ou a encampação". 

Então, se o papel deste interventor é investigar e fiscalizar, ele literalmente estaria "chovendo no molhado", pois  já existem agências como Agereg e Agetran para fiscalizar o serviço. O próprio relatório destaca que entre 2021 e 2025 foram aplicadas 21.910 autuações pela Agetran por conta de uma série de irregularidades no serviço. O relatório não informa, contudo, se alguma destas punições foi paga pelos empresários. 

E, apesar de a Câmara de Vereadores já ter concluído uma CPI para investigar o serviço, o relatório diz que "declarada a intervenção, deverá ser instaurado, no prazo de 30 (trinta)dias, o procedimento administrativo do art. 33 da Lei n. 8.987/1995, assegurada ampla defesa" aos donos dos ônibus, que foram já foram ouvidos tanto pela CPI quanto pelos integrantes da comissão especial que agora sugeriu a intervenção.  

Logo na sequência, após reforçar que o serviço precisa ser mantido, o relatório reforça que deve ser buscada "solução consensual no âmbito da intervenção. Recomenda-se que a via consensual, aproveitados os elementos da proposta apresentada pelo Consórcio, tais como a modernização e a incorporação de frota, a mesa técnica e os mecanismos de acompanhamento, seja perseguida e construída dentro do âmbito da intervenção, sob a supervisão do Poder Concedente e das instâncias competentes, preservando-se a continuidade do serviço, a proporcionalidade e a segurança jurídica, sem a suspensão prematura da medida protetiva". 

No terceiro item, o relatório diz que o contrato de concessão deve ser mantido. "Diante do exposto, a Comissão Especial recomenda ao Poder Concedente: a não adoção, neste momento, de caducidade ou encampação. Não se recomenda, nesta fase, a declaração de caducidade (art. 38 da Lei n. 8.987/1995 e Cláusula 14ª do contrato) nem a encampação (art. 37), medidas mais gravosas, de natureza extintiva, cuja análise pressupõe a apuração própria do procedimento do art. 33, preservando-se, assim, a proporcionalidade e a gradação das medidas, orientação que, registre-se, converge com a escala progressiva proposta pela própria Comissão Parlamentar de Inquérito."

Um dos quesitos que mais pesa para que a intervenção seja feita é o fato de a frota estar em estado precário. Pelo menos 197 ônibus estão com o prazo de validade vencidos.  Cerca de 15 estão fora de atividade por conta de sucateamento.

"No tocante às condições da frota, registrou-se idade média de 7,60  anos e a existência de 98 (noventa e oito) veículos com mais de 10 (dez) anos de uso, em desacordo com o limite de 5 (cinco) anos de idade média estabelecido no Edital de Concorrência n. 082/2012", diz trecho do relatório que recomenda a intervenção "para inglês ver". 

Das milhares de multas aplicadas nos últimos cinco anos, a maior parte foi por decumprimento de horários estabelecidos pela Agetran e por omissão de chegada ou saída nos oito terminais. 

"As autuações por descumprimento de horário e por omissão de viagens, que, somadas, superam quinze mil ocorrências, atingem diretamente a regularidade e a continuidade do serviço; já as relativas a equipamentos obrigatórios e a recursos de reserva (motoristas e veículos) comprometem a confiabilidade e a segurança da operação", conclui o relatório que manda fazer uma intervenção de caráter "investigatório e fiscalizatório"

DESVIOS

O consórcio ambém é alvo de denúncias de falta de manutenção e inexistência de seguros obrigatórios, além de irregularidades financeiras, como a transferência de R$ 32 milhões para a empresa Viação Cidade dos Ipês sem justificativa e a omissão contábil de receitas e fluxos de caixa desde 2012, como constatado pela CPI do Transporte Coletivo no fim do ano passado.

Os empresários, por sua vez, alegam que as irregularidades ocorrem porque o faturamento do serviço está muito baixo e exigem reajuste da tarifa. 

Atualmente, a tarifa técnica (custo real por passageiro para operar o transporte público, cobrindo despesas e lucros da concessionária) está fixada em R$ 6,57, o que também gerou atritos entre as partes, já que o consórcio deseja que essa taxa aumente para R$ 7,79, o que ele chama de “reequilíbrio econômico-financeiro do contrato”.

Para inglês ver

A expressão "para inglês ver" surgiu no Brasil no século XIX, no contexto do tráfico de escravos afrianos.Sob forte pressão da Inglaterra para abolir a escravidão, o governo brasileiro criou leis que, no papel, proibiam o tráfico. Na prática, essas medidas não tinham fiscalização e foram feitas apenas para manter as aparências e acalmar os britânicos. 

 

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