Cidades

INQUÉRITO CIVIL

Campo Grande diz que 'falta gente' para ambulâncias próprias, mas há para as alugadas

Executivo afirma que pediu ajuda ao Ministério da Saúde e não foi atendido na gestão federal passada e que, sem previsão orçamentária municipal, a Capital não estava pronta para arcar com a ampliação a partir de 2024

Continue lendo...

Sem uma previsão orçamentária para ampliação da frota de ambulâncias, após receber 12 novas por parte do Governo Federal entre 2024 e 2025, o Executivo de Campo Grande ainda mantém um contrato para o aluguel de cinco viaturas e deixa seis veículos próprios parados alegando que "não há gente" para essas equipes. 

Ao Correio do Estado, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) reforçou que, apesar de já estarem devidamente "documentadas e asseguradas" - que eram os principais condicionantes para as novas ambulâncias começarem a rodar - apenas uma parte das viaturas recebidas pelo Governo Federal está em operação. 

"As demais entrarão em atividade conforme a formação das novas equipes, visto que as novas ambulâncias mencionadas destinam-se exclusivamente à ampliação das equipes de suporte básico, não podendo ser utilizadas para reposição ou manutenção da frota atual", afirma a Sesau em nota de retorno. 

Vale lembrar que, ainda no início de junho a própria chefe do Executivo de Campo Grande, Adriane Lopes, chegou a afirmar que é mais barato ao município locar os veículos do que manter uma frota própria e, conforme exposto no relatório de vistoria da coordenadora geral do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Regional, Isabella Maria de Souza, a Capital ainda roda com cinco (05) viaturas provenientes do contrato de aluguel. 

Esse relatório é posterior à recente instauração de inquérito civil, e detalha, entre outros pontos, que Campo Grande não estava preparada, do ponto de vista do planejamento orçamentário, para receber as novas ambulâncias. 

Gestão do caos

Ainda conforme exposto pela Sesau ao Correio do Estado, Campo Grande precisou desativar oito ambulâncias em 2021, "após desgaste acentuado por anos de uso intenso e falta de peças de reposição". 

A Prefeitura aponta que chegou a encaminhar diversas solicitações de reposição ao Ministério da Saúde, sem o devido retorno imediato da gestão federal passada. 

Durante o primeiro ano da atual gestão federal, em 2023, o Ministério da Saúde assumiu uma situação em que Campo Grande rodava com apenas quatro ambulâncias de suporte intensivo e quatro de suporte básico, com cerca de 1/3 da frota da Samu parada. 

Análise dos dados levantados entre 1º de janeiro de 2022 e 30 de junho de 2023, pelo Sistema Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (SUS), mostra que o estado de conservação das ambulâncias de Campo Grande chamou atenção inclusive do legislativo municipal. 

Justamente porque, diante de R$ 3,6 milhões investidos à época, na manutenção das 18 viaturas que compõem a frota do município, a Capital operava com metade da sua capacidade, já que duas entraram em processo de desfazimento por não possuírem condições de uso e apenas oito estavam rodando e operantes. 

O Executivo reconhece o período como de "condições severas" e impactos no tempo de resposta e qualidade dos atendimentos: "o que gerou grande preocupação e exigiu uma resposta rápida do município", a partir de quando é adotada a ação emergencial e temporária da locação de ambulâncias. 

Esse contrato de R$ 1.910.974,20 para aluguel de ambulâncias foi firmado em 22 de maio, com a A&G Serviços Médicos, valor total pago exclusivamente pela locação de viaturas, portanto sem regime de dedicação exclusiva de mão-de-obra.

Isso tudo após uma verdadeira "novela" de suspensão e retomada do processo de licitação que se estendia pelo menos desde novembro de 2023. 

Ambulâncias próprias vs. alugadas

Porém, como bem acompanha o Correio do Estado, através do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi anunciado em novembro de 2024 a vinda de 20 novas ambulâncias para Mato Grosso do Sul, das quais a maior parte (seis no total) seriam destinadas para Campo Grande. 

Essas seis ambulâncias em questão foram recebidas em dezembro do ano passado, com outras sete entregues no dia 25 de abril de 2025, compra essa também garantida com recursos federais. 

Essas sete ambulâncias para Campo Grande foram entregues no lançamento inédito do "Samu Indígena", representando um investimento de R$ 2.734.000,00, oriundos do Ministério da Saúde/ Governo Federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). 

Dessa leva, segundo a prefeitura, são seis ambulâncias de suporte básico e uma de suporte avançado, com o primeiro tipo de veículo equipado com torniquetes, faixas, ataduras, prancha rígida para acidente e redblock, composta por  técnico de enfermagem e um condutor socorrista. 

Diferente do imaginado, as novas ambulâncias não resolveram o problema de imediato, já que as viaturas ficaram meses empacadas em uma verdadeira novela no processo de emplacamento. 

Em 18 de junho houve a primeira tentativa de contratação direta para o emplacamento dos veículos hospitalares, que fracassou devido à falta de um interessado.

Esse problema só se resolveu com a contratação direta em 30 de junho da empresa Placas do Xefe, que fica na Avenida Salgado Filho, em Campo Grande, com a prefeitura "correndo contra o tempo" antes que chegasse o fim do prazo de locação das demais ambulâncias. 

Problemas de equipe

Conforme o relatório que data do último dia de setembro, a conclusão da 32ª e 76ª Promotorias de Justiça de Saúde Pública aponta que a ausência de previsão orçamentária municipal foi um dos principais pontos que impediram a formação de equipes com as novas ambulâncias, paradas desde abril deste ano. 

"O serviço funciona atualmente com 14 equipes habilitadas, porém dispõe de apenas 12 ambulâncias ativas, sendo cinco delas provenientes de contrato de aluguel. Adicionalmente, observa-se que não há reserva técnica de viaturas", cita a conclusão do relatório. 

Em resposta, o Executivo apontou em ofício que o Samu em Campo Grande é habilitado e qualificado pelo Ministério da Saúde para operar com uma frota composta por 10 ambulâncias de Suporte Básico de Vida (USB) e 04 de Suporte Avançado de Vida (USA), além de uma equipe de motolância para atender a população campo-grandense. 

Segundo o próprio executivo, com as seis ambulâncias recebidas em 28 de abril deste ano, o município estaria prestes a funcionar com uma frota de 20 equipes, porém, ainda dependem da habilitação e qualificação das equipes de ampliação de Suporte Básico. 

Com a ausência de programação orçamentária específica para aumentar os custos devido à futura expansão da equipe neste 2025, o município enfrenta uma insuficiência de técnicos de enfermagem, diante de um déficit significativo nas escalas das equipes habilitadas. 

Com base no relatório sobre o déficit de pessoal, sobre o Suporte Básico, há a necessidade de 04 técnicos de enfermagem para compor escala fixa (de segunda a sexta-feira no período diurno) e 33 desses profissionais para suprir a demanda de plantões do período noturno e dos finais de semana. 

Para essa expansão de seis novas equipes,seria necessária ainda a contratação adicional de 18 técnicos de enfermagem para o quadro fixo e outros 30 desses profissionais para as escalas de plantão, segundo análise da coordenadora Isabella Maria de Souza Bezerra de Carvalho Mendonça. 

"Muitos técnicos de enfermagem realizam os processos seletivos para admissão no Samu como plantonistas, assumem a escala, mas passados alguns meses, após tornarem-se lotados no serviço como profissionais fixos, eles têm solicitado desistência da escala de plantão, obtendo apenas a situação de lotação no serviço que possui a tão disputada jornada de 30 horas semanais. Tendo uma cota de 8 plantões mensais mais o rateio atual das sobras remanescentes, o técnico chega a sair com 12 plantões na escala mensal", expõe a Sesau. 

Segundo a Pasta, os editais para sanar o deficit são abertos anualmente, com três processos em 2024 e o primeiro de 2025 sendo feito entre março e abril, esse, por exemplo, que foi finalizado em maio e teve aprovação de cinco candidatos. 

Ainda conforme o Executivo, três desses cinco aprovados assumiram como plantonistas, número que "está longe de suprir a demanda", sendo que há um novo processo seletivo programado para este mês de outubro. 

Para o MPMS, a situação de manutenção do aluguel em detrimento das viaturas próprias revela "não apenas o dispêndio excessivo de recursos públicos em contrato oneroso de locação", mas também uma "ineficiência no aproveitamento das ambulâncias doadas". 

"Que, embora aptas ao uso sob o aspecto documental, seguem paradas desde abril, gerando a consequente degradação dos automóveis", conclui o documento de instauração do recente inquérito civil. 

 

Assine o Correio do Estado

campo grande

Ex-funcionário é preso após furtar mais de R$ 13 mil em picanha e bacon de empresa

Homem confessou o crime e revelou que utilizava uma chave antiga guardada desde o período em que trabalhava no local para cometer os furtos

17/08/2026 18h15

Picanha, bacon e suco foram avaliados em R$ 13.630,00

Picanha, bacon e suco foram avaliados em R$ 13.630,00 Foto: Divulgação / Polícia Civil

Continue Lendo...

Um homem de 24 anos, identificado pelas iniciais L. C. O. E. foi preso após furtar mais de R$ 13 mil em picanha, bacon e suco de uma empresa onde havia trabalhado, no Jardim Carioca, em Campo Grande.

De acordo com a Polícia Civil, na madrugada do último sábado (15), o supervisor de cargas e descargas da transportadora acionou a polícia após notar, pelo sistema de monitoramento, que um ex-funcionário invadiu o depósito de produtos congelados.

Com base em informações de inteligência levantadas pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (Derf), que já monitorava ocorrências anteriores na câmara frigorífica da mesma empresa, equipe tática do Grupo de Operações e Investigações (GOI) intensificou ações de patrulhamento e a vigilância na região.

Por volta das 4h, investigadores, com apoio da Força Tática da Polícia Militar (PM) interceptaram um veículo Chevrolet Onix, na Avenida Sete.

O carro era conduzido pelo ex-funcionário e, dentro do veículo, foram encontrados e apreendidos 13 caixas de picanha fatiada Friboi, avaliadas em R$ 12.950,00; duas caixas de bacon Seara, no valor de R$ 580, e um fardo de suco Prates de 1,5 litro, avaliado em R$ 100, totalizando R$ 13.630,00 em produtos furtados.

O suspeito confessou o crime e afirmou que utilizava uma chave antiga, guardada desde o período em que trabalhava no local, para acessar o escritório e abrir a câmara fria.

Ele disse ainda que havia a suposta colaboração de um outro funcionário atual da empresa nos crimes.

Na abordagem, o suspeito estava acompanhado do irmão, de 26 anos, que alegou ter sido chamado apenas para receber uma suposta carne de presente e que não sabia da origem ilícita dos itens.

Ambos foram detidos e encaminhados à delegacia, onde foram autuados por furto qualificado durante o repouso noturno, pelo concurso de pessoas e pelo abuso de confiança. O caso segue sob investigação.

Picanha, bacon e suco foram avaliados em R$ 13.630,00Caixas de picanha e bacon estavam no interior de um Onix (Foto: Divulgação / Polícia Civil)

Mobilização

IBGE em MS pode entrar em greve; servidores decidem na quarta sobre paralisação

Núcleo estadual está em estado de greve, mas adesão ainda é baixa; assembleia marcada para quarta-feira (19) definirá se servidores de MS vão aderir à paralisação.

17/08/2026 17h54

Servidores do IBGE em Mato Grosso do Sul decidem nesta quarta-feira (19) se aderem à greve nacional.

Servidores do IBGE em Mato Grosso do Sul decidem nesta quarta-feira (19) se aderem à greve nacional. Foto: Reprodução.

Continue Lendo...

Os servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Mato Grosso do Sul ainda não aderiram à greve iniciada em outras unidades do país e decidirão, na próxima quarta-feira (19), se vão se juntar à paralisação. A decisão será tomada durante uma assembleia geral da categoria no Estado.

O núcleo estadual está atualmente em estado de greve, situação em que os trabalhadores permanecem em atividade, mas se mantêm mobilizados para uma possível paralisação. 

A informação foi confirmada à equipe de reportagem do Correio do Estado por uma servidora do IBGE em Mato Grosso do Sul. Segundo ela, apesar da mobilização nacional, ainda não há greve no Estado.

“O sindicato declarou estado de greve, mas ainda não é greve. Na quarta-feira vai ter uma assembleia geral do sindicato aqui de MS e será votado se vai ter greve ou não”, explicou.

A servidora também relatou que, neste momento, a mobilização entre os trabalhadores sul-mato-grossenses ainda é pequena. Conforme a avaliação dela, mesmo que a paralisação seja aprovada na assembleia, parte dos funcionários poderá permanecer trabalhando.

“A adesão dos servidores aqui está baixa. Se for declarado, muitos aqui não vão aderir”, afirmou.

A situação coloca Mato Grosso do Sul entre os oito núcleos que, conforme levantamento divulgado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE (ASSIBGE-SN), estão em estado de greve, etapa anterior à eventual aprovação de uma paralisação.

Além de Mato Grosso do Sul, estão nessa condição os núcleos de Sergipe, Piauí, Espírito Santo, a unidade do Chile, no Rio de Janeiro (RJ), a unidade do Canabarro, também no Rio de Janeiro (RJ), Paraná e Rio Grande do Sul.

Mato Grosso e Pará possuem indicativo de greve, enquanto Bahia e Sede já aprovaram a paralisação.

Greve começou em 10 de agosto

A mobilização nacional dos trabalhadores do IBGE começou em 10 de agosto e faz parte de um calendário de reivindicações definido durante a Reunião de Direção Nacional da ASSIBGE-SN, realizada entre 9 e 11 de julho.

A paralisação ocorre em meio a uma escalada das divergências entre servidores e a direção do instituto, comandada pelo presidente Marcio Pochmann.

Entre as reivindicações apresentadas pelo sindicato estão questões relacionadas ao Programa de Gestão e Desempenho (PGD) dos servidores que ingressaram por meio do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), além da criação de comissões paritárias para discutir o programa e a experiência dos novos funcionários.

A pauta também inclui o retorno dos critérios anteriores para pagamento da indenização de campo, reajuste e garantia de direitos aos trabalhadores temporários, eleição do Comitê de Carreira, negociação dos dias paralisados em uma greve anterior na unidade do Chile, no Rio de Janeiro (RJ), e reabertura dos canais de diálogo entre trabalhadores e direção.

Um dos principais pontos de insatisfação envolve justamente as regras de trabalho dos novos servidores.

De acordo com a entidade sindical, trabalhadores aprovados no concurso haviam recebido a informação de que poderiam ingressar no regime híbrido depois de determinado período, mas uma portaria publicada posteriormente teria modificado essa previsão.

O sindicato questiona ainda mudanças relacionadas à indenização de campo, benefício destinado a trabalhadores que realizam atividades externas.

Paralisação já atinge outros estados

Enquanto Mato Grosso do Sul ainda discute uma possível adesão, a greve já alcança unidades do IBGE em outras regiões.

No Rio de Janeiro, segundo informações divulgadas pelo sindicato, a mobilização chegou à sede do instituto e à Superintendência Estadual. Na Bahia, a entidade informou adesão de parte dos trabalhadores.

Apesar do avanço da mobilização, não há, até o momento, indicação de suspensão ou adiamento das divulgações estatísticas programadas pelo IBGE.

A estratégia da ASSIBGE-SN é ampliar gradualmente o movimento nos estados. A entidade orienta que cada núcleo realize sua própria assembleia antes de aderir formalmente à paralisação.

De acordo com as orientações distribuídas aos trabalhadores, após a aprovação da greve em uma unidade, o núcleo sindical deve comunicar oficialmente a decisão à respectiva Superintendência ou Diretoria e encaminhar a ata da assembleia à Executiva Nacional da entidade.

A orientação é para que a paralisação comece 72 horas depois da deliberação local.

Servidores são orientados a interromper atividades

Caso a greve seja aprovada em Mato Grosso do Sul na quarta-feira, os servidores que decidirem aderir deverão comunicar individualmente a decisão à chefia imediata e ao núcleo sindical.

Os dias de paralisação deverão ser registrados no sistema de controle de frequência com o código correspondente à greve, para posterior negociação.

A orientação também alcança os funcionários que trabalham remotamente. Segundo o sindicato, quem aderir ao movimento deverá interromper integralmente as atividades profissionais durante a paralisação, inclusive o acesso aos sistemas internos, Microsoft Teams, e-mails e mensagens relacionadas ao trabalho.

A entidade também orienta os núcleos a realizarem levantamentos periódicos sobre o número de servidores que aderirem, permitindo acompanhar a evolução do movimento em cada estado.

Categoria questiona gestão do instituto

Além das reivindicações trabalhistas, representantes sindicais têm feito críticas à condução administrativa do IBGE.

A ASSIBGE-SN questiona decisões relacionadas à participação dos servidores na gestão, às condições estruturais das unidades e à área de tecnologia do instituto.

Entre os pontos levantados está uma contratação estimada em aproximadamente R$ 80 milhões envolvendo o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).

O sindicato questiona a transferência de serviços e recursos tecnológicos e sustenta que o próprio IBGE dispõe de estrutura de processamento de dados.

A entidade também relata problemas de infraestrutura em unidades do instituto, incluindo dificuldades relacionadas à internet, energia elétrica, mobiliário e espaços destinados ao trabalho presencial.

Em relação aos servidores que participarem da greve, o sindicato afirma que a adesão ao movimento não configura falta grave.

A entidade ressalta, porém, que decisões do Supremo Tribunal Federal admitem o desconto dos dias não trabalhados, salvo quando houver acordo para compensação.

Em Mato Grosso do Sul, porém, qualquer paralisação ainda depende da decisão dos próprios servidores. A assembleia de quarta-feira será o ponto decisivo para definir se o Estado continuará apenas em estado de greve ou passará a integrar efetivamente o movimento nacional.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).