Cidades

HOTEL CAMPO GRANDE

"Campo Grande não é mais província, é metrópole", diz prefeito

Não estamos trazendo animais para o Centro, mas pessoas, diz Trad

RAFAEL RIBEIRO E ADRIEL MATTOS

07/09/2019 - 15h24
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"Campo Grande não é mais província, é uma metrópole."

Assim, de maneira direta, o prefeito da Capital, Marcos Trad (PSD), se pronunciou durante a manhã deste sábado (7), no desfile de comemoração pela Independência do Brasil, para defender o projeto da Prefeitura de comprar o Hotel Campo Grande para transformá-lo em unidade de habitação.

Cercado de críticas, seja de entidades de classes e até de vereadores, o projeto foi novamente defendido pelo prefeito.

Edifício localizado na Rua 13 de Maio, desativado em 2002, será o primeiro exemplo de retrofit do Centro de Campo Grande. O local será reformado caso a Agência Municipal de Habitação de Campo Grande (Emha) consiga viabilizar verba de R$ 38 milhões para transformar o prédio, um dos mais simbólicos das décadas de 1970 e 1980 da Capital, em um edifício de habitação popular.  

"Quando quis trazer pessoas para morar no centro, eu não estou trazendo animal, estou trazendo pessoas que vão consumir, gastar, em um projeto totalmente salutar", disse Trad. "A gente tem que mostrar que Campo Grande não é mais província, é uma metrópole. Trazer pessoas para morar no centro é ocupação de espaço vazio."

Segundo o prefeito, o projeto seguirá a tendência da gentrificação, que ele mesmo fez questão de explicar durante a fala aos jornalistas.

"Isso que eu estava dizendo, que o principio cientifico, filosófico e humanístico chamado de gentrificação e que poucas pessoas conseguem entender essa terminologia, quando quis trazer pessoas para morar no Centro", exemplificou.

Ainda de acordo com o mandatário municipal, o projeto seguirá as orientações já divulgadas anteriormente. "50% seria locação para universitários e acadêmicos e 50% para moradores definitivos e faixa de 1 a 3 salários mínimos", apontou.

Para exemplificar a justificativa pelo projeto, o prefeito citou uma das inaugurações que fez durante a semana. "Semana passada no Conjunto Jose Antônio Pereira, que tem 25 anos de moradia, eu inaugurei a primeira unidade de saúde. Há 25 anos as pessoas que ali moram, que são mais de 7 mil, quando adoecem tem que andar quase cinco quilômetros e ir pro Vila Almeida. Se eu estou trazendo para o Centro, aqui nós temos unidade de saúde, posto de segurança, escola", disse.

O CASO

O projeto do Hotel Campo Grande já foi apresentado ao Ministério do Desenvolvimento Regional, e aguarda aprovação. No mês passado, o Correio do Estado revelou que as vistorias no edifício já haviam sido realizadas. O objetivo será transformar os 260 aposentos em unidades habitacionais, com área inferior a 40 metros quadrados. 

Também será necessária uma definição quanto à modalidade de financiamento das moradias. Elas poderiam ser enquadradas no programa Minha Casa Minha Vida, ou inaugurarem um novo programa de habitação popular do governo federal, que estimulará a locação de imóveis a famílias de baixa renda. 

Segundo o prefeito Marcos Trad, o valor para a compra do hotel seria de R$ 13 milhões e a reforma ficaria em R$ 25 milhões. 

O projeto de retrofit (revitalização da estrutura interna e funcional de um edifício) é bom lembrar, não será financiado com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que banca o programa Reviva Campo Grande. 

No início da semana, o diretor-presidente da Emha, Enéas Carvalho, foi à Camara Municipal rebater as críticas feitas por alguns dos vereadores ao projeto.

ELEIÇÕES 2026

Período para solicitar voto em trânsito inicia hoje

Eleitores tem até o dia 20 de agosto para solicitar habilitação e conseguir participar das eleições 2026

20/07/2026 10h30

Arquivo

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A solicitação para voto em trânsito nas eleições de 2026 iniciam nesta segunda-feira (20) e vão até o próximo dia 20, em agosto. O período permite que quem não estará em seu domicílio eleitoral no dia da votação consiga a transferência temporária e para cumprir com o dever de cidadão nas eleições.

O prazo para pedir a condição é o mesmo para o primeiro turno, ou segundo turno, ou ambos se for necessário. A opção está disponível para todas as capitais do país e para cidades com mais de 100 mil eleitores.

Segundo o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), no Estado apenas Campo Grande e Dourados oferecerão o serviço, com locais já estabelecidos.

Na Capital, o local destinado à votação em trânsito será o SEBRAE, localizado na Avenida Mato Grosso, nº 1.681, no Centro. E em Dourados, a votação será na Paróquia São José Operário, que fica na Avenida Marcelino Pires, também no Centro da cidade.

A solicitação pode ser feita por meio do Autoatendimento Eleitoral, disponível no portal da Justiça Eleitoral, ou presencialmente em qualquer cartório eleitoral, mediante apresentação de documento oficial com foto.

A transferência temporária para votação em trânsito é disponível para todos os eleitores e eleitoras que estiverem regulares com a Justiça Eleitoral e estejam fora do município onde votam.

Aqueles que habilitarem a condição e estiverem no mesmo Estado que seu domicílio eleitoral poderão votar para todos os cargos em disputa. Porém, aqueles que estiverem em um Estado diferente do que está inscrito, será possível votar apenas para o cargo de presidência e vice-presidência da República.

A opção para solicitar a transferência temporária em outra seção eleitoral também é destinada para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, além de indígenas, quilombolas, integrantes de comunidades tradicionais e residentes de assentamentos rurais dentro do mesmo período de um mês.

Em casos assim, não há limitação por tamanho de município e fica disponível locais que sejam adequados à situação do eleitor, como seções que possuem acessibilidade, instaladas em estabelecimentos penais ou locais próprios em que um mesário foi convocado para trabalhar,

Para pessoas que estiverem viajando para o exterior e possuírem domicílio eleitoral no Brasil a opção não está disponível.

Conforme o TRE, a transferência é temporária para acontecer o voto em trânsito, portanto, após as eleições, o vínculo com a seção de origem é restabelecido automaticamente, sem alteração ou transferência da inscrição eleitoral.

Aqueles que não comparecerem ao local escolhido no dia da eleição deverão justificar a ausência, ainda que estejam em seu município origem de votação.

Previstas nos artigos 30 a 46 da Resolução-TSE nº 23.751/2026, a transferência possui regras estabelicidas na legislação e em caso de dúvidas é possível acessar os canais oficiais da Justiça Eleitoral, ou qualquer cartório eleitoral.

O Tribunal Superior Eleitroral (TSE) também disponibiliza uma página com respostas de perguntas e dúvidas frequentes.

passa e repassa

Raízen vende sua última usina de cana de MS para a Adecoagro

Negócio relativo à usina de Caarapó foi fechado por R$ 760 milhões e agora a Adecoagro passa a controlas três usinas em Mato Grosso do Sul

20/07/2026 10h25

Usina de Caarapó havia recebido investimento milionários para produção do chamado etanol de segunda geração

Usina de Caarapó havia recebido investimento milionários para produção do chamado etanol de segunda geração

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Quase um ano depois de vender duas usinas para o grupo paulista Cocal Agroidústria, a Raízen  anunciou nesta segunda-feira (20) a venda de sua última usina de Mato Grosso do Sul, localizada em Caarapó, para a Adecoagro Vale do Ivinhema, por R$ 760 milhões, que passa a ter três usinas no Estado.

Conforme o informe da Raízen, o pagamento será realizado à vista na data de conclusão da transação, sujeito aos ajustes usuais previstos para esse tipo de negócio. O acordo também inclui a cessão da cana-de-açúcar própria e dos contratos com fornecedores vinculados à unidade.

Segundo comunicado da companhia, a usina processou aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de  cana na safra 2025/26. E, de acordo com a Raízen, a venda faz parte da estratégia de otimização do portifólio dos ativos, simplificação das operações e busca por maior eficiência operacional, com foco na rentabilidade do portfólio agroindustrial. 

Após a conclusão da operação, a empresa passará a operar 23 usinas, com  capacidade de moagem instalada de aproximadamente 69 milhões de toneladas de cana por safra.

A conclusão da venda ainda depende da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e do cumprimento das demais condições previstas no contrato. A Raízen está em recuperação extrajudicial desde junho, englobando mais de R$ 65 bilhões em dívidas.

Em agosto do ano passado ela havia vendido, por R$ 1,543 bilhão, as outras duas usinas que controlava em Mato Grosso do Sul (Passa Tempo e Rio Brilhante) ambas no município em Rio Brilhante. As duas unidades têm capacidade anual para processamento de seis milhões de toneladas de cana por ano.

A usina de Caarapó está localizada a cerca de 100 quilômetros das unidades de Angélica e Ivinhema, também operadas pela Adecoagro. A planta tem capacidade para produzir açúcar, etanol hidratado, etanol anidro e energia renovável.

Segundo a Adecoagro, a proximidade entre as unidades permitirá a integração da usina à estratégia de operação em cluster da companhia no Mato Grosso do Sul. 

"A aquisição de Caarapó representa uma extensão natural da nossa presença industrial em Mato Grosso do Sul. A integração da usina à nossa estratégia de cluster permitirá processar cana-de-açúcar adicional, alavancar infraestrutura compartilhada e ampliar o volume de moagem da unidade com investimentos adicionais controlados", disse Renato Junqueira Santos Pereira, vice-presidente de Açúcar, Etanol e Energia da empresa.

A Adecoagro atua na produção de alimentos e energia renovável na Argentina, no Brasil e no Uruguai. A companhia informa possuir 210,4 mil hectares de terras agrícolas e operações industriais nos três países, com produção anual de 3,1 milhões de toneladas de produtos agrícolas, 1,3 milhão de toneladas de fertilizantes e mais de 1 milhão de MWh de eletricidade renovável.

A empresa é controlada pela gigante de criptomoedas Tether, que possui cerca de 70% das ações em circulação da companhia. A empresa de tecnologia consolidou essa participação majoritária por meio de um investimento que superou os US$ 600 milhões, em meados do ano passado

As três usinas vendidas pela Raízen, grupo controlado pelo empresário Rubens Ometto, pertenciam ao bilionário somente desde 2021. Antes disso, eram controladas ao grupo francês Louis Dreyfus Company (LDC). Ou seja, em um período de cinco anos elas passam a ter o terceiro controlador. 

Com 22 usinas, em Mato Grosso do Sul foram processadas em torno de 51 milhões de toneladas de cana na última safra. Todas as plantas geram eletricidade, somando 2 milhões de MWh de abril a dezembro. Doze delas injetam o excedente para a rede nacional de energia elétrica. 

No Estado, a  cana-de-açúcar está presente em 48 municípios. Mas, quase um terço (32%) da área plantada está justamente nos três municípios onde os árabes estão presentes e onde pretendiam comprar mais duas usinas (Rio Brilhante, Nova Alvorada do Sul e Costa Rica).

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