Cidades

MOTORISTAS DE APP

Campo Grande pode ganhar ponto de apoio para 28 mil motoristas de aplicativo

Programa federal prevê espaço com banheiros, cozinha, área de descanso e Wi-Fi, mas implantação depende da adesão da Prefeitura.

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Motoristas de aplicativo e entregadores de Campo Grande podem ganhar um espaço público destinado a descanso, alimentação e apoio durante a jornada de trabalho. A estrutura faz parte do Programa Parada Certa, iniciativa do Governo Federal que pode ser implantada na Capital, mas depende da adesão da Prefeitura para sair do papel.

A proposta prevê a instalação de um ponto de apoio equipado com ar-condicionado, sala de descanso, banheiros, cozinha, micro-ondas, freezer e acesso à internet por Wi-Fi.

O objetivo é oferecer uma estrutura básica para profissionais que passam grande parte do dia nas ruas e, muitas vezes, não dispõem de local adequado para fazer refeições, utilizar o banheiro ou descansar entre uma corrida e outra.

A implantação ganhou força após reunião com representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República e da Associação dos Parceiros de Aplicativos de Transporte de Passageiros e Motoristas Autônomos de Mato Grosso do Sul (Applic-MS), quando foram apresentados os procedimentos necessários para que Campo Grande participe do programa.

De acordo com o consultor da Secretaria-Geral da Presidência da República, Abílio Borges, Campo Grande reúne aproximadamente 28 mil motoristas de aplicativo, enquanto Mato Grosso do Sul teria cerca de 90 mil profissionais vinculados à atividade.

“É de suma importância a implantação da Parada Certa, porque nós temos aqui em Campo Grande 28 mil motoristas de aplicativos. Nós temos 90 mil no Estado. Então, é uma categoria expressiva”, afirmou.

Segundo Borges, em determinados períodos, aproximadamente 3 mil motoristas e entregadores podem estar trabalhando simultaneamente nas ruas da Capital, o que reforçaria a necessidade de uma estrutura específica para atender a categoria.

Adesão depende da prefeitura

Apesar de fazer parte de uma iniciativa federal, a instalação do ponto de apoio depende de providências do município. Para aderir ao programa, a Prefeitura de Campo Grande precisa manifestar formalmente interesse e disponibilizar um terreno público com área mínima de 500 metros quadrados.

O município também deverá assumir responsabilidades relacionadas à infraestrutura necessária para funcionamento do espaço, além de segurança, limpeza, zeladoria e manutenção.

Com as orientações repassadas pelo Governo Federal, o assunto foi encaminhado ao Executivo municipal por meio do Ofício nº 201/2026, apresentado pelo vereador Landmark à prefeita Adriane Lopes.

O documento solicita uma agenda institucional para apresentação do programa e discussão sobre a possibilidade de implantação na Capital.

A partir de agora, portanto, o avanço da proposta depende da manifestação da administração municipal e da avaliação sobre a disponibilidade de uma área pública que atenda às exigências do programa.

Para Abílio Borges, a estrutura serviria como suporte aos profissionais durante a rotina de trabalho e poderia contribuir para melhorar as condições em que motoristas e entregadores prestam os serviços.

“Hoje é imprescindível para a população de Campo Grande. O Parada Certa vem dar um suporte, uma logística ao trabalho desses profissionais”, declarou.

Caso a Prefeitura manifeste interesse e cumpra as exigências previstas, Campo Grande poderá avançar nas tratativas para receber o ponto de apoio. Até o momento, porém, não há confirmação de local para instalação nem prazo para que a estrutura seja implantada.

Prefeitura é questionada

A reportagem do Correio do Estado procurou a Prefeitura de Campo Grande para saber se o município pretende aderir ao Programa Parada Certa, se já existe uma área pública que possa receber a estrutura e se há previsão para uma reunião com representantes do Governo Federal.

Também foram solicitadas informações sobre os custos e as responsabilidades que ficariam a cargo do município. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.

Megaempreendimento

Megafábrica de celulose em MS chega a 81% das obras e prevê operação em 2027

Com investimento de US$ 4,6 bilhões, fábrica da Arauco em Inocência está no pico das obras e tem previsão de iniciar as operações no último trimestre de 2027.

08/10/2026 17h03

Vista aérea das obras da megafábrica da Arauco, em Inocência, que já alcançaram 81% de execução.

Vista aérea das obras da megafábrica da Arauco, em Inocência, que já alcançaram 81% de execução. Foto: Divulgação/Arauco.

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A construção da megafábrica de celulose da Arauco, em Inocência, município localizado no leste de Mato Grosso do Sul, alcançou 81% de execução e entrou em uma das etapas mais intensas de implantação. Com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões, equivalente a cerca de R$ 25 bilhões, o empreendimento está entre os maiores projetos industriais privados em construção no Brasil.

A informação foi confirmada pela Arauco ao Correio do Estado. Segundo a companhia, os trabalhos seguem dentro do planejamento estabelecido, e a previsão de entrada em operação da unidade permanece para o último trimestre de 2027, entre outubro e dezembro.

Neste momento, a construção atravessa o chamado pico das obras, período de maior intensidade das atividades no canteiro, com foco na montagem eletromecânica dos equipamentos e das estruturas que vão compor a unidade industrial.

A etapa envolve a instalação e a integração de sistemas mecânicos e elétricos fundamentais para o funcionamento da fábrica, incluindo equipamentos utilizados nas diferentes fases do processo de produção da celulose.

Quando estiver em funcionamento, a unidade terá capacidade para produzir aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, volume que colocará o empreendimento entre os maiores do setor em escala mundial.

Obras avançam e cronograma é mantido

O índice de 81% representa um novo marco na implantação do Projeto Sucuriú, nome dado ao complexo industrial da multinacional chilena em Mato Grosso do Sul.

Em maio deste ano, a construção da megafábrica havia alcançado 58% de execução física. Desde então, o empreendimento avançou 23 pontos percentuais, chegando aos atuais 81% de conclusão das obras.

Apesar do ritmo acelerado, a companhia não anunciou antecipação da entrada em operação e mantém a previsão para o último trimestre de 2027.

Informações divulgadas pelo diretor de Sustentabilidade e Relações Institucionais da Arauco, Theófilo Militão, durante o 58º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel, realizado em São Paulo, indicam que o projeto está seis pontos percentuais à frente do cronograma originalmente estabelecido.

A diferença funciona como uma margem de segurança para o cumprimento do calendário, especialmente diante da complexidade das próximas etapas da construção.

Mesmo após o início das operações, a produção não deverá atingir imediatamente a capacidade máxima. A expectativa apresentada pela companhia é de que a fábrica alcance sua capacidade plena ao longo de 2028, após o período de ajustes e estabilização do processo industrial.

Vista aérea das obras da megafábrica da Arauco, em Inocência, que já alcançaram 81% de execução. Estruturas industriais e equipamentos da fábrica de celulose da Arauco durante a fase de construção em Inocência. Foto: Divulgação/Arauco.

Uma das maiores fábricas de celulose do mundo

O Projeto Sucuriú representa o maior investimento da história da Arauco e marca a implantação da primeira fábrica de celulose da companhia em território brasileiro.

A unidade é projetada para se tornar a maior fábrica de celulose do mundo construída em uma única etapa, com capacidade anual de 3,5 milhões de toneladas.

Vista aérea das obras da megafábrica da Arauco, em Inocência, que já alcançaram 81% de execução. Construção do Projeto Sucuriú, em Inocência, representa investimento de US$ 4,6 bilhões e tem previsão de operação em 2027. Foto: Divulgação/Arauco.

A estrutura industrial está sendo implantada a aproximadamente 50 quilômetros do centro urbano de Inocência e contará com sistemas de automação e tecnologias voltadas à eficiência energética e à redução de resíduos e emissões.

Além da produção de celulose, o projeto prevê a geração de energia elétrica para abastecer as próprias operações industriais, com possibilidade de disponibilizar o excedente ao sistema elétrico.

A energia excedente é aquela produzida pela fábrica que não será utilizada em suas atividades e poderá ser destinada à rede de distribuição de eletricidade. Segundo a Arauco, a estimativa é de até 400 megawatts de potência excedente.

A dimensão do investimento coloca Inocência no centro da expansão da indústria de base florestal de Mato Grosso do Sul, setor que já possui importantes unidades industriais em municípios como Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo.

A instalação da fábrica também deverá ampliar a demanda por serviços, transporte, infraestrutura e mão de obra especializada, com reflexos na economia regional.

Ferrovia integra estrutura do empreendimento

Além do avanço na construção da unidade industrial, a Arauco conquistou mais uma etapa importante para estruturar o transporte da futura produção de celulose.

Na quarta-feira (7), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) oficializou o registro da empresa como usuária dependente do serviço público de transporte ferroviário de cargas.

A decisão, publicada no Diário Oficial da União (DOU), permitirá que a produção do Projeto Sucuriú seja atendida pela malha ferroviária que conecta Mato Grosso do Sul ao Porto de Santos, em São Paulo, principal complexo portuário do País.

Conforme o documento, a operação contará com um sistema logístico multimodal, com origem em Inocência e destino a um Terminal de Uso Privado (TUP) localizado na região da Alemoa, no Porto de Santos.

O transporte será realizado pelas concessionárias Rumo Malha Norte S.A. e Rumo Malha Paulista S.A., responsáveis pelos trechos ferroviários que integrarão o corredor logístico destinado ao escoamento da produção.

A autorização representa mais um avanço na preparação da infraestrutura necessária ao funcionamento da megafábrica, que terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose anualmente.

Entretanto, o registro concedido pela ANTT não significa que o transporte ferroviário terá início imediato. A medida formaliza a condição da Arauco como usuária dependente do serviço e estabelece o enquadramento administrativo necessário para atender à futura demanda industrial.

O documento também não informa a quantidade de vagões que serão utilizados, o volume anual de cargas transportadas pelos trilhos nem a data prevista para o início efetivo das operações ferroviárias.

A decisão administrativa foi tomada em 17 de setembro, mas passou a vigorar com sua publicação no Diário Oficial da União, em 7 de outubro.

A novidade ocorre justamente no momento em que o Projeto Sucuriú alcança 81% de execução, aproximando a companhia da conclusão das instalações industriais previstas para entrar em operação no último trimestre de 2027.

Histórico de paralisações durante a construção

O avanço das obras ocorre após mobilizações trabalhistas registradas no canteiro do Projeto Sucuriú.

Conforme noticiado pelo Correio do Estado, em setembro deste ano, funcionários da Opus Construtech, uma das empresas contratadas para atuar na construção, realizaram uma paralisação em meio às negociações da data-base da categoria.

O movimento começou em 1º de setembro e chegou ao segundo dia sem anúncio de acordo definitivo. Entre os pontos discutidos estavam reajuste salarial, benefícios e condições de trabalho.

A paralisação envolveu trabalhadores de uma empresa contratada, não significando necessariamente a suspensão de todas as atividades do empreendimento, que conta com diferentes empresas responsáveis pelas frentes de construção.

Na ocasião, não havia confirmação oficial sobre o número total de trabalhadores que aderiram ao movimento.

O episódio se somou a outras mobilizações registradas durante a implantação do projeto, incluindo paralisações em 2025 e fevereiro de 2026.

Apesar desse histórico, a Arauco informou agora que a implantação segue dentro do planejamento estabelecido, com 81% de avanço físico e manutenção da previsão de início das operações no fim de 2027.

Com a construção em fase avançada, o próximo período será decisivo para a conclusão das instalações industriais e a preparação dos sistemas que permitirão colocar em funcionamento uma das maiores unidades de produção de celulose do mundo.

 

 

 

 

 

 

 

Crime em Três Lagoas

Dois pegam 47 anos por tribunal do crime em MS

Vítima foi sequestrada em casa, mantida em cativeiro e executada em 2018; condenados também terão de indenizar família

08/10/2026 16h28

Reprodução/TJMS

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Dois integrantes de uma organização criminosa foram condenados a 47 anos e 2 meses de prisão pela participação no assassinato de um jovem de 23 anos em um “tribunal do crime”, em Três Lagoas. A vítima foi sequestrada dentro de casa, mantida em cativeiro por horas e executada com um corte no pescoço. Depois, o corpo foi escondido em um eucaliptal às margens de uma rodovia.

Um dos réus recebeu pena de 26 anos e 8 meses de reclusão, enquanto a mulher apontada como integrante das deliberações da facção foi condenada a 20 anos e 6 meses, ambos em regime inicial fechado. Os dois também terão de pagar R$ 10 mil cada à família da vítima por danos morais.

O crime ocorreu em fevereiro de 2018, depois que a vítima foi acusada de manter relação sexual com uma adolescente. Segundo a denúncia, familiares da menina, que tinham ligação com integrantes da facção, acionaram o grupo para realizar o julgamento clandestino.

De acordo com o processo, 12 acusados participaram da organização do tribunal paralelo, com divisão de tarefas entre integrantes presos, comparsas que estavam em liberdade e familiares.

As decisões eram articuladas por meio de conferências telefônicas. A vítima acabou retirada de sua residência e mantida em cativeiro antes de ser assassinada. O corpo foi ocultado em uma área de eucaliptos e localizado dias depois.

A mulher condenada nesta etapa do processo foi apontada como responsável por apurar informações e participar das deliberações do grupo. Já o homem foi responsabilizado pela execução da vítima e pela ocultação do cadáver.

Penas

A maior condenação, de 26 anos e 8 meses, reúne 21 anos pelo homicídio qualificado, 4 anos e 6 meses por integrar organização criminosa armada e 1 ano, 2 meses e 11 dias-multa por ocultação de cadáver.

A segunda ré recebeu 16 anos pelo homicídio qualificado e 4 anos e 6 meses por integração à organização criminosa armada, além de 15 dias-multa.

Durante o julgamento, as defesas pediram a absolvição dos dois réus. Alternativamente, solicitaram o afastamento das qualificadoras e a redução das penas.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) defendeu a validade das provas e das perícias realizadas durante a investigação. O Tribunal do Júri rejeitou os pedidos das defesas e manteve as condenações.

Outros integrantes do grupo denunciados pelo crime ainda aguardam julgamento.

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