Com quase quatro vezes mais cocaína apreendida este ano em comparação com os 44 municípios considerados de fronteira do Estado, Campo Grande virou um entreposto para drogas, local clandestino utilizado por criminosos para armazenar, ocultar, fracionar e preparar grande quantidade de drogas antes do envio ao destino final.
Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Mato Grosso do Sul apreendeu pouco mais de 6 toneladas de cocaína este ano, e a Capital foi responsável por 50% deste total – aproximadamente 3,1 toneladas, das quais 921,4 quilos foram apreendidos este mês.
Em comparação com as outras regiões, Campo Grande permanece na liderança de forma disparada.
Conhecida por ser palco de guerras de facções e assassinatos envolvendo o mundo do tráfico de drogas, a faixa de fronteira, que engloba 44 municípios, aparece com “apenas” 744,3 kg de cocaína apreendidos. As outras 2,2 toneladas estão distribuídas nas 35 cidades restantes.
Para se ter ideia da evolução de Campo Grande no quesito, as 3 toneladas de cocaína apreendidas este ano, de 1º de janeiro ao dia 27 deste mês, já superaram a quantidade apreendida em 2025 inteiro, que terminou com quase 2,8 toneladas.
Caso mantenha a média, este ano deve terminar com mais de 5 toneladas, o que seria um recorde nos últimos 10 anos para a Capital.

MAIOR DO ANO
A apreensão recorde de cocaína deste ano começou depois que um suposto informante indicou que em uma oficina mecânica localizada na Avenida Senhor do Bonfim, na região norte de Campo Grande, estaria prestes a ocorrer uma negociação envolvendo grande quantidade de entorpecentes, na segunda semana de março.
Com esta informação, equipes da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) passaram a monitorar o local. Durante as diligências, os policiais visualizaram um homem, de 42 anos, deixando a oficina em um Celta.
Ao mesmo tempo, uma caminhonete S-10, conduzida por outro homem, de 39 anos, também deixou o local. Os dois veículos foram seguidos até o estacionamento de um supermercado atacadista na saída para Cuiabá.
No local, o condutor do Celta passou a circular pelo estacionamento de maneira suspeita, aparentando aguardar contato para realização da negociação ilícita.
Por conta disso, foi abordado pelos agentes, que encontraram no interior do carro pequena quantidade de cocaína, aproximadamente 0,6 grama. A suspeita é de que a droga seria utilizada como amostra para negociação.
Paralelamente, outra equipe abordou um Toyota Etios, conduzido por um homem de 38 anos, tendo como passageiro um rapaz de 25 anos. Durante as buscas no automóvel foram localizados três tabletes de pasta base de cocaína, totalizando aproximadamente 3,2 kg.
Diante da situação de flagrante, todos foram levados à delegacia. Lá, segundo a polícia, um dos presos manifestou interesse em colaborar com as investigações, informando que havia grande quantidade de entorpecentes armazenada em sua residência.
Com essa informação, equipes deslocaram-se até o imóvel indicado, onde foram localizados os entorpecentes – 614 volumes entre tabletes e volumes cilíndricos. Após pesagem, totalizaram aproximadamente 975 kg.
A suspeita dos investigadores é de que a casa onde estavam os entorpecentes era utilizada somente como depósito provisório e que todo o carregamento seria despachado para grandes centros consumidores ou até mesmo para a Europa.
Conforme informação apurada pelo Correio do Estado, a apreensão gerou cerca de R$ 30 milhões de prejuízo ao crime.
MACONHA
A última grande apreensão de drogas ocorreu na madrugada de ontem, durante mais um desdobramento da Operação Protetor, o Batalhão do Choque apreendeu 1,2 tonelada de maconha, que estavam escondidas em um bunker no Jardim Itamaracá, em Campo Grande.
De acordo com a polícia, a ação foi desencadeada após receberem informações de que um imóvel no Jardim Itamaracá estava sendo utilizado para armazenar motocicletas furtadas e roubadas.
Ao realizarem a abordagem, o morador do local negou a ligação do local com o crime e autorizou a entrada dos oficiais na residência. Na casa ainda havia outros dois homens.
Com a ajuda do cão de farejo Zeus, foi encontrado um compartimento oculto no quintal da residência, como uma espécie de bunker, e lá estavam armazenados 578 pacotes de maconha, que após pesagem totalizou 1.221,2 kg da droga. A carga estava avaliada em aproximadamente R$ 2,5 milhões.
Durante a abordagem, um dos homens presentes na residência assumiu a propriedade do entorpecente. De acordo com o rapaz, ele havia recebido a carga para armazená-la temporariamente e receberia cerca de R$ 10 mil pelo serviço.
O rapaz que assumiu a propriedade do entorpecente, ainda relatou que os outros dois homens que estavam presentes na residência tinham o conhecimento de que a droga estava lá, porém afirmou que ambos não participavam da empreitada criminosa.
Os envolvidos foram conduzidos para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), onde foram apresentados à autoridade policial para as providências cabíveis.
Diante da situação, o homem que assumiu a propriedade do entorpecente foi preso em flagrante e a substância foi recolhida e encaminhada à Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar).
De acordo com números da Sejusp, 35,5 toneladas de maconha foram apreendidas em Campo Grande este ano.
*SAIBA
Conforme a Sejusp, considera-se cocaína “variações, misturas e formas que contenham a substância ou traços de cocaína”, como cocaína em pó, pasta base, crack, oxi e merla.


