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Política, cassação e homicídio: relembre a trajetória de Alcides Bernal

Alcides Bernal faleceu na madrugada desta segunda-feira (13), ele estava internado no hospital Santa Casa e apresentava quadros graves de problemas cardíacos

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Alcides Jesus Peralta Bernal, nascido em Corumbá, no dia 14 de julho de 1965, construiu sua trajetória na política de Campo Grande, como vereador e prefeito, muitas vezes marcada por polêmicas e cassação de mandato. 

O advogado e radialista foi eleito vereador em Campo Grande por dois mandatos. O primeiro, em 2004, quando conseguiu 4.772 votos, e representava o Partido da Mobilização Nacional (PMN). Seu segundo mandato foi em 2008, eleito com 12.294 votos, quando estava no Partido Progressita (PP). 

Em 2010, se elegeu deputado estadual, com 26.159 votos, sendo o 13° candidato mais votado em Mato Grosso do Sul, e ficou no cargo até 2012, quando entrou para disputa da Prefeitura de Campo Grande.

Em 2012, deu início a sua campanha para assumir o comando da capital de Mato Grosso do Sul. Ele foi eleito no 2º turno com 270.927 votos, o que representava 62,55% dos votos válidos, contra 37,45% de Edson Giroto (PMDB).

Alcides Bernal se tornou prefeito e desbancou o PMDB, que governava a Capital por vinte anos. No 2° turno, ele contou com o apoio inédito dos partidos PSDB e PT. 

Cassação

Alcides Bernal foi o primeiro prefeito cassado na história de Campo Grande. Com 23 votos a favor e 6 contra, ele perdeu seu mandato após ser julgado pela Câmara Municipal de Campo Grande no dia 12 de março de 2014.

Com base em nove denúncias, Bernal foi julgado por improbidade administrativa e irregularidades que envolviam contratos sem licitação, como compras e contratações de serviços emergenciais.

Na época, com o resultado, o vice-prefeito Gilmar Olarte assumiu o comando da cidade.

Vai e volta

Em maio de 2014, o juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo.

No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul (TJMS) apenas oito horas depois, devolvendo o comando de Campo Grande ao vice-prefeito Gilmar Olarte (PP).

Devido a operação "Coffee Break", deflagrada em 25 de agosto  de 2015, o então prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte, e o presidente da Câmara Municipal, Mario Cesar Fonseca (PMDB), foram afastados dos seus cargos por suspeita de corrupção ativa e passiva na votação que cassou o mandato de Alcides Bernal.

Após isso, ainda em agosto de 2015, devido às ilegalidades apontadas no processo do legislativo, a 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça (TJMS) determinou o retorno de Bernal ao cargo de prefeito, permitindo que ele concluísse o seu mandato até o final de 2016.

Eleições de 2016 e 2018

Alcides Bernal concorreu à reeleição em 2016, mas foi derrotado ainda no primeiro turno. Com isso, ele apoiou Marquinhos Trad (PSD) no segundo turno, que acabou sendo eleito.

O ex-prefeito conseguiu apenas 26,01% dos votos válidos. Ficou de fora da etapa decisiva por uma diferença de apenas 2.630 votos em relação à Rose Modesto, que terminou como segunda colocada nas eleições daquele ano.

Após encerrar seu mandato, Bernal disputou sua última eleição em 2018, a qual tentou uma vaga como deputado federal. Esta etapa na vida política do ex-prefeito foi marcada por anulação dos votos.

Por 5 votos a 2, os ministros do Tribunal Superior Eleitor (TSE) indeferiram o registro de Bernal às vésperas da eleição de 2018. O órgão acatou um recurso, o qual argumentava que devido a sua cassação pela Câmara Municipal em 2014, ele se enquadrava na Lei da Ficha Limpa e não podia concorrer ao cargo.

No entanto, como esta decisão apareceu apenas um dia antes das eleições, o nome de Bernal apareceu nas urnas do mesmo jeito e ele obteve 46.734 votos. 

Porém, devido a esta situação jurídica, os painéis oficiais do TSE registraram seus votos como "nulos ou anulados com recurso", zerando a contagem nas listagens gerais de eleitos. Com isso, ele foi novamente derrotado e manteve-se longe dos holofotes da política. 

Prisão do diretor do Google

Em setembro de 2012, Fábio José Silva Coelho, o diretor-geral do Google Brasil, foi preso pela Polícia Federal após o Google não retirar os vídeos postados no YouTube contra Alcides Bernal, na época candidato a prefeito de Campo Grande.

O vídeo tratava Bernal como incentivador da prática de aborto e ter praticado crimes de embriaguez, lesão corporal contra menor, enriquecimento ilícito e preconceito contra os mais pobres.

A defesa de Bernal argumentou que as postagens consistiam em propaganda eleitoral negativa com calúnias e ofensas graves, com o objetivo de prejudicar sua imagem no pleito.

O Google, em contrapartida, tentou recorrer alegando que a plataforma não realizava controle prévio e que a remoção afetaria a liberdade de expressão dos usuários.

Homicídio

A mais recente polêmica envolvendo Alcides Bernal foi no dia 24 de março de 2026, quando ele matou o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini após se recusar a entregar seu imóvel, que havia sido leiloado.

A disputa pelo imóvel começou em 2023, quando em um primeiro pregão, o imóvel foi ofertado por R$ 3,7 milhões, mas ninguém se interessou.

Depois, o valor caiu para R$ 2,4 milhões e o fiscal tributário acabou comprando a mansão. Contudo, mesmo após ter sido arrematado por Roberto Mazzini, Bernal se recusava a entregar a casa, levando a imbróglios judiciais.

No dia 24, Bernal flagrou por meio do monitoramento de segurança a vítima entrando na propriedade com a ajuda de um chaveiro.

Ex-prefeito deu sete passos antes de disparar contra fiscal, diz relatório do delegado

Ao chegar no local, o ex-prefeito se desentendeu com o fiscal e efetuou dois disparos na direção do rival judicial, sendo que um dos tiros atravessou a região da costela.

Imagens de câmera de segurança da casa mostraram que o chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, chegou de picape ao local, por volta das 13h, enquanto Roberto o esperava dentro de sua caminhonete na frente do imóvel.

Logo após a chegada do chaveiro, o fiscal passou a instrução para Maurílio tentar abrir a porta principal da casa. As imagens mostraram que, enquanto o chaveiro realizava o trabalho, o fiscal apenas observava e esperava a conclusão da abertura.

Exatos 35 minutos depois de começar os trabalhos, Maurílio conseguiu abrir o portão e avisou Roberto, que imediatamente acessou a região interna da casa. Durante os próximos cinco minutos, ambos ficaram dentro do imóvel.

Às 13h44min20s daquele dia o vídeo mostra que o ex-prefeito chegou à frente da casa, após ser avisado pela equipe de monitoramento da empresa New Line de que teriam invadido a residência.

Cerca de 17 segundos depois, Bernal entrou no imóvel e, depois de cinco passos, efetuou o primeiro disparo contra Roberto.

No momento em que Bernal vai em direção ao corpo da vítima, ele entra no ponto cego da câmera, momento em que teria dado o segundo tiro no auditor fiscal, de acordo com o laudo pericial. Após isso, é possível ver o chaveiro escapando e saindo da casa, às 13h45min10s.

O ex-prefeito voltou a aparecer na filmagem, quando guarda a arma na cintura e se dirige para fora da casa, momento em que aproveitou para chamar a equipe da New Line, que tem sua sede exatamente na frente do local do assassinato.

Depois de mexer no celular, Bernal foi embora da cena do crime. Após isso, ele fugiu do local e se apresentou à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac-Centro). 

estiagem

Rio da Prata enfrenta seca e mobiliza ações de resgate de peixes

MPMS acompanha agravamento da estiagem, monitora as condições ambientais do rio e fiscaliza ações de resgate e preservação da fauna aquática

10/09/2026 19h15

Rio da Prata enfrenta seca

Rio da Prata enfrenta seca Foto: Divulgação / MPMS

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Mais de 200 peixes foram resgatados e realocados no Rio da Prata, que enfrenta crise hídrica e seca, com locais com fluxo da água interrompido, em Jardim. A situação é acompanhada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Jardim.

Conforme reportagem do Correio do Estado, em agosto, o nível do rio já estava baixo em algumas áreas, devido à estiagem. Neste mês, a situação se agravou e, diante do cenário emergencial, uma operação foi montada para tentar reduzir os impactos da estiagem.

De acordo com o MPMS, neste ano, o Instituto Guarda Mirim Ambiental (IGMA) comunicou o agravamento da situação hídrica em trecho localizado próximo à Ponte do Curê, na Rodovia MS-178, e constatou as condições críticas decorrentes da estiagem prolongada.

A entidade identificou trechos secos e formação de poças isoladas, com risco de evaporação, situação que coloca diversas espécies em condição de vulnerabilidade.

O presidente do IGMA, Nisroque Soares, afirma que abaixo da área onde foram feitos resgates de peixes, em 2024 e 2025, o fluxo d’água é interrompido por aproximadamente 4 km até a Ponte do Curê.

Na operação emergencial foram executados planos de resgate e realocação de peixes que se encontravam ilhados no local afetado.

Dentre as espécies realocadas estão lambaris, piraputangas, cascudos, joaninhas e traíras, que foram levados para áreas do rio com melhores condições de sobrevivência.

No ano passado, também houve a mesma operação, onde aproximadamente 1.421 peixes foram resgatados do Rio da Prata, em um trecho de 7 km afetado pela interrupção do fluxo d’água.

O MPMS informou que há um inquérito civil, instaurado em julho de 2024, que acompanha os trabalhos do IGMA. O órgão ressaltou que continuará acompanhando e fiscalizando as ações desenvolvidas pelos órgãos e entidades envolvidos na preservação do Rio da Prata e de sua fauna aquática.

Saúde

Plano de saúde terá que cobrir mamografia digital para todas as idades

Decisão da ANS vale a partir de 1º de outubro

10/09/2026 19h00

José Cruz/Agência Brasil

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A partir de 1º de outubro, os planos de saúde serão obrigados a cobrir exame de mamografia digital para todas as pessoas sempre que houver indicação médica, ou seja, não haverá restrição de idade. Atualmente, a cobertura desse exame é obrigatória apenas para mulheres com idade entre 40 e 69 anos.

A decisão foi tomada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no último dia 3 e anunciada nesta quinta-feira (10). A ANS é o órgão que regula a indústria de planos de saúde no país.

A mamografia digital versão mais avançada do exame convencional é considerada um dos principais exames para a detecção precoce do câncer de mama, permitindo identificar alterações antes mesmo de serem percebidas ao toque.

Menos tempo de exposição

A modalidade digital oferece vantagens como menor exposição à radiação, menor tempo de compressão da mama durante o exame e armazenamento das imagens em formato digital, o que facilita o acompanhamento da evolução clínica e a avaliação por diferentes especialistas.

No comunicado de fim de restrição, a ANS destaca que a cobertura obrigatória é “uma oportunidade de celebrar o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama”.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca), ligado ao Ministério da Saúde, estima que o país tenha cerca de 73.610 novos casos de câncer de mama por ano.

O diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento e pode reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos.

Todos os gêneros

A intenção de ampliar a cobertura do exame partiu da própria ANS, após discussões realizadas na Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar (Cosaúde).

Na Cosaúde, a maioria da comissão defendeu que “o uso da mamografia digital já está consolidado como padrão de cuidado oncológico” e que a restrição para mulheres de 40 a 69 anos, poderia “prejudicar ou atrasar o acesso oportuno” ao diagnóstico de câncer de mama.

Ao determinar cobertura obrigatória para “todas as pessoas”, a ANS inclui qualquer gênero, ou seja, o exame passa a ser garantido a pessoas que se considerem não binárias (não se identificam exclusivamente como homem ou mulher).

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