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Cemitérios viram palco de roubos e tráfico de drogas

Situações são frequentes no Santo Antônio e no Santo Amaro, segundo funcionários dos locais

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Os cemitérios públicos de Campo Grande continuam sendo alvos de furtos e tráfico de drogas. Bronze, alumínio, placas de metal, vasos e até estátuas que pesam em torno de 300 quilos têm sido os principais objetos levados pelos bandidos. 

“Estamos tendo muitos roubos nos cemitérios, estamos tendo muitas pessoas drogadas dentro do cemitério. Um caso é no Santo Amaro, lá é complicado, sempre tem que chamar a Guarda [Civil Metropolitana] para tirar gente drogada lá de dentro". 

"Estamos tendo muito problema no Santo Antônio, porque tem muita estátua de bronze. Está bem séria a coisa”, contou ao Correio do Estado uma fonte, que preferiu não se identificar.

Exemplo recente foi a preparação para o furto de uma estátua de Jesus Cristo, no Cemitério Santo Antônio, localizado na Vila Santa Dorotheia.

Uma pessoa da família Korndorfer chegou na segunda-feira (20) para visitar o túmulo de um familiar e percebeu que a escultura havia sido arrancada do local para poder ser levada nos próximos dias. 

Segundo o membro da família, a escultura em bronze custa em torno de R$ 20 mil a R$ 30 mil e foi colocada “deitada” em cima do túmulo.

“É o túmulo de um primo meu. A estátua já estava preparada para ser levada embora, estava arrancada e colocaram deitada. Eu acredito que nos próximos três dias eles levem”, destacou uma pessoa que preferiu se identificar apenas como Luiz.

Ele ainda citou que a família Barbosa, da qual também faz parte, teve itens de bronze roubados.

“Está sendo furtado tudo o que é de bronze, peças que tinham granito. A pessoa que cuida do túmulo entrou em contato, pois estavam arrebentando um vaso de bronze. O muro é baixo, então as pessoas entram tranquilamente”, contou.

De acordo com o encarregado pelo cemitério, Michael Wender, de 32 anos, são dois grupos distintos que praticam vandalismo e furtos.

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Segundo Wender, um grupo quebra capelas e leva itens metálicos e esquadrias, quanto ao outro, há indícios de ser uma quadrilha especializada.

“Enquanto uns vêm para furtar metal para vender para comprar droga, por exemplo, outros vêm atrás de esculturas maiores – há indícios de que se trata de uma quadrilha especializada”, relatou.

Ainda conforme o funcionário do cemitério, desde 2018 até 2021, ocorreram mais de 50 furtos. Somente em 2021, no mínimo, foram 15, com aproximadamente quatro estátuas roubadas.

Quando casos como esse ocorrerem e a família tiver ciência, é preciso acionar a Guarda Civil Metropolitana (GCM) ou até mesmo ir até a polícia para solicitar um boletim de atendimento.

TRÁFICO

No cemitério Santo Amaro não tem sido diferente. Além dos furtos, também existem casos de pessoas usando drogas. No dia 1º, um homem foi preso com um quilo de cocaína e um quilo de maconha.

Segundo o delegado Giuliano Biacio, da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), o homem continua preso. 

O suspeito foi identificado por meio de denúncias de roubo. “Ele alegou que a droga não era dele e que estaria guardando para um terceiro”. O rapaz foi preso em flagrante.

Além do tráfico, o uso de drogas também é comum nos cemitérios. 

“Os usuários que vêm aqui são moradores de rua e acabam entrando para fumar. A gente deduz que sejam usuário de droga, pois vemos cigarros e cachimbos no chão. Os furtos também ocorrem, tanto em capelas antigas como nas mais novas. Roubam placas de bronze e metal”, disse um funcionário, que preferiu não se identificar.

Em um vídeo enviado ao Correio do Estado, um homem foi encontrado deitado fumando dentro de uma cova.

Um suposto funcionário do cemitério questiona: “Está só fumando ou está usando droga também, fera?”, perguntou.

De dentro da cova, o homem responde que está “fumando”.

Situações como essa também têm sido vistas por moradores próximos do local. 

“Várias vezes já vi pessoas pulando muro, homem sentado no muro e subindo cheiro de maconha, pessoas saindo com mochila suspeita. Dá até medo”, pontuou uma moradora, que também não quis ter o nome revelado.

SEGURANÇA

Para Michael, do Cemitério Santo Antônio, falta mais segurança por parte da GCM.

“Com certeza falta apoio da Guarda Municipal. Quando eles vêm e ficam de plantão após uma denúncia, esses furtos caem bastante”, relatou.

Em resposta, a GCM diz que as fiscalizações ocorrem com rondas e também por pontos-base, ficando fixos em um determinado local. 

A fiscalização fixa no cemitério não ocorre em função da falta de estrutura, como uma guarita para poder abrigar os guardas durante o expediente.

A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) tem como projeto instalar câmeras nos cemitérios, mas depende da viabilização de recursos para que o esboço saia do papel.

Das 7h às 17h, a gestão dos cemitérios fica sob os cuidados da Sisep. À noite e de madrugada, quem toma conta é a Guarda Civil Metropolitana.

Fiscalização se intensifica perto do Dia de Finados

A Guarda Civil Metropolitana (GCM) informou que vai intensificar as rondas perto do Dia de Finados, em 2 de novembro. 

O motivo é que a data traz a movimentação de muitas pessoas, além disso, muito mais itens são recebidos nos túmulos, o que pode contribuir para novos furtos.

Conforme a GCM, a operação começa uma semana antes e termina uma semana depois, sendo usado patrulhamento aéreo com drone, além da presença de mais servidores para poder fazer a prevenção a furtos e roubos e a segurança do local e da região.

Os encarregados dos cemitérios pedem para que, em caso de alguém avistado em atitude suspeita nesses locais, a população entre em contato com a Guarda Civil Metropolitana, pelo número 153.

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SEGURANÇA PÚBLICA

Nova lei endurece punição para furto e fraude online; veja o que muda

Sancionada pelo presidente Lula, norma altera o Código Penal, aumenta punições e cria novos tipos de crime ligados a fraudes eletrônicas e receptação de animais

04/05/2026 12h00

Nova lei endurece penas para furto, roubo e golpes digitais, com foco em crimes cada vez mais comuns no país

Nova lei endurece penas para furto, roubo e golpes digitais, com foco em crimes cada vez mais comuns no país Freepik

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Entrou em vigor nesta segunda-feira (04) a Lei nº 15.397/2026, que promove mudanças significativas no Código Penal brasileiro ao endurecer penas para crimes patrimoniais e atualizar a legislação diante do avanço das fraudes digitais. A norma foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já passa a valer em todo o país.

Entre as principais mudanças está o aumento das penas para crimes como furto, roubo, estelionato e receptação, além da criação de novos tipos penais voltados à realidade atual, como a fraude bancária e a receptação de animal doméstico.

No caso do furto, a pena base passa a ser de um a seis anos de reclusão, podendo chegar a até 10 anos em situações consideradas mais graves. Isso inclui, por exemplo, o furto de celulares, computadores, veículos levados para outros estados ou países e até animais domésticos. A legislação também prevê punições mais severas para furtos cometidos com uso de tecnologia, como golpes aplicados por meio de dispositivos eletrônicos ou internet.

Já no crime de roubo, a pena mínima foi elevada para seis anos, podendo chegar a 12 anos quando a ação comprometer serviços essenciais. A lei também agrava a punição em casos envolvendo subtração de celulares e armas de fogo.

Outra novidade é a tipificação mais clara da chamada “fraude eletrônica”, prática comum em golpes aplicados via redes sociais, ligações telefônicas e e-mails falsos. Nesses casos, a pena pode variar de quatro a oito anos de prisão. A lei também passa a punir quem cede contas bancárias para movimentação de dinheiro oriundo de atividades criminosas, prática conhecida como uso de “conta laranja”.

Além disso, a nova legislação cria o crime específico de receptação de animais, tanto de produção quanto domésticos, 

com pena de três a oito anos de reclusão, e aumenta a punição para quem compra ou comercializa produtos de origem criminosa.

Outro ponto de destaque é o endurecimento das penas para crimes que afetam serviços essenciais, como fornecimento de energia, telefonia e internet. Casos de interrupção ou dano a essas estruturas passam a ter punições mais rigorosas, especialmente quando cometidos em situações de calamidade pública.

Especialistas apontam que a atualização da lei busca responder ao crescimento de crimes digitais e ao aumento de furtos de itens de alto valor e fácil revenda, como celulares. A expectativa é de que o endurecimento das penas também funcione como mecanismo de inibição dessas práticas.

A nova lei já está em vigor desde sua publicação e deve impactar diretamente investigações e julgamentos em andamento, além de orientar futuras ações das forças de segurança e do Judiciário.

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Números alarmantes

MS termina abril a três mortos do pior ano em óbitos por chikungunya

Com sete meses para o fim de 2026, Mato Grosso do Sul já acumula 14 vítimas pela arbovirose transmitida através do mosquito da dengue

04/05/2026 11h32

Diferente da dengue e da zika, Chikungunya costuma ser fatal no intervalo de até três semanas

Diferente da dengue e da zika, Chikungunya costuma ser fatal no intervalo de até três semanas Marcelo Victor/Correio do Estado

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Mato Grosso do Sul fechou abril com um total de 14 óbitos por Chikungunya e outras duas mortes sendo investigadas em decorrência dessa arbovirose, o que faz MS beirar o pior ano da série histórica distante ainda cerca de sete meses para o final de 2026. 

Conforme o boletim epidemiológico elaborado pela Gerência Técnica de Doenças Endêmicas da Secretaria de Estado de Saúde (SES), referente à última semana epidemiológica de abril, Dourados chegou à marca de nove mortes, o que fez o Estado atingir o número de 14 óbitos no intervalo de quatro meses neste ano. 

Sendo 17 mortes o total que marca o pior índice para um período de 12 meses, registrado no ano passado, desde que a doença passou a ser catalogada pela SES em 2015, 2025 já terminou com o maior número de vítimas por Chikungunya em toda a série histórica, acumulando, inclusive, o dobro do total de óbitos da última década.

Pelo documento mais recente da SES, a última morte registrada até então trata-se de um paciente masculino de 28 anos, morador de Dourados, distante aproximadamente 231 quilômetros da Capital. 

Seus primeiros sintomas foram sentidos no domingo de 19 de abril e seu óbito foi registrado no sábado seguinte, 25. Sem nenhuma comorbidade relacionada, a confirmação do óbito como positivo para Chikungunya aconteceu no último dia 29. 

Além dessas 14 vítimas de Chikungunya até o fim de abril em Mato Grosso do Sul, o Estado fechou o quarto mês de 2026 com mais dois óbitos em investigação e 52 gestantes confirmadas com a arboviroses, em um universo de 2.997 registros da arbovirose entre 8.894 casos prováveis.

Chikungunya em MS

Cabe destacar que essa "explosão" dos casos de Chikungunya em 2025 passou a ser observada já desde o início do ano passado, quando até o começo de março do ano passado Mato Grosso do Sul já anotava 2.122 casos prováveis.

Em números, nota-se a dificuldade dos poderes públicos em frear o avanço da doença transmitida pelo vetor também da Dengue e Zika, o Aedes aegypti.

Através do monitoramento das arboviroses em geral, que é feito pelo Ministério da Saúde, os dados mostram que MS atingiu o sétimo óbito por Chikungunya antes do fim do terceiro mês este ano, o que fez com que 2026 fechasse março com a doença sete vezes mais letal, se comparado com o pior ano de toda a série histórica. 

Através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, por exemplo, observa-se que a série histórica começa em 2015 com apenas um óbito registrado naquele ano. Até 2024 a arbovirose iria vitimar um total de apenas oito sul-mato-grossenses.

Com 2016 e 17 passando sem qualquer registro de morte por Chikungunya em Mato Grosso do Sul, a doença só voltou a vitimar um paciente em 2018, ano em que três pessoas morreram em decorrência dessa arbovirose. Porém, nos quatro anos seguintes (de 2019 a 2022) ela voltaria a sumir do radar do sul-mato-grossense.

Em outras palavras, os 14 óbitos dos quatro primeiros meses de 2026 já passam da metade das mortes por Chikungunya da última década no Mato Grosso do Sul, sendo 25 entre 2015 e 2025.

Justamente o tempo que leva desde o primeiro relato dos sintomas até a data do óbito, é o que distingue a Chikungunya da dengue e da zika, por exemplo, pois, diferente das demais, na maior parte das vezes costuma ser fatal no intervalo de até três semanas. 

 

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