A madrugada de frio rigoroso e chuva em Campo Grande, piorou a situação dos asfaltos. Com o acumulado de 21 milímetros de precipitação que atingiu a Capital durante a madrugada de terça para quarta-feira, o Município chega aos 119,3 mm no mês de junho, segundo o meteorologista Natálio Abrahão. Segundo ele, o esperado para o período era de 43,6mm.
Em algumas áreas da Capital, as chuvas foram mais intensas, como nos bairros Santa Fé, na altura do Shopping Campo Grande, e no Carandá Bosque, onde os acumulados registraram 152,2mm.
Em meio a estas constantes chuvas, o caos dos buracos na cidade piorou, como é o caso da rua Delegado Alfredo Hardman, no trecho entre a Jorge Salvador Nessimian e a Jaguar, no bairro Jardim Paulo Coelho Machado. Os carros e motos precisam desviar dos buracos ou passar em baixa velocidade para não danificar os pneus.
Dona Maria, que possui uma conveniência na região, conta que já presenciou inúmeros casos de veículos estragados, devido aos buracos.
"Tem uns quatro, cinco meses que está assim. E não passou a operação tapa-buraco por aqui. O pessoal, às vezes, joga uns sacos de areia ali. Já vi bastante carro quebrado. E com essa chuva piora a situação".
Como precisa abastecer sua conveniência, dona Maria conta que dirige todos os dias para ir ao mercado e acaba passando por cima destes buracos que ficam em frente à sua casa.
"Cada dia o buraco está maior, né? O prejuízo é no bolso do povo, pneu que fura, carro que quebra. Mas vai fazer o que? A cidade inteira está assim", desabafa a senhora. Ela complementa relatando que "o pessoal estava preferindo passar pela estrada de chão, porque pelo menos tem as lagoas, mas não tem os buracos".
Contratos prorrogados
Enquanto a situação dos buracos piora com as chuvas intensas, que atingem Campo Grande desde o fim de semana, a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (SISEP), prorrogou, por mais um ano, dois contratos com a Empresa RR Barros Serviços e Construções Ltda, responsável pelos serviços de manutenção do asfalto na região do Centro e do Prosa. Agora, o vínculo será até 3 de julho de 2027.
Ao todo, apenas nestes dois contratos, já foram gastos R$ 98.328.029,80, sendo R$ 47.406.332,74 destinados a manutenção do asfalto no Centro e R$ 50.921.697,06 para região do Prosa.

Além destes, a RR Barros Serviços e Construções Ltda. tem mais dois contratos com a Prefeitura de Campo Grande. Na última quarta-feira (17), o Município reajustou um dos vínculos em 49% sobre o valor original, apenas quatro meses após a assinatura.
A assinatura ocorreu no dia 5 de janeiro deste ano, pelo valor de R$ 4.832.984,29. Em 17 de junho, o diário oficial de Campo Grande (Diogrande) informou que no dia 28 de abril foi concedido um aditivo e o valor original saltou para R$ 5.786.083,88, representando acréscimo da ordem 19,7%.
Antes disso, porém, em 12 de fevereiro, este mesmo contrato já havia sido corrigido, por apostilamento, em 29,4%, sofrendo um acréscimo superior a R$ 1,4 milhão. Este aumento, conforme o site da transparência da própria prefeitura, foi retroativo a dezembro de 2025.
Mesmo que este acréscimo inicial de R$ 1,4 milhão tenha sido para corrigir a inflação de 2022 para cá, quando teria sido feita a licitação, um segundo reajuse foi concecido quatro meses após o aumento inicial e agora o contrato está em R$ 7.210.847,64.
E, embora ainda faltem mais de seis meses para o término do primeiro ano de vigência, mais de 76% do valor total já foram empenhados, R$ 5.494.763,76 e R$ 3,5 milhões efetivamente pagos à empreiteira para fazer a manutenção do asfalto em bairros como Tijuca, Coophavila, Buriti, Santa Emília e outros da região sudoeste de Campo Grande.
O outro contrato é referente a manutenção do asfalto na região do bandeira, no valor de R$ 6,199 milhões. Este tem prazo até 30 de abril de 2027.

