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Atrasos e ônibus fora do horário rendem derrotas ao Consórcio Guaicurus em Campo Grande

Decisões publicadas nesta sexta-feira mantêm penalidades por atrasos, viagens adiantadas e falta de ônibus articulado; infrações foram registradas em anos anteriores.

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O Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, sofreu uma sequência de derrotas administrativas em processos envolvendo irregularidades na operação dos ônibus da Capital. Entre os problemas reconhecidos estão atrasos, viagens realizadas antes do horário previsto e até a ausência de veículo articulado em tabela na qual esse tipo de ônibus era exigido pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran).

As decisões constam na edição desta sexta-feira (11) do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) e envolvem autos de infração lavrados em anos anteriores, alguns deles ainda em 2019 e 2022, que chegaram agora ao julgamento administrativo de recursos.

Em diferentes processos, a Junta de Análise e Julgamento de Recursos de Transporte decidiu manter as penalidades impostas ao consórcio.

As decisões aparecem em meio a um cenário de reclamações recorrentes de passageiros sobre o transporte coletivo de Campo Grande.

Usuários convivem com queixas relacionadas a atrasos, longos períodos de espera nos pontos, superlotação e dificuldades para cumprir compromissos quando a programação das linhas não é respeitada.

Nesse contexto, sair antes ou depois do horário previsto não representa apenas uma irregularidade administrativa: pode significar mais tempo no ponto e atraso para chegar ao trabalho, à escola, a consultas médicas ou a outros compromissos.

Em um dos casos, referente ao processo nº 31.729/2022-34, a fiscalização apontou atraso no cumprimento do horário estabelecido para uma viagem.

Ao analisar o recurso apresentado pelo Consórcio Guaicurus, a Junta considerou o atraso comprovado e registrou que a empresa não apresentou prova capaz de contrariar os fatos descritos no auto de infração. O recurso foi negado por unanimidade. 

Situação semelhante aparece no processo nº 31.727/2022-17. Também neste caso, o julgamento concluiu pela existência de atraso e manteve a autuação. O recurso apresentado pelo consórcio foi rejeitado por unanimidade. 

Outro processo, de nº 31.726/2022-46, terminou da mesma maneira. A Junta considerou comprovado o atraso, afirmou que o Consórcio Guaicurus não apresentou prova contrária aos fatos registrados pela fiscalização e manteve a penalidade. 

Ônibus saiu antes do horário

As irregularidades, porém, não se restringem aos atrasos. Uma das decisões trata justamente da situação inversa: ônibus que saiu antes do horário.

No processo nº 31.724/2022-11, a Junta considerou comprovado o adiantamento de uma viagem. Conforme o acórdão, o Consórcio Guaicurus também não apresentou prova suficiente para afastar o conteúdo da autuação. O recurso foi rejeitado e a penalidade mantida. 

Um julgamento envolvendo outro auto avançou ainda mais ao estabelecer qual deve ser a tolerância para considerar uma viagem pontual.

O caso envolvia um ônibus que havia partido oito minutos antes do horário previsto. Inicialmente, a autuação havia sido anulada sob o entendimento de que o adiantamento estaria dentro de uma margem de dez minutos. A Agetran recorreu. 

A Junta reformou a decisão. Segundo o entendimento firmado, a tolerância padrão é de cinco minutos quando não existe Ordem de Serviço da Agetran estabelecendo margem superior.

A legislação permite que esse intervalo seja ampliado até dez minutos, mas essa ampliação não ocorre automaticamente.

Dessa forma, atraso ou adiantamento superior a cinco minutos, sem justificativa aceita pela agência, caracteriza viagem não pontual. A autuação foi considerada procedente e a multa restabelecida. 

Na prática, a decisão estabelece um parâmetro importante para a fiscalização do sistema: não basta considerar automaticamente dez minutos como margem de tolerância. Sem determinação específica da Agetran ampliando esse período, prevalecem os cinco minutos.

Falta de ônibus articulado também virou multa

Outro conjunto de decisões envolve o descumprimento das determinações sobre o tipo de veículo que deveria operar determinadas viagens.

No processo nº 55.723/2019-57, a Junta considerou comprovado que o Consórcio Guaicurus deixou de disponibilizar veículo articulado na tabela exigida pela Agetran. O ônibus articulado é aquele de maior capacidade, formado por duas partes interligadas por uma estrutura flexível, popularmente conhecida como “sanfona”, que permite transportar mais passageiros.

Para os julgadores, a ausência desse tipo de veículo na operação programada configurou infração à Lei Municipal nº 4.584/2007. O recurso do consórcio foi negado por unanimidade.

A mesma irregularidade aparece no processo nº 58.655/2019-13. Novamente, a ausência de ônibus articulado na tabela determinada pela agência foi considerada comprovada e suficiente para manter a penalidade administrativa. 

Argumentos sobre trânsito não afastaram responsabilidade

Em outros julgamentos, a Junta também endureceu o entendimento sobre as justificativas apresentadas para o descumprimento dos horários.

Em um dos processos, os julgadores afirmaram que alegações genéricas relacionadas a congestionamentos, ausência de faixas exclusivas ou falhas sistêmicas não afastam a responsabilidade do prestador do serviço público. O entendimento foi utilizado para manter uma multa por descumprimento de horário. 

Em outro caso, além dessas justificativas, aparecem alegações relacionadas a obras. A Junta entendeu novamente que os argumentos apresentados não foram suficientes para descaracterizar a infração e negou o recurso. 

As decisões publicadas agora reforçam, portanto, uma série de autuações contra a concessionária responsável pelo transporte coletivo da Capital.

Embora os processos tenham origem em infrações registradas em anos anteriores, os julgamentos mantêm penalidades por problemas diretamente ligados à prestação do serviço ao passageiro, como pontualidade e cumprimento da programação determinada pelo poder público.

 

Maus-Tratos

Ex-vereadora de Água Clara é denunciada após simular matar pintinho; veja o vídeo

Simone Chucra aparece segurando o animal e levando-o à boca durante "brincadeira"

11/09/2026 17h45

Suspeita é ex-vereadora do Município de Água Clara

Suspeita é ex-vereadora do Município de Água Clara Divulgação: Governo Federal

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A ex-vereadora da cidade de Água Clara, Simone Chucra, foi denunciada após a publicação de um vídeo nas redes sociais em que aparece segurando um pintinho e simulando que arrancaria a cabeça do animal. A gravação repercutiu nas redes e levou um delegado da Polícia Civil de São Paulo, que atua em defesa da causa animal, a comunicar o caso às autoridades.

Nas imagens, Simone segura o pintinho nas mãos, aproxima o animal da boca e faz o movimento como se fosse arrancar sua cabeça. A situação é apresentada em tom de brincadeira, mas provocou críticas nas redes sociais diante da possibilidade de o comportamento configurar maus-tratos.

Ao comentar a gravação, o delegado classificou a atitude como grave e afirmou ter procurado autoridades de Água Clara para que o caso seja analisado.

A denúncia deverá ser avaliada pelos órgãos competentes, que poderão verificar as circunstâncias da gravação e se houve efetivamente maus-tratos contra o animal. Até o momento, não há informação de que o pintinho tenha sido ferido ou morto durante a gravação.

Simone Chucra foi vereadora de Água Clara e chegou a ser lançada como pré-candidata a deputada estadual pelo MDB em 2022. No período, ela era apresentada como uma das representantes políticas da região do Bolsão.

O vídeo que motivou a denúncia foi publicado nas redes sociais e passou a circular após a manifestação do delegado.

Mudança no Comando

Vice-presidente assume Santa Casa de Campo Grande após prisão de presidente

Heitor Scheibeler passa a comandar o maior hospital de Mato Grosso do Sul após operação prender Alir Terra Lima e outros integrantes da cúpula administrativa.

11/09/2026 17h25

Heitor Miguel Scheibeler, vice-presidente da Santa Casa de Campo Grande, passa à linha de frente da instituição após operação atingir a cúpula administrativa.

Heitor Miguel Scheibeler, vice-presidente da Santa Casa de Campo Grande, passa à linha de frente da instituição após operação atingir a cúpula administrativa. Foto: Divulgação/Santa Casa.

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A prisão da presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, e de dois integrantes da cúpula administrativa do hospital provoca uma mudança no comando da maior unidade hospitalar de Mato Grosso do Sul. Vice-presidente da instituição, Heitor Heitor Miguel Scheibeler passa a ocupar a linha de frente de administração em meio à Operação Antidotum, deflagrada nesta sexta-feira (11) para investigar supostas fraudes milionárias em contratos da entidade.

Além de Alir, segundo apuração do Correio do Estado, foram presos Alessandro Dias Junqueira e Rinaldo Halme Romano, diretores administrativo e financeiro, respectivamenete.

Também estão entre os presos Paulo Duarte Cruz, Beatriz Lemes da Silva, diretora do plano de saúde da Santa Casa, e Monique Gregório, responsável pelos serviços de digitalização de prontuários. Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva.

Com parte da alta administração atingida simultaneamente pela operação, Heitor ganha protagonismo na condução da Santa Casa justamente no momento em que a instituição enfrenta uma das maiores crises administrativas recentes.

A investigação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) apura irregularidades em pelo menos dois núcleos de contratos.

O prejuízo identificado até o momento chega a R$ 4,9 milhões, mas o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ressalta que o valor total ainda está sendo apurado.

Um dos contratos investigados previa o pagamento de R$ 5,4 milhões ao longo de três anos para digitalização de prontuários. Segundo o MPMS, somente no primeiro ano teriam sido desviados R$ 1,4 milhão, por meio de pagamentos sem a correspondente prestação dos serviços.

Outra frente envolve contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde com empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico.

Somente em 2025, aproximadamente R$ 9,6 milhões teriam sido pagos a essas empresas, provocando, segundo a investigação, prejuízo mínimo de R$ 3,5 milhões à instituição.

O MPMS afirma ainda que contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido sistematicamente ocultados de órgãos de controle, entre eles o Conselho Fiscal da própria Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

As suspeitas seguem sob investigação, e as prisões preventivas não representam condenação.

Comando em meio à crise

A entrada de Heitor na linha de frente ocorre, portanto, em circunstâncias diferentes de uma troca administrativa convencional. De uma só vez, a operação alcançou a presidente e os diretores administrativo e financeiro do hospital.

O cenário aumenta a responsabilidade sobre o vice-presidente para garantir a continuidade administrativa de uma instituição que mantém serviços de alta complexidade e ocupa posição estratégica na rede pública de saúde de Mato Grosso do Sul.

Apesar da operação desta sexta-feira, os atendimentos aos pacientes agendados e às pessoas já internadas foram mantidos normalmente, segundo informações divulgadas pela instituição.

A mudança ocorre ainda no momento em que uma ação civil pública pede à Justiça uma intervenção temporária na Santa Casa, com a nomeação de administrador provisório ou junta interventiva pelo período inicial de 180 dias.

O pedido também prevê afastamento temporário da presidente e da diretoria financeira dos poderes de gestão. Até o momento, trata-se de um pedido submetido à Justiça.

Quem é Heitor Scheibeler

A chegada de Heitor Miguel Scheibeler à linha de frente da Santa Casa de Campo Grande não ocorre por acaso. O atual vice-presidente percorreu diferentes postos da administração do hospital nos últimos anos e integra a cúpula da instituição desde, pelo menos, 2020.

Naquele ano, registros da própria Santa Casa já apresentavam Heitor como diretor-secretário adjunto. Dois anos depois, em fevereiro de 2022, ele aparecia como secretário da instituição durante a gestão de Heitor Rodrigues Freire, então presidente do hospital.

A permanência na administração continuou com a mudança de comando ocorrida em 2023. Quando Alir Terra Lima assumiu a presidência da Santa Casa pela primeira vez, Heitor foi empossado como diretor-secretário para o triênio 2023-2025.

Ele permaneceu próximo ao núcleo decisório da instituição durante todo o primeiro mandato de Alir. Em novembro de 2025, quando a chapa “Por Amor à Santa Casa” foi reeleita para mais três anos, Heitor esteve entre os nove nomes eleitos para o Conselho de Administração e voltou a ser escolhido diretor-secretário.

A nova diretoria tomou posse em 2 de janeiro deste ano. Naquele momento, a presidência permaneceu com Alir, enquanto Jary de Carvalho e Castro assumiu novamente a vice-presidência e Heitor iniciou mais um mandato como diretor-secretário.

A configuração, porém, durou menos de três semanas. Em 20 de janeiro, Jary renunciou à vice-presidência alegando motivos particulares e a intenção de voltar a se dedicar exclusivamente às atividades profissionais. Já naquele momento, Heitor era apontado como o provável nome para ocupar a vaga.

A substituição se concretizou e, atualmente, a própria Santa Casa apresenta Heitor Miguel Scheibeler oficialmente como vice-presidente da Diretoria Corporativa. Ele também integra o Conselho de Administração da entidade.

A trajetória colocou Heitor na linha sucessória justamente no momento mais delicado da atual gestão.

Nesta sexta-feira (11), a Operação Antidotum atingiu diretamente parte da cúpula administrativa da Santa Casa, com as prisões da presidente Alir Terra Lima e dos diretores administrativo e financeiro, Alessandro Dias Junqueira e Rinaldo Halme Romano.

Com a presidente e outros integrantes da administração presos preventivamente, Heitor passa de um cargo que assumiu há poucos meses para o centro das decisões envolvendo o maior hospital de Mato Grosso do Sul.

De primeira mulher na presidência à prisão em operação

Advogada, Alir Terra Lima chegou ao comando da Santa Casa de Campo Grande cercada de simbolismo. Eleita em novembro de 2022, tornou-se a primeira mulher a assumir a presidência da instituição em mais de um século de história.

Sua chapa, “Por Amor à Santa Casa”, recebeu 49 votos, contra 39 da concorrente, e ela tomou posse em 2 de janeiro de 2023.

Heitor Miguel Scheibeler, vice-presidente da Santa Casa de Campo Grande, passa à linha de frente da instituição após operação atingir a cúpula administrativa.
Alir Terra Lima estava à frente da Santa Casa de Campo Grande desde 2023 e foi presa preventivamente durante operação nesta sexta-feira (11). Foto: Divulgação/Santa Casa.

Alir permaneceu à frente do maior hospital de Mato Grosso do Sul durante todo o triênio 2023-2025 e conseguiu renovar o mandato.

Em novembro do ano passado, foi reeleita para comandar a instituição por mais três anos. Desta vez, a chapa foi única e recebeu os votos dos 55 associados que participaram da eleição.

O segundo mandato começou oficialmente em 2 de janeiro deste ano, quando Alir tomou posse para a gestão 2026-2028. Na ocasião, afirmou que a administração pretendia investir no plano de saúde e na Escola de Saúde da instituição, além de buscar o fortalecimento financeiro e da formação profissional.

Pouco mais de oito meses depois da nova posse, a trajetória à frente da Santa Casa sofreu uma ruptura. Nesta sexta-feira (11), Alir foi presa preventivamente durante operação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga supostas fraudes em contratos ligados à instituição. 

As suspeitas ainda são investigadas e a prisão preventiva não representa condenação.

 

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