Cidades

BOSQUE DOS IPÊS

COP15 não deverá alterar funcionamento de shopping

Mesmo sediando conferência internacional dentro do complexo, shopping mantém horários normais durante evento em Campo Grande

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Mesmo sendo sede da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), o Shopping Bosque dos Ipês manterá o funcionamento normal durante o evento, que ocorre entre os dias 23 e 29 de março, em Campo Grande.

A conferência será realizada no Bosque Expo, espaço de eventos localizado dentro do próprio complexo do shopping. Ainda assim, segundo o empreendimento, não haverá alterações nos horários de atendimento ao público. As lojas e serviços seguem funcionando de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos, das 10h às 21h.

A COP15 deve movimentar Campo Grande ao longo da próxima semana, com a chegada de delegações internacionais, especialistas e autoridades. Diante disso, o Governo de Mato Grosso do Sul, em conjunto com a Polícia Federal, estruturou um esquema especial de segurança para atender à demanda ampliada.

Entre as ações, está a formação de um núcleo com 23 policiais militares voltado ao policiamento turístico. Os agentes receberam treinamento específico para atendimento a visitantes, mediação de conflitos e atuação em eventos internacionais, incluindo comunicação com estrangeiros.

O plano integrado, elaborado desde julho de 2025, prevê reforço no policiamento ostensivo, fiscalização, monitoramento e patrulhamento aéreo. As operações serão coordenadas pelo Gabinete de Ações Integradas, instalado no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), reunindo diferentes forças de segurança, inteligência e trânsito.

Outro destaque é a oferta de atendimento bilíngue nas estruturas de segurança pública. O suporte em inglês e espanhol estará disponível nos principais canais de emergência, como os atendimentos via 190 e 193, além de unidades da Polícia Civil, incluindo equipes posicionadas na área oficial do evento e na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista (Decat).

A estrutura da cidade também foi preparada para receber o aumento no fluxo de passageiros. No Aeroporto Internacional de Campo Grande, a expectativa é de 229 operações aéreas e mais de 42 mil assentos ofertados durante o período da conferência.

A administradora do terminal, Aena, informou que haverá reforço nas equipes operacionais e de atendimento, especialmente nos horários de maior movimento. O aeroporto também passou por melhorias recentes, como ampliação de espaços, nova sala de embarque doméstico remoto e modernização de áreas de restituição de bagagens.

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DISPENSA

Delegacia Civil dispensa policiais vira-casacas de Operação Iscariotes

Edivaldo Quevedo já havia sido detido em 2024 por contrabando e Célio Rodrigues foi alvo de outras duas operações nos últimos 6 anos

20/03/2026 11h30

Operação da PF e Receita Federal que apreendeu mercadorias no Camelódromo tem envolvimento de dois policiais

Operação da PF e Receita Federal que apreendeu mercadorias no Camelódromo tem envolvimento de dois policiais Marcelo Victor / Correio do Estado

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Após atingir a quantidade de vezes que precisa para pedir música por algum feito, o agora ex-policia civil Célio Rodrigues Monteiro foi dispensado da suas atividades na Polícia Civil. O suspeito envolvido na Operação Iscariotes, deflagrada na última quarta-feira (18), já esteve envolvido em outras duas operações.

Por meio do Diário Oficial do Estado (DOE) desta sexta-feira, o Delegado-Geral Lupersio Degerone Lucio dispensou o investigador Célio Rodrigues, que atuava em Sidrolândia, no interior de Mato Grosso do Sul.

Além dele, o outro investigador envolvido no esquema, Edivaldo Quevedo da Fonseca, também foi dispensado. Ele estava na reserva e já havia sido detido em dezembro de 2024 pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Na época, ele estava com o carro cheio de mercadorias do Paraguai sem nenhuma documentação.

Mesmo após a prisão, Edivaldo, que estava vinculado à 5ª Delegacia de Polícia Civil, recebeu liberdade em 2025, e assumiu o compromisso de comparecer à Justiça Federal, confirmar endereço fixo e informar o local de trabalho. Antes de ser dispensado ele recebia o salário de R$ 14,6 mil por mês.

No entanto, Célio já foi flagrado duas vezes em outras operações. A primeira foi em 2020, quando foi um dos alvos da terceira fase da Operação Omertà, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), por participação em lavagem de dinheiro.

Em 2023, a Justiça o absolveu, junto a Márcio Rios do crime de lavagem de dinheiro.

Então, durante a Operação Snow, foi alvo novamente de busca e apreensão do Gaeco em 2024. A investigação apurava um esquema de tráfico de cocaína com participação de agentes de segurança pública, e Célio teria sido flagrado em uma das conversas com traficantes. Entretanto, em nenhuma dessas operações o policial foi condenado.

Ainda neste ano, em janeiro, Célio recebeu progressão de carreira, e com o cargo de Investigador de Polícia judiciária ele atingiu o nível cinco da carreira. Até o mês passado, o salário dele era de R$ 14,1 mil.

Agora, em mais uma vez como alvo de investigação e de novo preso, o policial é suspeito de integrar organização criminosa que atua na prática de contrabando, descaminho, lavagem de capitais e outros crimes.

De acordo com a Polícia Federal, a investigação apurou que os policiais atuavam desde o “fornecimento e monitoramento de informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais até o transporte físico das mercadorias, com aparente utilização da função pública para favorecer a atuação do grupo”.

“No curso da investigação, foram realizados diversos flagrantes, inclusive envolvendo a atuação direta de policiais”, diz nota da Polícia Federal.

Operação Iscariotes

Conforme acompanhou o Correio do Estado, a Operação deflagrada na manhã da quarta-feira (18), que interditou o entorno do Camelódromo de Campo Grande, revelou a participação de agentes de segurança pública que facilitavam a entrada de mercadorias contrabandeadas no Estado.

A Operação Iscariotes é um desdobramento que ocorre simultaneamente em outras capitais e investiga crimes de descaminho, lavagem de capitais, corrupção passiva, violação de sigilo e outros ilícitos relacionados ao sistema financeiro nacional.

A ação ocorre após investigação que indicou a atuação estruturada de um grupo criminoso especializado em facilitar a entrada de grande quantidade de eletrônicos de alto valor agregado por meio de um esquema de importação fraudulenta.

Ainda conforme o levantamento, o grupo trazia as mercadorias sem qualquer documentação ou regularização necessária para o controle aduaneiro.

Após a entrada irregular no país, os produtos eram distribuídos em Campo Grande e o restante seguia para outras unidades da federação, tendo como principal destino Minas Gerais (MG), em entregas fracionadas misturadas a outras cargas ilícitas.

O trabalho de inteligência revelou que o grupo utilizava veículos modificados com compartimentos ocultos para ludibriar fiscalizações e facilitar o transporte e a distribuição das mercadorias ilícitas.

Também foram identificadas diversas condutas voltadas à ocultação e à dissimulação da origem criminosa dos valores obtidos com a atividade ilegal.

Participam da ação a Polícia Federal e a Receita Federal, por intermédio da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Mato Grosso do Sul (Delefaz/MS), com apoio da Receita Federal do Brasil.

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DECISÃO JUDICIAL

Ex-juiz volta a ser condenado e terá de devolver R$ 1,3 milhão

Parte do valor, referente ao pagamento irregular de precatórios, será paga pelo magistrado aposentado compulsoriamente, e o restante, pelos outros três réus

20/03/2026 11h22

Imagem Divulgação

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A 31ª Promotoria de Justiça de Campo Grande obteve a condenação de agentes públicos e particulares, incluindo o juiz aposentado compulsoriamente Aldo Ferreira da Silva Júnior, ao ressarcimento ao município por desvio de recursos do erário.

A sentença foi publicada nesta quinta-feira (19) no Diário da Justiça Eletrônico e julgou procedentes os pedidos formulados na ação civil de improbidade administrativa, impondo sanções que incluem o ressarcimento integral dos valores desviados, multa civil, perda da função pública e suspensão dos direitos políticos.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri, apurou a conduta dos réus, que envolvia o recebimento ilícito de precatórios.

Diante disso, o MPMS garantiu a responsabilização dos envolvidos, cuja conduta resultou em prejuízo aos cofres do Município de Campo Grande, responsável pelo pagamento.

Com base nas provas apresentadas, a Justiça condenou o juiz aposentado Aldo ao ressarcimento integral do dano ao erário no valor de R$ 274.000,00, ao pagamento de multa civil no mesmo valor, à perda da função pública, à suspensão dos direitos políticos por 10 anos e à proibição de contratar com o poder público pelo mesmo período.

Os réus Idelfonso Lucas Gessi e André Scaff Raffi também foram condenados ao pagamento de multa civil de R$ 274.000,00, à suspensão dos direitos políticos pelo prazo de oito anos e à proibição de contratar com o poder público pelo mesmo período.

Também foi condenada a empresa Raffi Raffi Veículos Ltda. ao pagamento de multa civil no valor de R$ 274.000,00.

A decisão determina que todos os valores devidos a título de ressarcimento e multa sejam corrigidos pela taxa Selic, com incidência a partir de fevereiro de 2014, data em que ocorreu o primeiro repasse irregular identificado nas investigações.

O pagamento será revertido ao Município de Campo Grande, ente público prejudicado pelas movimentações financeiras ilícitas discutidas no processo.

Longo histórico

Aldo Ferreira foi aposentado compulsoriamente em fevereiro de 2022, mas já estava afastado das funções desde novembro de 2018. Ele foi condenado em dois processos administrativos pelo Tribunal de Justiça.

Em sua ficha, já foi citado em investigações sobre corrupção e suspeita de participação em um esquema de venda de sentenças judiciais. A denúncia na época mostrou que o juiz montou um grupo para cometer diversos crimes nas Varas onde atuava desde 2012. 

Mesmo depois que passaram a ser investigados pela Corregedoria do Tribunal de Justiça, o grupo continuava a praticar ingerências e ameaçar testemunhas do caso. Em 2014, Aldo foi afastado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) do cargo de juiz auxiliar da vice-presidência do Tribunal de Justiça para investigações no pagamento irregular de precatórios.

Segundo o Ministério Público, o juiz utilizou as varas onde trabalhou como “balcão de negócio” para enriquecer e ocultar o dinheiro que conseguia em revendas de carros e no mundo do agronegócio. Tanto na Vara de Sucessões quanto na Vice-Presidência do TJ-MS, onde atuava nos precatórios, o juiz aplicava diversas medidas para benefício próprio.

Para isto, utilizou os talentos do advogado Wilson Tavares de Lima e de Jesus Silva Dias, que já foi condenado por tráfico e fingia ser gerente de fazenda em Rochedo. O trio teria atuado para evitar que uma antiga condenação de Jesus o fizesse cumprir pena em Minas Gerais e trataram de encontrar sua “salvação” falsificando documentos para comprovar que ele era funcionário da fazenda.

Os talentos de Wilson e Jesus, conhecido como o “homem de confiança do Aldo”, se juntaram ao garagista Pedro André Scaff, cujas lojas de revendas de carros utilizavam cheques assinados pelo juiz para manter o fluxo de caixa. De 2013 a 2018, o juiz teria recebido da garagem o valor de R$ 709 mil reais. Já da empresa de Wilson, o escritório de advocacia, o valor total foi de R$ 1,3 milhão.

Em um dos pontos da denúncia, um empresário conta ao Gaeco que vendeu um imóvel ao juiz por cerca de R$ 900 mil e recebeu “metade em dinheiro, metade em carros”.

Em outubro de 2019, Aldo também foi alvo da Operação Espada da Justiça, onde o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado encontrou diversos cheques do até então juiz na casa do garagista Pedro Scaff.

Os cheques continham anotações como “Jesus vai pagar”, “troca para Jesus”, “Civic Jesus”, provando que Jesus era o tesoureiro do grupo, ao mesmo tempo em que dizia para a Justiça que trabalhava em tempo integral como gerente de fazenda em Rochedo.

A dupla Wilson e Jesus também entrava em contato com advogados e herdeiros para oferecer vantagens nos processos que corriam na Vara de Sucessão da Capital. O procedimento era tamanho, que se ofereciam fazendas de outros inventários para compra e venda de terceiros envolvidos em outras ações. 

Esposa também fez parte de escândalos

A esposa do juiz, a advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva (também denunciada), foi investigada em outro inquérito. Embora a aposentadoria compulsória não tenha relação direta com a condenação que havia sido imposta à esposa, o fato de ela ter sido presa em 2018 por, supostamente, ter dado um golpe de R$ 5,3 milhões a um aposentado do Rio de Janeiro, foi fundamental para levar o Tribunal de Justiça a “demitir” o magistrado

Na época da prisão, em julho de 2018, a advogada e outros três envolvidos teriam descoberto que o aposentado Salvador José Monteiro de Barros, residente em Petrópolis, no Rio de Janeiro, tinha R$ 6 milhões em uma conta bancária da Caixa Econômica Federal.

Com essa informação, forjaram documentos simulando a confissão de uma dívida por conta da negociação da Fazenda Campo Limpo, em Tangará da Serra, no Mato Grosso. E com estes documentos, convenceram um juiz de Campo Grande a liberar dinheiro. Eles chegaram a sacar R$ 5.317.003,95. Depois da descoberta do golpe, a maior parte do dinheiro foi devolvida.

Apesar da devolução, em decisão unânime do Tribunal de Justiça, a advogada foi condenada por “estelionato judiciário”. Mas em janeiro de 2024, foi absolvida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em seguida, no mês de outubro do mesmo ano, foi investigada no esquema de venda de sentenças, por “arrastar” filhos de desembargadores para o crime. 

Emmanuelle foi acusada de usar documentos falsificados, que iam desde notas promissórias sem validade e, inclusive, termo de confissão de dívida. 

Conforme apuração nacional, o intuito da advogada envolvida mais recente no bolo da “Ultima Ratio”, era dar entrada em um processo alegando que um suposto cliente não tinha recebido o dinheiro da venda de uma fazenda ao aposentado.

No entanto, ela foi beneficiada por uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que anulou sua condenação ao cravar que não existe o crime de "estelionato judiciário".

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