Cidades

DECISÃO JUDICIAL

Ex-juiz volta a ser condenado e terá de devolver mais de R$ 500 mil

Parte do valor, referente ao pagamento irregular de precatórios, será paga pelo magistrado aposentado compulsoriamente, e o restante, pelos outros três réus

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A 31ª Promotoria de Justiça de Campo Grande obteve a condenação de agentes públicos e particulares, incluindo o juiz aposentado compulsoriamente Aldo Ferreira da Silva Júnior, ao ressarcimento ao município por desvio de recursos do erário.

A sentença foi publicada nesta quinta-feira (19) no Diário da Justiça Eletrônico e julgou procedentes os pedidos formulados na ação civil de improbidade administrativa, impondo sanções que incluem o ressarcimento integral dos valores desviados, multa civil, perda da função pública e suspensão dos direitos políticos.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri, apurou a conduta dos réus, que envolvia o recebimento ilícito de precatórios.

Diante disso, o MPMS garantiu a responsabilização dos envolvidos, cuja conduta resultou em prejuízo aos cofres do Município de Campo Grande, responsável pelo pagamento.

Com base nas provas apresentadas, a Justiça condenou o juiz aposentado Aldo ao ressarcimento integral do dano ao erário no valor de R$ 274.000,00, ao pagamento de multa civil no mesmo valor, à perda da função pública, à suspensão dos direitos políticos por 10 anos e à proibição de contratar com o poder público pelo mesmo período.

Os réus Idelfonso Lucas Gessi e André Scaff Raffi também foram condenados ao pagamento de multa civil de R$ 274.000,00, à suspensão dos direitos políticos pelo prazo de oito anos e à proibição de contratar com o poder público pelo mesmo período.

Também foi condenada a empresa Raffi Raffi Veículos Ltda. ao pagamento de multa civil no valor de R$ 274.000,00.

A decisão determina que todos os valores devidos a título de ressarcimento e multa sejam corrigidos pela taxa Selic, com incidência a partir de fevereiro de 2014, data em que ocorreu o primeiro repasse irregular identificado nas investigações.

O pagamento será revertido ao Município de Campo Grande, ente público prejudicado pelas movimentações financeiras ilícitas discutidas no processo.

Longo histórico

Aldo Ferreira foi aposentado compulsoriamente em fevereiro de 2022, mas já estava afastado das funções desde novembro de 2018. Ele foi condenado em dois processos administrativos pelo Tribunal de Justiça.

Em sua ficha, já foi citado em investigações sobre corrupção e suspeita de participação em um esquema de venda de sentenças judiciais. A denúncia na época mostrou que o juiz montou um grupo para cometer diversos crimes nas Varas onde atuava desde 2012. 

Mesmo depois que passaram a ser investigados pela Corregedoria do Tribunal de Justiça, o grupo continuava a praticar ingerências e ameaçar testemunhas do caso. Em 2014, Aldo foi afastado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) do cargo de juiz auxiliar da vice-presidência do Tribunal de Justiça para investigações no pagamento irregular de precatórios.

Segundo o Ministério Público, o juiz utilizou as varas onde trabalhou como “balcão de negócio” para enriquecer e ocultar o dinheiro que conseguia em revendas de carros e no mundo do agronegócio. Tanto na Vara de Sucessões quanto na Vice-Presidência do TJ-MS, onde atuava nos precatórios, o juiz aplicava diversas medidas para benefício próprio.

Para isto, utilizou os talentos do advogado Wilson Tavares de Lima e de Jesus Silva Dias, que já foi condenado por tráfico e fingia ser gerente de fazenda em Rochedo. O trio teria atuado para evitar que uma antiga condenação de Jesus o fizesse cumprir pena em Minas Gerais e trataram de encontrar sua “salvação” falsificando documentos para comprovar que ele era funcionário da fazenda.

Os talentos de Wilson e Jesus, conhecido como o “homem de confiança do Aldo”, se juntaram ao garagista Pedro André Scaff, cujas lojas de revendas de carros utilizavam cheques assinados pelo juiz para manter o fluxo de caixa. De 2013 a 2018, o juiz teria recebido da garagem o valor de R$ 709 mil reais. Já da empresa de Wilson, o escritório de advocacia, o valor total foi de R$ 1,3 milhão.

Em um dos pontos da denúncia, um empresário conta ao Gaeco que vendeu um imóvel ao juiz por cerca de R$ 900 mil e recebeu “metade em dinheiro, metade em carros”.

Em outubro de 2019, Aldo também foi alvo da Operação Espada da Justiça, onde o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado encontrou diversos cheques do até então juiz na casa do garagista Pedro Scaff.

Os cheques continham anotações como “Jesus vai pagar”, “troca para Jesus”, “Civic Jesus”, provando que Jesus era o tesoureiro do grupo, ao mesmo tempo em que dizia para a Justiça que trabalhava em tempo integral como gerente de fazenda em Rochedo.

A dupla Wilson e Jesus também entrava em contato com advogados e herdeiros para oferecer vantagens nos processos que corriam na Vara de Sucessão da Capital. O procedimento era tamanho, que se ofereciam fazendas de outros inventários para compra e venda de terceiros envolvidos em outras ações. 

Esposa também fez parte de escândalos

A esposa do juiz, a advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva (também denunciada), foi investigada em outro inquérito. Embora a aposentadoria compulsória não tenha relação direta com a condenação que havia sido imposta à esposa, o fato de ela ter sido presa em 2018 por, supostamente, ter dado um golpe de R$ 5,3 milhões a um aposentado do Rio de Janeiro, foi fundamental para levar o Tribunal de Justiça a “demitir” o magistrado

Na época da prisão, em julho de 2018, a advogada e outros três envolvidos teriam descoberto que o aposentado Salvador José Monteiro de Barros, residente em Petrópolis, no Rio de Janeiro, tinha R$ 6 milhões em uma conta bancária da Caixa Econômica Federal.

Com essa informação, forjaram documentos simulando a confissão de uma dívida por conta da negociação da Fazenda Campo Limpo, em Tangará da Serra, no Mato Grosso. E com estes documentos, convenceram um juiz de Campo Grande a liberar dinheiro. Eles chegaram a sacar R$ 5.317.003,95. Depois da descoberta do golpe, a maior parte do dinheiro foi devolvida.

Apesar da devolução, em decisão unânime do Tribunal de Justiça, a advogada foi condenada por “estelionato judiciário”. Mas em janeiro de 2024, foi absolvida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em seguida, no mês de outubro do mesmo ano, foi investigada no esquema de venda de sentenças, por “arrastar” filhos de desembargadores para o crime. 

Emmanuelle foi acusada de usar documentos falsificados, que iam desde notas promissórias sem validade e, inclusive, termo de confissão de dívida. 

Conforme apuração nacional, o intuito da advogada envolvida mais recente no bolo da “Ultima Ratio”, era dar entrada em um processo alegando que um suposto cliente não tinha recebido o dinheiro da venda de uma fazenda ao aposentado.

No entanto, ela foi beneficiada por uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que anulou sua condenação ao cravar que não existe o crime de "estelionato judiciário".

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Investimentos

Pacote de R$ 60 milhões prevê policlínica, moradias e obras em Três Lagoas

Governador autoriza novos investimentos em saúde, infraestrutura e habitação; município terá policlínica de R$ 23 milhões e 96 casas populares

22/06/2026 16h28

Foto: Divulgação

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Três Lagoas recebeu, no último sábado (20), um pacote de investimentos superior a R$ 60 milhões destinado a obras de infraestrutura, saúde, saneamento e habitação.

Durante agenda no município, o governador Eduardo Riedel assinou ordens de serviço, autorizou processos licitatórios e entregou empreendimentos que integram a estratégia de ampliação dos serviços públicos e tem a expectativa de melhoria da qualidade de vida.

Entre os principais anúncios está a autorização para licitação da futura Policlínica de Três Lagoas, empreendimento estimado em R$ 23 milhões e que será viabilizado por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A unidade deverá ampliar a oferta de atendimentos especializados e fortalecer a rede regional de saúde.

A agenda também contemplou ações voltadas à infraestrutura urbana. Foram entregues as obras de pavimentação asfáltica nos bairros Vila Haro e Chácara Eldorado, além da ampliação da rede de esgotamento sanitário.

Com os novos investimentos, Três Lagoas alcançara 98% de cobertura de coleta e tratamento de esgoto e 99% de abastecimento de água, índices considerados entre os mais elevados do Estado.

Outro destaque foi a assinatura da ordem de serviço para instalação de climatizadores na Feira Central do município. A intervenção busca melhorar as condições de conforto para comerciantes e consumidores que frequentam diariamente o espaço, um dos principais pontos de comércio popular da cidade.

Moradia

No setor habitacional, o Governo do Estado autorizou a construção de 96 unidades habitacionais no bairro Vila Piloto. O projeto integra a política de ampliação do acesso à moradia e deverá beneficiar famílias em situação de vulnerabilidade social.

Infraestrutura

Também foram autorizadas novas licitações para obras de pavimentação e drenagem em diversos bairros da cidade, entre eles Vila Haro, Vila Popular, Carioca, Vila dos Ferroviários e Vila Maria.

A expectativa é melhorar a mobilidade urbana, reduzir problemas causados por enxurradas e ampliar a infraestrutura em regiões que ainda enfrentam déficits históricos.

Saúde

Na área da saúde, além da futura policlínica, foi formalizado o protocolo de intenções para implantação do serviço de radioterapia no Hospital Nossa Senhora Auxiliadora.

A medida busca ampliar o atendimento oncológico na região, reduzindo a necessidade de deslocamento de pacientes para outros municípios.

Durante a agenda, Eduardo Riedel destacou que os investimentos acompanham o crescimento econômico de Três Lagoas e a necessidade de expansão da infraestrutura pública.

Segundo o governador, a atuação conjunta entre Estado e município tem permitido acelerar projetos considerados estratégicos para o desenvolvimento local.

O prefeito Cassiano Maia afirmou que os aportes estaduais ampliam a capacidade de investimento da administração municipal e permitem direcionar recursos próprios para outras áreas prioritárias.

Segundo ele, a soma dos investimentos anunciados representa um novo ciclo de melhorias para a cidade.


 

CAMPO GRANDE (MS)

Primeira onda de frio do inverno faz prefeitura reabrir abrigo noturno

Marmitas, cobertas e agasalhos serão distribuídos aos moradores de rua

22/06/2026 16h15

População de rua poderá dormir em local quentinho

População de rua poderá dormir em local quentinho DIVULGAÇÃO/PMCG

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Ponto de acolhimento para população de rua está novamente aberto, de terça-feira (23) a quinta-feira (25), no Parque Ayrton Sena, localizado na rua Jornalista Valdir Lago, bairro Aero Racho, em Campo Grande.

Os pets também são bem-vindos. A reabertura ocorre devido a chegada da primeira onda de frio do inverno, com previsão de chuvas, ventos, trovoadas, relâmpagos e baixíssimas temperaturas, que podem chegar aos 11°C.

O abrigo estará de portas abertas a partir das 18 horas, com ambiente aquecido, colchão, coberta, agasalhos, jantar (marmitas), água, alimentação para pets (ração) e atendimento médico humano (aos moradores de rua) e atendimento médico veterinário (aos pets). A Guarda Civil Metropolitana (GCM) faz a segurança do local.

Após o pernoite, os acolhidos serão encaminhados ao Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP), onde terão acesso a café da manhã, almoço e lanche da tarde, além de serviços oferecidos pela Secretaria de Assistência Social (SAS).

Na quinta-feira (25), equipes da Superintendência de Política de Direitos Humanos (SDHU), Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (EMHA) e da Fundação Social do Trabalho (Funsat) realizarão um atendimento integrado no local.

Ao todo, 323 pessoas já foram acolhidas no abrigo, sendo 250 na primeira onda de frio do ano (9, 10 e 11 de maio) e 73 na segunda onda de frio do ano (18 de maio).

Durante as ações, também foram distribuídas 400 marmitas e 280 cobertores, tanto no ponto de apoio quanto durante as abordagens noturnas realizadas pelo Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas).

O ponto de acolhimento pertence a Secretaria de Assistência Social (SAS) - Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG).

FRIO

Inverno começou às 04h24min deste domingo (21 de junho) e terminará às 20h05min de 22 de setembro de 2026.

A primeira onda de frio começa nesta terça-feira (23) e vai até sexta-feira (26). A temperatura mínima pode variar entre 5°C e 12°C em Mato Grosso do Sul.

Onda de frio é um evento climático caracterizado por uma queda significativa na temperatura do ar, que permanece abaixo de um determinado limiar por vários dias consecutivos.

Também é caracterizada pelo arrefecimento do ar, com rápida queda de temperatura em um período de 24 horas. Esse fenômeno pode causar geada, e em alguns locais, até neve.

Normalmente, está associada à irrupção de ar muito frio causada pelo deslocamento de uma massa de ar polar ou de alta latitude para latitudes mais baixas.

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