Cidades

Ônibus

Corredor na Rui Barbosa faz empresários cogitarem a venda de pontos comerciais

A faixa exclusiva para o transporte público passava por reparos na tarde de ontem para ser inaugurada oficialmente hoje

Continue lendo...

No fim da tarde de ontem, reparos estavam sendo feitos na sinalização da Rua Rui Barbosa, onde passará o novo corredor de ônibus de Campo Grande, que será inaugurado hoje, sob protestos de comerciantes instalados na região.

Alguns empresários cogitam até em mudar suas lojas de local, por conta da perda do estacionamento e, consequentemente, de clientes, causada pela obra.

Berocam José Barbosa da Silva, conhecido como Bira, está há 17 anos com seu ponto comercial na via e atualmente cogita vender o espaço por conta da perda de clientes e faturamento.

“Antes de começar essa obra, eu ganhava uma faixa de R$ 3 mil a R$ 4 mil por semana, hoje eu não faturo [esse valor] nem por mês”, relata o empresário, que comenta que chegou a ficar de três a quatro meses sem serviços, por conta das dificuldades de acesso dos clientes à oficina.

“Você imagina aqui, parando três, quatro ônibus. Se você é minha cliente, e você chega, como é que você vai conseguir entrar aqui?”, questiona o empresário, a respeito do local de acesso à sua loja, que fica em frente a uma das novas estações de ônibus.

Bira relata que já deixou de pagar contas de água, luz e internet, porque não tinha condições financeiras.

As dificuldades começaram em janeiro, e o empresário afirma que gostaria de ter tido um auxílio da prefeitura para passar pelas mudanças.

“A gente saiu daquela pandemia, que parou tudo. Quando estava dando uma melhorada, que retomou o fôlego, veio essa obra. Aí essa semana, que eles não estão fechando [a via], apareceu serviço, pouco, mas começou a aparecer cliente, orçamento. Mas está complicado, para eu poder normalizar e acertar esse prejuízo que eu tive vai demorar muito, então eu prefiro vender, sair fora daqui”, comenta comerciante.

Assim como Bira, Oacir Lopes Cavalcante também tem uma oficina na Rui Barbosa e cogita sair do local, após 14 anos do ponto comercial.

“Aqui, como é uma oficina de moto, a gente precisa estacionar moto e onde poderia estacionar [na rua] agora não pode mais, eu não sei como vai ficar”, relata o empresário.

Oacir afirma que é desesperador, pois não sabe onde vai colocar as motocicletas, já que não tem como alugar um espaço maior, por causa das despesas.

“A gente vem acumulando prejuízos desde a reforma dessa via. Uma vez ficou 45 dias trancado aqui, em frente a minha oficina, não passava ninguém. Já viemos de uma pandemia, eu mesmo tive de fazer um empréstimo para manter minhas contas em dia, estou terminando de pagar agora, no terceiro ano depois, e agora mais essa. Eu penso em mudar”, disse o comerciante.

O faturamento da loja de Vanessa Lopes de Souza caiu de 100% para 10%, após o início das obras, em janeiro.

A empresária comenta que não fechou o ponto por conta do investimento feito no prédio, mas cogita a mudança. A loja de Vanessa fica em uma galeria com estacionamento, em frente a uma estação de ônibus.

“Acidente aqui é todos os dias, e mais de um por dia, principalmente em horário de pico. Ficou muito afunilado ali do outro lado [da via, onde não está o ponto de ônibus]. Então o pessoal vem, eles não esperam, e acaba dando engavetamento”, relata a lojista.

Apesar do estacionamento, Vanessa também aponta que, mesmo assim, os clientes não querem parar mais na loja.

“Por mais que a gente tenha o estacionamento, eles [os clientes] acham que não podem entrar na faixa do ônibus para entrar aqui”, exemplifica.

A empresária afirma que ficou todos os dias com a loja aberta, para tentar aumentar as vendas e conseguir pagar as contas, já que teve mês que não teve condições financeiras de quitar o aluguel.

“A gente vai ver como vai ser agora. Não sei se vai ser melhor, se vai ser pior, mas, desde quando começou [a obra], só foi para o pior do pior”, finaliza Vanessa.

A lojista Eliane Hitomi Tutida não cogita uma mudança de local, apesar da perda do estacionamento, vai observar como serão os próximos meses, após a inauguração do corredor de ônibus, para avaliar o impacto da mudança na via, mas afirma que a prefeitura não entrou em contato com os comerciantes para falar sobre o projeto ou auxiliar os empresários.

“Primeiro foi a canalização pluvial, aí depois, quando a gente achou que estivesse tudo prontinho já, eles vieram com a instalação dos pontos de ônibus, mas ninguém falou que ficaríamos sem estacionamento”, comenta.

As reclamações não ficam restritas apenas aos comerciantes da via esquerda da Rui Barbosa, afetados diretamente pelo corredor de ônibus.

Lojistas do lado direito da rua, como o empresário do ramo de tecnologia, que não quis se identificar, também são contra a obra.

“Você nota que 50% do estacionamento de veículos que consumiam nas lojas e no comércio da Rui Barbosa foram perdidos, foram extintos por causa da faixa amarela que pega toda a extensão do lado esquerdo. E, ainda assim, do lado direito, onde tem as ilhas dos pontos de ônibus, as faixas de estacionamento foram extintas para dar lugar ao fluxo de automóveis, e eu observei que o trânsito ficou mais amarrado, mais lento”, relata.

O comerciante afirma que entrou em contato com alguns clientes, e eles comentam que escolheram ir a outros lugares, por conta da dificuldade de estacionar.

OBRA

O corredor passará a funcionar a partir das 5h de hoje, com 152 ônibus de 44 linhas diferentes. Ao todo, são 3,8 km do corredor exclusivo do transporte coletivo, ligação do Terminal Morenão até a Avenida Mato Grosso.

Segundo a prefeitura, serão 986 viagens nos dias úteis. A expectativa é de que o tempo de viagem seja reduzido e, com isso, o tempo de espera dos usuários também diminua. 

Saiba: O percurso no corredor do transporte coletivo começa no Terminal Morenão, segue pelas ruas Chile, Quintino Bocaiúva e Rui Barbosa. Serão cinco estações de embarque.

Assine o Correio do Estado

Condenado

Ex-vereador é condenado a mais de 46 anos por abusar da própria irmã em MS

Crimes ocorreram ao longo de uma década, em Três Lagoas, desde a infância da vítima, e envolveram ameaças, violência e manipulação psicológica

23/04/2026 16h57

Foto: Divulgação

Continue Lendo...

O ex-vereador Wellington Ferreira de Jesus, conhecido como “Cascão”, foi condenado a 46 anos e três meses de prisão pelos crimes de estupro de vulnerável e estupro, cometidos contra a própria irmã, em Três Lagoas. A decisão judicial reconheceu a gravidade e a continuidade dos abusos, ocorridos ao longo de aproximadamente dez anos.

De acordo com denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, os crimes aconteceram entre 2013 e 2023. A vítima tinha apenas 10 anos quando o réu passou a conviver com sua família, estabelecendo uma relação de confiança que, segundo a investigação, foi utilizada para facilitar a prática dos abusos.

Conforme apurado, as violências tiveram início sem conjunção carnal e evoluíram, ao longo do tempo, para estupros cometidos mediante violência e grave ameaça, especialmente durante a adolescência da vítima.

Os crimes ocorreram tanto na residência da família quanto em outro imóvel onde o condenado morava com a avó, para onde a jovem era levada sob o pretexto de prestar cuidados.

O processo aponta ainda que o ex-vereador utilizava ameaças, manipulação psicológica e até presentes como forma de manter o controle sobre a vítima e garantir o silêncio. 

Em relatos, ele afirmava que não seria denunciado ou que não haveria credibilidade nas acusações por ser uma pessoa conhecida na cidade e por já ter exercido mandato público.

A Justiça considerou o depoimento da vítima consistente, coerente e em conformidade com provas testemunhais, documentais e laudos psicológicos.

Como consequência dos abusos, foram registrados graves danos emocionais, incluindo episódios de autolesão, tentativas de suicídio e a necessidade de acompanhamento psicológico especializado.

Sentença

Na sentença, o magistrado fixou a pena em 29 anos e 2 meses de reclusão por estupro de vulnerável, além de 17 anos e 1 mês por estupro, totalizando 46 anos e três meses de prisão. O condenado também foi sentenciado ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais à vítima.

O caso também evidenciou a atuação da rede de proteção de Três Lagoas, envolvendo forças policiais, Conselho Tutelar, Ministério Público e outras instituições.

Segundo a decisão, a responsabilização do autor reflete o esforço conjunto no enfrentamento de crimes dessa natureza, frequentemente marcados pelo silêncio, medo e dificuldade de comprovação.

Trajetória política

Wellington Ferreira de Jesus ganhou notoriedade no cenário político local ao se eleger vereador em 2016, com 962 votos.

À época, sua campanha chamou atenção pela simplicidade, marcada por uma carreata com carrinhos acoplados a uma bicicleta, estratégia que ajudou a projetar sua imagem junto ao eleitorado.

Posteriormente, ele tentou a reeleição nos pleitos de 2020 e 2024, mas não obteve sucesso. A condenação encerra um caso de grande repercussão no município e reforça a gravidade dos crimes apurados ao longo da investigação.

ALEMS

Assembleia reconhece calamidade pública em Dourados após 6,4 mil casos de Chikungunya

Com o reconhecimento da Alems, o município dispõe de maior flexibilidade orçamentária e financeira para o enfrentamento da doença

23/04/2026 15h30

Assembleia reconheceu estado de calamidade em Dourados com o aumento nos casos de Chikungunya

Assembleia reconheceu estado de calamidade em Dourados com o aumento nos casos de Chikungunya Wagner Guimarães

Continue Lendo...

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) reconheceu o estado de calamidade no município de Dourados após o crescente número de casos de Chikungunya na cidade. A medida foi aprovada por unanimidade na manhã desta quinta-feira (23) e garante ao município maior flexibilidade financeira para a adoção de medidas urgentes e necessárias para o enfrentamento da doença. 

Com a aprovação, a medida tem durabilidade de 90 dias ou até que a situação de calamidade cesse. Durante a votação do projeto, o presidente da Alems, o deputado Gerson Claro (PP) lembrou que a situação já foi vivida na Pandemia e, por isso, é de extrema importância. 

O projeto foi votado em regime de urgência devido ao avanço da doença no Estado, principalmente em Dourados, especialmente nas áreas de aldeias indígenas. 

De acordo com o deputado Zé Teixeira (PL), são aproximadamente 14 mil pessoas na região indígena que não conta com coleta de lixo, o que contribui para a proliferação do mosquito. 

"Como que esse tanto de gente mora em uma pequena área e, claro, produz lixo e não tem coleta? Conversei com o prefeito Marçal Filho na semana passada e realmente está difícil. Estão adiando consulta de câncer para atender a Chikungunya. Conversei com o senador Nelsinho Trad, que reforçou o pedido da atuação da Força Nacional diante do avanço da doença, porque já saiu da reserva e atinge toda a cidade de Dourados. São R$ 7 milhões empenhados para a cidade que estão aguardando liberação", ressaltou.

Como medida de intensificação ao combate à doença, a Prefeitura de Dourados vem realizando um mutirão de limpeza na Reserva Indígena. Nos últimos três dias, já foram retiradas cerca de 20 toneladas de resíduos nas aldeias Bororó e Jaguapiru. 

Na última quarta-feira (22), as equipes iniciaram os trabalhos nas primeiras horas do dia na Aldeia Bororó e atuam simultaneamente na Aldeia Jaguapiru e na Comunidade Santa Felicidade. Com o uso de caminhões, maquinários e pás carregadeiras, o mutirão realiza limpeza porta a porta e em áreas consideradas críticas, como as margens do anel viário, garantindo a destinação adequada dos resíduos.

Desde 9 de março, mais de 1,1 mil toneladas de resíduos já foram recolhidos em diferentes regiões da cidade. A expectativa é manter o ritmo nos próximos dias, com ações concentradas nas áreas mais críticas.

"Estamos sentindo na pele e vendo que as pessoas demoram semanas e até anos para se recuperar. Elas terão dificuldades para trabalhar. Se não tivesse uma ação rápida poderemos ter uma população adoecia, sem condição de trabalho, que dá demanda para indústria, para o comércio, para o INSS, enfim, que desorganiza tudo. Já falamos com o Governo Federal, temos uma preocupação muito grande, porque há previsão de ao menos dois meses ainda de contaminação alta. Passamos caixa de som pedindo para cuidar da limpeza das casas, porque o mosquito transmite dengue e a Chikungunya, pedimos aos professores para reforçar essa conscientização", disse a deputada Gleice Jane (PT). 

Ela ainda complementou que o Governo Federal liberou mais R$ 2,3 milhões através da Defesa Civil e outros R$ 1,3 milhão pelo Ministério do Desenvolvimento Social para distribuir cestas básicas aos que não estão trabalhando, além de frascos de repelentes à população. 

O município também já havia declarado situação de calamidade pública e o Governo Federal reconheceu a situação de emergência em Dourados. 

Epidemia

Dourados registra 6.411 notificações da doença, com 2.204 casos confirmados, 4.959 prováveis, e 2.755 ainda em investigação. O município contabiliza oito mortes por chikungunya, sendo sete na Reserva Indígena.

Atualmente, 41 pacientes seguem hospitalizados com suspeita ou confirmação da doença. A taxa de positividade chega a 60,2%, indicador de que a maioria das pessoas com sintomas testadas tem diagnóstico confirmado.

Em nível estadual, Mato Grosso do Sul já soma 12 mortes por chikungunya em 2026, o que representa 63% dos 19 óbitos registrados em todo o Brasil neste ano.

A prefeitura reforça o alerta para que a população colabore, mantendo quintais limpos e livres de recipientes que possam servir de criadouro para o mosquito, medida considerada decisiva para conter a epidemia.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).