O jornalista Sandro de Almeida Araújo, 46, perseguido e agredido por supostos policiais militares à paisana, na sexta-feira (2), em Nova Andradina, cidade distante 300 quilômetros de Campo Grande, disse ter mudado sua rotina e que está com "medo" de andar nas ruas.
Ainda na sexta, disse ele neste domingo (4) ao Correio do Estado, prestou depoimento à Corregedoria da PM, por videoconferência.
Sandro, dono de um portal de notícias na cidade de 53 mil habitante, disse que já há três anos tem sofrido "perseguições" de um oficial da PM local por não revelar nomes de fontes que o ajudaram em reportagens.
Os jornalistas têm direito ao sigilo da fonte, que é previsto no artigo 5º da Constituição Federal. É um instrumento jurídico da categoria que trabalha com notícia.
O jornalista revelou ter sustentado na sexta à corregedoria "o que estava no boletim de ocorrência para formulação da denúncia". Depois da agressão, foi à delegacia da Polícia Civil.
Ou seja, as duas polícias, militar e civil, já estariam investigando o caso.
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A reportagem tentou na tarde deste domingo conversar com o chefe da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), Antônio Carlos Videira, mas até o fechamento deste material, ainda não tinha conseguido. Assim que ele se manifestar, a reportagem será atualizada.
O ATAQUE
Na sexta, Sandro guiava seu carro no centro de Nova Andradina e retornou para a casa ao notar que era sondado por dois veículos que o seguiam.
Assim que desceu do veículo, abriu o portão, e entrou. No entanto, logo atrás dele também entrou os supostos policiais que o dominaram e o derrubaram no chão, já na calçada.
"Não tinha ideia do que se tratava [perseguição]. Desci do carro e logo que abri o portão fui dominado. Ali percebi que um dos homens era policial e eu o conhecia", narrou Sandro.
Já caído no chão, contido por um suposto policial que o aplicou um golpe no pescoço, os homens que seriam policiais questionaram: "cadê os rojões, cadê os rojões" e, depois, quiseram conduzi-lo até a delegacia, pois o "delegado" teria algo contra o jornalista. Toda a cena foi captada por uma câmera de segurança instalada em frente à casa do jornalista.
Os rojões os quais os supostos policiais à paisana estariam atrás tem a ver, segundo o jornalista, com os fogos que estariam sendo soltos na cidade. E o motivo seria a transferência do comandante da corporação para uma outra cidade. Ele foi à delegacia depois e sozinho, onde registrou a queixa pela violência.
MOTIVO DA AGRESSÃO
Sandro revelou ao Correio do Estado que há três anos, por força de reportagens publicadas por ele, o comandante da PM local o persegue. "Ele [comandante] quer saber o nome das fontes com as quais converso para produzir as reportagens policiais. Ora, é direito meu em preservá-las", contou o jornalista, que não carregava rojões, conforme a batida policial feita em seu veículo.
O jornalista afirmou ainda que o comandante da PM o denunciou por "não revelar as fontes" por duas ocasiões. Numa delas, disse Sandro, o Ministério Público Estadual arquivou depois de ouvi-lo. Há, ainda, um procedimento que responde na Polícia Civil pelo mesmo motivo: resistência em revelar as fontes para a produção de reportagens.
O comando da PM da cidade de Nova Andradina ainda não se manifestou.
Pelo divulgado pelos sites da região, os PMs que agrediram o jornalista seriam um que estava de folga, outro afastado do trabalho por força de atestado médico, um que cumpria expediente e mais outro policial que atua em cidade vizinha.
O carro que os PMs usaram para perseguir e atacar o jornalista, embora descaracterizado, seriam usados pelos militares em casos de investigação.
Os sindicatos dos jornalistas de MS e de Dourados divulgaram um nota em que repudiram o episódio e pediram rigorosa investigação.
"É inadmissível e alarmante que um profissional da imprensa seja alvo de agressões e tortura enquanto exerce seu trabalho de informar a sociedade. O ataque a um jornalista representa um ataque direto à liberdade de imprensa, um dos pilares fundamentais da democracia", diz trecho do comunicado dos sindicatos.
VEJAS TRECHO DA IMAGEM DO ATAQUE AO JORNALISTA

