Cidades

Educação superior

Cortes reduzem em 80% número
de alunos beneficiados pelo Fies

No ano passado, apenas 2,6 mil estudantes contrataram o programa em MS

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Em quatro anos, o número de alunos beneficiados pelo Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) caiu 80% em Mato Grosso do Sul. Enquanto em 2014 um total de 13.577 estudantes contrataram o programa no Estado, no ano passado, foram somente 2.644 contratações. 

Assim como no restante do País, a redução ocorreu depois de mudanças no programa, iniciadas em 2015 e que endureceram as regras para liberação do financiamento. Preocupante, o cenário deve piorar a partir deste ano, pois regras ainda mais restritivas começarão a valer.

Em linhas gerais, a reformulação do Fies em 2015 ocorreu depois de o programa crescer de forma exponencial. Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o Fies gastou R$ 13,7 bilhões em 2014. Antes, os investimentos não passavam de R$ 7,67 bilhões. 

Para conter gastos, o Ministério da Educação (MEC) decidiu limitar o prazo para pedido de novos contratos, além de vincular a aceitação do pedido de financiamento a cursos com notas mais altas nos indicadores de qualidade, privilegiar instituições de ensino fora dos grandes centros e exigir que os estudantes interessados em contratos de financiamento do governo tivessem média de pelo menos 450 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 

“Para se ter uma ideia, em 2014, nós tivemos 732 mil contratos; no ano de 2015, caiu para 287 mil; em 2016, para 203 mil; e em 2017 baixou para 180 mil [em todo o Brasil]”, conta Sólon Caldas, diretor-executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes).

O diretor ainda comenta que “esse número foi caindo drasticamente por conta das restrições no programa, da recessão econômica e da falta de orçamento do governo federal. Eles foram diminuindo o número de vagas ofertadas e isso trouxe um prejuízo muito grande, mais para a sociedade, para os alunos, do que propriamente para as instituições”, considera.

Ainda segundo Caldas, “o aluno precisa da política para garantir os estudos. E mais, isso vai ter um reflexo no desenvolvimento do País, porque vamos ter menos pessoas matriculadas na educação e, consequentemente, um país menos desenvolvido”, avalia.

ALTA PROCURA

Em 2015, as restrições do programa, porém, se depararam com a crescente demanda de estudantes e o resultado foi um período de instabilidade no sistema, em virtude da grande procura por novos contratos. 
O esgotamento da verba do Fies de todo o ano de 2015 em apenas um semestre – um total de R$ 14,09 bilhões – foi o primeiro sinal de que mais restrições seriam implantadas. 

No ano passado, depois de gastar R$ 20,84 bilhões com o programa, o governo aprovou novas alterações no Fies, reformulado pela Medida Provisória nº 785, de 6 de julho de 2017.

Entre as principais estão o fim do prazo de carência de 18 meses após a conclusão do curso, para que os estudantes comecem a pagar o financiamento, e ainda a diminuição do número de vagas a juro real zero, para estudantes com renda familiar per capita mensal de até três salários mínimos. 

“Isso é uma tragédia, vai totalmente na contramão da necessidade do Brasil. Um país onde 75% das matrículas são na iniciativa privada, certamente, os alunos precisam de uma política pública do governo para pagar a mensalidade. E isso está totalmente prejudicado com essas mudanças”, afirma Caldas.

CONTRAPONTO

Apesar dos números e das críticas, para o MEC, a situação deve ser vista de outro ponto. “O novo Fies traz melhorias na gestão do fundo, dando sustentabilidade financeira ao programa, a fim de garantir a sua sustentabilidade e viabilizar um acesso mais amplo ao Ensino Superior.

A oferta de novos financiamentos foi condicionada à adesão das entidades mantenedoras de instituições de ensino ao novo modelo do financiamento estudantil (Novo Fies) e ao Fundo Garantidor do Fies – FG-Fies.

Acrescente-se ainda a obrigação contratual dos agentes financeiros de efetuarem o registro do nome do devedor e de seus fiadores em cadastro restritivo de crédito, abrangendo o Cadastro Informativo de créditos não quitados do setor público federal (Cadin) e outro de reconhecimento nacional, como Serasa e SPC.

Outro ponto é o estímulo decorrente da ponderação da taxa de remuneração dos agentes financeiros do Fundo pela adimplência da carteira, que favorece uma atuação mais atuante por parte dos bancos na realização da cobrança”, informou o Ministério por meio de nota.

 

DEMISSÃO

Polícia demite investigador que facilitava esquema de contrabando em MS

A ação investigava os crimes de descaminho, lavagem de capitais, corrupção passiva, violação de sigilo e outros ilícitos relacionados ao sistema financeiro nacional.

21/07/2026 08h45

PF e Receita Federal apreenderam mercadorias no Camelódromo

PF e Receita Federal apreenderam mercadorias no Camelódromo Marcelo Victor / Correio do Estado

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Edivaldo Quevedo da Fonseca, que era investigador da Polícia Civil, teve sua demissão publicada, nesta terça-feira (21), na edição do Diário Oficial do Estado (DOE). A medida foi assinada pelo secretário de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira.

A Operação Iscariotes, deflagrada no dia 18 de março deste ano, interditou o entorno do Camelódromo de Campo Grande e revelou a participação de agentes de segurança pública que facilitavam a entrada de mercadorias contrabandeadas no Estado.

A ação investigava os crimes de descaminho, lavagem de capitais, corrupção passiva, violação de sigilo e outros ilícitos relacionados ao sistema financeiro nacional.

Dois dias após ser preso na operação, Edivaldo foi dispensado pela Polícia Civil. No dia 30 de março, a Justiça Federal concedeu liberdade provisória ao policial, mediante pagamento de fiança, no valor de R$ 16.210

Ele estava na reserva e já havia sido detido em dezembro de 2024 pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Na época, Edivaldo foi flagrado com o carro cheio de mercadorias do Paraguai sem nenhuma documentação.

Mesmo após a prisão, o investigador, que estava vinculado à 5ª Delegacia de Polícia Civil, recebeu liberdade em 2025, e assumiu o compromisso de comparecer à Justiça Federal, confirmar endereço fixo e informar o local de trabalho. Antes de ser dispensado ele recebia o salário de R$ 14,6 mil por mês.

Meio Ambiente

Mato Grosso do Sul está fora de zona de alerta vermelho do El Niño

Entre os perigos no Estado estão os riscos de incêndios florestais no Pantanal, que tiveram seu pior registro em 2020

21/07/2026 08h00

Foto: Rodolfo César

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Os riscos que o El Niño pode trazer para o Brasil não incluem Mato Grosso do Sul na rota de impactos severos, divulgou grupo técnico nacional sobre avaliação para este semestre. Esse monitoramento está sendo feito para orientar recursos que serão revertidos para tentar mitigar possíveis danos. 

No País, os problemas podem ser de seca severa, em alguns locais, a chuvas excessivas, em outros. No caso de MS, um dos perigos no radar envolve os incêndios florestais, principalmente no Pantanal, que registrou ocorrências graves em 2020 e 2024.

A reunião técnica nacional envolveu integrantes do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ). 

Também estavam presentes representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), além da Casa Civil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (Comif).

Os alertas existentes com impacto direto no Estado, principalmente no Pantanal, ficaram restritos ao Parque Nacional do Pantanal Matogrossense (Parna do Pantanal), que fica na divisa entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e ao Parque Nacional da Serra da Bodoquena, entre os municípios de Bonito, Bodoquena e Jardim. 

Não apareceu o território pantaneiro integralmente nos alertas, o que incluiria, por exemplo, os municípios de Corumbá, Miranda, Aquidauana, Rio Verde de Mato Grosso, Sonora e Coxim.

Em termos de recursos a serem empregados, o governo federal ainda não fez um anúncio completo sobre recursos ou apresentou um projeto amplo de mitigação.

A Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) já encaminhou ao MMA, em 18 de junho, um conjunto de demandas para serem atendidas pela União.

Municípios do Rio Grande do Sul capitanearam esses pedidos, incluindo facilitação do acesso ao Fundo Clima, que tem cerca de R$ 27 bilhões sendo administrados pelo BNDES.

O MMA, em reunião técnica feita na quinta-feira, reconheceu que o El Niño deve influenciar severamente o regime de chuvas e de temperaturas neste semestre, mas de forma diferente nas regiões brasileiras. O período mais grave ficou para os meses de agosto, setembro e outubro.

“Entre os principais cenários projetados estão chuvas abaixo da média na Região Norte e em parte do Pantanal, com possibilidade de agravamento caso o fenômeno alcance intensidade muito forte. Para a Região Sul, a previsão é de chuvas acima da média. As temperaturas deverão permanecer acima da média em grande parte do território nacional durante o trimestre de agosto, setembro e outubro. As projeções também indicam aumento do perigo de incêndios florestais entre agosto e outubro”, indicaram os integrantes da reunião técnica, por meio de assessoria.

Nesse documento, os maiores perigos ocasionados pelo El Niño em termos de incêndios florestais foram apontados para ocorrer em cinco estados, excluindo Mato Grosso do Sul. 

“As áreas com maior probabilidade de ocorrência de fogo concentram-se nos estados do Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso, abrangendo principalmente a Amazônia e parte do Brasil Central”, indicou a nota técnica.

O monitoramento sobre a evolução das condições climáticas vem sendo feito desde janeiro. O MMA reconheceu que esses dados estão sendo usados para direcionamento de políticas e para articulação com órgãos federais, estados e municípios.

ALERTA DA ANA

A Agência Nacional de Águas (ANA) passou a divulgar relatório neste mês sobre os riscos que o El Niño pode trazer.

“Diante dos prognósticos que indicam a possível intensificação do fenômeno El Niño em 2026/2027, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), em articulação com os órgãos federais de monitoramento e com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sinpdec), vem adotando medidas antecipatórias de preparação, coordenação e fortalecimento da capacidade de resposta dos entes federativos”, informou.

INCÊNDIOS

No Pantanal, neste mês, os casos de incêndios ainda não chegaram a números graves. O Sistema Pantanal em Alerta apontou que no domingo tinham sido registrados apenas seis focos de calor, todos concentrados em Corumbá, na região de fronteira com a Bolívia, perto do Forte Coimbra.

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