Cidades

RELATÓRIO

CPI do Ônibus deve indiciar empresa e fazer apontamentos a servidores públicos

Vereadores apresentam hoje documento com a conclusão dos seis meses de investigação sobre o transporte da Capital

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Depois de duas prorrogações no prazo, os vereadores que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Ônibus, como ficou conhecida a investigação que analisa na Câmara Municipal supostas irregularidades na prestação de serviços por parte do Consórcio Guaicurus, vão apresentar o relatório final da análise na manhã de hoje.

Segundo apurou o Correio do Estado o texto deve trazer indiciamentos para diretores da concessionária e apontamentos para agentes públicos.

O texto final deverá ser lido pela relatora, a vereadora Ana Portela (PL). Conforme informações conferidas pela reportagem, diretores do Consórcio Guaicurus devem ser indiciados em função de suposto desvios para outras empresas que não pertencem ao grupo. Além disso, servidores públicos também devem ser citados no relatório, com os “devidos apontamentos”.

Durante os depoimentos na CPI, o ex-diretor da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos de Campo Grande (Agereg), Odilon de Oliveira Júnior disse ter identificado o repasse de cerca de R$ 20 milhões à Viação Cidade dos Ipês, empresa que não integra formalmente o consórcio Guaicurus. Esse seria um dos pontos que teria levado aos indiciamentos.

ATRASO

O relatório da CPI do ônibus deveria ter sido entregue no dia 15 de agosto, juntamente com a análise contábil. Entretanto, no dia 5 de agosto, o prazo foi estendido novamente por mais 28 dias, com a nova data limite para entrega no dia 31 do mesmo mês. 

Por último, no início deste mês, o prazo foi estendido novamente por mais 30 dias, o que terminaria no fim do mês. Sobretudo, a entrega foi adiantada para hoje.

Como relatou o Correio do Estado, a justificativa para a segunda prorrogação do prazo era de que a investigação era complexa e o volume de depoimentos e documentos era grande, sendo necessário “assegurar uma apuração minuciosa e responsável que resulte em um relatório final robusto e embasado”.

Relatora da comissão, a vereadora Ana Portela (PL) disse que o relatório foi aprovado por todos os integrantes, sendo assim, unânime. Além de Portela, a CPI também conta com os vereadores Junior Coringa (MDB), Maicon Nogueira (PP), Luiza Ribeiro (PT) e Lívio Viana, o Dr. Lívio (União Brasil), que é presidente da comissão.

INVESTIGAÇÃO

Um dos problemas analisados pela comissão foi a diminuição da frota de ônibus com o passar dos anos. Em outubro de 2012, quando o contrato entre a Prefeitura e o Consórcio foi assinado, a Capital contava com 574 carros atendendo o transporte coletivo. De acordo com o balanço mais recente indicando apenas 460 ônibus em operação, uma redução em 25% da frota.

Até para comprovar a questão de poucos veículos para atender aos campo-grandenses, dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a população de Campo Grande aumentou em 11,5% nos últimos anos, saltando de 805.397 em 2010 para 898.100 moradores em 2022.

Ainda durante as oitivas, foi apresentado relatório que mostrava que, dos 460 veículos, 300 tinham mais de oito anos de circulação, quando o tempo esperado era de cinco anos de idade de frota. 

Neste tempo, a Agereg determinou a retirada de 98 ônibus de circulação em função das más condições e idade acima do permitido, sob pena de aplicação de multa. O Consórcio recorreu da decisão.

Em 23 de janeiro deste ano, a passagem de ônibus subiu R$ 0,20, chegando a R$ 4,95 após esse reajuste. Perto da virada do ano, a mesma Câmara aprovou o projeto de lei que concedia subsídio extra, no valor de R$ 3,3 milhões, ao Consórcio Guaicurus, por parte da Prefeitura. 

Isso fez os valores de repasses para a concessionária saltarem de R$ 19,5 milhões para R$ 22,8 milhões, sem contar os valores repassados pelos governos estadual e federal.

CPI

Além de ouvir autoridades responsáveis pelo transporte coletivo de Campo Grande, a comissão também recebeu denúncias da população, e entre os problemas mais relatados estão: má conservação/manutenção; superlotação; falta de ônibus; atraso/pontualidade; descaso com usuário; má gestão; e problemas com motorista/conduta.

Durante os quatro meses de ouvidorias e investigações, a CPI do transporte público custou mais de R$ 140 mil, com a contratação de advogados, que custou R$ 42,5 mil por mês, resultando em um montante de R$ 85 mil; e na contratação de assessoria contábil, no valor de R$ 55 mil. As empresas foram contratadas de forma direta, ou seja, sem a necessidade de licitação.

As contratações foram analisadas pela Controladoria-Geral e pela Procuradoria-Geral da Câmara Municipal, que não apontaram irregularidades.

*SAIBA

Oficialmente, o Consórcio Guaicurus, grupo responsável pelo transporte coletivo e urbano de Campo Grande desde 2012, é formado pelas empresas Viação São Francisco Ltda; Viação Cidade Morena Ltda (empresa Líder) e Jaguar Transporte Urbano Ltda e Viação Campo Grande Ltda. A empresa possui endereço na Avenida Euler de Azevedo. O pagamento a outras empresas que não formam a sociedade foi um dos apontamentos identificados na análise dos dados bancários da concessionária feita pela Comissão Parlamentar de Inquérito.

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Rixa

Disputa política em rede social gera xingamentos, agressões e caminhão de som em Corumbá

Vereador apareceu na frente da casa do médico em cima de um caminhão de som e, ao falar no microfone, reclamou de ataques

02/10/2026 18h00

Foto: Reprodução / Redes Sociais

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O vereador e candidato a deputado estadual Luís Francisco de Almeida Vianna, o Chicão Viana, e o médico e pai do atual prefeito de Corumbá, Oséas Ohara de Oliveira, tiveram uma disputa que começou nas redes sociais e neste dia 1º de outubro acabou intensificando a tensão.

O vereador apareceu na frente da casa do médico em cima de um caminhão de som e, ao falar no microfone, reclamou de ataques que alegou estar sofrendo por parte de Oséas, que tem 74 anos.

Primeiro, o médico apareceu na sacada da própria casa e esbravejou contra Chicão Vianna. Com a delonga no tempo que o candidato prosseguiu falando no carro de som, que podia ser ouvido a mais de um quarteirão de distância, Oséas foi até a calçada e arremessou objetos contra o candidato. Em uma dessas tentativas de arremessar objetos, o médico chegou a cair na rua.

Ainda na quinta-feira, no começo da noite, Oséas foi à Polícia Civil e registrou boletim de ocorrência de perturbação do trabalho ou do sossego alheio. Ele foi acompanhado de uma advogada, que é servidora da Prefeitura de Corumbá. Em depoimento, contou que saiu do banheiro e ouviu Chicão Vianna o chamando. Durante a confusão, tudo foi filmado e transmitido ao vivo em rede social por uma mulher que estava em um outro veículo.

Ele pontuou três testemunhas para que podem ser ouvidas pelas autoridades, caso haja demanda na tramitação do boletim de ocorrência. 

Oséas fez questão de enfatizar para a polícia que é idoso e tem problemas cardíacos. “Declara, ainda, que possui interesse e manifesta expressamente seu desejo de representar criminalmente contra o sr. Chicão Vianna, em razão dos fatos ora relatados”, consta no B.O, que foi registrado com o delegado Elton Alves de Sá Junior.

O médico foi procurado pelo Correio do Estado e ele pontuou que registrou o boletim de ocorrência e aguarda a tramitação da Polícia Civil.

Chicão Vianna também fez representação criminal contra Oseas na Polícia Civil e houve registro de boletim com relação à injúria. Nesse registro, foram indicadas como vítimas tanto o candidato como a mulher que filmou a disputa na rua Joaquim Murtinho, no bairro Aeroporto. O candidato apontou que viu publicação em rede social no perfil de uma terceira pessoa que divulgava a informação falsa de que Chicão Vianna havia desistido da sua candidatura.

“A referida publicação não corresponderia à verdade e teria provocado repercussão entre seus familiares, amigos e demais pessoas de seu convívio, que passaram a procura-lo questionando acerca de suposta desistência da candidatura. Diante da situação, realizou manifestação pública com a finalidade de esclarecer que permanece candidato”, detalhou o B.O.

Essa manifestação ocorreu com um trio elétrico e quando passou na frente da casa do pai do prefeito de Corumbá, Gabriel Ohara Oliveira, acabou tendo o confronto com Oseás. “Afirma o comunicante que Sr. Oséas teria proferido xingamentos e, na sequência, ameaças de morte em sua direção, declarando, segundo Chicão: ‘Vou te matar’”, detalhou o registro policial.

Inicialmente, o vereador pontou no registro que “não deseja mal a Sr. Oseas Ohara de Oliveira”. Além de Chicão, a mulher relatada como vítima disse à Polícia Civil que estava em uma casa próxima a residência do médico de 74 anos e quando viu o confronto verbal e o arremesso de objetos, decidiu gravar com o celular. Ela se declarou namorada de Chicão.

"Há algum tempo, o sr. Oséas Ohara vem fazendo manifestações públicas a meu respeito que considero ofensivas e prejudiciais à minha imagem. Mesmo diante dessas manifestações, sempre procurei agir com respeito e jamais respondi com agressões ou ameaças.

O episódio de hoje (1º) teve origem na divulgação, nas redes sociais, de uma informação de que eu estaria desistindo da minha candidatura. Diante disso, fiz uma manifestação pública (...). Durante a manifestação, dirigi-me ao sr. Oséas sem ameaçá-lo, agredi-lo ou utilizar violência. Em determinado momento, contudo, ele se aproximou e tentou arremessar objetos em minha direção, inclusive uma pedra, conforme registro em imagens do episódio", informou o candidato, em nota.

O mesmo delegado, Elson Alves de Sá Junior, fez o registro policial no relato do candidato a deputado estadual. Os dois boletins de ocorrência passam a tramitar no âmbito policial para averiguação dos fatos.

Histórico

O vereador Chicão Vianna chegou a integrar o quadro da Prefeitura de Corumbá e assumiu o cargo de secretário municipal de Desenvolvimento Econômico. Contudo, ele acabou deixando o posto neste ano após ter desentendimentos com o prefeito Gabriel Oliveira.

Na região de Corumbá e Ladário, as disputas políticas costumam ser travadas de forma intensa nas redes sociais, com acusações de diferentes níveis. Tanto por meio de perfis pessoais, como em grupos que reúnem mais de 139 mil seguidores. Essas disputas são comuns e com publicações recorrentes, principalmente nesse período eleitoral.

Vídeo

Vereadora ameaça expor políticos após vídeos íntimos: "Eu acabo com vocês"

Isa Marcondes afirma ter atendido políticos de diferentes cargos e diz que nunca divulgou vídeos gravados

02/10/2026 17h39

Isa Marcondes

Isa Marcondes Reprodução redes sociais

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A vereadora Isa Marcondes (Republicanos), de Dourados, publicou um vídeo nas redes sociais, nestea sexta-feira (02), em que afirma estar sendo alvo de ataques após a circulação de gravações e ameaça divulgar conteúdos que, segundo ela, foram registrados durante atendimentos a políticos. Na gravação, a parlamentar diz que já atendeu vereadores, deputados, ministros, governadores e até presidente e afirma ter mantido o material em sigilo por considerar que possui “ética profissional”.

“Se vocês continuarem soltando do celular de vocês, vocês vão ver o que eu solto de vocês”, afirma Isa no vídeo.

A publicação foi feita em tom de desabafo. No início da gravação, ela se dirige ao “povo douradense” e ao “povo sul-mato-grossense” e afirma estar “de saco cheio” da situação.

Segundo a vereadora, entre as pessoas que teriam sido suas clientes estão políticos e familiares de políticos. Ela cita especificamente o marido de uma vereadora, a quem afirma ter atendido como cliente em seu antigo comércio no ramo de entretecimento adulto. 

Isa também afirma que os vídeos que menciona foram gravados a pedido dos próprios clientes e que, apesar de ter mantido os registros, nunca os teria divulgado.“Eu sempre gravei a putaria de vocês e nunca soltei, porque vocês mesmos pediam para mim gravar”, diz.

Na sequência, a vereadora aumenta o tom das declarações e afirma que poderá tornar públicos os conteúdos caso a divulgação de vídeos envolvendo ela continue.“Eu acabo com vocês”, afirma.

A gravação termina com novos ataques aos responsáveis pelo que ela chama de “humilhação” e com a afirmação de que não tem medo das pessoas que estariam compartilhando os vídeos.

 

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