Cidades

BR-163

Depois de arrecadar R$ 1,8 bilhão, CCR quer escapar de multa milionária

A empresa busca ainda indenização de R$ 765 milhões por considerar que houve falhas incontornáveis no contrato de concessão

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A CCR MSVia quer deixar de pagar R$ 159,4 milhões referentes a uma parte do montante de 113 multas que tomou desde que assumiu a BR-163, em 2014, por descumprimento do contrato de concessão. 

A empresa recorreu, ainda, à Corte Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional (CCI) para receber indenização de R$ 765 milhões.  

A concessionária tomou tal medida por considerar que o contrato de concessão “padece de falhas incontornáveis” e de “gravíssimo desequilíbrio econômico-financeiro”. O valor representa cerca de 42% do R$ 1,8 bilhão que a CCR arrecadou com pedágio.

Para deixar de pagar as multas, a empresa propôs um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para diminuir em 40% as penalidades, que totalizam R$ 398,4 milhões, alegando que um acordo agilizará o processo de relicitação, mas desconsiderando que a nova concessionária que assumir a rodovia terá de pagar uma indenização maior pelo R$ 1,9 bilhão que alega ter investido até o momento.  

No pedido apresentado à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em dezembro do ano passado, a concessionária afirma que o pleito se justifica porque as sanções poderão demorar para serem concluídas, uma vez que as “discussões administrativas, arbitrais ou judiciais demandam dispêndio de tempo, recursos humanos e financeiros, que oneram as partes e escapam ao interesse público”, prejudicando o novo processo licitatório.

Essa demora prejudicaria, de acordo com a MSVia, a definição do valor da indenização a que teria direito, já que não seria abatido do total.  

Por isso também enfatizou no pedido que o termo aditivo do contrato assinado em 2021 “estabelece que a concessionária será indenizada pelos investimentos” e “por este motivo a MSVia considera que os valores resultantes do TAC Multas poderão ser objeto de abatimento do montante da indenização apurada em haveres e deveres de fim de contrato, de modo a permitir a redução do valor reconhecido como saldo da indenização a ser pago à MSVia pelo futuro contratado”.  

Essa proposta afetaria 113 multas que a empresa recebeu por deixar de cumprir as obrigações do contrato, e a maioria é posterior ao pedido de revisão do acordo, apresentado em 2017.

Das 113 notificações, 106 estão em estágio recursal, duas em defesa prévia e cinco são advertências. As maiores multas são de R$ 10 milhões e as menores de R$ 662 mil, totalizando R$ 398,469 milhões.

A proposta da empresa é reduzir esse valor em 40% por meio do TAC Multas. Desta forma, o abatimento seria de R$ 159,387 milhões, restando um saldo de R$ 239,081 milhões, de acordo com levantamento da própria concessionária anexado ao processo.  

Sobre o valor total das penalidades, a agência afirma que “o volume de processos e os valores iniciais devem ser entendidos como mera referência, pois durante a instrução processual pode haver lavratura de novos processos sancionadores, bem como as penalidades aplicadas podem ser majoradas por agravantes ou reduzidas pela aplicação de atenuantes de que trata a Resolução ANTT nº 5.083, de 27 de abril de 2016. Nessa situação, são 113 PAS e mais de R$ 400 milhões em multas”.  

Na admissibilidade do pleito, Alexandre Souto, coordenador de Instrução Processual (Cipro) da Superintendência de Infraestrutura Rodoviária (Surod) da ANTT, afirma que a finalidade regulatória das multas, que é incentivar ou inibir condutas, de modo que a arrecadação é mera decorrência do processo sancionador e, embora deva ser avaliado com o devido cuidado, não deve ser um fator determinante na celebração do TAC.  

“Não se pode olvidar que o presente contrato de concessão já está em fase de relicitação, portanto, encontra-se em fase final de vigência, de modo que as multas aplicadas já têm pouco alcance na possibilidade de mudança de comportamentos por parte da concessionária a bem do serviço público, ressaltando que a vantajosidade neste caso representa a busca, pela agência, por meio da análise das propostas apresentadas nos procedimentos TAC, da obtenção da melhor relação custo-benefício nas suas ações ao optar pela solução consensual do contencioso administrativo”.

No processo que está em análise na agência, Souto solicitou que a MSVia adote modelo de TAC aprovado pela superintendência seguindo a Portaria nº 24/2021, apresente a quantidade e os valores que efetivamente integrarão a proposta de TAC Multas e que a “Cipro avalie o passivo de penalidades cujo saneamento ora se pretende e promova a realização de consulta jurídica à Procuradoria Federal com a ANTT”, se for o caso.

Um dos impasses no pleito é que a concessionária quer que seja utilizado parâmetro diferente do já adotado pela ANTT no cálculo das multas, sendo destacado pela agência que “não se mostra razoável trazer exceção ao caso da MSVia para aplicar o valor de URT distinto do valor previsto de cobrança de tarifa técnica, que é o valor que efetivamente o usuário da rodovia despenderá para a utilização dos serviços da rodovia”.  

Na avaliação prévia da autarquia, o pedido seria prejudicial aos usuários e ao patrimônio público. 

R$ 398,4 milhões devidos em multas pela CCR MSVia

A empresa propôs um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que pretende diminuir em 40% as penalidades, que totalizam R$ 398,4 milhões, alegando que um acordo vai agilizar o processo de relicitação da BR-163.

SAIBA

A CCR MSVia diz ter investido R$ 1,9 bilhão em obras de duplicação da pista ao longo dos últimos sete anos, desde o início da cobrança da tarifa dos usuários. 

A empresa alega que foi prejudicada por projeções equivocadas sobre faturamento, custos e linhas de crédito, e por esta razão recorreu à Corte Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional pedindo indenização de R$ 765 milhões. 

TRIBUNAL DO JÚRI

Colegas de trabalho entregaram homem que matou esposa e filha à polícia

Em depoimento, funcionário relatou que mostrou conversas do acusado ao gerente, que repassou o material ao patrão e, depois, à polícia; réu nega ter planejado os assassinatos e diz que testemunhas mentem

27/05/2026 12h02

 João Augusto Borges é julgado nesta quarta-feira (27), em Campo Grande, pelo assassinato da companheira Vanessa Eugênia Medeiros e da filha do casal, Sophie, de 10 meses

João Augusto Borges é julgado nesta quarta-feira (27), em Campo Grande, pelo assassinato da companheira Vanessa Eugênia Medeiros e da filha do casal, Sophie, de 10 meses Marcelo Victor

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O julgamento de João Augusto Borges, acusado de matar a companheira Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e a filha do casal, Sophie Eugênia, de 10 meses, nesta quarta-feira (27), em Campo Grande, trouxe à tona depoimentos que ajudaram a polícia a desmontar a versão inicial apresentada pelo réu após o crime.

Entre os relatos prestados à Justiça, um dos que mais chamam atenção é o do colega de trabalho Welisson, que afirmou ter recebido mensagens e ligações insistentes de João logo após os assassinatos e que mostrou o conteúdo das conversas ao gerente da empresa, responsável por encaminhar o material ao proprietário do estabelecimento e, posteriormente, à polícia.

Conforme o depoimento, João já vinha comentando havia algum tempo com colegas de serviço que pretendia matar Vanessa e a filha do casal. O funcionário afirmou que, inicialmente, ninguém acreditou nas ameaças.

Segundo Welisson, o acusado chegou a perguntar "quem fazia o corre" para matar uma pessoa e, dias depois, voltou a dizer que queria matar a esposa porque ela "não deixava fazer nada". O colega relatou ainda que João falava repetidamente sobre o assunto no ambiente de trabalho.

No dia do crime, o funcionário contou que João saiu para o almoço por volta das 15h e retornou perto das 18h. Ao chegar, teria se aproximado e dito apenas: "Está feito".

Welisson afirmou ainda que João estava com o pescoço arranhado e um dos dedos machucado. Pouco depois, o acusado deixou novamente o trabalho.

Mais tarde, já fora do expediente, o colega relatou que começou a receber mensagens e ligações insistentes de João. Segundo ele, o acusado dizia que "o corpo estava começando a feder" e perguntava onde ele estava, numa tentativa de conseguir ajuda para ocultar os cadáveres e queimá-los.

O funcionário disse que ignorou os contatos e, no dia seguinte, mostrou as conversas ao gerente da empresa. O material foi encaminhado ao patrão, que o repassou à polícia.

Em outro trecho do depoimento, Welisson afirmou ter oferecido ficar com a bebê após João dizer que mataria Vanessa e que "a menina iria junto". Mesmo assim, disse que acreditava se tratar apenas de ameaças.

João, por outro lado, negou durante interrogatório que tivesse planejado os assassinatos. À Justiça, afirmou que matou Vanessa após perder o controle durante uma discussão motivada por compras domésticas e por ter levado um tapa no rosto da companheira.

O réu admitiu os crimes, mas alegou ter agido em um "acesso de raiva". Ele também afirmou que testemunhas mentiram ao dizer que o assassinato havia sido premeditado.

"Essas pessoas estão mentindo. Eu não tinha programado nada", declarou.

João também confirmou que voltou ao trabalho após os assassinatos e, mais tarde, colocou os corpos no carro do pai e ateou fogo em uma área na região do Indubrasil.

Crime chocou Campo Grande

O caso aconteceu na tarde de 26 de maio de 2025, na região do Indubrasil, em Campo Grande. Conforme a investigação, João chamou Vanessa para o quarto sob o pretexto de conversar e a matou com um golpe de "mata-leão". Em seguida, estrangulou a filha do casal, que estava sobre a cama.

Após os assassinatos, ele saiu para trabalhar normalmente. Horas depois, comprou gasolina, colocou os corpos em um carro da família e ateou fogo em uma área da Rua Desembargador Ernesto Borges.

Durante audiência realizada em agosto do ano passado, João afirmou que cometeu os crimes após um "acesso de raiva" depois de levar um tapa da companheira. Na ocasião, também admitiu já ter pensado anteriormente em matar Vanessa e a filha.

O réu foi preso em 27 de maio de 2025 e responde por duplo feminicídio e ocultação de cadáver.

falsificação documental

Esquema de diplomas falsos é alvo da Polícia Civil em interior de MS

Suspeitos ofereciam 'serviço' de falsificação dos documentos e diziam a estudantes de escolas estaduais que não era necessário ir a aulas e provas

27/05/2026 11h30

Divulgação

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga um esquema de falsificação de diplomas do ensino médio em duas cidades do interior do estado, Bataguassu e Santa Rita do Rio Pardo, a 310 e 242 quilômetros da Capital, respectivamente. Os investigados de comprar os documentos falsos são menores de idade.

A investigação iniciou após uma escola estadual identificar irregularidades em documentos apresentados por alguns estudantes. De acordo com as informações policiais os certificados de conclusão do ensino médio eram pagos por pix.

Para conseguir o serviço, os alunos contatavam um dos suspeitos, que prometia emitir os documentos sem necessidade dos alunos frequentarem a escola ou realizarem as provas.

Até o momento, a investigação apreendeu históricos escolares e certificados suspeitos, além dos comprovantes de pagamento feito nas negociações. A polícia aponta o envolvimento de mais de uma pessoa, mas não divulgou identificação e quantos são os envolvidos.

Porém, entre os envolvidos, há indivíduos de fora do ambiente escolar que também adquiriram outros documentos falsos, além de suspeitos maiores de idade, que agiam no contato e abordagem dos 'clientes' e em movimentações financeiras.

As duas cidades que ocorrem a investigação são vizinhas e apresentam distância de aproximadamente 68 quilômetros.

O caso segue em andamento para identificação completa dos envolvidos no esquema, assim como a organização e modus operandi da produção e comercialização da falsificação.

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