Um grupo de 78 médicos da Santa Casa estão com salários atrasados há cinco meses. O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed) afirmou que protocolou ação na Justiça em busca de uma solução.
O valor da dívida dos repasses não realizados somam mais de R$3.455.896,81, segundo cálculos do Sinmed.
"Nós estamos tendo esse problema que tem se tornado recorrente. Esses médicos estão tendo, obviamente, muitos problemas pessoais por causa disso. É um grupo que exerce procedimentos variados dentro da Santa Casa como procedimentos cirúrgicos, consultas, exames, um leque grande", relatou o presidente do sindicato, Dr. Marcelo Santana.
O médico explicou que o problema abrange os profissionais que trabalham no sistema Pessoa Jurídica (PJ) e que os que trabalham no molde Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) receberam os valores após quatro dias de atraso.
Mesmo sem indicativos de receberem os valores atrasados, os médicos não cogitam uma paralização.
"Trabalho é uma coisa muito séria para você não cumprir junto à outra pessoa. Mesmo com esses atrasos salariais, os médicos estão trabalhando e fazendo a sua parte no hospital que é referência no Estado devido à sua complexidade. O hospital funciona devido aos seus funcionários, não somente os médicos, mas todos eles", afirmou Santana.
A Santa Casa foi procurada pela reportagem para esclarecimentos sobre a situação dos médicos, mas até o fechamento da matéria não obteve resposta. O espaço segue aberto.
CPI
Em junho deste ano, foi entregue à Mesa Diretora da Câmara Municipal de Campo Grande pelo vereador Rafael Tavares (PL) o requerimento que propõe a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Santa Casa e já conta com a assinatura e apoio total de 14 vereadores.
A iniciativa surge em razão da grave crise enfrentada pelo maior hospital do Estado, que vem sofrendo com dificuldades financeiras, suspensão de atendimentos, falta de clareza na gestão dos recursos e denúncias de negligência médica.
A CPI pretende apurar os detalhes administrativos e financeiros que envolvem o hospital, além de investigar possíveis irregularidades e propor soluções concretas para a reversão do quadro.
Tavares alegou que a investigação é necessária para garantir transparência à população e fornecer meios que permitam a ação eficiente do poder público frente ao colapso da saúde na Capital.
A proposta segue em análise jurídica, que fica à cargo da Procuradoria da Câmara.

