Cidades

SEMELHANTE A BOATE KISS

DJ diz que não sabia da proibição de uso de sinalizador em boate e "não assumirá culpa"

Público inalou fumaça e oito jovens foram internados, em Corumbá; DJ culpa contratante

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O DJ Lino Mascarado, que usou um sinalizador durante show em boate fechada, gerando fumaça e causando internação de oito adolescentes, afirmou não ter sido avisado das regras da casa de show, que proíbe o uso do artefato, em Corumbá.

O evento foi realizado na noite de sábado (25) e madrugada de domingo (26) em boate que é toda fechada e fica no subsolo.

Nas redes sociais, o dj gravou um vídeo, onde afirma que não irá carregar a culpa pelo ocorrido.

"Eu já fui várias vezes para Corumbá, os contratantes conheciam meu show, então não vou carregar essa culpa sendo que não me passaram as regras da casa", disse.

O músico diz ainda que o contratante estava presente quando ele montava os efeitos especiais e chegou a perguntar se ele já havia terminado.

"Eu tenho provas e conversas, várias pessoas estão me culpando, mas não olham a parte do evento, do contratante, do proprietário da casa, que não me passaram as regras, não passaram nada", alega.

No fim do pronunciamento, o DJ pede desculpas e diz que "tudo é aprendizado".

á leis editadas que procuram evitar o uso desse tipo de material em locais fechados, como boates e casas de show, especialmente após a tragédia da Boate Kiss, ocorrida em 2013, em Santa Maria, onde o artefato pirotécnico causou incêndio e morte de mais de 200 pessoas.

Em Corumbá, não chegou a haver incêndio, mas a fumaça gerou correria. O público inalou fumaça e oito jovens, por terem problemas relacionados à bronquite, sofreram complicações e precisaram ficar internados, mas já receberam alta.

Segundo o Corpo de Bombeiros, uma equipe de vistoria vai visitar a boate para verificar a situação, mas a princípio, foi verificado que o local tem certificado de funcionamento atualizado.

No entanto, enquanto não ocorre as fiscalizações, a boate foi interditada, até a correção de irregularidades, e multada em R$ 47,4 mil pelo uso de artefatos pirotécnicos.

Lei

A legislação que trata sobre o uso de artefatos em locais fechados é a lei estadual nº 4.530, de 22  maio de 2014.

Ela proíbe a utilização de artefatos de pirotecnia e de materiais inflamáveis e não auto-extinguíveis em recintos fechados de uso coletivo, no território de Mato Grosso do Sul.

Esse regramento especifica que os infratores das disposições ficam sujeitos a multa variável entre 50 e 5.000,00 UFERMS (UFERMS= R$ 47,40). 

Para a aplicação dessa multa, é necessária a vistoria dos Bombeiros e apuração de autoridades ligadas à certificação.

Simplificação

População volta a valorizar as feiras livres

Crescimento das feiras mostra como uma ideia simples levou consumo, cultura e lazer para mais perto das pessoas

26/08/2026 14h00

Feiras livres têm atraído grande público em Campo Grande

Feiras livres têm atraído grande público em Campo Grande Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

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Durante muito tempo, ir à feira em Campo Grande significou acordar cedo, escolher frutas, verduras e pastéis e voltar para casa com as sacolas cheias. Esse costume continua vivo e basta olhar para a tradicional feira da Avenida Mato Grosso, que se transformou na popular Feirona da Esplanada Ferroviária.

Mas, aos 127 anos, Campo Grande também descobriu uma nova forma de fazer feira. A fórmula parece simples: ocupar uma praça, reunir pequenos empreendedores, acrescentar comida, música, arte e convidar as pessoas a ficar. O resultado mudou a relação dos campo-grandenses com os espaços públicos e ajudou a criar hábitos de consumo e convivência.

Feiras como a tradicional Praça Bolívia, Ziriguidum, Feira do Panamá, Mixturô, Borogodó e Feira Bosque da Paz passaram a espalhar, em diferentes pontos da cidade, aquilo que antes parecia concentrado em poucos endereços: comércio, gastronomia, cultura e lazer. Em 2025, um debate na Câmara Municipal de Campo Grande apontou que mais de 30 feiras culturais e criativas haviam sido organizadas na Capital desde 2020.

Entre elas, a Feira Bosque da Paz se tornou um retrato desse movimento. Criada em 2022, hoje reúne 512 expositores, recebe cerca de 18 mil pessoas por edição e movimenta aproximadamente R$ 1 milhão a cada realização, números que ajudam a dimensionar como uma ideia simples ganhou força e se transformou em um grande ponto de encontro da cidade.

Para Carina Zamboni, uma das organizadoras, o crescimento vai além dos números. A feira, segundo ela, transformou a praça em um ponto de encontro. “A Feira Bosque da Paz deixou de ser apenas uma feira e se tornou um movimento. Ela conecta pequenos empreendedores, artesãos, gastronomia, cultura, famílias e a própria cidade. O mais bonito é levar tudo isso para perto das pessoas e fazer com que os espaços públicos deixem de ser apenas lugares de passagem e se tornem lugares de encontro”, afirma.

A CIDADE E A PRAÇA

A facilidade de encontrar, a poucos minutos de casa, produtos autorais, comida, música e lazer criou também uma porta de entrada para quem queria empreender. Para pequenos negócios, a barraca pode representar o primeiro ponto de venda, sem os custos de uma estrutura comercial permanente.

É assim que Fred, expositor da Fakie, Cafés & Coquetéis, enxerga o papel das feiras. “É uma solução que abre caminhos para os empreendedores. A diversidade permite que artesanato, gastronomia, agricultura familiar e outros trabalhos ganhem visibilidade. Para pequenos negócios, também é uma forma de começar com um investimento menor”, diz.

No caso da Fakie, Cafés & Coquetéis, a oportunidade virou também uma relação direta com o público. “Percebemos principalmente a fidelidade dos clientes. Muitos conhecem nosso trabalho na feira, voltam, indicam para amigos e isso nos permitiu investir, melhorar a produção e inovar”, relata.

Para quem está do outro lado da barraca, a mudança aparece na rotina. Mariana Leite, frequentadora assídua da Feira Bosque da Paz, acompanha esse movimento como quem viu a praça ganhar uma nova função.

“Quando comecei a frequentar a Feira do Bosque, ela era bem pequenininha, tinha dois ou três corredores no máximo. A cada vez que eu ia, via a feira crescer, tanto em espaço quanto em comerciantes e opções”, conta.

Fã do comércio local, Mariana diz que a feira também mudou sua forma de consumir. “Comecei a descobrir que Campo Grande tinha produtos e artesãos que eu achava que só encontraria fora daqui. Eu sou apaixonada por cerâmica e antes comprava pela internet porque não conhecia ninguém da cidade que produzisse. Foi frequentando a feira que comecei a encontrar vários artesãos daqui. Hoje, penso em priorizar cada vez mais os produtores locais”, afirma.

É justamente nesse encontro entre quem produz e quem consome que uma ideia aparentemente simples ganhou dimensão maior. Ao levar o comércio para onde as pessoas já vivem, as feiras ajudaram a aproximar o campo-grandense de sua cidade.

Em uma Capital acostumada a grandes distâncias, encontrar cultura, lazer e empreendedorismo a poucos passos de casa pode parecer apenas um programa de domingo. Mas, para uma cidade que continua reinventando seus hábitos aos 127 anos, foi também uma pequena ideia capaz de mudar o cenário: uma praça, uma barraca e muitas histórias debaixo da mesma sombra.

Infraestrutura

Ampliação da rede de esgoto na Capital tem efeito na saúde pública e no meio ambiente

Ampliação da cobertura de esgoto em Campo Grande reduz fossas, melhora a saúde pública, protege o meio ambiente e garante água tratada com qualidade cristalina nas estações de última geração

26/08/2026 13h00

Em Campo Grande, obras de ampliação da rede de esgoto não param; objetivo é a universalização da rede com obras mais complexas

Em Campo Grande, obras de ampliação da rede de esgoto não param; objetivo é a universalização da rede com obras mais complexas Divulgação

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A busca por soluções práticas para resolver dilemas urbanos complexos é um dos grandes motes no aniversário de Campo Grande. Se a gestão de uma capital exige estratégias robustas de planejamento, muitas das melhorias mais perceptíveis no cotidiano das famílias ocorrem de forma discreta, sob o asfalto, por meio da expansão do esgotamento sanitário.

O saneamento básico em Campo Grande exemplifica como uma intervenção estrutural simplificada na ponta do consumo consegue desencadear impactos profundos na saúde pública, na economia doméstica e no desenvolvimento ordenado da capital de Mato Grosso do Sul.

Gabriel Buim, diretor-presidente da concessionária Águas Guariroba, aponta que o serviço de abastecimento de água potável já está universalizado na capital. Ele detalha que, em termos de saneamento básico, o município já alcançou um nível de atendimento expressivo. “Infraestrutura de esgoto, a gente tem hoje 94% de cobertura de esgoto. A gente está chegando a 90% de atendimento da população, que é um marco muito significativo”, detalha. Atualmente, o município contabiliza cerca de 420 mil ligações de água ativas e 380 mil ligações de esgoto.

Para alcançar o patamar definitivo de universalização, o planejamento da concessionária prevê a execução de mais 40 mil novas conexões de esgoto até 2028. Esse avanço final exigirá obras maiores e mais complexas. Buim explica o planejamento para essa reta final. “Nos próximos anos, a gente quer chegar a 98% de cobertura, com as obras mais complexas”.

Em Campo Grande, obras de ampliação da rede de esgoto não param; objetivo é a universalização da rede com obras mais complexas Diretor-presidente da Águas Guariroba, Gabriel Buim (Foto: Marcelo Victor)

Ele acrescenta que, enquanto no período recente as intervenções eram pontuais nas ruas dos bairros, o foco nos próximos anos se volta para projetos de grande porte. “Atualmente, estamos fazendo um trabalho pontual, porém, significativo, em vários bairros de Campo Grande. Mas no ano que vem, vamos fazer intervenções em lugares como a Avenida Ernesto Geisel, perto do Jardim Seminário”, explica. “Então, a gente vai começar a chegar agora nas obras de grande porte, que são esses interceptores, os coletores para dar escala no crescimento da cidade”.

Entre os projetos previstos estão intervenções na Avenida Ernesto Geisel e a ampliação de um coletor de 1.000 milímetros voltado para a região do Seminário.

Adesão

Do ponto de vista prático do morador, a adesão à rede de esgoto funciona sob uma lógica de extrema simplicidade. A concessionária realiza a instalação da tubulação pública e deixa o ramal de ligação pronto e disponível na calçada do imóvel.

Buim destaca que o processo interno para o cliente é direto. “É só ele ligar. Geralmente, as casas mais novas de Campo Grande que não tinham acesso a esgoto, o morador deixava a fossa na frente da casa. Depois que a rede passa na via, é só tubulação e ligar”.

Essa facilidade de transição ajuda a explicar o alto índice de adesão na cidade, que varia entre 97% e 98% assim que a infraestrutura passa a estar disponível na rua.

O impacto financeiro dessa mudança é sentido de forma imediata pelas famílias de menor renda. Gabriel Buim exemplifica essa realidade com base em atendimentos realizados no Bairro Cristo Redentor, na periferia da capital, onde os moradores sofriam com os gastos constantes para manter as antigas fossas funcionando. Ele exemplifica um caso em que o morador apelou pela chegada da rede sob a justificativa de economia imediata. “Ele me dizia que não aguentava mais pagar R$ 300 a cada duas semanas para limpar a fossa da casa dele”.

Em contrapartida, com a chegada da tubulação de coleta, o custo cai sensivelmente. “Uma conta de esgoto de uma residência que consome 10 m³ vai ser R$ 100, R$ 120. Para manter a fossa devidamente limpa, ele estava pagando R$ 300 a cada 15 dias”, compara.

Capacitação

Para acelerar esse processo de ligação interna e ainda gerar oportunidades de emprego locais, a concessionária desenvolveu projetos de capacitação em parceria com o Senai. A empresa envia carretas de treinamento a bairros que estão recebendo rede nova, como o Itamaracá, para treinar moradores locais.

Nesses cursos práticos, os participantes aprendem a fazer a conexão residencial de esgoto e saem certificados. De acordo com o presidente da concessionária, “o morador, no fim do dia, ele também está tendo um ganho ali, porque ele está saindo com diploma, com certificado do Senai para poder trabalhar depois como pedreiro”.

Menos fossas, mais saúde

A substituição de fossas pela rede de esgoto reflete diretamente em um dos maiores gargalos da administração municipal: a saúde pública. Para detalhar essa correlação de forma científica, a Águas Guariroba divulgou um estudo abrangente elaborado em cooperação com o governo do Estado. O levantamento cruzou os dados geográficos da expansão da rede de esgoto com os registros de atestados médicos protocolados no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Buim ressalta a profundidade do levantamento ao apontar que “o estudo pega direto a quantidade de internações relacionadas a doenças de veiculação hídrica. Pega também a assiduidade do trabalhador e quanto de renda vai gerar nos próximos 10 anos após a universalização”. Ao cruzar as informações, a concessionária e o governo obtiveram resultados claros: “Pega tudo de atestado protocolado no INSS e cruza com a cobertura da rede de esgoto. Onde tem esgoto, você vê que tem menos afastamentos por doenças hídricas”. Essas doenças incluem diarreia, leptospirose e dengue.

Controle de pragas urbanas

Outro desdobramento direto da desativação das fossas domésticas e da canalização correta do esgoto é o controle de pragas urbanas. Com a rede pública, a presença de ratos nas moradias diminui consideravelmente, uma vez que “o rato não tem mais o sumidouro e a fossa para entrar. O esgoto é fechadinho, o rato não consegue entrar”.

A substituição das fossas tradicionais também interfere na questão dos escorpiões, um tema que gera preocupações frequentes entre os moradores. “Na fossa tem barata e um monte de sujeira”, explica. 

Estações

Toda a infraestrutura de tubulações subterrâneas requer estações de tratamento robustas e modernas para processar os resíduos coletados. Atualmente, Campo Grande opera com três Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e planeja a construção de uma quarta unidade, denominada ETE Coqueiro, voltada para atender especificamente à bacia de expansão da região noroeste. Recentemente, a concessionária colocou em operação a ETE Botas para atender a região do Nova Lima.

Contudo, o principal destaque tecnológico e financeiro da Capital estará na completa reformulação da ETE Los Angeles, que se consolidará como “um dos maiores investimentos em saneamento do País”. A obra, estimada em cerca de R$ 400 milhões, adotará a tecnologia de ponta Nereda. Gabriel Buim destaca que “vai ser o maior sistema Nereda do País”, com uma capacidade de tratamento projetada para atingir patamares inovadores.

A tecnologia elevará de forma significativa a qualidade do tratamento da água devolvida à natureza. Hoje, o nível de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) na ETE Los Angeles é de 90 miligramas por litro, mas, com a nova operação, cairá drasticamente. “Com esse novo sistema, vai sair a 10 mg/l. Vai sair água praticamente cristalina”.

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