Cidades

Levantamento

Em 10 anos, três policiais morreram em serviço em Mato Grosso do Sul

Morte de soldado da PM em Corumbá rompe sequência de cinco anos sem baixas na corporação

Continue lendo...

A morte do soldado da Polícia Militar Marcelo Pimenta da Silva, de 32 anos, durante uma tentativa de abordagem a criminosos em Corumbá, rompeu uma marca que colocava Mato Grosso do Sul entre os estados com menor vitimização policial do país.

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) mostram que, até o confronto registrado na noite de terça-feira (30), o Estado havia passado cinco anos consecutivos sem registrar policiais mortos em serviço e contabilizava apenas dois casos em uma década.

Com a morte do militar, o total chega a três policiais mortos em serviço nos últimos dez anos.

Os números revelam um cenário que chama atenção quando comparado à letalidade das ações policiais. Enquanto apenas três agentes perderam a vida em serviço no período, 434 pessoas morreram em decorrência de intervenções policiais entre 2013 e 2023, segundo dados oficiais da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

O levantamento demonstra que as mortes provocadas por ações policiais superam, com ampla diferença, a vitimização dos próprios agentes de segurança.

Em 2026, a letalidade decorrente de intervenção policial continua elevada. Dados oficiais apontam que, apenas nos primeiros meses do ano, 52 pessoas morreram em ações de agentes do Estado em Mato Grosso do Sul, número que já representava mais de 70% de todos os registros contabilizados ao longo do ano anterior.

Confronto na fronteira

A morte de Marcelo ocorreu durante uma ocorrência considerada de alto risco na região de fronteira com a Bolívia. Integrante do Grupamento Especializado Tático em Apoio Motociclístico (Getam), do 6º Batalhão da Polícia Militar, ele participava da tentativa de abordagem a suspeitos ligados ao tráfico de drogas quando foi atingido por um disparo, possivelmente de fuzil.

O policial chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital. Ele deixa uma filha de sete anos.

O caso ocorreu em uma das áreas consideradas mais sensíveis para a segurança pública estadual. Corumbá integra a faixa de fronteira com a Bolívia, região estratégica para o tráfico internacional de drogas, armas e outras atividades do crime organizado, cenário que frequentemente exige operações de alto risco das forças estaduais e federais.

Antes da morte do soldado Marcelo Pimenta, o caso mais recente de policiais mortos em serviço em Mato Grosso do Sul havia sido registrado em junho de 2020, quando os investigadores da Polícia Civil Antônio Marcos Roque da Silva e Jorge Silva dos Santos foram assassinados dentro de uma viatura descaracterizada, em Campo Grande.

Os dois conduziam um homem ouvido como testemunha de um roubo quando foram surpreendidos por disparos efetuados pelo suspeito, que fugiu e acabou morto horas depois em confronto com equipes policiais. Desde então, o Estado permaneceu cinco anos sem registrar mortes de agentes em serviço, sequência interrompida com o caso ocorrido em Corumbá

Entre os estados com menor vitimização policial

Os indicadores nacionais de segurança pública colocam Mato Grosso do Sul entre os estados com menor número de policiais mortos em serviço no país.

Na última década, o Estado registrou apenas três mortes de agentes em serviço, número que permaneceu baixo mesmo diante da extensa faixa de fronteira com Paraguai e Bolívia e da intensa atuação das forças de segurança no combate ao tráfico de drogas.

Até então, Mato Grosso do Sul era apontado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública como uma das unidades da Federação com menor índice de policiais mortos em serviço.

Antes da ocorrência em Corumbá, o Estado acumulava apenas dois casos entre 2015 e 2025, desempenho atribuído a fatores como planejamento operacional, treinamento das equipes e menor incidência de confrontos letais contra agentes públicos quando comparado a estados com maiores índices de violência.

MS em números

  • 3 policiais mortos em serviço nos últimos 10 anos (2016 - 2026);
  • 434 pessoas mortas em decorrência de intervenções policiais entre 2013 e 2023;
  • 52 mortes decorrentes de intervenção policial registradas em 2026 até o período considerado;
  • Cinco anos consecutivos sem registro de policiais mortos em serviço (2021 a 2025), sequência encerrada com a morte do soldado Marcelo Pimenta da Silva.

Uso da força em debate

As chamadas mortes decorrentes de intervenção policial correspondem aos casos em que uma pessoa morre durante ações de agentes de segurança pública, geralmente em confrontos armados ou em situações envolvendo o uso da força no exercício da atividade policial.

Esses registros são contabilizados separadamente das demais ocorrências de homicídio e integram os indicadores oficiais de segurança pública.

Se, por um lado, a vitimização policial permaneceu baixa durante a última década, por outro, os indicadores de mortes decorrentes de intervenção policial mantêm Mato Grosso do Sul inserido no debate nacional sobre o uso da força.

O levantamento da Sejusp mostra que a maioria das vítimas dessas ocorrências é composta por homens jovens, principalmente na faixa entre 15 e 29 anos, perfil predominante nas estatísticas estaduais.

Os dados evidenciam uma realidade marcada por duas faces da segurança pública. De um lado, policiais que atuam em operações de alto risco, especialmente nas regiões de fronteira, onde o enfrentamento ao tráfico de drogas e às organizações criminosas aumenta a exposição dos agentes.

De outro, um elevado número de mortes registradas durante intervenções policiais, tema que frequentemente mobiliza discussões sobre protocolos operacionais, uso proporcional da força, transparência das investigações e políticas públicas voltadas à redução da letalidade.

Enquanto os dados ajudam a dimensionar o cenário da segurança pública em Mato Grosso do Sul, as investigações sobre a morte do soldado Marcelo Pimenta seguem em andamento. Após o crime, as forças de segurança deflagraram uma operação integrada em Corumbá, Ladário e na faixa de fronteira com a Bolívia.

Durante as buscas, um dos suspeitos de participação no ataque morreu após, segundo a Polícia Militar, resistir à abordagem e entrar em confronto com as equipes. Outro investigado, apontado como um dos atiradores, foi localizado e permanece custodiado por força de mandado judicial.

Desafio permanente

Enquanto estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia concentram historicamente os maiores números de policiais mortos em serviço e de mortes decorrentes de intervenções policiais, Mato Grosso do Sul apresenta uma realidade distinta.

O Estado figura entre aqueles com menor vitimização policial do país, mas mantém um elevado número de mortes decorrentes da atuação policial, cenário que evidencia a complexidade dos desafios enfrentados pelas forças de segurança e reacende o debate sobre o uso da força e a preservação da vida.

O contraste entre a baixa vitimização policial e o elevado número de mortes decorrentes de intervenções reforça a complexidade do cenário sul-mato-grossense, marcado pelo enfrentamento constante ao crime organizado em uma extensa faixa de fronteira e pela necessidade de conciliar eficiência operacional, proteção dos policiais e respeito aos protocolos de uso da força.

PROMESSA CAMPO-GRANDENSE

Após ser convocado para Seleção, campo-grandense faz 1º gol em clássico

Arthur Dias marca primeiro gol pelo Athlético PR em clássico, dois dias depois de ser convocado por Carlos Ancelotti para amistosos do Brasil em setembro e outubro

12/09/2026 11h15

Foto: Reprodução

Continue Lendo...

Promessa do futebol sul-mato-grossense e recém-convocado para a Seleção Brasileira, Arthur Dias entrou em campo no clássico Athletiba, entre Athlético PR e Coritiba, na noite de ontem (11) e marcou seu primeiro gol pelo Furacão.

O jogador atua como zagueiro no time principal do Athlético PR desde julho do ano passado e em uma semana mágica, recebeu sua convocação na última quarta-feira (09), dois dias antes do jogo em que marcou pela primeira vez.

Natural de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o jovem atleta de 19 anos, foi convocado ao lado de outros 26 jogadores para os confrontos de amistosos do Brasil contra Austrália e Índia, nos dias 25 de setembro e 3 de outubro, respectivamente.

Em partida fora da casa do Furacão, onde o campo-grandense foi revelado ainda em 2023, quando assinou seu primeiro contrato profissional com o Athlético PR, o clássico paranaense foi agitado, com reviravoltas, defesas surpreendentes e gol inédito do garoto.

O campo-grandense marcou o segundo do gol do time, e ainda evitou um lance perigoso na defesa durante uma boa chance do adversário. No entanto, apesar da noite brilhante para Arhtur Dias, o jogo terminou empatado em 3 a 3, após reação do Coritiba no final.

 O jogo

Com campo alagado e clima de clássico, a partida iniciou favorável para o Athletico PR, que com apenas seis minutos pressionava a defesa do Coritiba. Em uma das grandes defesas do confronto, o zagueiro do Coxa, Jacy, tirou a bola praticamente em cima da linha do gol, e conseguiu retardar o primeiro gol do Furacão.

Mas aos 13 minutos, em cobrança de falta direto para dentro da área, o goleiro Morisco saiu adiantado e Luiz Gustavo subiu para abrir o placar, com um a zero para o Atlhetico PR.

Aos 29 minutos, João Cruz cobrou escanteio para o Furacão e Arthur Dias, campo-grandense récem-convocado por Ancelotti, dominou com a perna esquerda e chutou com a direita no canto esquerdo do goleiro adversário para ampliar a diferença no placar.

O jogo seguiu com chances perdidas para ambos os times, mas as emoções do primeiro tempo ainda não haviam acabado. Aos 42 minutos, o Coritiba conseguiu uma falta próxima da área e o atacante Breno Lopes, do Coxa, utilizou a mão na boca para falar com o adversário.

O juiz então foi ao assistente de vídeo, o VAR, e confirmou a expulsão do jogador, sob aplicação da Lei Vini Jr. que proíbe que jogadores escondam a boca ao falarem com adversários durante a partida. 

Com um a menos e um pouco de "sorte", ainda no primeiro minuto dos acréscimos, o Coritiba marcou seu primeiro gol. Aos 46, Josué cobrou a falta que explodiu no travessão, e sem querer, Tiago Cóser de peito colocou a bola para balançar a rede.

O primeiro tempo foi marcado por pausas para cartões amarelos e faltas, além de duas pequenas confusões entre os jogadores e a ida até o árbrito de vídeo que fez com que o juiz Wagner do Nascimento Magalhães deixou a bola rolar até os 60 minutos.

Com o campo ainda encharcado, o segundo tempo retornou com diversas alterações em ambos os times.

Após cobrança lateral para dentro da área e chute de Luiz Gustavo em cima da marcação, Aguirre, zagueiro athleticano tentou aproveitar a sobra e sofreu a falta. Na cobrança do pênalti, o artilheiro do Brasileirão, Viveros, marcou o terceiro do Furacão aos 15 minutos.

Porém, apesar do placar marcar 3 a 1, o jogo estava em aberto. Com substituições certeiras e sem desistir até o fim, o Coritiba reagiu ao final da partida, dentro dos oito minutos de acréscimos que o juiz deu.

Aos 46, mais uma vez Josué cobrou o escanteio, mas dessa vez com precisão e Moledo subiu sozinho, com cabeceio direto para o gol. E em cinco minutos, mais uma atuação da dupla não deu chance para o goleiro Mycael.

Josué cobrou falta dentro da área e com desvio de cabeça de Moledo, o Coxa marcou seu terceiro gol e empatou o clássico em casa, no Estádio Couto Pereira.

Com três gols para cada lado, virada no acréscimo e gol inédito de Arthur Dias, Athlético PR e Coritiba fecharam o placar em 3 a 3.

O Athlético PR ocupa a terceira posição no Campeonato Brasileiro, na zona de classificação direta para a fase de grupos da Conmebol Libertadores e o Coritiba está em sétimo, na zona de classificação para a fase de Grupos da Conmebol Sudamericana.

CHUVA

Após 42 horas, árvores ainda interditam vias de Campo Grande

Na Euler de Azevedo com a 13 de Maio, árvore caída ocupa parte da pista neste sábado (12)

12/09/2026 11h00

Árvore caída ocupa aproximadamente metade da pista na Avenida Euler de Azevedo, próximo ao cruzamento com a Rua 13 de Maio, na manhã deste sábado (12)

Árvore caída ocupa aproximadamente metade da pista na Avenida Euler de Azevedo, próximo ao cruzamento com a Rua 13 de Maio, na manhã deste sábado (12) Alicia Miyashiro

Continue Lendo...

Quase 48 horas após o temporal que atingiu Campo Grande, árvores derrubadas pela força dos ventos ainda fazem parte do cenário da Capital neste sábado (12) e chegam a comprometer o trânsito em algumas vias.

Em levantamento feito pelo Correio do Estado nesta manhã, foram encontrados pontos onde os galhos ainda avançam sobre a pista e exigem atenção dos motoristas.

Na Rua Filinto Müller, galhos de grande porte permanecem sobre parte da via mesmo em meio à chuva registrada neste sábado. A situação reduz o espaço disponível para circulação dos veículos e exige cautela de quem passa pelo trecho.

Já na região central, no cruzamento da Rua 13 de Maio com a Barão do Rio Branco, em frente ao Hotel Jandaia, os galhos já foram cortados, mas permaneciam acumulados no local durante a manhã. Cavaletes e cones da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) sinalizavam o trecho.

Outro ponto é registrado na Avenida Euler de Azevedo, nas proximidades da Rua 13 de Maio, onde uma árvore ainda ocupa aproximadamente metade da via.

A situação é um dos reflexos que ainda permanecem pela cidade desde o vendaval de quinta-feira (10), quando rajadas de vento de até 86 quilômetros por hora derrubaram árvores, atingiram veículos, destelharam prédios e provocaram uma série de ocorrências.

Até a manhã de sexta-feira (11), mais de 100 registros de árvores caídas já haviam sido contabilizados pela Prefeitura de Campo Grande. Além disso, 26 escolas foram destelhadas e três unidades de assistência social sofreram danos. 

Desde quinta-feira, equipes trabalham na retirada de árvores e galhos e na desobstrução das vias. Inicialmente, a Prefeitura mobilizou 15 equipes e, com o apoio da Defesa Civil do Governo de Mato Grosso do Sul, o número de frentes de trabalho chegou a 20.

Mesmo com a força-tarefa, a quantidade de ocorrências faz com que os trabalhos avancem pelo terceiro dia.

Na sexta-feira, a prefeita Adriane Lopes afirmou que as equipes municipais estavam nas ruas desde o temporal e que o gabinete de situação do município foi mobilizado para atender às demandas.

Segundo a chefe do Executivo municipal, não havia indícios de problemas em parte das árvores que foram derrubadas. A intensidade das rajadas teria sido determinante para as quedas registradas em diferentes regiões da cidade.

O temporal deixou árvores de diferentes portes espalhadas por Campo Grande. Algumas caíram sobre veículos, enquanto outras bloquearam parcial ou totalmente ruas e avenidas.

Uma figueira de grande porte, por exemplo, caiu na Avenida Mato Grosso durante a tempestade e chegou a interromper o trânsito no trecho.

Os estragos não ficaram restritos às vias. Conforme o balanço divulgado pela Prefeitura na sexta-feira, 26 escolas municipais tiveram danos no telhado e outras três unidades de assistência social também foram atingidas.

Na Esplanada Ferroviária, os prejuízos levaram a Defesa Civil a iniciar o registro da ocorrência no sistema de informações sobre desastres do Governo Federal. O levantamento poderá subsidiar eventuais medidas para obtenção de recursos destinados à recuperação dos danos.

A Prefeitura informou que mantém equipes mobilizadas para atender às ocorrências e retirar árvores e galhos que ainda estejam comprometendo vias ou oferecendo risco à população.

O coordenador da Defesa Civil de Campo Grande, Enéas Netto, afirmou na sexta-feira que diferentes setores da administração municipal foram colocados em prontidão após a tempestade.

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).