Cidades

Desrespeito

Em MS, taxa de recusa aos questionários do IBGE é mais alta em bairros de maior renda

Com atraso de mais de três meses para a conclusão do levantamento do IBGE, além das recusas, os recenseadores enfrentaram ameaças e hostilidades por parte da população, sobretudo de bairros de classe média e alta

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Em Mato Grosso do Sul, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a taxa de recusa aos questionários da pesquisa é maior em bairros de maior renda. 

Conforme já noticiado pelo Correio do Estado, a unidade estadual (de MS) do IBGE informou que o atraso para a conclusão das pesquisas censitárias já ultrapassou a casa dos três meses e, conforme o IBGE, são diversos os fatores que contribuem para a delonga da conclusão.

Um destes fatores diz respeito às recusas enfrentadas pelos trabalhadores do censo.

Segundo Sylvia Martinez Assad Oliveira, coordenadora do Censo em Campo Grande, além das recusas, os recenseadores enfrentaram ameaças e hostilidades por parte da população.

Sylvia discorre que são, sobretudo, nos bairros de média e alta renda que os trabalhadores do censo enfrentam maiores dificuldades para a realização de suas atividades, o que demanda mais esforço de convencimento e revistas dos recenseadores, fatores que dificultam a coleta de dados e a conclusão dos levantamentos estatísticos.

“O processo eleitoral, simultâneo ao Censo, gerou confusão e certa hostilidade em parte da população. Muitas vezes as pessoas estavam em casa e mesmo assim sequer atendiam a campainha ou o interfone. Não tínhamos como explicar a importância da pesquisa”, pontua a coordenadora.

Segundo o Instituto, em situações de recusa, o supervisor vai ao local verificar a situação e tentar explicar a importância e segurança de responder às pesquisas, mas existem casos que necessitam de um esforço maior.

Segundo o Superintendente do Instituto em MS, Mario Alexandre de Pinna Frazeto, além destes fatores, os condomínios têm se apresentado como outro empecilho enfrentado pelas equipes do censo, uma vez que, “nos últimos anos, (os condomínios) ficaram cada vez mais fechados para nossas pesquisas”.

Além disso, Mario discorre que a população está mais distante e apreensiva após os períodos de isolamento social acarretado pela pandemia da Covid-19, bem como devido a diversos casos de golpes virtuais.

“Chegamos a ter casos de locais que, em um primeiro momento, proibiram o trabalho do recenseador em sua área interna. Foi necessário buscar a ajuda da procuradoria federal para esclarecer a importância do trabalho, além do embasamento em lei, tanto do sigilo das informações, quanto da obrigatoriedade de responder ao Censo”, finaliza.

A taxa média de recusas no estado é de 1,74%, abaixo da média nacional que é de 2,43%. Em São Paulo, líder do ranking entre os estados, o percentual dos que se recusam a responder é de 4,49%; A média de morador ausente em MS é de 5,78% e a do Brasil é de 4,62%.

Quase 100% 

Até 31 de janeiro, foram recenseadas 2.504.514 pessoas em Mato Grosso do Sul, em 1,2 milhão de domicílios. Isso representa cerca de 89,3% da população total, conforme o resultado prévio do Censo (2,8 milhões de pessoas).

Além disso, entre as Unidades da Federação, Mato Grosso tem a maior média de moradores ausentes (14,04%). 

A previsão é de que o IBGE divulgue os resultados definitivos do Censo referentes à população dos municípios em abril de 2023.

Os municípios de MS com os maiores índices de recusa são: Terenos - 8,89%, Corguinho – 3,79%, Sidrolândia – 3,62%, Ladário – 3,29%, Bataguassu – 2,88%, Rio Negro – 2,75%, Ivinhema – 2,63%, Dourados – 2,44%, Bela Vista – 2,40% e Nova Alvorada do Sul – 2,31%.

Desvalorização

Ao Correio do Estado, o coordenador operacional do Censo em MS, Alex Uchôas explicou que diversas situações acabaram por atrapalhar a conclusão da pesquisa, mas os baixos salários e ganhos conforme a produtividade, fizeram com que as inscrições nos diversos processos seletivos abertos antes e durante o censo fossem baixas. 

O coordenador afirmou que o Instituto reconheceu este erro e alterou as taxas pagas aos funcionários no decorrer do Censo. No entanto, não especificou como foi realizada esta mudança. 

Por outro lado, o coordenador afirma que em MS o IBGE teve mais um obstáculo para contratar, já que a mão de obra disponível é escassa, tendo em vista que o Estado figura como terceiro no ranking dos locais com menor índice de desocupação. 

“Mato Grosso do Sul é o terceiro estado com menor índice de desocupação do país. Então, aqui a mão de obra já não é tão fácil assim tão abundante para fazer a contratação”, destacou. (Colaborou Ana Clara Santos)

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ENCONTRO

Oposição cobra afastamento de Gonet após foto com Vorcaro em Londres

O advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro

19/09/2026 18h00

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro Divulgação: Polícia Federal

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Lideranças da oposição cobraram neste sábado, 19, o afastamento do cargo do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto em que ele aparece ao lado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em uma degustação de charutos em Londres.

O registro foi enviado no dia 19 de junho de 2025. "PG mandou agora", disse o advogado Ciro Soares, que intermediava as conversas entre Gonet e o banqueiro, em mensagem logo em seguida A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.

Ao O Globo, a assessoria de Gonet confirmou o encontro, mas lembrou que o ministro André Medonça, do Supremo Tribunal Federal, atestou durante sessão da Corte que não encontrou ilícito envolvendo o procurador-geral. Na sessão da terça-feira, 15, Mendonça fez menção a encontros sociais apenas vinculados ao nome de Gonet.

Em nota via assessoria de imprensa, o advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro. "Não há qualquer irregularidade na foto", afirma.

Candidato do Novo ao Senado pelo Rio Grande do Sul, o deputado federal Marcel van Hattem acusa Gonet de ter mentido na sessão do Supremo Tribunal Federal realizada na última terça-feira, 15. Na ocasião, a corte analisou uma petição que trata da possibilidade de que seja aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

"(A foto) Mostra mais uma vez que eles acham que estão acima de qualquer crítica, inclusive mentindo deslavadamente na sessão do Supremo Tribunal Federal", disse Van Hattem. "Se não tinha proximidade, talvez seja só porque ele apareceu na foto do outro lado da mesa, o que obviamente é um escárnio, uma ironia. Ele precisa ser investigado também e sair da procuradoria-geral da República", afirmou.

Na sessão, Gonet afirmou que não teve proximidade com o dono do Banco Master e disse que esteve com o empresário em ocasião com outras autoridades no mês de abril de 2024.

O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, também acusou Gonet de ter mentido. "Disse que não tinha proximidade, que Vorcaro era desconhecido, que o encontro foi breve, banal, no meio de muita gente", escreveu em uma rede social. "Há 17 dias eu protocolizei no STF o pedido de afastamento de Paulo Gonet do caso Master. Ele continua no cargo e o Senado continua em silêncio", continuou.

Ex-secretário da Pesca no governo de Jair Bolsonaro (PL), o senador Jorge Seif (PL-SC) defendeu que o procurador-geral da República renuncie ao cargo. "O PGR de Lula, Gonet, também está enrolado com Master/Vorcaro. Mentiroso. Por isso na última semana protocolei o impeachment desse sujeito", disse, em postagem em uma rede social. "Não tem a menor condição de seguir à frente da PGR. Se tivesse vergonha na cara, renunciaria. Mas o que esperar dessa gente? Caras de pau", concluiu.

Para o deputado federal Zucco (PL-RS), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, a foto "reforça a percepção de que, no Brasil, dinheiro e influência abrem portas que permanecem fechadas ao cidadão comum".

"Enquanto milhões de brasileiros esperam anos por uma decisão judicial, personagens poderosos circulam com desenvoltura entre ministros, magistrados e as autoridades que deveriam fiscalizá-los", disse.

Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) argumentou que quem ocupa cargos públicos precisa respeitar distanciamento. "As relações são institucionais", disse. Para ele, o procurador-geral escolheu "se aproximar de investigados e dos clientes". "Como disse em sua sabatina no Senado: 'Gonet, você fracassou'", escreveu.

CAMPO GRANDE

Projeto que suspende descontos do Master na folha dos servidores é aprovado

Câmara Municipal de Campo Grande aprovou a medida que alcança servidores ativos, aposentados e pensionistas

19/09/2026 17h00

Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) aplicou dinheiro no Banco Master

Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) aplicou dinheiro no Banco Master Gerson Oliveira

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Nesta semana, a Câmara Municipal de Campo Grande aprovou o Projeto de Lei que determina a suspensão dos descontos em folha de pagamento relacionados ao Banco Master, ao CredCesta e às instituições e empresas vinculadas às operações. A medida alcança servidores municipais ativos, aposentados e pensionistas.

O projeto de lei é de autoria da vereadora Luiza Ribeiro (PT) e do vereador Jean Ferreira (PT). Com a aprovação da Casa de Leis, o projeto segue agora para sanção da Prefeitura de Campo Grande. 

A proposta foi aprovada em única discussão e votação e estabelece a suspensão do processamento dos descontos referentes a empréstimos consignados, cartões de crédito consignados, cartões de benefício consignado e outras modalidades de crédito vinculadas às instituições.

O texto também prevê a suspensão de novas averbações em folha e determina que o Município adote medidas para verificar a regularidade dos contratos e das operações. Entre as providências previstas estão: a disponibilização aos servidores de cópia integral dos contratos; demonstrativo atualizado do saldo devedor; e memória discriminada do cálculo da dívida. 

No projeto apresentado em setembro, Luiza Ribeiro voltou a questionar a regularidade das consignações e do credenciamento das instituições no sistema municipal. A justificativa cita, entre outros pontos, requisitos previstos no Decreto Municipal nº 13.870/2019 e sustenta que a utilização da folha de pagamento deve observar as regras estabelecidas pelo próprio Município.

A suspensão dos descontos não significa perdão ou extinção de eventuais dívidas. A medida interrompe o desconto automático em folha enquanto são realizadas as apurações necessárias sobre a regularidade das consignações e dos contratos.

A proposta aprovada estabelece, portanto, uma proteção imediata à folha de pagamento dos servidores municipais e cria mecanismos para que as operações vinculadas ao Banco Master e ao CredCesta sejam analisadas antes da continuidade dos descontos.

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