Cidades

INDENIZAÇÃO

Em MS, Ministério Público condena Carrefour a pagar R$ 400 mil por assédio moral

Vários funcionários foram ouvidos pelo MPT, o que levou o Juiz do trabalho, Valdir Aparecido Consalter Júnior, a chamar o caso de "assédio moral organizacional"

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Após repercutir, em âmbito nacional, vídeo de um vendedor sendo humilhado por gerente em unidade do Carrefour, em Campo Grande, o hipermercado foi condenado a pagar R$ 400 mil em indenização por dano moral coletivo. 

A ação foi movida pelo Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul (MPT-MS).

Apesar da humilhação registrada em vídeo ter sido um dos principais motivos pela condenação indenizatória, não foi o único. A empresa já possui outros registros de denúncias por assédio moral e não apenas em Mato Grosso do Sul. 

À época do caso da repercussão do vídeo, filmado por outros funcionários que testemunharam a circunstância, os mesmos relataram ter recebido xingamentos e ofensas que, inclusive, eram racistas. 

Vários funcionários foram ouvidos pelo MPT, o que levou o Juiz do trabalho, Valdir Aparecido Consalter Júnior, a chamar o caso de "assédio moral organizacional". 

Segundo o juiz, os episódios configuram assédio moral principalmente por tratar-se de uma situação em que existe uma hierarquia que tolera práticas inadequadas como essas. 

"No caso dos autos ficou demonstrado que os requeridos falharam no seu dever de cuidado e atenção com o meio ambiente de trabalho digno e saudável de seus empregados, porquanto é sua obrigação zelar pelo bem-estar e atentar-se a possíveis agressões que estejam sofrendo no exercício de suas funções, ainda e especialmente se provocadas por seus prepostos",afirmou o juiz". 

Logo, o Carrefour deverá pagar a indenização no valor de R$ 400 mil, valor que será destinado a entidades sem fins lucrativos. 

 

PRISÃO

Criminosos levam cinco dias para furtar arsenal de armas em casa no Coophasul

Os policiais recuperaram munições, além de outros itens da casa e apreenderam 660g de cocaína avaliada em R$15 mil

16/04/2026 11h20

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A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada em Repressão a Roubos e Furtos (DERF), prendeu os criminosos que furtaram um arsenal de armas de fogo e munições, no bairro Coophasul. O furto durou cinco dias consecutivos, já que os moradores estavam fora da residência.

Após a prisão inicial de dois homens, de 37 e 20 anos, os suspeitos confessaram ter invadido o imóvel e arrombado um cofre que continha armas de grosso calibre, munições e outros itens da casa.

Durante as investigações, os policiais identificaram que parte das armas e objetos haviam sido repassados para um terceiro envolvido, de 38 anos. Ao chegarem na residência do suspeito, encontraram um fogão cooktop furtado da vítima.

Em buscas no imóvel, também foram localizadas munições de calibres 9mm e .22 escondidas em buracos de tijolos. No terreno aos fundos, os policiais perceberam que a terra estava remexida e, ao escavarem, encontraram um balde enterrado contendo 660g de cocaína, avaliada em aproximadamente R$ 15 mil.

Na busca em outros endereços, os policiais recuperaram dois ares-condicionados, mesas, cadeiras, grill, ferramentas e bebidas. Um homem de 44 anos foi preso em flagrante pelo crime de receptação. Egresso do sistema prisional há pouco tempo, o suspeito possui extenso histórico criminal com condenações por tráfico, homicídio e porte ilegal de arma.

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Última Ratio

PF pede indiciamento de 7 desembargadores por venda de sentenças

Relatório, concluído em 20 de março pelo delegado Marcos André Araújo Damato e encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça e ao MPF

16/04/2026 11h00

MARCELO VICTOR

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A Polícia Federal concluiu que há indícios de venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e recomendou ao Ministério Público Federal a denúncia de sete desembargadores, um juiz e um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Eles podem responder por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, apuração que integra o inquérito da Operação Ultima Ratio, deflagrada em outubro de 2024.

A PF propõe seis ações penais contra os desembargadores Sérgio Fernandes Martins, único ainda na ativa; Alexandre Aguiar Bastos e Marcos José de Brito Rodrigues, afastados; além de Divoncir Schreiner Maran, Júlio Roberto Siqueira Cardoso e Sideni Soncini Pimentel, aposentados. Também são citados o conselheiro do TCE Osmar Domingues Jeronymo e o juiz Paulo Afonso de Oliveira, afastado da 2ª Vara Cível de Campo Grande.

O relatório, concluído em 20 de março pelo delegado Marcos André Araújo Damato e encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça e ao MPF. No documento, o delegado sugere a propositura de ações penais com base nas evidências reunidas ao longo da investigação.

Segundo a investigação, decisões judiciais teriam sido negociadas em processos que envolvem propriedades rurais de alto valor. Entre os casos, está a Fazenda Paulicéia, em Maracaju, avaliada em R$ 85 milhões, e a Fazenda Vai Quem Quer, em Corumbá, estimada em R$ 24 milhões.

No caso da Fazenda Paulicéia, a PF aponta que Osmar Jeronymo e seus sobrinhos, Diego e Danillo Moya Jeronymo, podem ser denunciados por corrupção, falsificação de escritura pública, organização criminosa e extorsão. A propriedade teria sido tomada de uma viúva mediante fraude. Desembargadores também teriam participado da suposta venda de decisões relacionadas ao caso, com intermediação do advogado Félix Jayme Nunes da Cunha.

A investigação também identificou suspeitas de negociação de decisões em julgamento realizado em 15 de abril de 2024, envolvendo a Fazenda Santo Antônio. De acordo com o relatório, o pagamento de R$ 1 milhão teria sido feito por meio de familiares de um dos magistrados.

Outro episódio envolve a Fazenda Vai Quem Quer, cuja aquisição teria contado com decisões judiciais favoráveis obtidas mediante pagamento indevido. O comprador responde a ação penal por suposta fraude e recusou acordo para devolução do imóvel.

O relatório apontou indícios de irregularidades em negociações relacionadas às fazendas Montanha e San Diego, além de um caso de golpe com notas promissórias falsas que teria causado prejuízo de R$ 5,5 milhões a um engenheiro aposentado.

Em um dos pontos do relatório, a PF aponta possível lavagem de dinheiro por parte do desembargador aposentado Júlio Roberto Siqueira Cardoso, que teria utilizado conta bancária de um familiar para adquirir um imóvel na Bahia com dinheiro em espécie.

Considerada a maior investigação envolvendo magistrados em Mato Grosso do Sul, a Operação Ultima Ratio resultou, à época, no afastamento de cinco desembargadores, com uso de tornozeleira eletrônica. Posteriormente, as medidas cautelares foram revogadas. Parte dos investigados segue afastada por decisão do Conselho Nacional de Justiça, enquanto outros se aposentaram.

O caso agora está sob análise do Ministério Público Federal, que decidirá sobre o oferecimento das denúncias.

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