Cidades

IMBRÓGLIO

Enfermeiros querem que piso seja pago fora dos benefícios e adicionais

Regra nacional calcula piso a partir de salário-base e mais abonos recebidos pelo profissional. Dessa forma, há profissionais que já recebem o valor estipulado e não têm direito ao complemento do Ministério da Saúde

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Apesar de Campo Grande ter recebido R$ 11,8 milhões vindos do Ministério da Saúde para complementação para o pagamento do Piso Nacional de Enfermagem, a categoria alega estar insatisfeita. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Enfermagem da Capital, apenas metade dos profissionais irão receber esta complementação. 

Ao Correio do Estado, o presidente da entidade, Angelo Macedo, explicou que esta situação foi criada por causa das orientações que vieram na cartilha de orientação da Advocacia Geral da União (AGU), que condicionou o repasse para o servidor aos benefícios e adicionais que já existem. 

O Sindicato aponta que a prefeitura irá seguir esta orientação, embora pudessem questionar o conteúdo da cartilha até o dia 10 de setembro, o que não foi e nem será feito pela prefeita Adriane Lopes ou pelo secretário municipal de Saúde, Sandro Benites. 

Macedo exemplifica que, seguindo esta lógica, um técnico de enfermagem que tem o salário base inicial de R$ 1.700,00, teria que receber R$ 500 de complementação para atingir o piso. Contudo, se for considerar o adicional de produtividade de R$ 300, por exemplo, o profissional ficaria apenas com R$ 200,00 a receber.

O presidente pontua que os profissionais ficaram insatisfeitos com a forma escolhida para o pagamento da complementação e entendem que o valor deveria ser feito a partir do salário-base, ou seja, desconsiderar quaisquer adicionais ou benefícios recebidos pelo enfermeiro. 

No entanto, a cartilha é clara ao explicar que o piso é a composição do salário-base junto com “as vantagens pecuniárias de natureza Fixa, Geral e Permanente”, ou seja, auxílios, abono por especialização ou adicionais, como de produtividade e insalubridade. 

“Isto é, o piso inclui os valores que não mudam ao longo do tempo e que são pagos a todos os ocupantes de determinada posição com jornada de trabalho semelhante, sendo atreladas ao cargo ou emprego – não a quem os ocupa”, descreve a cartilha. 

De acordo com Macedo, a regra pegou a categoria de surpresa, já que, até então, a expectativa era que todos os profissionais fossem contemplados com o valor.

“Fomos pegos de surpresa e poucos serão beneficiados e isso causa um universo de incertezas. Sempre perdemos no último minuto”, desabafa Macedo. 

Ainda segundo o presidente esta situação poderia ser evitada pela prefeitura, já que não enviou para o Ministério da Saúde os questionamentos a respeito dessa orientação da AGU.

Além disso, está sendo considerado para o cálculo do piso uma carga horária de 30 horas e não 40 horas, mesmo que o concurso público prestado para ingressar na carreira na rede municipal tenha sido de 40 horas. 

“Não foi levado em conta todo o contexto e nem considerada as 40 horas porque nosso concurso é para esta carga horária. A prefeitura não levou os questionamentos ao Ministério da Saúde mesmo tendo até o dia 10 de setembro para fazer isso”, 

De fato, além de esclarecimentos e orientações, na cartilha da AGU consta que o prazo para que questionamentos e correções possam ser feitas junto ao Ministério da Saúde vai até o dia 10 de setembro. 

Como já mostrado pelo Correio do Estado, a prefeita afirma que pretende fazer o depósito para os servidores até o dia 6 de setembro, após a lei sobre o Piso ser votada na Câmara Municipal. 

Ainda em relação à prefeitura, Macedo afirma que não houve transparência com o Sindicato, que nem mesmo foi chamado para reunir-se com a Chefe do Executivo para tratar a respeito do assunto e de como o pagamento será feito. 

INSALUBRIDADE E PROTESTO 

O presidente do sindicato afirmou que irá organizar, junto da categoria, um protesto na segunda-feira (28), às 9h00. A ideia é que os profissionais se reúnam na frente da prefeitura. 

Além de pressionar Adriane a respeito da transparência para o pagamento do piso, o sindicato também irá cobrar o pagamento do adicional de insalubridade. Esta batalha já se arrasta há tempos. 

Em última decisão, a Justiça de Mato Grosso do Sul negou o recurso interposto pela Prefeitura para não pagar o valor cobrado, contudo, agora o Executivo não tem direito a mais recursos.

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discord

Após morte em MS, plataforma diz ter desativado servidor que incentivava automutilação

Menina de 13 anos teve a morte transmitida ao vivo na plataforma Discord, incentivada por grupo extremista que agia online

10/08/2026 18h45

Operação Lívia cumpriu mandados em cinco estados e investiga organização criminosa suspeita de manipular adolescentes em plataformas digitais

Operação Lívia cumpriu mandados em cinco estados e investiga organização criminosa suspeita de manipular adolescentes em plataformas digitais Divulgação

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Após a morte da adolescente Lívia, de 13 anos, em Naviraí, no dia 22 de julho, que foi incentivada e obrigada a tirar a própria vida com transmissão ao vivo em grupos on-line de automutilação, a plataforma Discord informou que identificou e desativou o servidor privado onde os integrantes incentivaram o suicídio da vítima e outros comportamentos violentos no ambiente digital.

Conforme reportagem do Correio do Estado, a morte da adolescente foi inicialmente reportada como suicídio, mas posteriormente a investigação apontou que se tratava de um homicídio resultante de manipulação feita por organização criminosa em ambiente online.

Com a repercussão do caso, especialmente após a Operação Lívia, deflagrada no dia 4 de agosto, que cumpriu mandados de busca a apreensão em seis locais distintos no Rio de Janeiro, no Ceará, em Minas Gerais, no Pará e em Mato Grosso do Sul contra jovens de 14 a 18 anos, o governo federal, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), pediu esclarecimentos à empresa sobre a atuação no caso da adolescente sul-mato-grossense e cobrou medidas para proteger usuários com menos de 18 anos.

O Discord se manifestou afirmando que o servidor era acessível apenas mediante convite e não podia ser encontrado por outros usuários da plataforma em busca, mas que a empresa investigou e apagou o grupo com antecedência. Não foi informado, no entanto, quando a empresa identificou o servidor, quantos usuários faziam parte dele e quais medidas foram tomadas contra os integrantes.

A plataforma disse ainda que não tolera grupos ou indivíduos que promovam ou incentivem a violência e que mantém diálogo contínuo com autoridades brasileiras, incluindo o Ministério da Justiça, além de ter equipes especializadas que atuam na identificação de grupos envolvidos em atividades violentas, na remoção de conteúdos que violem suas políticas e na identificação de possíveis vítimas.

Até o fim desta semana, a empresa deverá apresentar à AGU uma proposta concreta de medidas e procedimentos destinados a corrigir falhas identificadas e assegurar o cumprimento das obrigações legais de proteção à criança e ao adolescente.

Caso a plataforma não adote providências consideradas suficientes para sanar as irregularidades e garantir a proteção exigida pela legislação, a AGU informou que poderá adotar as medidas judiciais pertinentes, inclusive o eventual ajuizamento de ação civil pública.

Caso Lívia

Encontrada morta na manhã de 22 de julho, em Naviraí,  Lívia foi incitada ao autoextermínio por grupos extremistas.

No dia 4 de agosto, a Operação Livia foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, através da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), em conjunto com o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP).

A polícia descobriu que adolescentes e um jovem de 18 anos faziam parte de grupo que utilizava diferentes plataformas para localizar as vítimas, conquistar sua confiança e exercer controle sobre elas. 

Entre as práticas identificadas estão desafios cada vez mais violentos, automutilação, humilhações, exposição degradante e outras formas de violência psicológica, que em casos extremos culminavam na indução ao suicídio.

“Nós podemos falar que existem escravos virtuais. Isso acontece principalmente com as meninas. Então, dentro dessa organização criminosa, eles têm aquelas pessoas que vão captando vítimas, fazem uma engenharia social. Os adolescentes, eles deixam, muitas vezes, suas redes sociais abertas, então, eles começam a procurar pela família, onde estudam e, diante de todas aquelas informações, se passam por outra pessoa”, explicou a delegada , Anne Karine Sanches Trevizan Duarte.

“É importante frisar que nenhuma rede social dessas pessoas condizia com a foto delas. Era sempre outra foto, outro tipo de pessoa, outro tipo de sexo. Então, é realmente para trazer o adolescente e a criança. Existem crianças vítimas também”, completou.

No dia da morte de Lívia, o grupo teria ficado cerca de duas horas pressionando a jovem até que ela decidisse cometer o suicídio, que teria sido um “castigo” por não ter cumprido uma tarefa passada pelos administradores do que eles chamavam de “panela”.

A jovem teria que fazer o que eles chamam de “luz”, que seria matar o próprio gato. Com a recusa dela de machucar o animal, os administradores e também expectadores, segundo a delegada, teriam pressionado a jovem a cometer suicídio.

“É como se eles estivessem jogando um videogame, tem que passar de fase. Então, assim, é uma frieza muito grande, é uma violência muito grande, é desconsiderar a vida humana de forma absurda. Eles têm satisfação com esse resultado. Várias pessoas assistindo e incentivando que praticassem a automutilação, em outros casos, a morte mesmo em si”, contou a delegada.

Anne Trevisan ainda afirmou que outros suicídios também são investigados por ligação com esses grupos, mas não quis detalhar o estado onde eles teriam acontecido.

Ainda conforme a delegada, o adolescente infrator de 14 anos apreendido na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, foi que determinou “todas as coordenadas” que a adolescentes que morreu em Naviraí devia seguir para se suicidar.

polarização

Paulo Betti relata surpresa ao encontrar loja que proíbe entrada de petistas em Bonito

Ator esteve no município para festival de cinema e contou a Chico Pinheiro como reagiu ao aviso político na fachada de um comércio

10/08/2026 18h30

Ator Paulo Betti

Ator Paulo Betti Reprodução/instagram

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A passagem do ator Paulo Betti por Bonito, em Mato Grosso do Sul, acabou marcada por uma situação que chamou sua atenção durante a estadia no município. Convidado do jornalista Chico Pinheiro no canal Instituto Conhecimento Liberta, Betti contou ter encontrado uma loja de toldos com uma placa que dizia: “Proibida a entrada de petistas, inclusive clientes”.

Betti esteve em Bonito nas últimas semanas para participar do Festival de Cinema Bonito Cinesur, onde foi um dos destaques do evento. Durante a visita à cidade, conhecida pelos atrativos turísticos e pela natureza, o ator também aproveitou para conhecer estabelecimentos e a gastronomia local.

Foi durante esse período que se deparou com a placa na fachada do comércio. “Você sabe que eu estive agora em Bonito num festival de cinema. Um lugar lindo! Eu vi lá uma casa de toldos que tem uma placa escrito ‘Proibida a entrada de petistas, inclusive clientes’”, relatou.

A situação chamou a atenção do ator, que decidiu registrar o momento em frente ao estabelecimento. Em uma fotografia, Betti aparece ao lado da atriz Valentina Herszage fazendo o “L”, gesto associado aos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao contar o episódio a Chico Pinheiro, Betti relacionou a experiência em Bonito ao ambiente de polarização política no Brasil e questionou como a situação seria recebida caso a mensagem tivesse como alvo eleitores de outro grupo político.

“Imagina se fosse ao contrário, seria um escândalo. Por isso que eu acho que nós corremos risco”, afirmou.

A experiência também serviu de ponto de partida para o ator falar sobre a divisão política no país. Durante a entrevista, Betti defendeu que a população compreenda o que chamou de “luta de classes”.

“As pessoas precisam entender que existe uma coisa chamada luta de classes. De pelo menos falar assim: ‘Olha, bicho, se você é pobre, você não pode votar no candidato do rico'”, disse.

O relato foi feito dias depois da passagem do ator por Mato Grosso do Sul. Apesar da repercussão da situação, Betti também destacou positivamente a cidade onde esteve para o festival. “Um lugar lindo!”, resumiu o ator ao lembrar de Bonito durante a entrevista.

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