Cidades

Entrevista

"Entendemos que toda mudança que vier vai ser bem-vinda"

À frente da Agetran há três meses, Ciro Ferreira falou sobre a venda do Consórcio Guaicurus, as mudanças viárias em Campo Grande e seu tempo no comando da autarquia de trânsito

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Nomeado em abril para comandar a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), o diretor-presidente Ciro Ferreira conversou com o Correio do Estado sobre a venda do Consórcio Guaicurus, que está em análise pela autarquia, as mudanças viárias em Campo Grande e os planos do seu mandato, que deve durar até a próxima eleição municipal, em 2028.

Nos últimos meses, os motoristas da Capital têm percebido alterações no trânsito de alguns trechos importantes da cidade, como, por exemplo, o reordenamento viário na Avenida Afonso Pena.

Nesta semana, as rotatórias das Avenidas Rodolfo José Pinho e Rachid Neder começaram a ser retiradas e darão lugar aos semáforos, com o objetivo de melhorar o fluxo das vias.

Ainda, na terça-feira, todos, incluindo os administradores municipais, foram pegos de surpresa com a venda do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, para a empresa goianiense HP Mobilidade. 

Porém, a negociação ainda precisa do aceite do Município para ser concretizada, do qual a Agetran é parte essencial da comissão responsável pela análise da nova empresa.

Além destes dois assuntos, Ciro Ferreira também falou sobre o que foi feito durante sua gestão como comandante da Agetran – completará quatro meses no dia 6 de agosto – e sobre seus planos para os próximos dois anos e meio como diretor-presidente da Agetran. Confira a entrevista completa.

Recentemente, a Agetran começou a implantar mudanças viárias na Capital. Desde quando a autarquia tinha a intenção de fazer essas mudanças e o que levou a finalmente tirá-las do papel?

A Agetran vem acompanhando o trânsito constantemente e, com base nos estudos técnicos que fazemos, toda vez que algum técnico nosso identifica um ponto de lentidão ou uma questão de sinistros que acontece, então a gente procura estudar aqueles pontos.

A própria demanda da sociedade e da comunidade pede algumas intervenções, nós passamos a estudar isso e diante disso temos vários pontos da cidade que identificamos que é necessário fazer intervenção. 

Nós não conseguimos fazer todos de uma vez, mas a gente consegue ir atacando toda vez que tiver o projeto pronto, que está em condições de empenhar, nós procuramos aplicar. Então, temos vários pontos que nós pretendemos intervir na cidade.

Quantos bairros devem ser beneficiados com essas mudanças ao longo deste ano?

Nós temos pontos em todas as regiões e temos procurado atender em todas as regiões. Nós não direcionamos para uma região, para um bairro A ou B.

Vamos seguindo esses estudos técnicos que são feitos e sempre focando principalmente nos pontos de conflito, onde nós temos um fluxo considerado de lentidão, há um índice de sinistros também que acontece aqui e dali. 

Tudo isso nós consideramos para intervir. Procuramos as vias que são arteriais, vias que são estruturais, mas procuramos também atender em todas as regiões e em todos os bairros.

Além de proibição de conversões, mudanças de sentido e retiradas de rotatórias, quais outros projetos devem ser executados?

Desenvolvemos várias ações enquanto agência, não só na parte de segurança específica de intervenções viárias, mas nós procuramos sempre desenvolver e temos buscado desenvolver a modernização da estabilização horizontal e vertical, implantação de novas travessias de pedestres, melhoria na acessibilidade para as pessoas que têm essa necessidade, adequação semafórica com sincronização de tempos, modernização do nosso parque semafórico, também implantação de áreas de segurança para motociclistas, ciclistas, onde houver essa viabilidade, é óbvio, reorganização de estacionamentos, fortalecimento da educação para o trânsito e ampliação do monitoramento e também das decisões baseadas em dados. 

Nós temos hoje uma gestão baseada nessa organização, estruturação de dados para que a gente possa tomar as melhores decisões que vão trazer segurança viária para o município.

As obras são feitas com recursos e pessoal próprio da prefeitura? Qual o investimento nessas intervenções?

Nós procuramos utilizar o máximo possível as equipes da própria Agetran com os recursos do município. A grande preocupação é que a gente consiga otimizar os recursos públicos que nós temos, com responsabilidade, com inteligência, para usar da melhor forma possível. E é difícil especificar um valor específico porque depende de cada projeto, depende de cada intervenção.

Ao fim do ano, essas mudanças devem contribuir de que forma para melhorar o trânsito da Capital?

O resultado que nós esperamos é um trânsito com fluidez, mas com segurança. Buscamos essa fluidez com segurança de forma que a gente contribua com a qualidade de vida do cidadão também com o tempo de vida, porque hoje nós perdemos muito tempo no trânsito, e Campo Grande se tornou uma cidade em grande expansão e isso traz uma pressão muito grande em cima do fluxo de veículos, das vias e tudo mais. 

Então, nós buscamos, além dessa qualidade de vida, dessa questão da melhoria do tempo das pessoas, também trazer essa segurança, redução de sinistros, as pessoas terem mais consciência e empatia no trânsito também, e que a gente consiga reduzir o número de mortes no trânsito. Tudo isso são os nossos objetivos.

Sobre a venda do Consórcio Guaicurus, o senhor avalia com bons olhos essa negociação? Não tinha mais como a empresa continuar à frente da concessão? 

É difícil nós emitirmos opinião porque é um processo que está em andamento ainda, nós não temos uma conclusão.

A agência está para fazer a parte dela, que é a fiscalização do serviço, e nós entendemos que toda melhoria vai ser bem-vinda, quer seja com essa empresa ou com outra, ou até mesmo a resolução com o Consórcio Guaicurus.

O que nós queremos realmente é que se resolva esse problema do transporte, e a agência contribui nesse sentido também.

Entendemos que é necessária a mudança e toda mudança que vier vai ser bem-vinda, com certeza dentro daquilo que for programado, daquilo que for assumido de compromisso ou com essa empresa ou com outra. 

E quando a decisão quanto à negociação deve ser tomada pelo Município?

Existe um prazo da comissão de intervenção e também da comissão administrativa processante, e esses prazos devem ser respeitados.

Nós acreditamos que, ao final disso, se a empresa, como disse a prefeita, apresentar um plano consistente, um plano robusto, que vai realmente trazer melhorias para o sistema, para o serviço e para o estado da sociedade, eu acredito que essa é a nossa esperança. 

O senhor está no cargo desde abril deste ano, nesse período, qual foi sua maior contribuição para a Agetran?

Eu já fazia parte da equipe da Agetran, e a agência já vem em uma construção dessa gestão baseada em dados, em evidências, uma gestão integrada.

Nós procuramos, com toda a equipe, realmente trazer uma gestão técnica, uma gestão focada em resultados, que a gente possa entregar o máximo para a segurança viária e mobilidade do município. 

Então, o que a gente espera é que, com a nossa contribuição aqui, com a equipe, que são pessoas que têm um comprometimento muito grande com o trânsito e com a segurança viária, a gente consiga realmente desenvolver um bom trabalho e trazer essa mobilidade inteligente e segura para todos. 

Quais são seus objetivos no curto e longo prazo à frente da Agetran?

No curto prazo é a gente implementar essas mudanças que estão já planejadas e continuar os nossos estudos para que a gente possa, a longo prazo, realmente entregar essa mobilidade segura e inteligente para o município.

A gente trabalha nesse sentido para que possamos trazer qualidade de vida, salvar vidas, trazer educação para o trânsito também, que é um ponto importante que nós trabalhamos e só com isso nós vamos conseguir realmente ter atitude, ter mudança de comportamento das pessoas, então nós procuramos incentivar isso. Essa é a nossa proposta e com a equipe a gente trabalha nesse sentido.

{ PERFIL - Ciro Ferreira } 

Entrou na Agetran em maio de 2024, como diretor de Trânsito, e hoje é diretor-presidente da autarquia. Anteriormente, esteve em diversos cargos na Polícia Rodoviária Federal (PRF), como diretor administrativo, diretor de operações, coordenador-geral de Inteligência e superintendente regional em Mato Grosso do Sul. É formado em Teologia e tem três pós-graduações, todas voltadas para segurança pública e mobilidade urbana.

projeto de lei

Deputados aprovam criação de 354 novos cargos sem concurso público no MPMS

Proposta passou por segunda votação na Assembleia Legislativa e segue para sanção do governador Eduardo Riedel

09/09/2026 17h44

Novos cargos serão criados no MPMS

Novos cargos serão criados no MPMS Foto: Divulgação / MPMS

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Deputados estaduais aprovaram, em segunda votação, projeto de lei que cria 454 novos cargos no Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), sendo 354 deles em comissão, sem a necessidade de concurso público. A proposta segue para sanção do governador Eduardo Riedel (PT).

De acordo com o projeto, os cargos a serem criados são para assessor jurídico adjunto e assessor de TI júnior, com remuneração base de R$ 4.562,75. 

Além destes, o texto também prevê ampliação do quantativo de vagas efetivas e em comissão para outros cargos já existentes, cujo salário base varia de R$ 3,2 mil a R$ 20,7 mil, distribuídos da seguinte forma:

  • 100 cargos de Analista
  • 25 cargos de Assessor Jurídico
  • 250 cargos de Assessor Jurídico Adjunto
  • 10  cargos de Assessor de TI Júnior
  • 1cargo de Diretor de Secretaria;
  • 9 cargos de Chefe de Departamento
  • 9 cargos de Chefe de Divisão
  • 10 cargos de Chefe de Setor
  • 25 cargos de Chefe de Núcleo
  • 1 cargo de Assessor Militar
  • 1  cargo de Assessor Adjunto da Assessoria Militar
  • 10 cargos de Assistente Militar
  • 1 cargo de Assessor em Ciências da Terra
  • 2 cargos de Assessor de Inteligência

Apenas as 100 vagas de analista são efetivas, enquanto as demais são cargos em comissão, que não exigem concurso público.

Ao encaminhar o projeto, o Ministério Público justificou que diagnóstico institucional realizado no órgão demonstrou a necessidade da adequação na estrutura organizacional devido  à "crescente complexidade das atribuições constitucionais cometidas à Instituição e da necessidade de aperfeiçoamento de sua capacidade administrativa, técnica e de assessoramento, de modo a assegurar maior eficiência na prestação dos serviços
ministeriais".

O texto cita ainda que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul promoveu "expressiva reestruturação do seu quadro de pessoal", com a criação de 302 cargos em comissão e 150 cargos efetivos, e que a prpposta buscar adequadar a estrutura "preservando o equilíbrio institucional com o Poder Judiciário".

"Ocorre que o Ministério Público e o Poder Judiciário exercem, no âmbito do sistema de justiça, atividades essencialmente simétricas e complementares, ambos incumbidos constitucionalmente de assegurar a adequada prestação jurisdicional e a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis", diz a justificativa.

"Não seria razoável que apenas um dos partícipes dessa relação institucional promovesse o necessário reaparelhamento de sua estrutura de pessoal, enquanto o outro permanecesse alheio à evolução da demanda e ao incremento da complexidade das atribuições que lhe são correlatas", complementa.

Segundo a proposta, o provimento dos cargos propostos não ocorrerá de forma imediata, mas de maneira gradual ao longo dos próximos anos, conforme demanda e disponibilidade orçamentária de financeira do órgão.

Conforme relatório anexado ao projeto, o impacto anual com os novos cargos será de R$ 83,830 milhões. As despesas correrão à conta de dotação orçamentária própria, suplementada, se necessário.

O documento traz ainda que, considerando a despesa já executada neste ano, acrescida da despesa em análise e das demais despesas previstas para o exercício, estima-se que o total da despesa com pessoal em 2026 alcance aproximadamente R$ 415,459.000,00 milhões.

Já para o ano de 2027, caso haja o provimento integral de todos os novos cargos criados, a despesa total com pessoal saltaria para R$ 476,350 milhões, o que demandará previsão dos recursos correspondentes na proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) do próximo ano.

Quanto ao exercício de 2028, a estimativa orçamentária deverá considerar os valores projetados para 2027, ajustados pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), além de outros parâmetros macroeconômicos e fiscais.

Retificação

Prefeitura confirma erro e diz que contrato da SAS é de R$ 5,7 milhões

Valor de R$ 28,8 milhões publicado no Diogrande corresponde a período de cinco anos, embora contrato tenha vigência de 12 meses

09/09/2026 17h32

Foto: Divulgação Prefeitura de Campo Grande

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A Prefeitura de Campo Grande confirmou, por meio de nota, que houve erro na publicação do contrato de R$ 28,8 milhões da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS). Segundo a administração municipal, o valor correto da contratação com a empresa Siqueira & Calado Ltda. é de R$ 5.771.999,88, conforme consta no resultado do Pregão Eletrônico nº 110/2026.

O caso foi publicado em primeira mão pelo Correio do Estado após a identificação de uma diferença de R$ 23,08 milhões entre o valor registrado no documento, publicado no Diogrande de quarta-feira (9), e o montante indicado no Termo de Adjudicação e Homologação do pregão.

No contrato, apesar de a vigência estar estabelecida em 12 meses, constava o valor de R$ 28.859.999,40. O montante correspondia exatamente à multiplicação do valor anual de R$ 5.771.999,88 por cinco anos.

Em resposta ao questionamento enviado a prefeitura, a SAS informou que o período inicialmente considerado para a contratação era de cinco anos, mas foi posteriormente alterado para um ano. Segundo a secretaria, o valor referente ao período de cinco anos permaneceu na publicação do extrato por engano.

A Prefeitura afirmou que o erro ficou restrito à publicação do extrato e não alterou o valor efetivamente contratado nem as condições previstas no processo licitatório.

A administração municipal também informou que já tomou as providências para corrigir a informação. A retificação deverá ser publicada no Diogrande na próxima sexta-feira (11), com o valor correto de R$ 5.771.999,88.

O contrato

A contratação prevê acolhimento institucional, por 24 horas, de pessoas idosas a partir de 60 anos em situação de vulnerabilidade social, especialmente aquelas com transtornos mentais e outros problemas de saúde que comprometam a autonomia.

O serviço inclui alimentação, vestuário, higiene, medicamentos, acompanhamento médico, transporte para consultas e atividades socioeducativas. Conforme o grau de dependência dos acolhidos, também estão previstos cuidadores, fisioterapia, fonoaudiologia, técnicos de enfermagem e enfermeiro.

O valor da nova contratação é superior ao registrado no contrato anterior para o mesmo serviço. Em março de 2025, a contratação da empresa havia sido publicada pelo valor de R$ 2.639.480,80.

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