Cidades

DESEMBARGADORA

Entidades aprovam investigações
e até afastamento de Tânia

Associação dos magistrados pede apuração rigorosa e Ordem dos Advogados defende que ela se afaste do cargo

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A situação da presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), Tânia Garcia Freitas Borges, que desde o ano passado tem sido alvo de polêmicas devido uso de seu cargo de firma irregular, levou diversas entidades a manifestarem-se a favor da investigação das práticas de tráfico de influência e venda de sentença pela magistrada. Uma delas, pediu inclusive o afastamento dela.

A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Mato Grosso do Sul (OAB-MS), aconselha a presidente a pedir afastamento do cargo para defender-se, sem colocar em risco a lisura do processo eleitoral do Tribunal de Justiça, previsto para outubro de 2018. 

Cotada para assumir a presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) ainda neste ano, a desembargadora foi citada em investigação do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), sobre a máfia dos cigarreiros. 

Os indícios do envolvimento da presidente no caso foram divulgados pelo Jornal Nacional, na última quarta-feira (25). Na reportagem, aparecem trocas de mensagens envolvendo Tânia, o tenente-coronel da  Polícia Militar, Admilson Cristaldo Barbosa, preso por corrupção passiva; e o amigo dele, o advogado Denis Peixoto Ferrão Filho, chefe do Departamento Jurídico do Tribunal de Contas do Estado, denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) à Justiça por lavagem de dinheiro de corrupção. 

O PM, atendendo a pedido do advogado, teria entrado em contato com a magistrada, com quem manteria um relacionamento amoroso, solicitando a interferência em julgamento de um amigo de Denis.

ENTIDADES
A Associação dos Magistrados de Mato Grosso do Sul (Amamsul) concorda que os fatos devem ser apurados e ressalta o direito da desembargadora se defender. “Ela nega veementemente que as mensagens saíram do celular dela”, afirmou o presidente da entidade, Fernando Cury.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) afirmou, em nota, que acompanha as ações da desembargadora desde o dia 20 de junho de 2018. Na ocasião, a imprensa divulgou cheque de R$ 165 mil, encontrado nas investigações do Gaeco, que teria sido entregue pela magistrada a um policial envolvido na máfia dos cigarreiros.

Ofício do procedimento aberto sobre o caso foi encaminhado à Corregedoria Nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em Brasília-DF, órgão competente para as análises em questão. Até o fechamento da reportagem, o CNJ não se manifestou sobre este caso. 

AFASTAMENTO
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Mato Grosso do Sul (OAB-MS), Mansour Karmouche, teme que os escândalos envolvendo a desembargadora comprometam a integridade das eleições no Estado e, por este motivo, sugere que ela seja afastada do cargo. “Em um pleito desta magnitude, não pode pairar contra a pessoa que o conduz nenhum tipo de suspeita com relação à sua conduta”.

Karmouche considera prudente que Tânia seja afastada. Assim, em tese, não haveria risco às eleições e a desembargadora teria tempo hábil para defender sua inocência. “Acho que [o afastamento] seria pertinente agora, até para que seja feita uma apuração isenta dos fatos”.

Em nota, a OAB-MS solicita à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao CNJ providências acerca dos fatos trazidos a público.

“É de suma importância para toda a comunidade jurídica e a sociedade que os fatos sejam [...] investigados, de forma célere, sempre pautado no contraditório e ampla defesa para, sobretudo, preservar a imagem do Poder Judiciário, principalmente neste momento de grave crise ética e moral que o País vive [...]”.

migração ilegal

Criminosos que atravessavam haitianos ilegalmente de Corumbá para a Bolívia são condenados

Os chamados coiotes cobravam valores abusivos para levar migrantes de forma ilegal ao país vizinho através de travessia clandestina

05/06/2026 17h30

Criminosos articulavam um esquema de travessia de haitianos pelo local conhecido como

Criminosos articulavam um esquema de travessia de haitianos pelo local conhecido como "Trilha do Gaúcho" Foto: Divulgação / PF

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A 1ª Vara Federal de Corumbá condenou oito pessoas por participação em um esquema criminoso que promovia a migração ilegal, através da travessia de estrangeiros, principalmente haitianos, na fronteira do Brasil com a Bolívia. As penas variam de três a 11 anos de prisão.

Conforme a Justiça Federal, o grupo criminoso atuou entre outubro e dezembro de 2021, transportando os estrangeiros de forma clandestino para o país vizinho de Mato Grosso do Sul, visando lucro, em ações coordenadas e repetidas, caracterizando crime continuado.

Os acusados foram presos em dezembro de 2021, durante a Operação Fom'Ale II, deflagrada pela Polícia Federal. Na ocasião foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão.

Conforme reportagem do Correio do Estado, a investigação que levou a prisão do grupo detectou que os criminosos articulavam um esquema de travessia de haitianos pelo local conhecido como “Trilha do Gaúcho”, na divisa do Brasil com a Bolívia.

Nos períodos da manhã e noite, os criminosos, que atuavam como coiotes, buscavam meios de atravessar ilegalmente os migrantes, entre eles diversas crianças e mulheres grávidas, sempre exigindo dinheiro para tal fim.

Já dentro da trilha, os estrangeiros eram auxiliados por “carregadores” bolivianos, que tinham a função de mostrar o percurso até a Bolívia, além de prestar apoio no transporte das malas dos haitianos, mediante o pagamento de valores abusivos.

O esquema tinha divisão de tarefas: alguns integrantes captavam migrantes na rodoviária, outros faziam o transporte até casas de passagem e a fronteira, enquanto havia responsáveis por hospedagem e articulação com atravessadores bolivianos. 

As investigações indicaram que os migrantes pagavam valores que chegavam a 150 dólares por pessoa para a travessia ilegal.

Em ocasiões em que os “coiotes” foram acompanhados pelos policiais, foi possível observar que, ao menos uma vez, cidadãos haitianos foram abandonados no meio da rua, após os criminosos perceberem a aproximação da polícia.

O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia contra oito investigados, imputando-lhes os crimes de promoção de migração ilegal e organização criminosa.

Sentença

O juiz federal substituto, Rubens Petrucci Junior, ao julgar o processo, enfatizou que a prática envolvia “exploração econômica sistemática de migrantes em situação de máxima vulnerabilidade”, além de riscos impostos durante travessias clandestinas. 

“A atividade cruzava sistematicamente a fronteira Brasil-Bolívia, com acordos e pagamentos envolvendo bolivianos e operações até o Chile”, registrou o magistrado na sentença. 

O conjunto de provas, que incluem depoimentos, monitoramentos e dados de celulares, demonstrou, segundo o juiz federal, a atuação coordenada do grupo, resultando na condenação dos investigados pelos crimes de promoção de migração ilegal e integração em organização criminosa, nos termos da denúncia.

Investigação

Cemitério de MS entra na mira do MP por superlotação e armazenamento de ossos irregular

Denúncia de moradores afirma que o Cemitério chegou a realizar a exumação dos ossos de um familiar e não sabiam o paradeiro da ossada

05/06/2026 17h15

No local, foram encontradas ossadas humanas sem registro eficaz

No local, foram encontradas ossadas humanas sem registro eficaz Divulgação/MPMS

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu uma investigação contra o Cemitério Público Municipal de Naviraí para apurar irregularidades no funcionamento. 

Entre as denúncias, a investigação foca em falhas na realização de exumações, controle administrativo ineficaz ou inexistente e possíveis violações à dignidade humana. 

A motivação do inquérito foi o relato de moradores do município, localizado a aproximadamente 350 quilômetros de Campo Grande, que afirmaram que encontraram túmulos abertos quando foram ao local sepultar familiares. 

Em um dos casos, teria acontecido a exumação dos restos mortais de um dos mortos sem a comunicação prévia à família e sem informação precisa a respeito do local exato do armazenamento dos ossos. Na tumba do familiar morto, estaria sepultada outra pessoa, que não teria relação alguma com a família.

Durante a visita do MP ao local, foram constatados vários problemas, como a ausência de registros confiáveis, a inexistência de um sistema eficiente de controle, além do armazenamento inadequado de ossadas, inclusive sem identificação. 

Foram encontrados, ainda, ossos humanos mantidos de forma irregular no ossuário, contrariando normal legais e princípios básicos de respeito à dignidade da pessoa humana. 

A investigação também identificou uma possíbel superlotação no cemitério, com indícios da utilização irregular de áreas de circulação comum para novos sepultamentos. 

O desenterramento de restos mortais deve seguir critérios estabelecidos pela legislação municipal, além da realização do registro detalhado de todas as movimentações do corpo. 

Segundo o MPMS, isso não vinha sendo cumprido no estabelecimento público. 

Diante da gravidade dos fatos, o Ministério Público instaurou inquérito civil e requisitou a abertura de investigação policial para apurar possíveis crimes de violação de sepultura e ocultação de cadáver. 

Em resposta, o município de Naviraí apresentou ao MP informações sobre medidos para reorganização do serviço, como a implantação de um sistema informatizado para controle e revisão de processos internos. 

No entanto, de acordo com o MP, o próprio levantamento reconhece falhas em gestões anteriores e lacunas nos registros de exumações.

"Mais do que uma questão administrativa, o funcionamento adequado de um cemitério envolve direitos fundamentais, como o respeito à memória dos falecidos e o direito das famílias de saber o destino de seus entes queridos. Ao conduzir a investigação, o MPMS reforça seu papel na defesa da cidadania, da dignidade humana e do interesse coletivo", afirmou o Ministério Público em nota. 

No local, foram encontradas ossadas humanas sem registro eficazFonte: Reprodução MPMS

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