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Escola pivô da crise do Enem tem aula de ética

Escola pivô da crise do Enem tem aula de ética

IG

30/10/2011 - 22h00
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No centro da nova crise do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o grupo educacional de 60 anos ao qual pertence o Colégio Christus dá aula de ética, educação religiosa e mantém relação estreita com os pais dos estudantes. Ao mesmo tempo, trava há décadas uma disputa agressiva contra seus três principais concorrentes pelos melhores resultados nos vestibulares do Ceará.

Na frente de uma das sedes de seu pré-universitário em Fortaleza, o Colégio Christus colocou faixa se orgulhando do resultado alcançado pela instituição no Enem de 2010, segundo a qual a instituição obteve um dos melhores desempenho no Brasil. A mesma informação está nos anúncios de jornais, em rádios, televisões e outdoors espalhados pela cidade.

A estratégia de marketing é reflexo da competição do colégio contra as escolas particulares Farias Brito, Ari de Sá e 7 de Setembro – todas recorrem a recurso idêntico. Essas instituições educacionais cearenses são adversárias diretas na briga pelas melhores colocações e pelo maior índice de aprovação nos vestibulares locais.

Juntas, essas quatro escolas arrebatam ano após anos, há pelo menos duas décadas, praticamente todas as vagas dos cursos mais concorridos das universidades públicas locais. Os alunos dessas escolas também são destaque constante em olimpíadas de ciências exatas nacionais e internacionais e no vestibular do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) – considerado um dos mais difíceis do País.

Os quatro grupos educacionais possuem sedes modernas distribuídas por vários pontos da capital cearense e cobram mensalidades muito parecidas – em torno de R$ 600 para o 3º ano, valor alto para o fortalezense médio. Além disso, Farias Brito, 7 de Setembro e Christus têm suas próprias faculdades. As três são bem avaliadas pelo Ministério da Educação (MEC) e foram criadas praticamente no mesmo período, em mais um sinal da competição acirrada entre elas.

O capítulo mais recente dessa disputa envolve os equipamentos tecnológicos utilizados pelas escolas nas aulas. O Ari de Sá inovou primeiro anunciando que passará a substituir livros por tablets a partir do ano que vem, com a promessa de um ensino mais moderno e eficiente. Em resposta, imediatamente o Christus espalhou outdoors pela cidade divulgando que adotará lousas digitais nas salas de aula – uma parafernália que proporciona imagens em 3D.

Em público, o Christus se esforça para parecer uma escola moderna, focada nos resultados obtidos diante de seus concorrentes. Aos pais, o discurso muda e é ressaltada “a formação baseada na ética e moral cristã”. A escola é assumidamente católica, tem disciplinas religiosas e oferece formação para primeira eucaristia e crisma, além de ter sua própria capela.

Embora não seja vinculada a nenhuma ordem religiosa da Igreja Católica – a instituição foi fundada em 1951 pelo professor Roberto de Carvalho Rocha, pai de Davi Rocha, atual diretor geral – a disciplina de Filosofia e Moral Cristã, por exemplo, é obrigatória.

A escola também aposta em outro diferencial. Ao contrário de seus três principais concorrentes, o Christus não está no centro de Fortaleza. Todas as suas sedes ficam em bairros de classe média da cidade. Uma delas, inclusive, está no bairro Parquelandia, na periferia. Em 2012 será inaugurada uma nova no Benfica, bairro residencial e universitário. A estratégia é estreitar os laços com os pais e alunos, a exemplo do que faz a igreja com as paróquias.

“De 15 em 15 em dias ou pelo menos uma vez ao mês havia reunião com os coordenares e professores”, relata a comerciária aposentada Creuza Maia, de 59 anos. Os dois filhos dela, hoje formados, estudaram todo o ensino básico na escola. “Existem pais que não passam da porta da escola para entregar e levar o filho, mas para os que querem acompanhar de perto, havia acesso direto aos professores e a direção. Se eu chegar lá hoje, todos ainda lembram-se de mim”.

As três filhas do médico oftalmologista José Edvaldo Freire, 47 anos, estão matriculadas no colégio desde que iniciaram os estudos. A mais velha está no 3º ano. Faz parte da lista de 639 alunos que terão de refazer o Enem nos dias 28 e 29 de novembro, de acordo com a decisão do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

Apesar de toda estrutura, aparato tecnológico e bons resultados, os dois fatores que pesaram mais para que o médico escolhesse a instituição para matricular as filhas foram praticidade e religião. “O Colégio Christus é uma escola que oferece formação científica, moral e religiosa de alto nível, complementando o que é vivenciado na família”, argumenta.

O MEC acusa a instituição de ter copiado do pré-teste 14 questões que caíram nas provas do Enem e defende que apenas os 639 alunos matriculados no 3° ano do Ensino Médio do Christus refaçam a prova – apesar de o iG ter mostrado que pelo menos 320 alunos de cursinho também tiveram acesso ás questões.

O Ministério Público Federal (MPF) no Ceará, a Defensoria Pública da União (DPU) e o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG) defendem a anulação das 14 questões supostamente copiadas.

O colégio nega ter cometido irregularidades. A instituição está sendo defendida pelo escritório de advocacia Cândido Albuquerque Advogados Associados – um dos mais conceituados do Ceará. A defesa alega que as questões “coincidentes” que derivam de pré-testes são da responsabilidade do próprio Inep e que a divulgação do material didático alcançou o “público em geral”.

Cândido já foi presidente da Ordem dos Advogados (OBA) do Ceará, é professor de Direito Penal da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pré-candidato À prefeitura de Fortaleza pelo Partido da República (PR). É um dos principais advogados do Estado. Sua contratação mostra o tamanho do Christus no Ceará - e o quanto a escola leva a sério uma polêmica que ameaça, como nunca, sua reputação no Estado.

DESENVOLVIMENTO SOCIAL

MS sobe em ranking nacional de qualidade de vida e fica em 7º no país

Estado ficou acima da média brasileira no Índice de Progresso Social 2026, levantamento que avalia indicadores ligados à saúde, educação, segurança, moradia e inclusão social

23/05/2026 18h30

Mato Grosso do Sul ficou acima da média nacional em ranking que avalia qualidade de vida, inclusão social e acesso a serviços essenciais no país

Mato Grosso do Sul ficou acima da média nacional em ranking que avalia qualidade de vida, inclusão social e acesso a serviços essenciais no país Divulgação

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Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com melhor qualidade de vida do Brasil no Índice de Progresso Social (IPS) 2026, divulgado nesta semana. O Estado alcançou a 7ª colocação nacional, com pontuação de 64,14, acima da média brasileira, que ficou em 63,40.

O levantamento avalia condições sociais e ambientais nos 5.570 municípios brasileiros e considera indicadores relacionados à saúde, educação, segurança, moradia, saneamento, acesso à informação, inclusão social e oportunidades. Diferentemente de rankings econômicos, o IPS não utiliza dados de Produto Interno Bruto (PIB) ou renda para compor a nota.

Na classificação geral, Mato Grosso do Sul ficou atrás apenas do Distrito Federal e dos estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Goiás.

O estudo foi elaborado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), em parceria com outras instituições nacionais e internacionais ligadas ao monitoramento de desenvolvimento social.

Entre os destaques do desempenho sul-mato-grossense está a dimensão “Oportunidades”, considerada uma das áreas mais desafiadoras do índice em nível nacional. O eixo reúne indicadores ligados a direitos individuais, acesso ao ensino superior, inclusão social e liberdade de escolha.

Mesmo com média nacional abaixo de 50 pontos nesse quesito, Mato Grosso do Sul ficou entre os estados com desempenho superior ao índice brasileiro.

O relatório também aponta resultado acima da média nacional na dimensão “Necessidades Humanas Básicas”, que considera fatores como acesso à água, saneamento, moradia, alimentação, cuidados médicos e segurança pessoal.

Segundo os organizadores, os melhores desempenhos nessa categoria se concentram nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, especialmente em municípios de menor porte, que apresentam melhores índices de infraestrutura urbana e acesso a serviços públicos.

O estudo ainda destaca a relação entre desenvolvimento econômico e avanços sociais. Nos últimos anos, Mato Grosso do Sul registrou crescimento impulsionado principalmente pela agroindústria, cadeia da celulose, bioenergia e atração de investimentos privados.

Ao mesmo tempo, o Estado ampliou programas voltados à qualificação profissional, inovação e expansão do ensino técnico e superior, áreas consideradas estratégicas para melhorar indicadores sociais e ampliar oportunidades de emprego e renda.

O levantamento completo do IPS Brasil 2026 está disponível no portal oficial do índice.

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"INTERVENÇÃO DE AGENTE"

MS registra uma morte em ação policial a cada 4 dias enquanto roubos caem até 68%

Estado soma 38 mortes decorrentes de intervenção policial entre janeiro e maio; no mesmo período, dados da Sejusp apontam redução de até 68% em crimes patrimoniais e avanço nas apreensões de drogas

23/05/2026 17h30

Dados da Sejusp mostram queda nos crimes patrimoniais e aumento da letalidade policial em Mato Grosso do Sul

Dados da Sejusp mostram queda nos crimes patrimoniais e aumento da letalidade policial em Mato Grosso do Sul Divulgação

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Mato Grosso do Sul registrou 38 mortes decorrentes de intervenção legal de agentes do Estado entre janeiro e maio de 2026, média de uma ocorrência a cada quatro dias, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). O número integra um cenário em que o Estado também apresentou queda nos índices de roubos, furtos e homicídios, além do aumento nas apreensões de drogas em regiões de fronteira.

Somando os registros dos últimos três anos, Mato Grosso do Sul contabiliza 290 mortes por intervenção policial. Em um estado com cerca de 2,9 milhões de habitantes, a proporção representa uma morte causada por agentes públicos armados a cada 10 mil moradores no período.

Os casos registrados neste ano se concentram principalmente entre homens jovens e adultos. Conforme os dados da Sejusp, 37 vítimas eram homens e uma mulher. Também houve dois registros sem identificação oficial do sexo.

Em relação à faixa etária, foram contabilizados 20 adultos, 12 jovens, três adolescentes, um idoso e dois casos sem idade divulgada oficialmente.

Até agora, foram registradas oito mortes em janeiro, cinco em fevereiro, nove em março, nove em abril e sete em maio.

Crimes em queda

Enquanto os números relacionados à letalidade policial chamam atenção, o governo estadual destaca redução nos principais indicadores criminais entre janeiro e abril deste ano, na comparação com o mesmo período de 2023.

Segundo levantamento do Observatório de Segurança Pública, os roubos em vias públicas caíram 57,54% no período, passando de 1.230 ocorrências para 554 casos.

Já os roubos ao comércio tiveram redução de 68,17%, com queda de 77 para 26 registros.

Os furtos também apresentaram diminuição. Foram 12.873 ocorrências nos quatro primeiros meses de 2023, contra 10.392 neste ano, redução de 23,9%.

O levantamento ainda aponta queda de 33,4% nos furtos de veículos e de 27,76% nos furtos em residências.

Nos crimes contra a vida, os homicídios dolosos passaram de 145 para 140 registros no período analisado, redução de 8,98%.

Já os casos de latrocínio, que haviam somado quatro ocorrências em 2023, não tiveram registros neste ano.

Fronteira e tráfico

Outro indicador destacado pela Sejusp foi o aumento nas apreensões de drogas. Entre janeiro e abril de 2026, as forças de segurança apreenderam 161,7 toneladas de entorpecentes, volume 99,5% maior do que o registrado no mesmo período de 2023, quando foram recolhidas 81 toneladas.

O secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, atribuiu os resultados aos investimentos em equipamentos, inteligência policial e integração entre as forças de segurança.

“São resultados que vão muito além das nossas fronteiras e das nossas divisas, porque se nós estamos no Estado que mais apreende drogas no país, nós estamos produzindo resultados para todo o Brasil”, afirmou.

Desde 2023, o governo estadual afirma ter investido R$ 232,9 milhões na aquisição de equipamentos e veículos para a segurança pública.

Entre os itens adquiridos estão viaturas, armamentos, aeronaves, aparelhos de comunicação, embarcações e equipamentos de proteção e salvamento.

Outros R$ 170 milhões devem ser destinados à compra de 525 novas viaturas ainda neste ano.

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