O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul assinou nesta segunda-feira (11) a concessão do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul à empresa Inova Saúde, subsidiária da Construcap CCPS Engenharia e Comércio, vencedora do leilão para comandar administrativamente o hospital através de parceria público-privada (PPP). Conforme o contrato, a empresa deve iniciar os serviços em oito meses.
A cerimônia aconteceu na governadoria e contou com a presença de autoridades como o governador do Estado, Eduardo Riedel (PP), a secretária estadual de parcerias estratégicas, Eliane Detoni, o secretário de Saúde, Maurício Simões e o diretor de operações da Inova Saúde, Dr. Vinícius Batistela.
De acordo com Riedel, a decisão da privatização do Hospital foi motivada por experiências bem-sucedidas no Brasil e no mundo em gestão de hospitais públicos. O objetivo é oferecer serviço gratuito à população com recursos compatíveis ao orçamento estadual.
"Este foi o melhor modelo encontrado que envolvesse a ampliação do hospital, a construção, a parte estrutural, física, modernização do hospital, não só do ponto de vista de equimaneto e da sua estrutura, mas do ponto de vista da gestão. Temos muita convicção de que essa mudança traria um resultado muito positivo e impactaria a saúde e no projeto da saúde de todo o estado", afirmou o governador.
O leião da concessão aconteceu na sede da B3, em São Paulo e teve cinco interessadas. A Construcap ofereceu um deságio de 22% ao valor de referência definido para a contraprestação do Estado, que era de R$ 20,3 milhões, ofertando R$ 15,9 milhões, valor muito inferior ao dos quatro outros concorrentes do leilão.
O plano de implementação será feito em fases progressivas. Em janeiro de 2027, a empresa assume serviços de apoio não assistenciais, como a hotelaria, limpeza, lavanderia, segurança, recepção e infraestrutura de TI.
Após 20 meses, a Inovar assume a indústria farmacêutica, que é a compra de medicamentos. Um ano depois, a empresa assume a reforma e modernização do chamado "Bloco Velho", passando para as outras áreas após a conclusão, até a consolidação total da operação, com previsão de 56 meses.
"Isso quer dizer que a gente ainda vai conviver com um pedaço de responsabilidade do Estado, e por isso é uma operação assistida, até a operação plena ser consolidada, com parte da PPP. Mas visando sempre o melhor e a melhor eficiência para o cidadão", explicou o Dr. Vinícius Batistela.
O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul é considerado o maior hospital de alta complexidade do Estado, atendendo mais de 1,5 milhão de pacientes por ano. A PPP será responsável por modernizar e expandir os serviços essenciais por um período de 30 anos.
De acordo com a secretária de governo Eliane Detoni, serão investidos aproximadamente R$ 1 bilhão e mais de R$ 245 milhões anuais em operações. Outras melhorias incluem:
- construção de dois novos blocos para ampliação da capacidade;
- modernização da estrutura existente sem a paralisação do atendimento à população;
- entrega das obras de ampliação até o ano de 2029;
- finalização de toda a reforma estrutural até o final de 2031, ampliando os leitos para 577;
- aumento de 96% na capacidade de internação;
- redução do tempo médio de permanência dos pacientes de 7 para 5 dias;
"O contrato está amparado por uma engenharia financeira inédita. Nós substituímos a conta de garantia tradicional por uma garantia AAA do BID. Essa troca multiplica a segurança do contrato em até 15 vezes e reduz os custos de manutenção em 87%. Na prática, nós liberamos milhões de recursos públicos que ficariam parados para que sejam investidos diretamente em outras políticas sociais tão necessárias", afirmou Detoni.
PROJETO
A concessão do Hospital Regional recai sobre setores como limpeza, lavanderia, cozinha, jardinagem, portaria, segurança e administração. Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas e demais profissionais da área continuarão sob responsabilidade do Estado.
A vencedora deverá, no prazo de dois anos, concluir a construção de dois novos blocos que incluam a oferta de Centro de Imagem e Diagnóstico, Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Unidade Coronariana (UCO) com 70 leitos, hemodinâmica, centro cirúrgico, Central de Material Esterilizado e internações com 180 leitos.
E, em até 4 anos, será concluída a reforma do prédio atual, que fará o local passar de 37.000 m², com estrutura de 10 andares, capacidade de 362 leitos e atendimento de 46 especialidades médicas, para 71.000 m² e 577 leitos. E ainda há a ampliação do estacionamento, que passará a oferecer 753 vagas.

