Cidades

EMERGÊNCIA

Estado reconhece emergência em Campo Grande por 180 dias após temporal

Decreto publicado nesta quarta-feira permite mobilização de órgãos estaduais e contratações sem licitação

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Cinco dias depois de a Prefeitura de Campo Grande decretar situação de emergência por causa dos estragos deixados pelo vendaval que atingiu a cidade, o Governo de Mato Grosso do Sul reconheceu a medida e autorizou uma série de ações excepcionais para auxiliar na recuperação da Capital.

O decreto assinado pelo governador Eduardo Riedel e publicado nesta quarta-feira (16), reconhece a situação de emergência pelo prazo de 180 dias nas áreas comprovadamente atingidas pelo temporal da noite de quinta-feira (10).

Na prática, a medida permite mobilizar órgãos estaduais para atuar na resposta ao desastre e na reconstrução das áreas atingidas, além de autorizar contratações emergenciais sem licitação, convocação de voluntários e campanhas de arrecadação para assistência às famílias afetadas.

A publicação ocorre no mesmo dia em que o governo federal também oficializou o reconhecimento da situação de emergência em Campo Grande, anunciado pela prefeita Adriane Lopes (PP) na terça-feira (15), depois de uma agenda em Brasília.

O prejuízo provocado pelo temporal é estimado inicialmente em pelo menos R$ 40 milhões, segundo a prefeita, mas o valor ainda pode aumentar à medida que avançam os levantamentos dos danos.

Entre os estragos contabilizados estão 37 escolas destelhadas, além da UPA do Bairro Universitário e da Esplanada Ferroviária. Dezenas de famílias também foram atingidas, enquanto quedas de árvores e danos à rede elétrica deixaram moradores sem energia durante o fim de semana.

No documento, o governo estadual considera que o temporal provocou “expressivos danos materiais, ambientais, econômicos e sociais”, com impactos em imóveis públicos e particulares, infraestrutura urbana e vias públicas.

Com o reconhecimento, todos os órgãos estaduais poderão ser mobilizados para atuar sob coordenação da Defesa Civil estadual nas ações de resposta ao desastre, reabilitação dos locais atingidos e reconstrução.

O decreto também permite a convocação de voluntários para reforçar o atendimento e autoriza campanhas de arrecadação de recursos junto à comunidade para auxiliar a população atingida.

Dispensa de licitação

Entre as medidas previstas no decreto está a possibilidade de contratação emergencial sem licitação para atender situações diretamente relacionadas ao desastre.

A dispensa poderá ocorrer quando houver urgência e risco de prejuízo ou comprometimento da continuidade dos serviços públicos, da segurança de pessoas, obras, equipamentos e outros bens públicos ou particulares.

Isso não significa, porém, uma autorização genérica para contratar sem licitação. O próprio decreto restringe a medida aos bens necessários ao atendimento da emergência e às parcelas de obras e serviços relacionadas à situação emergencial.

As obras e os serviços contratados nessa modalidade deverão ser concluídos em até um ano, contado da ocorrência da emergência, e os contratos não poderão ser prorrogados nos termos previstos pelo decreto.

O texto ainda prevê medidas para situações em que exista risco iminente à população.

Nesses casos, autoridades administrativas e agentes da Defesa Civil diretamente responsáveis pelas ações de resposta poderão entrar em imóveis para prestar socorro ou determinar a evacuação imediata dos ocupantes.

Também fica autorizado o uso de propriedade particular em caso de iminente perigo público. Se houver dano ao patrimônio utilizado durante a operação, o proprietário terá direito a indenização posterior.

O decreto estabelece ainda que agentes da Defesa Civil ou autoridades administrativas poderão ser responsabilizados caso se omitam de obrigações relacionadas à segurança da população.

o governo federal também formalizou nesta quarta-feira o reconhecimento da situação de emergência.

A Portaria nº 3.065, de 15 de setembro de 2026, foi publicada no Diário Oficial da União e assinada pelo secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff Barreiros.

A publicação identifica Campo Grande, enquadra o desastre como vendaval, registra o Decreto Municipal nº 16.735 e informa que o pedido tramita sob o processo federal.

Município

O reconhecimento federal havia sido antecipado por Adriane Lopes na terça-feira, após reunião em Brasília para pedir celeridade na análise do pedido.

A agenda teve a participação do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e foi intermediada pelo deputado federal Vander Loubet (PT). Também participaram do encontro vereadores da Capital e representantes políticos de Mato Grosso do Sul.

“Nosso pedido foi prontamente atendido. Conseguimos o reconhecimento de emergência e vamos trabalhar com a recuperação dos estragos causados pelo temporal”, afirmou Adriane após a reunião.

A expectativa da administração municipal é de que o reconhecimento federal facilite a busca por ajuda humanitária e recursos destinados à recuperação dos danos.

 

Encontro Virou Golpe

Homem paga R$ 300 por acompanhante, cai em golpe e é ameaçado em MS

Vítima fez pagamento via Pix por encontro que não aconteceu e depois recebeu ameaças de um suposto integrante de "comando"; cinco pessoas foram denunciadas

06/10/2026 16h42

Delegacia de Polícia Civil de Naviraí, responsável pela investigação que identificou cinco suspeitos no golpe da falsa acompanhante. Foto: Divulgação/PCMS

Delegacia de Polícia Civil de Naviraí, responsável pela investigação que identificou cinco suspeitos no golpe da falsa acompanhante. Foto: Divulgação/PCMS Foto: Divulgação/Policia Civil MS.

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Um encontro marcado pela internet terminou em ameaças e extorsão em Naviraí, no sul de Mato Grosso do Sul. Após pagar R$ 300 por um suposto programa com uma acompanhante que não apareceu, a vítima passou a ser intimidada por uma pessoa que dizia integrar um “comando” e afirmava ter informações pessoais sobre ela e seus familiares.

A investigação conduzida pela Polícia Civil identificou cinco suspeitos de participação no esquema. Todos foram indiciados e, após a conclusão do inquérito, denunciados pelo Ministério Público Estadual pelo crime de extorsão praticada por duas ou mais pessoas.

O caso começou quando a vítima encontrou na internet o anúncio de uma suposta acompanhante e iniciou uma conversa pelo WhatsApp. Durante o contato, foi solicitado o pagamento antecipado de R$ 300 via Pix.

Após realizar a transferência, a vítima seguiu para o endereço informado, mas não encontrou a mulher anunciada. O serviço não foi realizado e, posteriormente, as investigações apontaram que os próprios moradores do imóvel desconheciam a pessoa que aparecia no anúncio.

A situação ganhou contornos mais graves pouco depois. A vítima começou a receber mensagens enviadas de outro número. O interlocutor dizia pertencer a um “comando”, afirmava possuir dados pessoais do homem e passou a fazer ameaças contra ele e seus familiares.

Diante das intimidações, a vítima realizou uma segunda transferência, desta vez de R$ 70. O pagamento, porém, não encerrou as ameaças, levando o homem a procurar a Polícia Civil e registrar a ocorrência.

Mesmo endereço teria sido usado contra outra vítima

Durante a apuração, policiais da Seção de Investigações Gerais da Delegacia Regional de Polícia de Naviraí (SIG/DRP) foram até o endereço indicado no anúncio. Os moradores disseram não conhecer a suposta acompanhante.

Um dos residentes contou ainda que outro homem já havia aparecido anteriormente no mesmo imóvel procurando pela mesma mulher, elemento que reforçou a suspeita de que o endereço estaria sendo utilizado para enganar diferentes vítimas.

O avanço da investigação revelou que o número de telefone usado no primeiro contato aparecia em anúncios de acompanhantes publicados em diferentes pontos do País, mas vinculado a nomes e fotografias distintos.

Segundo a Polícia Civil, foram encontrados perfis relacionados ao número em Naviraí e Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul; Cosmópolis, em São Paulo; e no Rio de Janeiro.

Os investigadores também cruzaram números telefônicos, perfis utilizados nos anúncios e informações financeiras. A análise bancária confirmou que os dois pagamentos feitos pela vítima, somando R$ 370, foram enviados para uma conta pertencente a um dos investigados.

De acordo com a Polícia Civil, o conjunto das informações permitiu estabelecer conexões entre cinco pessoas e os diferentes meios supostamente empregados para aplicar o golpe.

Cinco são denunciados

Ao término do inquérito, cinco pessoas, de 25, 27, 28 e 31 anos, foram indiciadas pela Polícia Civil pela prática, em tese, de extorsão cometida por duas ou mais pessoas.

O grupo foi indiciado, em tese, por extorsão cometida por duas ou mais pessoas. O crime ocorre quando alguém constrange uma vítima, mediante violência ou grave ameaça, com o objetivo de obter vantagem econômica indevida.

A pena prevista para extorsão é de quatro a dez anos de prisão, além de multa, podendo ser aumentada quando o crime é praticado por duas ou mais pessoas.

Com a conclusão do trabalho policial, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. A 3ª Promotoria de Justiça de Naviraí analisou os elementos reunidos durante a investigação e ofereceu denúncia contra os cinco investigados.

A Polícia Civil orienta que pessoas abordadas em golpes semelhantes não façam novos pagamentos diante de ameaças. A recomendação é preservar mensagens, áudios, números de telefone, comprovantes de transferências e demais registros das conversas e procurar uma delegacia para registrar a ocorrência.

 

Chuvas acima da média

Do seco ao alagado: chuvas mudam cenário do Pantanal e acendem alerta

Vídeo mostra propriedade cercada pela água no Nabileque após temporais; previsão indica chuvas acima da média em MS

06/10/2026 16h25

Morador registrou cheia após chuva intensa no  Nabileque

Morador registrou cheia após chuva intensa no Nabileque Reprodução/Mais MS Notícias

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Depois de meses marcados pela falta de chuva, o Pantanal do Nabileque, na região de Corumbá, voltou a ter áreas tomadas pela água após as chuvas dos últimos dias. Um vídeo gravado na região mostra uma propriedade rural com a água passando sobre o aterro e impedindo o acesso por terra. O cenário chama atenção justamente pelo contraste com o período de estiagem que marcou o Pantanal e ocorre no início de uma temporada em que a previsão aponta para mais chuva em Mato Grosso do Sul.

Em Corumbá, a Defesa Civil registrou 80,8 milímetros de chuva em 24 horas até a manhã de segunda-feira (5). A precipitação provocou pontos isolados de enxurrada e alagamento no município.

O episódio no Nabileque, porém, não significa que uma grande cheia já tenha se instalado no Pantanal. A régua de Ladário, uma das principais referências para acompanhar o comportamento do Rio Paraguai na região, marcava 1,20 metro nesta terça-feira (6), com elevação de 5 centímetros em relação à medição anterior.

O nível ainda está distante das marcas observadas em anos de cheias mais expressivas. No fim de setembro, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) apontava que o Rio Paraguai permanecia dentro da faixa de normalidade, mas abaixo da mediana histórica para o período.

A mudança rápida entre períodos de pouca água e episódios de chuva intensa expõe uma das características mais marcantes do Pantanal: o nível dos rios e a quantidade de água espalhada pela planície podem mudar conforme o comportamento das chuvas nas diferentes partes da bacia.

No caso do Nabileque, a água registrada nas imagens pode estar relacionada às chuvas que atingiram a região e ao escoamento local, sem necessariamente representar uma elevação generalizada do Rio Paraguai.

O próprio monitoramento oficial mostra que o comportamento do rio ainda é desigual ao longo da bacia. Enquanto pontos do sistema apresentam elevação após as chuvas recentes, a régua de Ladário permanece em patamar relativamente baixo.

A situação exige acompanhamento porque o Pantanal pode responder às chuvas de forma diferente conforme o local e o volume acumulado nas cabeceiras e afluentes. O que hoje aparece como alagamento localizado pode ganhar outra dimensão caso os volumes de chuva se mantenham elevados nas próximas semanas.

Mais chuva

O cenário pode mudar conforme as chuvas avancem pelas bacias que alimentam o Pantanal. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica chuvas acima da média histórica no Estado durante outubro.

Para o trimestre de mês de número 10 a dezembro, o quadro climático também está associado ao avanço do El Niño, fenômeno confirmado em junho e que, segundo o Painel El Niño 2026-2027, tem 95% de probabilidade de alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro.

O fenômeno não permite prever, sozinho, uma cheia no Pantanal, mas altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do país. Por isso, os órgãos federais que acompanham o El Niño recomendam atenção contínua às condições meteorológicas e hidrológicas.

 

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