Faccionados estavam detidos no Conjunto Penal de Serrinha e estão ligados ao tráfico de drogas e armas, mortes violentas, lavagem de dinheiro e corrupção de menores
O Governo da Bahia transferiu cinco líderes de facções para os presídios federais de Campo Grande e Porto Velho, em Rondônia. Todos estavam detidos no Conjunto Penal de Serrinha, interior baiano, operação realizada nesta terça-feira (29) pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).
Conforme divulgado, três faccionados estão ligados ao Comando Vermelho (CV) e dois ao Bonde do Maluco (BDM), grupo criminoso de Salvador, capital baiana.
Entre os presos ligados ao Comando Vermelho estão Fabio Santana Oliveira, conhecido como "Panda"; Joabe Santos Souza, conhecido como Pastel ou Curupira, apontado como um dos chefes do grupo; e Uillian da Silva Guimarães, conhecido como Gordura, Guigó, Gordo ou Gordão, também apontado como integrante do CV.
Uillian da Silva Guimarães; Venicio Bacellar Costa; Joabe Santos Souza; Leandro da Conceição Santos Fonseca e Fabio Santana Oliveira / Foto: Reprodução / G1-BAJá entre os ligados ao Bonde do Maluco estão Leandro da Conceição Santos Fonseca, conhecido como Léo Gringo ou Shantaran, apontado como chefe da facção, e Venicio Bacellar Costa, conhecido como Fofão, também apontado como uma das lideranças do BDM.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, os cinco homens são investigados ou condenados por crimes como tráfico de drogas e armas, homicídios, lavagem de dinheiro e corrupção de menores.
A transferência foi realizada em uma ação conjunta da Secretaria da Segurança Pública, Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), Ministério Público e Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).
A medida também tem como base a Lei Antifacção, sancionada neste ano e que ampliou os mecanismos de enfrentamento às organizações criminosas.
Os transferidos
Fabio Santana Oliveira, conhecido como "Panda", apontado como integrante do Comando Vermelho, foi alvo da Operação Sintonia de Gravata, deflagrada em 2026, e já havia ficado preso em Barreiras, no oeste da Bahia, em 2025. Na ocasião, a ação atuou para desarticular esquemas de comunicação clandestina entre líderes de facções criminosas presos em presídios de segurança máxima e faccionados em liberdade.
Joabe Santos Souza, conhecido como "Pastel" ou "Curupira", apontado como um dos chefes do Comando Vermelho. Ele tem condenações por tráfico de drogas e homicídio. Segundo informações da SSP-BA, em 2020, ele teria determinado a queima de um caminhão de lixo e de três ônibus do transporte público de Eunápolis, no extremo sul da Bahia.
Leandro da Conceição Santos Fonseca, conhecido como "Léo Gringo" ou "Shantaran", apontado como chefe do Bonde do Maluco. Investigado por envolvimento em disputas pelo controle do tráfico no bairro de Itinga, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, também alvo da Operação Sintonia de Gravata.
Shantaran já passou por unidades prisionais na Bahia e pelo presídio federal de Campo Grande. É marido da advogada Poliane Gomes França, conhecida como "Rainha do Sul", apontada como advogada do BDM e um dos nomes mais perigosos do tráfico no Nordeste. Ela está presa desde novembro do ano passado, na Bahia.
Uillian da Silva Guimarães, conhecido como Gordura, Guigó, Gordo ou Gordão, apontado como integrante do Comando Vermelho, é investigado por ações criminosas contra instituições financeiras e foi condenado pela Justiça Federal após o latrocínio de um policial militar da Bahia há 11 anos.
O quinto transferido é Venicio Bacellar Costa, conhecido como "Fofão", apontado como chefe do Bonde do Maluco. Segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública da Bahia, é investigado por fornecimento de armas e drogas e por encomendar mortes de rivais e devedores.
Fofão também é citado em investigações relacionadas a homicídios, porte ilegal de arma de fogo, roubos a instituições financeiras e sequestros. Em 2020, ele foi preso no Guarujá, em São Paulo.