Cidades

Alerta de Fraude

Arquidiocese de Campo Grande denuncia uso do nome em falsas negociações

Instituição registrou boletim de ocorrência após identificar terceiros se passando por funcionários ou representantes para solicitar serviços e fechar negócios sem autorização.

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A Arquidiocese de Campo Grande emitiu um alerta a fornecedores, prestadores de serviços, parceiros e à população após identificar situações em que terceiros estariam utilizando indevidamente o nome e a identidade visual da instituição para realizar negociações comerciais sem autorização.

Segundo comunicado institucional, pessoas estariam se apresentando como funcionários ou representantes da Arquidiocese com o objetivo de fazer contratações, solicitar serviços e estabelecer negociações em nome da instituição.

O documento não informa quantas pessoas teriam sido abordadas, se houve prejuízo financeiro ou quem são os suspeitos. 

Diante dos relatos recebidos, a Arquidiocese procurou a Polícia Civil e registrou o Boletim de Ocorrência no dia 24 de setembro, na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro, em Campo Grande.

Conforme a instituição, o registro foi feito para formalizar o caso e permitir a adoção das medidas de apuração pelas autoridades competentes. 

Arquidiocese alerta fornecedores

No comunicado, a Arquidiocese afirma que não reconhece nem assume responsabilidade por contratações, solicitações de serviços, compras ou outras obrigações feitas por pessoas que não estejam devidamente autorizadas a representá-la ou que não tenham seguido os procedimentos internos da instituição.

O alerta é direcionado principalmente a fornecedores e prestadores de serviços. A orientação é para que haja atenção redobrada diante de contatos feitos por números de telefone particulares ou desconhecidos, sobretudo quando os interlocutores utilizarem o nome, o brasão, imagens ou referências a setores, funcionários e paróquias para conferir aparência de legitimidade à negociação. 

A instituição orienta que, antes de fornecer produtos, executar serviços, conceder crédito ou assumir qualquer obrigação decorrente de uma solicitação feita em nome da Arquidiocese ou de suas paróquias, o fornecedor confirme diretamente com a própria instituição se a demanda é verdadeira e se a pessoa responsável pela contratação está autorizada.

A Arquidiocese reforçou ainda que as contratações oficiais devem seguir os procedimentos internos e ocorrer pelos canais institucionais, com atuação de pessoas efetivamente autorizadas.

O comunicado acrescenta que, sempre que possível, são priorizados fornecedores e relações comerciais já estabelecidas. 

Caso será apurado

O documento é datado de 24 de setembro de 2026 e assinado pela Arquidiocese de Campo Grande, pelo Departamento Jurídico, representado por Danilo Augusto do Carmo Silva, e pelo ecônomo, padre Wagner Divino de Souza.

Ao final, a instituição afirma que continuará acompanhando a situação e que colaborará com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.

O comunicado, porém, não detalha quais negociações suspeitas já foram identificadas nem informa se alguma empresa ou prestador chegou a entregar produtos, executar serviços ou transferir valores aos supostos representantes. 

O Correio do Estado procurou a Arquidiocese de Campo Grande para obter mais detalhes sobre os casos, a forma de atuação dos suspeitos e a existência de possíveis vítimas, mas, até a publicação desta reportagem, não houve retorno.

Confira o comunicado da Arquidiocese na íntegra

COMUNICADO INSTITUCIONAL

ALERTA DE FRAUDE

Aos fornecedores, prestadores de serviços, parceiros e à comunidade em geral

A Arquidiocese de Campo Grande informa aos seus fornecedores, prestadores de serviços, parceiros e à comunidade em geral que tomou conhecimento de situações envolvendo terceiros que estariam utilizando indevidamente o nome e a identidade visual da instituição, inclusive apresentando-se como funcionários ou representantes da Arquidiocese, com o objetivo de realizar contratações, solicitar serviços ou estabelecer negociações comerciais sem autorização institucional.

Em razão dos fatos já comunicados à instituição, foi registrado o Boletim de Ocorrência nº 14046/2026, em 24 de setembro de 2026, perante a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (DEPAC) – Centro, para formalização da ocorrência e adoção das providências de apuração pelas autoridades competentes.

A Arquidiocese esclarece que não reconhece nem assume responsabilidade por contratações, solicitações de serviços, compras ou quaisquer obrigações assumidas por pessoas que não estejam devidamente autorizadas a representá-la e que não tenham observado os procedimentos institucionais aplicáveis.

Por essa razão, fornecedores e prestadores de serviços devem redobrar a atenção diante de contatos realizados por números telefônicos particulares ou desconhecidos, especialmente quando houver utilização do nome, brasão, imagens ou referência a setores e colaboradores da Arquidiocese ou de suas Paróquias como forma de conferir aparência de legitimidade à negociação.

Toda contratação em nome da Arquidiocese e de suas Paróquias deve observar os procedimentos internos, os canais oficiais de comunicação e a atuação de pessoas efetivamente autorizadas, privilegiando-se, na medida do possível, fornecedores e relações comerciais já estabelecidas.

Antes de realizar qualquer serviço, fornecer produtos, conceder crédito ou assumir obrigação decorrente de solicitação feita em nome da Arquidiocese e suas Paróquias, recomenda-se confirmar diretamente com a instituição a autenticidade da demanda e a autorização da pessoa responsável pela contratação.

A Arquidiocese permanece atenta à situação e colaborará com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos.

Campo Grande/MS, 24 de setembro de 2026.

Arquidiocese de Campo Grande

Cúria Metropolitana

Departamento Jurídico

Danilo Augusto do Carmo Silva

Economato

Pe. Wagner Divino de Souza

Futuro do Surian

MPMS mira antigo Clube Surian após projeto de creche não sair do papel

Promotoria acompanha situação do imóvel após três licitações sem interessados e anos de espera pela obra em Campo Grande.

29/09/2026 16h34

Antigo Clube Surian, na Avenida Mato Grosso, seria transformado em unidade de educação infantil em Campo Grande.

Antigo Clube Surian, na Avenida Mato Grosso, seria transformado em unidade de educação infantil em Campo Grande. Foto: Arquivo Correio do Estado.

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O destino do antigo Clube Surian, imóvel histórico localizado na Avenida Mato Grosso, região central de Campo Grande, voltou ao radar dos órgãos de fiscalização depois de anos de projetos anunciados, licitações frustradas e indefinição sobre o aproveitamento da estrutura.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou procedimento administrativo para acompanhar informações solicitadas à Prefeitura e à Secretaria Municipal de Educação (Semed) sobre o local.

A medida foi publicada no Diário Oficial do MPMS desta terça-feira (29). O procedimento administrativo foi aberto pela 30ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de Campo Grande.

Na publicação, o requerido aparece como "A Apurar", expressão usada quando ainda não há uma pessoa, empresa ou órgão especificamente apontado como parte do procedimento. O objeto é acompanhar os ofícios expedidos à Procuradoria-Geral do Município e à Semed referentes ao local popularmente conhecido como Clube Surian, situado na Avenida Mato Grosso, nº 119.

O procedimento coloca o destino do antigo Clube Surian sob acompanhamento do Ministério Público. A Promotoria do Patrimônio Público e Social já encaminhou ofícios à Prefeitura e à Secretaria Municipal de Educação (Semed) para obter informações sobre o imóvel.

A publicação não detalha o teor dos questionamentos, que deverão esclarecer a situação do prédio e os próximos passos previstos pelo Município.

A nova movimentação do MPMS, porém, ocorre depois de uma longa sequência de tentativas para dar utilização pública ao imóvel, que já foi um dos espaços tradicionais de lazer e eventos de Campo Grande.

Do clube à promessa de uma escola

Inaugurado na década de 1970, o Clube Surian viveu seus anos de maior movimentação nas décadas seguintes, com bailes, matinês e outros eventos. O espaço encerrou definitivamente as atividades em 2016. 

A história do prédio ganhou um novo capítulo em 2019. Naquele ano, o imóvel passou ao Município por meio de dação em pagamento, mecanismo pelo qual um bem é entregue para quitar uma dívida.

Reportagens da época apontam que a Sociedade Beneficente Surian possuía dívida tributária milionária com a administração municipal. Uma publicação posterior apontou que o débito perdoado chegava a cerca de R$ 1,5 milhão em IPTU e outros encargos.

Na época da transferência, a expectativa era transformar o antigo clube em uma Escola Municipal de Educação Infantil.

Inicialmente, chegou-se a divulgar capacidade para cerca de 400 crianças e a possibilidade de criação de uma unidade bilíngue, com berçário, espaço para amamentação, biblioteca, sala multimídia, área lúdica e brinquedoteca. 

Em 2021, a proposta ganhou contornos maiores. A Prefeitura chegou a anunciar que a futura unidade poderia receber aproximadamente 700 crianças, de seis meses a cinco anos, e informou previsão de investimento de R$ 6,8 milhões, com recursos provenientes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). 

O projeto que efetivamente chegou à fase de licitação acabou dimensionado para uma capacidade menor. Em novembro daquele ano, a administração municipal abriu concorrência para reforma e ampliação do Surian e informou que a nova Emei teria cerca de 2,5 mil metros quadrados, com capacidade para 420 crianças de zero a cinco anos.

A proposta previa a construção de um anexo de dois pavimentos com 12 salas de aula, além da reforma do prédio existente. As linhas arquitetônicas do antigo clube seriam preservadas, e o salão principal, com mais de 950 metros quadrados, seria aproveitado para atividades culturais e recreativas.

Também estavam previstas intervenções de acessibilidade, restauração da fachada, revitalização dos jardins e adequações de cozinha e refeitório. 

Licitações não avançaram

O projeto, entretanto, começou a enfrentar dificuldades na contratação da empresa responsável pelas obras.

Na primeira tentativa, nenhuma empresa apresentou proposta até o prazo previsto, em janeiro de 2022. A Prefeitura decidiu então revisar os custos.

O orçamento, que naquele momento estava estimado em aproximadamente R$ 7,3 milhões, subiu para cerca de R$ 8,5 milhões, e uma nova concorrência foi aberta em fevereiro daquele ano. A segunda tentativa também não atraiu interessados.

Em junho de 2022, o Município abriu o processo pela terceira vez. O orçamento foi novamente atualizado, chegando a cerca de R$ 8,6 milhões. A intervenção envolveria reforma, ampliação e adaptação do antigo clube para receber a unidade de educação infantil.

Antigo Clube Surian, na Avenida Mato Grosso, seria transformado em unidade de educação infantil em Campo Grande.Imóvel do antigo Clube Surian foi alvo de três tentativas de licitação para receber uma unidade de educação infantil. Foto: Arquivo Correio do Estado.

Apesar das sucessivas tentativas, a transformação do imóvel em escola não avançou. Em maio de 2024, ao ser questionada sobre a situação do Surian, a Prefeitura informou que as três tentativas de contratação haviam terminado sem empresas interessadas e que a finalidade do prédio estava sendo reavaliada.

Naquele momento, o Município dizia que pretendia manter alguma utilização relacionada à Educação. 

A situação chamou novamente a atenção meses depois. Em agosto de 2024, moradores denunciaram abandono, sujeira e água acumulada na piscina do antigo clube.

A Prefeitura informou, na ocasião, que a limpeza estava na programação do Município e voltou a citar as três licitações desertas, quando nenhuma empresa interessada apresenta proposta para executar o serviço, além da reavaliação da finalidade do imóvel.

Para quem passa pela Avenida Mato Grosso, o cenário atual contrasta com os planos anunciados para o endereço. O imóvel que deveria ganhar nova vida com a implantação de uma creche permanece sem receber a obra prometida e carrega sinais de anos sem utilização definitiva.

O estado do local reforça o contraste entre a estrutura que permanece sem uso e o projeto que previa transformar o antigo clube em uma unidade de educação infantil para centenas de crianças.

Projeto prometia abrir centenas de vagas

A paralisação do projeto também impediu a abertura das centenas de vagas de educação infantil que haviam sido anunciadas para a região central.

Quando a licitação foi lançada em 2021, a própria Prefeitura afirmava que a unidade atenderia 420 crianças entre zero e cinco anos. 

A localização era apresentada como um dos diferenciais do projeto. A implantação de uma escola infantil na região central permitiria atender principalmente famílias que trabalham nas proximidades e precisam de uma unidade de ensino de fácil acesso. 

O projeto previa ainda aproveitar parte da estrutura histórica do clube, em vez de simplesmente demolir o prédio. Fachada, linhas arquitetônicas, muro e elementos característicos seriam preservados, enquanto um novo bloco concentraria as salas de aula.

Passados anos desde o anúncio, entretanto, a Emei não foi implantada.

Ministério Público entra no caso

Agora, a publicação do MPMS coloca novamente o futuro do imóvel em discussão. O procedimento foi instaurado pela Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social e tem como objeto acompanhar os ofícios já encaminhados à Procuradoria-Geral do Município e à Semed.

A publicação é assinada pelo promotor de Justiça Fabio Ianni Goldfinger e registra que a instauração ocorreu em 25 de setembro. 

O Correio do Estado procurou a Prefeitura de Campo Grande para saber qual é atualmente a destinação prevista para o antigo Clube Surian, se o projeto da Emei foi definitivamente abandonado ou reformulado, se existe nova licitação, orçamento ou cronograma para utilização do imóvel e quanto já foi gasto pelo Município com projetos, manutenção e outras intervenções desde a incorporação do prédio ao patrimônio público.

A reportagem também questionou se a Prefeitura e a Semed já responderam aos ofícios mencionados pelo Ministério Público e solicitou informações sobre o teor das respostas. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.

 

Fim das Bets

Governo mira 5 mil bets enquanto milhares de apostadores enfrentam prejuízos em MS

Ofensiva nacional já determinou bloqueio de 2.387 sites; em Campo Grande, 32,5 mil pessoas foram identificadas como apostadoras on-line

29/09/2026 15h57

A partir do dia 6 de outubro todos os aplicativos e site de bets deverão sair do ar, em todo o Brasil

A partir do dia 6 de outubro todos os aplicativos e site de bets deverão sair do ar, em todo o Brasil Foto: Paulo Ribas/arquivo

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Enquanto Mato Grosso do Sul já contabiliza milhares de pessoas envolvidas com apostas on-line, o governo federal intensificou a ofensiva contra plataformas irregulares. Até esta terça-feira (29), foram indicados para derrubada 5.209 domínios relacionados a apostas, dos quais 2.387 já tiveram o bloqueio determinado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

O número ganha dimensão local diante do levantamento publicado pelo Correio do Estado neste mês, que identificou 32,5 mil moradores de Campo Grande como apostadores on-line. O contingente corresponde a 3,35% da população da Capital e é superior à população de 63 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul.

A ofensiva também mira a divulgação das bets nas redes sociais. Até agora, foram removidas 300 páginas do Facebook e 90 perfis do Instagram usados para promover ou facilitar o acesso a apostas irregulares. O Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), iniciou nesta terça-feira ações para retirar conteúdos relacionados às bets ilegais do TikTok.

No Telegram, a operação alcançou 1.014.722 membros e usuários de canais, grupos e perfis relacionados às plataformas irregulares. Também foram notificados 186 aplicativos para retirada das lojas da Apple e do Google até 6 de outubro.

Outras oito grandes plataformas: Google, Meta, YouTube, X, Telegram, TikTok, Kwai e Discord  receberam notificações para retirar publicidade de apostas irregulares do ar no prazo de dez dias.

Apostas e prejuízos

O avanço da fiscalização ocorre em meio a sinais dos impactos do mercado de apostas em Mato Grosso do Sul. Segundo levantamento anterior do Correio do Estado, mais de 300 sul-mato-grossenses buscaram ajuda do SUS em apenas seis meses por problemas relacionados às apostas.

Outro levantamento do jornal identificou 11 processos judiciais envolvendo apostadores que alegam ludopatia. Juntos, os casos movimentaram mais de R$ 22,7 milhões nas plataformas, enquanto as perdas relatadas chegaram a aproximadamente R$ 1,7 milhão.

Em um dos casos, um morador de Campo Grande movimentou cerca de R$ 9,5 milhões em apostas ao longo de três anos e acumulou perda aproximada de R$ 715,7 mil.

Os números mostram que a ofensiva contra as plataformas não se restringe ao bloqueio de endereços na internet, mas atinge um mercado que já tem alcance expressivo entre os consumidores sul-mato-grossenses.

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A ação conjunta do MJSP e do Ministério da Fazenda ocorre no âmbito da Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de loterias de apostas de quota fixa em território nacional.

A Secretaria Nacional de Direitos Digitais indicou 1.386 domínios, enquanto a Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda, apontou outros 3.823.

A Polícia Federal também investiga crimes relacionados ao mercado ilegal de apostas. Entre março de 2023 e agosto de 2026, foram realizadas 12 operações, com pelo menos 73 mandados de busca e apreensão e 15 de prisão. Os pedidos de sequestro de bens e recursos registrados nessas ações somam aproximadamente R$ 4,17 bilhões.

As investigações envolvem organizações suspeitas de operar apostas ilegais e crimes associados, como lavagem de dinheiro.

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