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Governo federal falhou na prevenção de catástrofes no Pantanal, diz TCU

Em fiscalização, TCU não encontrou medidas que efetivamente poderiam mitigar prejuízos de mais de R$ 1 bilhão no bioma

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Desde 2012, existe no Brasil a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC), e também foram definidos parâmetros para o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC) e o Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil (CONPDEC).

Esse conjunto de medidas e instrumentos federais permitiram a criação de um sistema de informação e de monitoramento de desastres.

Por conta dessas estratégias e legislação, o Tribunal de Contas da União (TCU) avaliou que o governo federal falhou em aplicar as regras já existentes para prevenir e mitigar desastre registrado no Pantanal, com os incêndios florestais.

A auditoria foi executada pela Unidade Especializada em Infraestrutura Urbana e Hídrica (AudUrbana), com relatório divulgado no fim do ano passado.

As estruturas federais da Casa Civil da Presidência da República, do Ministério das Cidades, da Secretaria Nacional de Periferias, da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental e Secretaria Nacional de Segurança Hídrica foram envolvidas nas avaliações realizadas.

“(...) Tendo em vista que não foi identificado nenhum empreendimento de prevenção relacionado a seca no Pantanal e Amazônia, propõe-se recomendar ao MIDR [Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional], em articulação com o Cemaden [Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais], que, ante a nova realidade climática e a recorrência de eventos extremos de seca e de estiagens nessas regiões, promova estudos para avaliar a adequabilidade de medidas estruturantes para esse tema”, alertou a fiscalização.

Essa deficiência do governo federal gerou danos econômicos e ambientais. Em Mato Grosso do Sul, o prejuízo causado pelo fogo no agronegócio, só em 2024, chegou a R$ 1,2 bilhão, de acordo com a Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).

No Pantanal, 500 propriedades rurais foram atingidas pelo fogo e cerca de 15% do território pantaneiro registrou incêndios florestais em 2024.

Se essa avaliação for feita em um período mais longo, o Pantanal foi o bioma brasileiro mais afetado pelo fogo nos últimos 40 anos (93% ocorreu em vegetação nativa, especialmente em formações campestres e campos alagados), conforme relatório do Mapbiomas, divulgado em junho de 2025.

No Pantanal e na Amazônia, estiagem e incêndios florestais foram graves problemas e fiscalização identificou falha do governo federalNo Pantanal e na Amazônia, estiagem e incêndios florestais foram graves problemas e fiscalização identificou falha do governo federal - Foto: Mayangdi Inzaulgarat / Ibama

O relatório do TCU também avaliou as situações identificadas na Amazônia, bem como no Rio Grande do Sul. No caso da Amazônia, os incêndios e desmatamentos foram grandes problemas identificados. Já no Rio Grande do Sul, as enchentes tiveram sérios prejuízos econômicos e sociais.

Conforme os técnicos, no eixo analisado de governança houve “falta de coordenação e articulação entre os atores integrantes do sistema, baixa legitimidade do órgão central, institucionalização parcial da política, deficiências em mapeamento de riscos, ausência de instrumentos de avaliação e monitoramento estruturados.”

Sobre o eixo obras, os principais problemas estiveram envolvidos na “seleção dos empreendimentos de forma fragmentada, ausência de planejamento estratégico integrado, percentuais elevados de objetos inconclusos, paralisados ou com atrasos relevantes, contribuição limitada dos investimentos da União na gestão de riscos de desastres e na mitigação de efeitos de inundações e enxurradas”.

Os técnicos ressaltaram que desde 2023 já havia uma orientação internacional de que eventos climáticos severos iam se intensificar, conforme o Banco Mundial.

Houve outro embasamento a partir do estudo “Mapping characteristics of at-risk population to disasters in the context of Brazilian early warning system” (Mapeamento de características de populações em risco para desastres no contexto brasileiro de sistema de alerta, tradução livre).

Entre 2019 e 2023, o TCU já tinha realizado 19 auditorias em obras que somam R$ 1 bilhão.

“É importante destacar que a Lei nº 12.608/2012, que instituiu a PNPDEC, estabelece entre as suas diretrizes a prioridade às ações preventivas relacionadas à minimização de desastre. Porém, apesar dessa diretriz clara, nota-se que a prevenção não tem recebido a devida atenção”, apontou o relatório.

RECURSOS ESCASSOS

Na pesquisa feita pela auditoria no Painel de Recursos para Gestão de Riscos e Desastres, apenas um repasse foi identificado para Mato Grosso do Sul para obras de macrodrenagem contra enchentes do programa Gestão de Riscos e Desastres, sem outra menção que abordasse a prevenção de incêndios e mitigação de danos por conta da estiagem. Não houve detalhamento do valor que foi repassado.

Por outro lado, no documento de fiscalização, os auditores ponderaram que entre 2023 e 2024, tanto no Pantanal como na Amazônia, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) manteve um monitoramento contínuo do nível dos rios para gerar dados que pudessem ser convertidos em ações de políticas públicas.

DEMANDAS PARA 2026

A fiscalização gerou determinações para diferentes órgãos do governo federal. Para o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), houve prescrição para que sejam promovidos estudos para avaliar a adequalidade de obras estruturantes contra secas e estiagens extremas no Pantanal e na Amazônia.

A integração do Cemadem nessa demanda foi sugerida para haver inclusão de dados técnicos e científicos. 

Com prazo de 180 dias, por exemplo, que passaram a contar em 19 de novembro de 2025, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, em articulação com a Casa Civil da Presidência da República e com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos devem adotar ferramentas que gerem efetividade na condução da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil.

Ainda há prazo também de 180 dias para operacionalização do Conselho Nacional de Proteção e Defesa Civil.

Com 90 dias, o MIDR, com a Controladoria-Geral da União (CGU), receberam determinação do TCU para divulgar dados e informações das transferências federais para obras públicas estruturantes. 

Bem como, houve determinação para que a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil articule planejamento para mapear todos os municípios prioritários e ações necessárias para mitigar desastres.

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Saúde Pública

Cirurgias pelo SUS terão financiamento ampliado em até 300% em MS

Medida alcança procedimentos cardíacos, oncológicos e ortopédicos, além de cirurgias de ouvido, nariz e garganta; aumento busca ampliar capacidade de atendimento especializado no Estado.

26/07/2026 09h15

Hospital Regional de Mato Grosso do Sul é uma das principais referências do SUS no Estado, que terá ampliação do financiamento federal para cirurgias especializadas.

Hospital Regional de Mato Grosso do Sul é uma das principais referências do SUS no Estado, que terá ampliação do financiamento federal para cirurgias especializadas. Foto: Divulgação

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Pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar cirurgias especializadas em Mato Grosso do Sul poderão ser beneficiados por uma ampliação significativa dos recursos destinados aos procedimentos.

O Estado passou a adotar complementação federal de até 300% para uma extensa relação de cirurgias, incluindo intervenções cardíacas, oncológicas e ortopédicas.

A mudança foi oficializada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) por meio da Resolução CIB/SES nº 1.329, publicada no Diário Oficial do Estado.

O ato altera os percentuais de complementação federal dos procedimentos contemplados pelo componente cirúrgico do programa de ampliação do acesso a especialistas. 

Na prática, procedimentos que anteriormente não contavam com complementação federal adicional passam de 0% para 300%. Outros, que já recebiam adicional equivalente a 100% do valor do procedimento principal, também passam a ter complementação de 300%.

A mudança não significa que o valor pago por todas as cirurgias simplesmente será quadruplicado. O percentual corresponde à complementação financeira federal, calculada sobre os procedimentos enquadrados nas regras do programa.

O objetivo é aumentar a capacidade de financiamento e tornar mais viável a realização de cirurgias consideradas estratégicas na rede pública.

A própria resolução estadual destaca que a revisão dos limites máximos amplia a capacidade de financiamento federal para a realização desses procedimentos cirúrgicos. 

Coração, câncer, quadril e joelho estão na lista

Entre os procedimentos contemplados estão cirurgias de alta complexidade e áreas que concentram demanda relevante na rede pública.

Na oncologia, por exemplo, passam de 0% para 300% de complementação procedimentos como gastrectomia videolaparoscópica, esofagogastrectomia, laparotomia exploradora, pancreatectomia parcial e colectomia, todos relacionados ao tratamento cirúrgico de pacientes com câncer. 

A ortopedia também aparece entre as áreas contempladas. A lista inclui artroplastia parcial do quadril, artroplastia total e de revisão do quadril, próteses de joelho e reconstrução ligamentar intra-articular do joelho.

Esses procedimentos não tinham complementação federal prevista na tabela apresentada pela SES e passam ao patamar de 300%. 

Também foi incluído o tratamento cirúrgico de ruptura do menisco com meniscectomia parcial ou total. 

Cirurgias cardíacas recebem reforço

Outro grupo expressivo é o dos procedimentos cardiovasculares. A nova tabela contempla desde a correção de aneurisma ou dissecção da aorta até implantes e substituições de dispositivos cardíacos.

Entram na relação diferentes modalidades de implante de marcapasso e cardioversor-desfibrilador, além de prótese valvar, plástica valvar e assistência circulatória. 

Procedimentos de revascularização do miocárdio também tiveram o percentual ampliado. Nesse caso, algumas modalidades que já possuíam complementação de 100% passam para 300%, incluindo revascularizações com e sem circulação extracorpórea. 

A lista ainda contempla troca de geradores e eletrodos de dispositivos cardíacos e troca valvar associada à revascularização.

Cirurgias mais comuns também entram

A ampliação não fica restrita aos procedimentos de maior complexidade. Cirurgias de outras especialidades também aparecem na resolução.

Entre elas estão retirada de amígdalas e adenoides, correção de desvio de septo, timpanoplastia, turbinectomia e diferentes tipos de sinusotomia. Nesses casos, a tabela publicada aponta mudança de 0% para 300% na complementação federal. 

A laqueadura tubária também consta na relação e passa de complementação de 100% para 300%. 

Com isso, o reforço financeiro alcança desde procedimentos relativamente frequentes na rede pública até operações de alta complexidade, como as realizadas nas áreas de oncologia e cirurgia cardiovascular.

Programa busca ampliar atendimento especializado

A alteração ocorre dentro da estratégia federal para expansão do acesso à atenção especializada. Conforme a resolução publicada pela SES, uma revisão normativa permitiu elevar os limites máximos de complementação federal dos procedimentos selecionados para até 300% do valor do procedimento principal. 

A Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul decidiu aderir aos novos percentuais e formalizou a alteração após deliberação da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), instância que reúne representantes das gestões estadual e municipais de saúde.

O movimento cria condições financeiras para ampliar a oferta, mas não representa, por si só, a abertura imediata de novas vagas nem garante que as filas serão eliminadas.

O efeito para os pacientes dependerá da execução do programa, da capacidade dos hospitais e prestadores e da quantidade de procedimentos que efetivamente serão contratados e realizados.

A resolução entrou em vigor com sua publicação no Diário Oficial e estabelece os novos percentuais para os procedimentos relacionados no documento. 

Execução

Jovem de 19 anos é executado a tiros por dupla de motocicleta em Campo Grande

Luís Fernando Bento estava há cerca de uma semana na Capital e foi surpreendido pelos atiradores no Jardim Noroeste; polícia investiga motivação do crime.

26/07/2026 08h29

Polícia Civil e perícia realizaram os primeiros levantamentos no local onde Luís Fernando Bento, de 19 anos, foi morto a tiros no Jardim Noroeste, em Campo Grande.

Polícia Civil e perícia realizaram os primeiros levantamentos no local onde Luís Fernando Bento, de 19 anos, foi morto a tiros no Jardim Noroeste, em Campo Grande. Foto: Divulgação

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A passagem de Luís Fernando Bento, de 19 anos, por Campo Grande terminou de forma violenta na noite deste sábado (25). Há cerca de uma semana na cidade, o jovem foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta e assassinado a tiros no Jardim Noroeste.

O ataque aconteceu no cruzamento das ruas Era Atômica e Bartolomeu Mitre. Luís Fernando, que era morador de Ribas do Rio Pardo, não resistiu aos ferimentos e morreu antes de ser levado para uma unidade de saúde.

Informações levantadas pela reportagem apontam que os autores chegaram em uma motocicleta. O veículo era ocupado por dois homens e, durante a aproximação, o passageiro teria sacado uma arma e efetuado uma sequência de disparos contra a vítima.

Pelo menos cinco tiros teriam sido efetuados durante a ação. No corpo de Luís Fernando foram identificadas, inicialmente, quatro perfurações aparentes. A quantidade exata de disparos e os pontos atingidos deverão ser esclarecidos pelo trabalho pericial.

Depois do ataque, a dupla deixou o local na motocicleta. Até o momento, não há informação sobre a identificação ou prisão dos envolvidos.

Equipes da Polícia Militar foram mobilizadas após o crime e fizeram o isolamento da área. A Polícia Civil e a perícia também estiveram no endereço para realizar os primeiros levantamentos e recolher elementos que possam ajudar a reconstruir a dinâmica da execução.

Vítima estava há uma semana na Capital

Luís Fernando era morador de Ribas do Rio Pardo, e estava na Capital havia aproximadamente uma semana. As circunstâncias que o levaram ao Jardim Noroeste na noite do crime ainda deverão ser esclarecidas pela investigação.

Outro ponto que permanece em aberto é o que teria motivado a execução. Informações obtidas durante o atendimento da ocorrência indicam atuação de facção criminosa na região onde o homicídio aconteceu, mas ainda não há confirmação de que o assassinato tenha relação com grupos criminosos.

A polícia deverá apurar também se a vítima já vinha sendo acompanhada pelos autores ou se o encontro ocorreu momentos antes dos disparos. Imagens de câmeras de segurança instaladas nas proximidades podem auxiliar na identificação da motocicleta e na reconstrução da rota utilizada na fuga.

O homicídio será investigado pela Polícia Civil. Até o fechamento da matéria, a autoria e a motivação do crime permaneciam desconhecidas, e ninguém havia sido preso.

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