Cidades

Corrupção no Judiciário

Grilagem jurídica: PF revela venda de sentenças em disputas de terras no TJMS

Relatório da Polícia Federal aponta venda de decisões judiciais envolvendo desembargadores do TJMS em disputas por fazendas e detalha esquema com propina, falsificação de documentos e extorsão

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O relatório final da Operação Ultima Ratio, da Polícia Federal — que resultou no indiciamento de sete desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), entre aposentados e em atividade — indica que um grande “mercado de sentenças”, envolvendo disputas agrárias, resultou no escândalo de corrupção envolvendo os magistrados.

No relatório constam detalhes de como decisões judiciais de alta relevância, envolvendo a posse e a propriedade de quatro grandes fazendas em Mato Grosso do Sul, teriam sido negociadas por desembargadores do Tribunal de Justiça (TJMS).

O esquema revelado pela Operação Ultima Ratio contava com a intermediação de advogados e familiares — sobretudo os filhos do desembargador Sideni Pimentel, Rodrigo e Renata —, utilizando dinheiro em espécie, contratos simulados e até extorsão para garantir o controle de propriedades rurais valiosas.

As fazendas envolvidas são Santo Antônio e Vai Quem Quer, no Pantanal, além de Pauliceia, Montanha e San Diego.

A Polícia Federal identificou na operação os crimes de corrupção passiva — o crime central do inquérito, que fundamenta a “venda de sentenças” por parte dos magistrados. Também há indiciamentos por lavagem de dinheiro, falsificação de documento público (no caso da Fazenda Pauliceia), extorsão (também no caso da Fazenda Pauliceia) e organização criminosa.

Quem são os indiciados?

  • Magistrados:

  • Desembargadores aposentados:
  • Julio Roberto Siqueira Cardoso,
  • Sideni Soncini Pimentel e
  • Divoncir Schreiner Maran
     
  • Desembargador em atividade

  • Sérgio Fernandes Martins
  • Desembargadores afastados da função

  • Vladimir Abreu da Silva,
  • Alexandre Aguiar Bastos,
  • Marcos José de Brito Rodrigues 
  • Também o juiz Paulo Afonso de Oliveira.
  • Conselheiro do TCE-MS

  • Osmar Domingues Jeronymo.

 

 

 

  • Advogados:

  • Renata Gonçalves Pimentel,
  • Rodrigo Gonçalves Pimentel,
  • Emmanuelle Alves Ferreira da Silva,
  • Fábio Castro Leandro,
  • Julio Sergio Greguer Fernandes,
  • Bruno Terence Romero,
  • Fábio Pinto de Figueiredo e
  • Gabriel Affonso de Barros Marinho.
  • Demais indiciados:

  • Danillo Moya Jeronymo (ex-servidor comissionado do TJMS),
  • Diego Moya Jeronymo (empresário),
  • Everton Barcellos de Souza (empresário),
  • Cláudio Bergmann (empresário),
  • Darci Guilherme Bazanella Filho (herdeiro),
  • Tatiele Toro Correia (herdeira),
  • Nathalia Poloni Ney (interessados em fazendas),
  • Paulo Ricardo Fenner (interessados em fazendas),
  • Lydio de Souza Rodrigues (beneficiado por decisão),
  • Percival Henrique de Souza Fernandes (empresário),
  • Maycon Nogueira (tabelião),
  • Leandro Batista dos Santos e
  • Volmar Dalpasquale (empresário).

Propina milionária

O esquema de corrupção no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul envolveu a negociação de decisões judiciais ligadas a cinco propriedades rurais principais, utilizando intermediação de familiares, falsificação de documentos e extorsão.

No caso da Fazenda Santo Antônio, em Corumbá, a Polícia Federal identificou a venda de um alvará judicial que autorizou a alienação de parte da propriedade em benefício da família Bazanella.

A investigação aponta que a advogada Renata Gonçalves Pimentel, filha do desembargador Sideni Soncini Pimentel, intermediou a decisão proferida por seu pai, com a participação dos desembargadores Vladimir Abreu da Silva e Julio Roberto Siqueira Cardoso.

Renata teria recebido mais de R$ 1 milhão em vantagens indevidas, pagas pelo comprador Cláudio Bergmann e por advogados do espólio. O valor depositado judicialmente foi de R$ 1,1 milhão, quantia considerada muito inferior aos R$ 4,4 milhões estimados como valor real da parte do espólio, o que resultou na apropriação indevida da diferença pelos envolvidos.

Golpe validado

Sobre a Fazenda Vai Quem Quer, também em Corumbá, a decisão de abril de 2023 manteve a validade de um contrato de permuta favorável a Lydio de Souza Rodrigues, apesar de alegações de estelionato por falsificação de documentos na compra da fazenda.

Segundo o relatório, os desembargadores Alexandre Aguiar Bastos, Sideni Pimentel e Vladimir Abreu venderam o resultado do julgamento. As provas indicam que Lydio celebrou a venda de parte da fazenda antes do julgamento final, condicionando o pagamento de R$ 1 milhão aos seus advogados apenas ao êxito na apelação, o que demonstraria o conhecimento prévio do resultado favorável no tribunal.

Corrupção, falsificação e extorsão

A Fazenda Pauliceia, situada em Maracaju, envolveu crimes de corrupção, falsificação de documentos e extorsão. Os desembargadores Vladimir Abreu, Julio Cardoso, Alexandre Bastos e Sideni Pimentel proferiram decisões para manter a propriedade com os sobrinhos do conselheiro do Tribunal de Contas, Osmar Domingues Jeronymo.

A Polícia Federal apurou que escrituras públicas foram falsificadas para transferir terras de Marta Martins de Albuquerque para empresas ligadas ao grupo de Percival Fernandes e Diego Moya Jeronymo. Além disso, Osmar Jeronymo, o advogado Felix Jayme e os sobrinhos Diego e Danillo Jeronymo foram apontados por praticar extorsão contra o produtor Gerson Pieri, obrigando-o a desistir da disputa judicial pela área sob ameaça física e coação.

“Leilão” de desembargadores

No processo relativo às fazendas Montanha e San Diego, a investigação descreveu uma dinâmica de venda de votos na Primeira Câmara Cível. Os autores do crime de corrupção passiva identificados foram os desembargadores Sérgio Fernandes Martins, Divoncir Schreiner Maran e Marcos José de Brito Rodrigues.

O esquema contou com a intermediação do advogado Felix Jayme para favorecer o interessado Paulo Ricardo Fenner. Mensagens interceptadas indicam que o julgamento foi negociado para terminar com um placar de três votos a dois, sendo descrito em diálogos como um leilão, no qual os votos eram pagos conforme o combinado após a sessão.

“Um leilão danado”, disse o advogado Felix Jayme Nunes da Cunha a Danillo Moya Jeronymo, à época do julgamento. “Tô ticado num julgamento das 14h de hoje. Saí agora do TJ, vou faturar por 3x2”, disse. “Pqp, leilão danado kkkk... Cada um quer mais que o outro”, afirmou ao relatar a sessão ao colega.

O trâmite

O relatório final da Operação Ultima Ratio agora será encaminhado ao Ministério Público Federal. Caberá aos procuradores da República analisar as provas e os indícios para formular uma denúncia, para que os indiciados sejam acusados e, se for o caso, respondam criminalmente.

A Operação Ultima Ratio foi desencadeada em outubro de 2024. Na ocasião, cinco desembargadores foram afastados: Sideni Pimentel, Sérgio Martins, Alexandre Bastos, Marcos Brito Rodrigues e Vladimir Abreu.

De lá para cá, Sérgio Martins foi reintegrado ao cargo pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, e Sideni Soncini Pimentel se aposentou.

Alexandre Bastos, Marcos Brito Rodrigues e Vladimir Abreu continuam afastados, agora por ordem do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde já respondem a processo disciplinar.

CONSTRUÇÃO

Acesso da BR-267 à ponte da Rota Bioceânica avança 8% em quase 1 ano

Com investimento de R$ 472 milhões, o DNIT prevê que as obras das pontes e viaduto sejam concluídas até 2027

19/07/2026 15h00

Rota Bioceânica interliga quatro países da América do Sul

Rota Bioceânica interliga quatro países da América do Sul Foto: Divulgação

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A construção do acesso à Ponte Internacional da Rota Bioceânica na BR-267 chegou aos 38,1% executados do empreendimento.  O trecho tem 13,1 quilômetros de rodovia, que ligará o município de Porto Murtinho, no Brasil, Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai.

No dia 12 de agosto de 2025, quase 11 meses após o início dos trabalhos, a obra tinha sido 30% executada. Desde aquela data até esta sexta-feira (17), quase um ano depois, houve pouco avanço, já que apenas mais 8,1% do empreendimento foram concluídos.     

O investimento é de R$ 472 milhões, dos quais já foram empenhados R$ 220,7 milhões e utilizados R$ 184,7 milhões. De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), os R$ 36 milhões que ainda restam serão utilizados na conclusão das Obras de Arte Especiais (OAE). A suplementação orçamentária poderá ser realizada conforme a evolução dos serviços.

As obras começaram no dia 20 de setembro de 2024. À época, a ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, em visita à Campo Grande, afirmou que as obras seriam concluídas em até 24 meses, ou seja, até setembro de 2026. Nesta sexta-feira, em resposta a reportagem do Correio do Estado, o DNIT disse que a "previsão inicial de conclusão da obra" é até 2027.

Fases das obras

De acordo com o DNIT, entre as ações executadas estão: canteiro de obras, instalações industriais (central de concretagem e pátio de concretagem e protensão de vigas), limpeza da faixa de domínio do traçado (13,63 km), implantação de cercas de limite da faixa de domínio e implantação de cercas condutoras de fauna.

Até o momento, a autarquia informa que foram executados 10,1 km de serviços de terraplenagem e de movimentação de terra no segmento.

As Obras de Arte Correntes (OACs), referentes aos bueiros, galerias e passagens de fauna, estão 97% concluídas.

O empreendimento conta com a implantação de sete OAEs, sendo seis pontes e um viaduto, que se encontram com o seguinte percentual de execução:

  • OAE 01 (viaduto na BR-267) - em execução a infraestrutura (estacas e blocos) e fabricação de vigas longarinas e pré-lajes;
  • OAE 02 (ponte sobre o Rio Amonguijá) - estrutura concluída;
  • OAE 03 (ponte de vazante) - em execução a infraestrutura (estacas e blocos) e fabricação de vigas longarinas e pré-lajes;
  • OAE 04 (ponte de vazante) - em execução a infraestrutura (estacas e blocos), mesoestrutura (pilares e travessas) e fabricação de vigas longarinas e pré-lajes;
  • OAE 05 (ponte de vazante - 700m) - em execução a infraestrutura (estacas e blocos), mesoestrutura (pilares e travessas); fabricação e instalação de vigas longarinas e pré-lajes;
  • OAE 06 (ponte de vazante) - infraestrutura (estacas e blocos) e mesoestrutura (pilares e travessas) concluídas.  Em execução a instalação de vigas longarinas e pré-lajes e concretagem da laje;
  • * OAE 07 (ponte de vazante) - estrutura concluída.

Conexão Brasil-Paraguai

Na última quarta-feira (15), após mais de quatro anos de início das obras, Brasil e Paraguai se uniram através da ponte da Rota Biocêanica. O encontro das aduelas, como é chamada a junção entre os dois lados da estrutura sobre o Rio Paraguai, ocorreu com a colocação da última peça de concreto que fechou o vão entre as duas extremidades.

Para simbolizar a ligação física, houve uma cerimônia com o gesto que ficou conhecido como “o beijo da integração”: um abraço seguido de um beijo entre representantes dos dois lados da fronteira, simbolizando amizade, respeito e o compromisso com um futuro construído em conjunto.

A Ponte Bioceânica integra a chamada Rota Bioceânica, que conectará o Brasil aos portos do norte do Chile, atravessando Paraguai e Argentina, levando a produção sul-americana até os portos do norte chileno no Oceano Pacífico, reduzindo custos de transporte e ampliando a competitividade das exportações para os mercados asiáticos.

Com 1.294 metros de comprimento e um vão central elevado para navegação segura, a ponte será um ativo logístico estratégico do Corredor Bioceânico, conectando a Rodovia PY15 à malha rodoviária regional.

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Pente-fino

Anvisa fez 33 operações de fiscalização em farmácias que produzem canetas emagrecedoras em 2026

Destas, segundo a agência, 14 foram realizadas em conjunto com a Polícia Federal

19/07/2026 14h30

Divulgação: Anvisa

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que, em 2026, foram realizadas 33 operações de fiscalização em farmácias de manipulação estéreis, que produzem medicamentos injetáveis agonistas do receptor de GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras.

Destas, segundo a agência, 14 foram realizadas em conjunto com a Polícia Federal, e que, em junho, houve uma redução temporária das vistorias por 15 dias para a elaboração de um Procedimento Operacional Padrão (POP), instrumento de aperfeiçoamento metodológico que é parte da rotina de trabalho das áreas responsáveis por fiscalização.

O órgão regulador negou que tenha ocorrido redução na fiscalização no primeiro semestre e disse que breves períodos dedicados a ajustes de procedimentos e processos são parte de seu fluxo de trabalho. "A agência e têm como maior objetivo tornar as inspeções cada vez mais qualificadas, estratégicas e efetivas, direcionando esforços para situações de maior risco sanitário e potencializando a proteção da saúde da população", disse a Anvisa, em nota.

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