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Imasul analisa se libera desmate em área de 20 mil campos de futebol

Empresas agropecuárias de São Paulo e de Dourados solicitaram licença para uso do território; são cerca de 19,4 mil hectares de pastagem que podem ser removidos

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Para a expansão da produção pecuária no Estado, duas empresas do setor estão com pedidos no Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) para obter licença para alterar uma área correspondente a cerca de 20 mil campos de futebol em espaço do Pantanal. A área em questão totaliza 19,4 mil hectares, todos localizados no município de Corumbá.

Uma das solicitações, da Riuma Comércio e Participações Ltda., localizada em São Paulo, envolve 1.850 hectares de supressão vegetal arbórea e 10.518 hectares para substituição de pastagens nativas. Outra solicitação é da Agropecuária Centenário Ltda., com sede em Dourados, que protocolou pedido para alterar 7.105 hectares em vegetação do Cerrado e campestre.

Para ocorrer a deliberação do Imasul sobre os pedidos, com a aprovação ou a rejeição deles, é preciso que haja um estudo apresentado no Relatório de Impacto Ambiental (Rima). O documento também passa por discussão pública, a partir de audiência realizada no município onde a propriedade está localizada. 

Uma das solicitações, da Fazenda Santa Maria, localizada no Pantanal da Nhecolândia, já foi submetida a esse procedimento, que ocorreu em 15 de março. O outro pedido de licenciamento é da Fazenda São José, que está no Pantanal do Paiaguás e passou por audiência pública na noite de ontem. 

De acordo com a legislação vigente que regulamenta esses licenciamentos e define os limites que as propriedades rurais precisam garantir para áreas de proteção, o mínimo de reserva legal deve ser de 20%. 
As resoluções do Conama (nº 009/87) e da Sema-MS (nº 004/89) tratam sobre os procedimentos a serem seguidos no pedido de licenciamento, incluindo o cumprimento desse limite mínimo de reserva legal e as justificativas para ocorrer a alteração do meio ambiente.

No caso da Fazenda São José, a área total é de pouco mais de 13 mil hectares. Com isso, o mínimo de reserva legal é de 2.618 hectares. A área produtiva no local até 2008 era de 741 hectares, conforme apresentado no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) em discussão. 

De acordo com esse estudo, para que a propriedade possa ter viabilidade econômica, são necessárias áreas mais extensas. 

“As pastagens nativas na maioria das áreas são de baixa produtividade e baixa qualidade nutricional, sendo necessários 3,6 ha/animal, podendo chegar na parte leste, a 5,0 ha/animal. São necessárias grandes propriedades para tornar a atividade economicamente viável e, dependendo da região, alguns produtores precisam ter duas ou mais propriedades para socorrer o gado nos dois períodos críticos do ano: seca e cheia”, alegou a empresa em seu estudo.

Só nessa propriedade, a empresa proprietária prevê que gastará na supressão vegetal e na implantação das pastagens mais de R$ 4,693 milhões. 

Na Fazenda Santa Maria, houve a justificativa de que a alteração no território pantaneiro para exercer a pecuária aumentará o número de trabalho local. Atualmente, há 33 funcionários registrados. Durante a execução da supressão vegetal, a empresa dona da propriedade rural estima ter 44 funcionários diretos e 88 indiretos. 

Depois das alterações, a fazenda tem estimativa de aumentar o quadro de 33 funcionários para 53 no total. De forma indireta, a previsão é que haja até 100 pessoas trabalhando. 

Os valores referentes à alteração no território pantaneiro pelo gestor da Fazenda Santa Maria devem somar R$ 5,749 milhões. Atualmente, são cerca de 11 mil cabeças de gado no rebanho desse local, e, se houver autorização para supressão vegetal e abertura de pasto, a empresa gestora prevê ter mais de 22 mil animais.

No ano passado, o Mapbiomas divulgou cenário de desmatamento nos biomas e houve crescimento de 50,5% em alertas e efetivamente foram constatados 15,7% de área desmatada. Os municípios com maior concentração de registros foram Aquidauana, Miranda e Coxim, totalizando 32 áreas nessas localidades. 

Em 2019, 12.495 hectares foram suprimidos; já em 2020 esse número subiu para 24.784; passando, então, para 28.671 hectares em 2021.

Com os pedidos feitos por essas duas empresas e que estão em análise pelo Imasul, o total de supressão vegetal solicitado legalmente supera o registrado em 2019 e representa mais de 67% do registro de desmatamento em 2021 pelo Mapbiomas.

O Imasul foi contatado para informar a previsão de tempo para análise dos pedidos e deliberação, porém, até o fechamento desta matéria ainda não havia retornado. 

O Observatório Pantanal, que congrega entidades que atuam na proteção do Pantanal, já fez posicionamento anterior sobre perigos na autorização de supressão vegetal e prejuízos cumulativos para o bioma.

“O uso sustentável [do Pantanal] não pode ser prejudicado pelas consequências de pequenas decisões que não consideram seus impactos cumulativos, comprometendo o futuro da pecuária sustentável, pesca, ecoturismo, comunidades tradicionais, biodiversidade e serviços ecossistêmicos”, apontaram cientistas ligados à Embrapa Pantanal, Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e grupo Panthera, em publicação feita na revista BioScience. 

Eles citaram também os riscos de desequilíbrio ambiental caso hidrelétricas sejam autorizadas a se instalar no bioma.

SAIBA

Para alterar mais de 10 mil hectares no Pantanal, um dos empreendimentos tem de pagar uma taxa de compensação de R$ 40 mil; os gastos com o desmatamento devem ser de R$ 5,7 milhões.

ENCONTRO

Oposição cobra afastamento de Gonet após foto com Vorcaro em Londres

O advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro

19/09/2026 18h00

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro Divulgação: Polícia Federal

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Lideranças da oposição cobraram neste sábado, 19, o afastamento do cargo do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto em que ele aparece ao lado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em uma degustação de charutos em Londres.

O registro foi enviado no dia 19 de junho de 2025. "PG mandou agora", disse o advogado Ciro Soares, que intermediava as conversas entre Gonet e o banqueiro, em mensagem logo em seguida A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.

Ao O Globo, a assessoria de Gonet confirmou o encontro, mas lembrou que o ministro André Medonça, do Supremo Tribunal Federal, atestou durante sessão da Corte que não encontrou ilícito envolvendo o procurador-geral. Na sessão da terça-feira, 15, Mendonça fez menção a encontros sociais apenas vinculados ao nome de Gonet.

Em nota via assessoria de imprensa, o advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro. "Não há qualquer irregularidade na foto", afirma.

Candidato do Novo ao Senado pelo Rio Grande do Sul, o deputado federal Marcel van Hattem acusa Gonet de ter mentido na sessão do Supremo Tribunal Federal realizada na última terça-feira, 15. Na ocasião, a corte analisou uma petição que trata da possibilidade de que seja aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

"(A foto) Mostra mais uma vez que eles acham que estão acima de qualquer crítica, inclusive mentindo deslavadamente na sessão do Supremo Tribunal Federal", disse Van Hattem. "Se não tinha proximidade, talvez seja só porque ele apareceu na foto do outro lado da mesa, o que obviamente é um escárnio, uma ironia. Ele precisa ser investigado também e sair da procuradoria-geral da República", afirmou.

Na sessão, Gonet afirmou que não teve proximidade com o dono do Banco Master e disse que esteve com o empresário em ocasião com outras autoridades no mês de abril de 2024.

O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, também acusou Gonet de ter mentido. "Disse que não tinha proximidade, que Vorcaro era desconhecido, que o encontro foi breve, banal, no meio de muita gente", escreveu em uma rede social. "Há 17 dias eu protocolizei no STF o pedido de afastamento de Paulo Gonet do caso Master. Ele continua no cargo e o Senado continua em silêncio", continuou.

Ex-secretário da Pesca no governo de Jair Bolsonaro (PL), o senador Jorge Seif (PL-SC) defendeu que o procurador-geral da República renuncie ao cargo. "O PGR de Lula, Gonet, também está enrolado com Master/Vorcaro. Mentiroso. Por isso na última semana protocolei o impeachment desse sujeito", disse, em postagem em uma rede social. "Não tem a menor condição de seguir à frente da PGR. Se tivesse vergonha na cara, renunciaria. Mas o que esperar dessa gente? Caras de pau", concluiu.

Para o deputado federal Zucco (PL-RS), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, a foto "reforça a percepção de que, no Brasil, dinheiro e influência abrem portas que permanecem fechadas ao cidadão comum".

"Enquanto milhões de brasileiros esperam anos por uma decisão judicial, personagens poderosos circulam com desenvoltura entre ministros, magistrados e as autoridades que deveriam fiscalizá-los", disse.

Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) argumentou que quem ocupa cargos públicos precisa respeitar distanciamento. "As relações são institucionais", disse. Para ele, o procurador-geral escolheu "se aproximar de investigados e dos clientes". "Como disse em sua sabatina no Senado: 'Gonet, você fracassou'", escreveu.

CAMPO GRANDE

Projeto que suspende descontos do Master na folha dos servidores é aprovado

Câmara Municipal de Campo Grande aprovou a medida que alcança servidores ativos, aposentados e pensionistas

19/09/2026 17h00

Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) aplicou dinheiro no Banco Master

Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) aplicou dinheiro no Banco Master Gerson Oliveira

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Nesta semana, a Câmara Municipal de Campo Grande aprovou o Projeto de Lei que determina a suspensão dos descontos em folha de pagamento relacionados ao Banco Master, ao CredCesta e às instituições e empresas vinculadas às operações. A medida alcança servidores municipais ativos, aposentados e pensionistas.

O projeto de lei é de autoria da vereadora Luiza Ribeiro (PT) e do vereador Jean Ferreira (PT). Com a aprovação da Casa de Leis, o projeto segue agora para sanção da Prefeitura de Campo Grande. 

A proposta foi aprovada em única discussão e votação e estabelece a suspensão do processamento dos descontos referentes a empréstimos consignados, cartões de crédito consignados, cartões de benefício consignado e outras modalidades de crédito vinculadas às instituições.

O texto também prevê a suspensão de novas averbações em folha e determina que o Município adote medidas para verificar a regularidade dos contratos e das operações. Entre as providências previstas estão: a disponibilização aos servidores de cópia integral dos contratos; demonstrativo atualizado do saldo devedor; e memória discriminada do cálculo da dívida. 

No projeto apresentado em setembro, Luiza Ribeiro voltou a questionar a regularidade das consignações e do credenciamento das instituições no sistema municipal. A justificativa cita, entre outros pontos, requisitos previstos no Decreto Municipal nº 13.870/2019 e sustenta que a utilização da folha de pagamento deve observar as regras estabelecidas pelo próprio Município.

A suspensão dos descontos não significa perdão ou extinção de eventuais dívidas. A medida interrompe o desconto automático em folha enquanto são realizadas as apurações necessárias sobre a regularidade das consignações e dos contratos.

A proposta aprovada estabelece, portanto, uma proteção imediata à folha de pagamento dos servidores municipais e cria mecanismos para que as operações vinculadas ao Banco Master e ao CredCesta sejam analisadas antes da continuidade dos descontos.

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